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Palhoça - Quinta-Feira, 28 de Agosto de 2008 - Boa Tarde!!!

|Rui Guimarães|Assistindo praticamente, mesmo que parcialmente, quase todos os jogos do Brasileirão e da Segundona, muito mais por obrigação de ofício de comentar e analisar, aparece às vezes uma pitada de nostalgia. Isso porque me habituei a ver grandes clubes com ótimos times praticando um belo futebol.
Como eram craques, algo diferente sempre nos reservava nos finais de semana. Nem vou me reportar aos jogadores de articulação ou de imaginação de meia cancha, e muito menos dos contundentes artilheiros que associavam oportunismo, talento e genialidade para definir lances que deslumbraram o nosso imaginário.
Só craques
Pelé, como dizia Nelson Rodrigues: “Nós somos privilegiados porque nascemos na era Pelé”. Pude ver ao vivo e a cores Reinaldo, Tostão, Coutinho, Roberto Dinamite, Zico, Leivinha, Mário Sérgio, Sócrates, Paulo César Caju, Garrincha, Jairzinho e Dario Peito de Aço, que com sua grossura, do ponto de vista técnico, dentro da área era um terror. Víamos também com muita freqüência jogadores com alta criatividade, imaginação e elegância no setor de meia-cancha, considerados verdadeiros maestros no domínio pelo trato com a bola: Didi, Gérson, Rivelino, Pedro Rocha, Dirceu Lopes e Ademir da Guia, o divino meia do Palmeiras, filho do divino mestre Domingos da Guia.
Domingos da Guia
É sobre ele que faço algumas considerações. Infelizmente, não o vi jogar e o que é pior: não há nenhum registro cinematográfico que possa comprovar o esplendor do futebol desse carioca de Bangu, que até hoje é considerado por aqueles com mais de 75 anos, o melhor zagueiro de todos os tempos do futebol brasileiro.
Gerson dos Santos, meu saudoso amigo, que nos deixou em 2007, e que formou ao lado de Nilton Santos, do Botafogo, a mais lembrada zaga do clube da estrela solitária, me fez alguns relatos de Domingos da Guia. Gerson, mineiro de Belo Horizonte, depois de encerrada a carreira, tornou-se um grande treinador de futebol pelo Cruzeiro, Atlético-MG, Seleção Mineira, etc. tive a honra de trabalhar com ele.
Gerson jogou várias vezes com Domingos da Guia, quando este vestia a camisa do Flamengo, e contou-me maravilhas dele. Disse uma vez que Domingos tinha um senso de antecipação fantástico, pressentia a chegada da bola aérea e saltava antes que qualquer adversário. Na bola rasteira, da Guia “hipnotizava” o atacante e, ato contínuo, lhe roubava a bola em frações de segundos.
Foi o primeiro defensor a transpor a grande área, com a bola dominada, fintando e driblando, com a leveza de um bailarismo, como diria Armando Nogueira. Da Guia nunca se precipitava num confronto. Tantas virtudes acabaram inspirando o escritor Eduardo Galeano, uruguaio, num belo texto que dizia: “A leste, a Muralha da China. A oeste, Domingos da Guia. Nunca houve zagueiro mais sólido na história do futebol”.
Branco ou azul?
Domingos da Guia não encarnava a tal falsa modéstia. Assumia publicamente sua dimensão de craque. Em clube ou Seleção, sempre jogava com o máximo de empenho. Um dia, no vestiário, antes do primeiro treino, um novato de Seleção pergunta ao da Guia: “Mestre, são duas camisas, uma branca e outra azul. Como é que vou saber qual é a camisa do time titular?”. “É muito fácil, meu filho. É só ver qual a cor da camisa que vão me dar...”.
|Rui Guimarães|Diante das duas derrotas consecutivas frente ao Coritiba e Vitória, o treinador PC Gusmão, como sempre sem omissão, deverá realizar algumas mudanças na equipe. A manutenção da zaga titular com Bruno Aguiar e Bruno Peroni foi uma atitude acertada. Já estava passando da hora a exclusão do Asprilla. A efetivação do Diogo pela direita e o Diego pela esquerda, a meu juízo, não tem coisa melhor.
Gomes, como primeiro volante, é o mais indicado e Rodrigo Fabri, como companheiro do centro-avante, melhora substancialmente a sua produtividade. Resta saber em Goiânia, neste sábado, com esta formação, qual será a conduta do Figueira. Acredito sinceramente num bom resultado e se isto acontecer, certamente teremos na próxima quarta-feira, aqui em Florianópolis, um grande espetáculo contra o Flamengo.
O empate contra o ABC em Natal nessa terça-feira, faltando apenas três minutos para o término do jogo, teve sabor de vitória. A ausência de Valber sobrecarregou a produção do Marquinhos Santos. A entrada do Joelson acrescentou muito pouco e o Evandro, mesmo fazendo o gol de pênalti, manteve uma média excelente de primeiro gol por partida.
No próximo sábado, na Ressacada, esse jogo contra o Barueri será de seis pontos. Como o Avaí tem 39 pontos ganhos e 10 vitórias, e o Barueri tem 36 pontos e 11 vitórias, se acontecer a vitória dos paulistas o Avaí deixa a vice liderança.
Se o Vila Nova ganhar do CRB em Alagoas, e o Santo André também fizer a vitória em cima do Bahia, em Feira de Santana, por incrível que pareça, o time azurra sai do grupo dos quatro. Por isso, meus amigos, que cada jogo tem a conotação e caráter de decisão.
Por isso é fundamental fazer os deveres de casa e prevalecer o fator local. Para isso é preponderante a participação do torcedor.
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