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Palhoça - Quinta-Feira, 28 de Agosto de 2008 - Boa Tarde!!!
Autor: Claudir Silveira
Devido a difícil situação social pela qual passa o Brasil, o movimento migratório tem sido muito intenso ultimamente.
Tomando-se Palhoça como exemplo, a população do município triplicou nos últimos anos devido à vinda dos migrantes. Os mais abastados logo se integram à sociedade local. Já os mais pobres, têm dificuldade de encontrar local para morar e trabalhar. Como a Cidade não tem capacidade para oferecer bastante emprego, a grande maioria fica desempregada, dependendo dos programas sociais.
Noutro dia eu estava jogando domino na Praça 7, quando apareceu um desses migrantes pobres. Junto com ele estava uma moca muito bonita, grávida, com uma barriga enorme, parecendo que estava carregando o peso do mundo no seu ventre.
O homem pediu ajuda. Aceitaria qualquer biscate. Dei a ele alguns trocados e o mandei procurar ajuda nas residências, no comércio, nas igrejas, na câmara de vereadores e na prefeitura. Ele respondeu que já havia procurado em todos esses lugares. Nas residências, cercadas por grandes grades de ferro as pessoas nem atendiam. Certamente estavam ocupadas demais com os preparativos do Natal e depois dos gastos com os presentes do Papai Noel e com os gastos da ceia, não sobraria nada para distribuir para os carentes.
No comércio dispunham de diversas vagas para serviço extra, já que nesta época ele aumenta bastante porque as pessoas compram muito. Contudo, para ser admitido como empregado, era necessário ter carteira de trabalho, referências, bons antecedentes, experiência e ele não tinha nada disso. Nas diversas igrejas, alegaram que lá era local de adoração e assuntos espirituais e não sociais.
Na câmara de vereadores, um homem de bigode, sentado embaixo de um crucifixo na parede, alegou que ali era local de fazer leis e não de fazer beneficência e mandou-o procurar ajuda na prefeitura. Lá, depois de esperar muito tempo numa longa fila para ser atendido, alegaram que as últimas verbas disponíveis tinham sido gastas com o pagamento do décimo terceiro salário e com a iluminação natalina das ruas da Cidade. Que ele fosse procurar na Secretaria Social que lá talvez pudessem ajudar. Lá, disseram que ajuda só para quem tivesse comprovante de residência. Ajuda só para os necessitados do Município, que por sinal eram muitos. Quem sabe no setor de meio ambiente, habitação e migração, talvez pudessem cadastrá-los. No tal setor também não conseguiu nada. Não tinha documentos, não tinha título de eleitor, não tinha comprovação de residência, não tinha renda nenhuma, não era filiado a partido nenhum. Pediu ajuda médica para sua mulher. Ela estava quase parindo. Quiseram saber se ela era cadastrada no SUS. Não era.
Depois daquele dia nunca mais vi o tal homem e sua mulher barriguda. Minto. Nunca mais não. Na noite de Natal eu fazia minha caminhada, quando passava próximo dum pasto num terreno baldio o tal homem me chamou. Sua mulher estava dando a luz a uma criança dentro de uma estrebaria, sem as mínimas condições de higiene, em cima de um monte de capim. No cocho ao lado, de onde se alimentavam uma vaca e um jumento, uma criança recém nascida chorava. Apavorado, sem saber o que fazer, falei para o homem que eu ia procurar ajuda. Na rua passava um grupo de pessoas. Falei do problema. Eles disseram que sentiam muito, mas tinham hora marcada para iniciar um terno-de-reis e nada podiam fazer. Outro grupo ia passando e pedi ajuda. Não podiam ajudar porque estavam atrasados para a missa do galo. Fiz sinal para um automóvel que passava. Dentro ia um casal bem vestido. Disseram que não podiam ajudar porque estavam atrasados. Iam comemorar o Natal com uma ceia e baile no Clube 7.
Desesperado, voltei para a estrebaria para dizer ao homem que não tinha conseguido ajuda. Ele falou que eu não me preocupasse. Eles já estavam acostumados com o descaso das pessoas. Perguntei o que eles pretendiam fazer com a criança, já que não tinham as mínimas condições para criá-la. Ele falou que talvez alguma família de Palhoça quisesse adotar o seu filho. Na tentativa de ajudá-lo, faço um apelo: pelo amor de Deus, será que alguém em Palhoça está disposto a ajudar uma família de migrantes carentes, cujo pai se chama José, a mãe Maria, adotando uma criança de nome Jesus?
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