Lançamento da ExpoPalhoça 2010 reúne autoridades e empresários
Blocos de Carnaval de Palhoça
Baile Verde e Branco
Desfile das Escolas de Samba Florianópolis - Parte II
Desfile das Escolas de Samba Florianópolis
Baile Infantil do Clube 7 de Setembro
Baile Municipal - Clube 7
Escolha da Rainha do Carnaval 2010
Posto Marola reabre as portas sob nova direção
Alfredo Wagner festeja o aniversário do Prefeito Ronério
Web Rádio Enseada festeja 2 anos
Aniversário Camila Bonfin Luz
Palhoça - Terça-Feira, 09 de Março de 2010 - Boa Tarde!!!

Conheci Claudir Silveira em março de 1981, numa conversa informal no largo da igreja Matriz em Palhoça. Naquele tempo ainda havia ali um velho casarão em ruínas, que por muito tempo serviu como salão de festas da igreja católica. Na parte da frente, que dava para a avenida, uma pequena sala servia como sede do meu jornal.
Naquela manhã de março, eu estava com minha cuia de chimarrão, observando os pássaros que faziam ninhos nas copas das árvores ali existentes, quando o Claudir se aproximou e foi falando como se nos conhecêssemos há muito tempo... Ele admirava a natureza e, se fosse sua a decisão, aquelas árvores do largo da matriz jamais seriam derrubadas... Ele era assim, expansivo, aberto, e interessado... Sempre queria saber das pessoas, de onde eram, o que faziam e se moravam em Palhoça.
O chimarrão denunciava a minha origem Riograndense e isso de certa forma o deixou intrigado por outro lado, porém, também interessado, pois ele era um ferrenho defensor desta terra palhocense que viu crescer e que tanto estudou, pesquisou e descreveu.
Então, sem demora, tratei de me identificar e declarei que, embora conhecesse muitos lugares aprazíveis, foi aqui que resolvi ficar, porque este recanto parnasiano considerava o melhor lugar do mundo para se morar. Ele então disse uma frase que costumo repetir para os forasteiros, visitante e novos moradores de Palhoça: “Para você morar em Palhoça você precisa viver, precisa respirar, precisa ser caranguejo”. (Claudir tinha expressões desta natureza.)
Na verdade, não lembro quanto tempo ficamos ali conversando sobre coisas da Palhoça. Sei, no entanto, que ao ler qualquer livro ou descrição sobre esta cidade, lembro deste encontro.
Conheci em uma tarde a história e as estórias deste lugar, o seu povo, suas origens, lutas, vitórias e costumes, contadas por um entusiasta e simples morador que tinha um amor tão grande pela sua cidade que ficava emocionado ao falar do verde, dos mangues, das lagoas, das festas religiosas, das famílias luteranas, da “igreja dos alemães”, do Pão por Deus, do Terno de Reis, das cantorias na frente da matriz, dos jardins do “Seu” Flor, dos casos (ditos como verdadeiros) do “seu” Gersino. Da fonte de água pura que se esconde no pico do Cambirela, da caverna que poucos conhecem na encosta da Pedra Branca, do antigo cinema na praça, do Clube Concórdia, das carrocinhas do leite, do padeiro que vendia o pão de casa em casa, e de tantas coisas que hoje só os mais antigos lembram.
Já neste tempo Claudir pensava em Museu, Casa da Cultura e Biblioteca. Falar com alguém com a personalidade do Claudir muda os nossos conceitos e nossos valores sobre a cidade. E as coisas em que acreditamos se tornam mais sólidas e ao mesmo tempo reorganizamos as nossas prioridades.
O nosso encontro e a conversa nos fizeram amigos. Embora eu estivesse a apenas dois anos na cidade, já tinha um sentimento de amor por esta terra e concordava plenamente com tudo o que ele dizia e imaginava. Agora, 31 anos depois, esta realidade se tornou ainda mais forte. (A nossa Palhoça, mesmo com todos os avanços do progresso inevitável, ainda conserva o parsianismo e o dom de aproximar as pessoas.)
Acrescentei mais algumas idéias e assim ficamos devaneando por algum tempo. E ele no final me disse: “Meu jovem, hoje somos visionários, mas não podemos ficar apenas nas idéias. Temos que falar para as pessoas sobre o que pensamos...e quem sabe alguém resolva acreditar neste tolos visionários...”.
Depois daquele dia todas as vezes em que nos encontrávamos, sentávamos num banco do jardim e falávamos sobre estas coisas e do que estava mudando na nossa Palhoça.
Por diversas vezes Claudir me mandou ensaios de textos para que eu lesse e os guardasse. Pedaços de pesquisas, histórias e descrições de acontecimentos que marcaram época ou de fatos pitorescos sobre personagens ilustres ou populares, de uma cidade que aos poucos vai cobrindo suas ruas “poeirentas”, com lajotas e asfalto, abrindo portas para o progresso.
Março já está se avizinhando outra vez e já se passaram 29 anos desde a nossa primeira conversa... Para mim, no entanto, é sempre presente.
Claudir Silveira nunca será passado. Escritor, pesquisador, historiador, um homem que sempre amou o lugar que lhe deu abrigo, que nunca esqueceu da sua gente, que sempre descreveu a sua terra, que sempre foi “caranguejo”... Sempre será PRESENTE. (Claudir Silveira faleceu no dia 07 de janeiro de 2010).
Alcindo Ziemann
Em 1904, o superintendente Franscisco A. Lehmkhul, atendendo aos insistentes pedidos dos moradores da Praça de Palhoça, mandou instalar a iluminação pública nas ruas do Centro. A primeira iluminação pública de Palhoça era à base de querosene e foi instalada no trecho entre as pontes, conhecidas na ocasião, como ponte do Antônio Pierri e a ponte do Pedro Sotero.
Para a instalação dos postes, lampiões e demais acessórios, o superintendente abriu uma concorrência pública que, depois de algumas reuniões, foi vencida por um “companheiro do seu partido”.
Para a manutenção do serviço, criou-se o cargo de confiança denominado “Zelador de Iluminação Pública”, assumido por um dos correligionários do superintendente.
De acordo com a Lei, o zelador receberia 10 mil contos de réis mensais para acender, apagar e abastecer com querosene os lampiões. Isso quando não ventava sobre Palhoça o famoso vento sul, pois nestas ocasiões ele não precisava ir trabalhar. Portanto, como todos sabem, pouco trabalhava. Acontece que o então Zelador, como importante cabo eleitoral dos “poderosos” da época, sentiu-se desprestigiado pela quantia recebida e “mexeu seus pauzinhos” junto aos conselheiros (vereadores) para aumentar sua remuneração.
Como “mexer os pauzinhos” já funcionava na ocasião em Palhoça, a Lei foi revogada, sendo sancionada outra logo em seguida, elevando de 10 para 15 mil contos de réis a gratificação do zelador.
O zelador mamou na Prefeitura até ser instalada a iluminação à base de energia elétrica, que só aconteceu em 1930, quando mais uma lei foi votada e sancionada, aposentando o “homem que dava à luz”.
- Onde já se viu uma barbaridade dessas?!?! Ter que pagar imposto para a Prefeitura por vender um cacho de banana?!
- Agora é Lei! O prefeito Juliano Luchi taxou em 100 réis o imposto na venda de um cacho de banana, não importando o peso!
- Prefiro ver a banana apodrecer no cacho, mas pagá eu não pago. A menos...
- A menos o quê, cumpade?!
- A menos que nóis faz como o cumpade Pedo... deixêmo o ingaço na bananeira e vendemo a banana em penca.
Assim... iniciou em Palhoça a sonegação de impostos.
Silêncio... Uma brisa fresca bate de frente em seu rosto, enquanto observava quieto na sua grandeza, todos os dias o sol distante e amarelado erguer-se do outro lado do mar, passar de leste a oeste e todas as noites a lua seguir o mesmo caminho, como se quisesse alcançar o sol. Eterno e sem idade, permanece como se assistisse pacificamente o Município de Palhoça seguir seu destino.
No tempo, registrou o aparecimento dos primeiros habitantes, os índios, que harmonizavam-se com as centenas de espécies de animais e pássaros e a exuberante beleza da natureza, que o deixava orgulhoso. Tamanha era sua imponência sobre a beleza posta por Deus aos seus pés, que os índios Carijós deram-lhe o nome de CAMBIRELA, que significa “Grande Seio”, devido sua forma pontiaguda e imponente. Também há quem o chame de “Gigante Adormecido”, já que, dependendo do ângulo que é observado, pode-se ver o contorno de um gigante deitado sobre a Serra do Tabuleiro.
Os séculos passam como as estações e os anos como horas. E do alto, o Cambirela participa de tudo. Viu os índios sendo dizimados por homens que chegavam do mar e os expulsavam de suas terras. Viu esses homens abrindo picadas e clareiras nas matas e mangues, construindo povoados em sua volta: Enseada de Brito, Passa Vinte, Barra do Aririú, Maruim, Arraial de Santana do Cubatão, Freguesia do Senhor Bom Jesus de Nazaré... Por lá brincavam crianças banhando-se nos córregos e rios. Os mais velhos jogavam sementes na terra que tudo dava ou jogavam suas redes nos rios e no mar recolhendo peixes. Vê nossos antepassados vivendo alegres na cidade e vilas, batizando seus filhos, construindo suas palhoças, negociando e levando uns aos outros para o túmulo, geração após geração.
O tempo corre e o Cambirela tenta proteger os vales, rios, mares e todos que vivem aos seus pés. Apreensivo, vê a cidade lá em baixo estender-se tentando agarra-lo ou arrastando-se em direção ao mar. Confuso não consegue deter, tão pouco entender, porque os homens poluem os rios, destroem as matas, aterram os mangues, como se o mundo em que vivem não fizesse parte deles. Quieta na sua grandeza, viu os balseiros esquecerem suas balsas, vê os jovens e crianças não mais se banharem nos rios que, aos poucos, foram dando lugar ao lixo e ao esgoto. Vê os mangues sendo aterrados com sobras das construções e os entulhos deixados ao léu pelo bicho homem.
Por mais que buscasse uma explicação não a encontrava. Apenas se indagava:
- Em que momento havia se rompido o elo que existia entre ele e o povo que aos seus pés vive? O Rio do Felix, da Manja, da Madre, do Aririú, o Cubatão... a ilhota, o Tomé, a Pedra Branca, os mangues... e até ele mesmo, eram, até pouco tempo, patrimônio de todos. Indiferente de idade, classe social ou cultural, todos levavam no íntimo uma escritura de posse invisível. Tudo era como se fosse um grande terreiro da comunidade, onde rios, dunas, florestas e mangues pertenciam a todos e a ninguém.
Uma explosão!!! O Gigante Adormecido acorda assustado com o barulho ensurdecedor de cargas de dinamite. A força do impacto fez que seu corpo amolesse e suas entranhas tremessem, quase ressuscitando o vulcão nele adormecido. Com muito esforço ergue seu olhar sobre a Palhoça, percebe que a cidade esticara, chegando perto da Pedra Branca. Prédios com aparência de caixotes haviam sido erguidos, substituindo as antigas edificações de estilo alemão ou luso-açoriano. Loteamentos irregulares com pomposos nomes de Jardins..., sem qualquer infra-estrutura tinham sido vendidos de norte a sul e de leste a oeste. Mangues, dunas, restingas, morros, matas e banhados davam lugar a milhares de casas. O que restava do manguezal, parecia um fio, cada vez mais empurrado para o mar. As cachoeiras haviam desaparecido das encostas das montanhas e apenas os maiores rios ainda sobreviviam, mas ao invés de parecerem cobras prateadas, suas águas transformam o azul do nosso mar em amarelo merda!
O progresso havia chegada ao Cambirela. Uma empresa mineradora o dinamitava para retirar suas pedras milenares. Era mês de março de 1981, quando a Câmara de vereadores cravou para sempre um punhal chamado Saibrita no seio!.
- Em discussão, em votação o projeto de lei n 413/81, de Autoria do Executivo Municipal, concede autorização à empresa Saibrita – Mineradora e Construção Ltda, para num prazo de 20 anos, explorar, destruir, desmatar, explodir, dinamitar o Cambirela. Os vereadores que aprovam permaneçam como se encontram.
Os vereadores da época, inclusive os atuais vereadores Nazareno Martins e Nirdo Artur da Luz (Pitanta), permaneceram como se encontravam: sentados em suas cativas e confortáveis cadeiras de vereadores.
- Aprovado! Sentenciou solenemente o presidente da Câmara na época, Vereador Pitanta.
Daquele fatídico dia 06 de março de 1981, quando o prefeito Chico da Farmácia, assinou a licença para que a Saibrita explorasse a pedreira, o Cambirela nunca mais teve paz. De vez em quando sucumbe com as explosões de dinamites, assustando e jogando involuntariamente pedras sobre as cabeças dos que vivem sob seus pés.
Como se 20 anos fosse pouco, em 2001, a Câmara de Vereadores aprovou mais 8 anos para a Saibrita. Disseram que era para que a empresa se adequasse as exigências dos órgãos ambientais para que ela recuperasse a área destruída. Grande mentira! Agora os nossos Vereadores, sorrateiramente, aprovaram na calada da noite de terça-feira, dia 31 de março, mais oito anos.
Mais uma vez, a Câmara Municipal votou contra a vontade daqueles que diz representar: o povo palhocense, pois a maioria esmagadora da população é contra a permanência da Saibrita no Cambirela.
Desta vez, os vereadores responsável pela aprovação foram: Nazareno Martins (DEM), Nirdo Artur Luz (Pitanta) DEM), Ademir Farias (DEM), Isnardo Brant (PMDB), Otávio Marcelino Martins, Tavinho, (PMDB), Cláudio Ari Leonel , Biriba, (PSDB), André Machado, (PMDB), Nilson João Espíndola (PR)
Não votaram no projeto, mas votaram para que o projeto entrasse em votação em 24 horas os vereadores: Adelino Keka (PMDB) Arcendino José Cerino, Zunga, (PR) e o Leonel do Proerd (PDT).
Por Ma. de Fátima Barreto Michels
É necessário que redobremos a vigilância, que nos mantenhamos muito atentas.
Acredito que depende muito de nós mulheres a possibilidade de diminuição dos crimes de abuso sexual contra as crianças.
Venho observando nestes últimos meses, através das notícias, o modo como estão ocorrendo e aumentando os crimes de violência sexual contra as crianças.
É importante lembrar que tantos os meninos quanto as meninas tem sido essas vítimas, e em quase cem por cento dos casos o agressor é do sexo masculino.
Houve um tempo em que eu rejeitava as páginas policiais dos jornais, mas mesmo sem prestar atenção, acabava ouvindo a TV noticiando os casos mais incríveis de violência contra crianças.
Qualquer pessoa com um pouco de discernimento, sabe que alguém capaz de causar sofrimento a uma criança, é um sujeito nocivo à sociedade.
Há adultos que submetem crianças, da própria família, para satisfazer sua libido pessoal.
Hoje se molesta se maltrata e se comete crimes contra a criança, dentro dos lares, de igrejas, arrastando-as para fora de pátios de escolas, em casas de pessoas vizinhas, ou conhecidas, que pareciam de confiança.
E é preciso que compreendamos que não se prejudica uma criança apenas quando há a ocorrência do sofrimento físico. A criança é um ser em formação, em constante aprendizado ela precisa de certezas, da nossa proteção, do ensinamento, ela precisa ser orientada para uma vida adulta feliz, de realizações.
Jamais poderá ser tapeada, na sua ingenuidade, ser lograda, trapaceada, e perder a confiança que deposita nos adultos. O poder no sentido mais amplo da palavra precisa ser repartido na sociedade, e uma forma de exercício do poder feminino é garantir vida digna para os pequeninos, sejam eles nossos parentes, alunos, pacientes, filhos ou não.
Mães, professoras, babás, jornalistas, juízas, delegadas, todas nós neste dia internacional da mulher precisamos pensar nas melhores formas de garantir a segurança desses seres indefesos que precisam de nós. O que será do futuro dos nossos meninos, e das nossas meninas? Que tipo de adultos serão eles? Que tipo de cidadãos nós somos?
Que cidadãos estão sendo formados por nós? Podemos estar certos: o tão sonhado exercício da cidadania, da democracia, passa pela dignidade e o auto-respeito, que nós adultos, ajudamos a criança a construir em si.
O pai, o homem de verdade, orienta e deseja ver seus filhos equilibrados. Felizmente a maioria dos homens ainda são pessoas do bem, são homens com responsabilidade e compromisso.
Mesmo assim nós mulheres, precisamos estar cada vez mais cautelosas e observar o trajeto que fazem nossas crianças, por onde circulam fora do lar, e como vivem dentro do próprio lar. Precisamos ir aos locais que elas freqüentam quando estão brincando, quando saem de casa, etc. Observemos os adultos que vivem onde elas brincam, passeiam, dormem. Há relatos na imprensa, das mais incríveis maneiras que os desajustados encontram para cometer seus crimes.
Precisamos observar e cuidar. Prevenir depende muito do esclarecimento que nós mulheres podemos buscar junto a professoras, enfermeiras, psicólogas, pediatras, assistentes sociais, enfim, todas as pessoas que de fato sabem educar e respeitar nossas crianças. Defendamos nossos meninos e meninas dos comportamentos doentios, dessa gente sem noção de dignidade humana.
Sexo é saúde , quando realizado entre pessoas adultas que se respeitam. O envolvimento sexual do adulto com crianças é crime, e nenhuma mulher deve concordar com isto!
Procuremos socorro, busquemos ajuda e caminhos em benefício de uma infância feliz.
Por Ma. DE FATIMA B. MICHELS – Escritora e fotógrafa lagunense
O Museu de Arte de Santa Catarina vai fazer uma nova exposição com as obras da artista plástica catarinense Eli Heil.
Está aí o tipo de notícia que gostamos de ler e ouvir!
Durante o curso sobre a História da Arte na UNISUL, tivemos a oportunidade de ouvir mestres e doutores, sobre as artes em geral e a pintura, mais detidamente.
Eli Heil, que é referência não apenas na pintura, mas também na escultura, no desenho, na tapeçaria e na cerâmica, nasceu em 1929 na cidade de Palhoça-SC.
Tive a oportunidade de ver suas obras através do SESC em Laguna, e da FURB em Blumenau. Já li a respeito de sua arte em jornais, folderes e também no sítio virtual que há em seu nome, na rede.
Fiz algumas fotos de suas telas para me deter um pouco mais a apreciá-las em casa.
Li que sua obra será registrada em novos livros e documentário, que serão lançados, para festejar os 80 anos que a artista completa em 2009.
Vai nos fazer muito bem ter em mãos um livro com as cenas que a Eli proporciona ao mundo. Provocará exercícios de diálogo íntimo com nós mesmos, e renovará nossa perplexidade.
Há um cinema que Eli cria e amplia sucessivamente, ao limite da tensão.
No movimento de in e out ao precipitar-se para si e para o universo ela (re)processa a gênese, em vôo obstinado, no seqüencial da fita, pintando, esculpindo, desenhando...
A Eli não suportou tanta cor, tanta força criadora que a assomou e então: a compulsão por espalhar seus óvulos.
Ela é a maior constrangedora de receitas prontas destes tempos .
Impressiona, causa-nos comoção a viagem a que somos submetidos diante das suas obras. O que nelas é fartura e fragilidade é ao mesmo tempo jactância, da boa, da que o mundo carece.
Cada obra de Eli pode ser uma independente, mas se conseguíssemos costura-las formariam tecidos vários em um só organismo , porque a cosmogonia que ela propõe, é uma fenomenal catarse de vida. E a vida nós sabemos, é um jorro único.
A arte é mais forte em Eli do que ela supôs um dia, penso comigo, e a levou a enfunar asas irreversivelmente, para as amplitudes ilimitadas do expressar-se.
A arte-vida dentro dessa mulher-ave, dotada sobejamente de fertilidade, eclode-se em óvulos-obras tresloucadamente, sem esperar a lua. Eli é atemporal e inventou sua linguagem ímpar, de cores e formas, para dizer que a única coisa importante que temos a fazer na vida, é transfundi-la em arte. Ela assumiu-se pássaro alienígena, que coloca ovos incessantemente. Eli é parceira da gênese e da fartura, é uma facilitadora de blástulas e mórulas, ela sabe disto. E nós também!
A moradora de Palhoça, Doroti Malagoli, encontrou uma maneira diferente de expressar sua indignação e ao mesmo tempo pedir a atenção da Prefeitura para os problemas de sua rua. Esperamos que a classe política se sensibilize e tome as devidas providências ou, pelo menos, recorte essa pequena poesia e coloque em um quadro em seus respectivos gabinetes, para que tenham certeza de que há muito o que fazer.
Acompanhe o desabafo de dona Doroti Malagoli em versos e prosas:
Palhoça minha terra
Palhoça terra querida
Aqui nasci me criei
Palhoça é a minha vida.
Palhoça bela e formosa
De natureza tão bela
Meu coração até dói
Estão acabando com ela.
No Centro é uma beleza
Parece fitas e rendas
Por trás: buracos e sujeira
E só se Deus nos defenda.
Minha rua está esquecida
Moro na Olibio Silveira
Não sei o que vai ser dela
Tamanha a buraqueira.
Fiscalização não existe
Só limpam as ruas da frente
O meu coração como dói
Será que esqueceram da gente?
Doroti Malagoli
|Encontos e Desencrônicas|Nada é tão desejado quanto estar namorando uma menina que faz meu coração bater mais forte. Parece ser a composição do hino nacional, na qual a palavra Brasil cede espaço para o nome de minha namorada. Ela é mais florida, é quem tem o sorriso mais límpido. E a satisfação quando eu me vejo deitado em seus braços esplêndidos, saboreando os formosos lábios? Certamente indescritível. Quando estou namorando, as aulas de literatura brasileira, principalmente as de poetas românticos, ficam mais vivas.
O coração dispara quando a vejo. Ela chega perto de mim e minhas pernas ficam bambas. Basta eu tocar meus lábios nos seus, pronto, pega fogo todo meu corpo, e se ela não me regular, sou capaz de fazer loucuras.
Tudo que ela me fala cai certinho. Temos muitos planos juntos. Adoro o inverno, pois tenho o corpo dela para aquecer o meu. Amo de paixão o verão, para ver as pernas, o bumbum nos shortinhos que ela costuma vestir. E a camisetinha com as pontas dos deliciosos seios apontando para mim.
À tardinha vamos dar uma volta na praça do bairro. Sentados em banco de pedra, ela me sorri, me conta coisas trivialmente importantes. Prefiro quando estamos a sós, escondidos. Mas vendo seu sorriso no rostinho iluminado pelo pôr do sol, fico satisfeito. Mais satisfeito ainda quando ela vai comprar um sorvete e passa desfilando pela calçada. Outros olhos gulosos ficam com a boca cheia d’água. Eu sei que é cretinice, mas o que fazer? Gosto de ver minha gata cobiçada. Os olhares a ela só valorizam meu ego. Claro, desde que não haja baixaria, tipo querer passar a mão ou cantadas grosseiras. Daí corro o risco até de apanhar, pois só em pensar que ela pode sofrer alguma agressão meu corpo treme, e quando vejo estou avançando no malandro.
Sabe aquele papo de que amor não enche barriga? Pois enche sim. Só não enche a barriga de quem não ama. Eu sempre sou reclamão quando fico com pouca grana para ir me divertir nos bailes, nas baladas. Mas basta estar com a namorada que me alucina para o dinheiro significar bem pouco. Se tiver uns trocados para um sorvete, legal, se não, também está valendo.
À noitinha, juntinhos, debaixo de uma árvore, no quintal ou na laje da minha casa ou da dela. Legal ver as estrelas no céu ou as do brilho do seu olhar. Os lábios mais sedosos, os seios mais firmes e saborosos, a pele mais cheirosa. Dureza é ter que ir para casa neste estado, e precisar trocar de cueca ou aliviar no banheiro. Nas primeiras vezes eu encanava. Entendo: somos animais. É a biologia que nos limita. O que resta a fazer? Aproveitar o prazer e ir driblando o inconveniente.
Estamos de férias da escola. Sobra mais tempo para namorar, visto que amanhã de manhã ela não vai para o colégio e eu, que estudo à noite, posso estar ao lado dela. De certo que férias mesmo eu não tenho, pois estou estudando para entrar na AMAM. Estou empenhado em ser oficial do Exército. Um pouco serve como estímulo aos meus pais que me permitem estudar o dia inteiro. Não fosse por isso, eu já teria arrumado um trabalho durante a semana. Eu trabalhava nos fins de semana num clube na zona sul, mas larguei depois de uma briga com ela. O serviço me exigia ausência justamente nos fins de semana. Ela me falou de sua solidão, escondendo a insegurança.
Ela e seus planos. Sou todo ouvido. Minha primeira namorada séria, que me assumiu. As outras só queriam zoar, me beijar, abraçar, abusar de mim. As garotas cariocas são cruéis quando querem. Talvez por isso que eu continuo apaixonado como se fosse nosso primeiro dia de namoro.
Ronaldo Duran, escritor.
msn:ronaldo@ronaldoduran.com
|Encontos e Desencrônicas|Quem não se lembra daquela brincadeira do gato-mia? Pois é, no Brasil, costuma-se brincar com assunto sério. Exponho, depois de tanto fermentar idéias sobre o assunto, a desarticulação que há nas políticas elaboradas para o pequeno e médio empreendedor brasileiro. As gigantes nacionais e transnacionais recebem todo incentivo possível, além de já estarem munidas de uma estrutura econômica e jurídica para enfrentar qualquer entrave que apareça, como o da máfia das leis trabalhistas, enquanto os pequenos e médios empresários nacionais se vêem impedidos de avançar pela burocracia e a falta de estímulo governamental.
Numa das reuniões entre amigos recordo da frase de um colega universitário que dizia, em tom de brincadeira e sarcasmo, que havia por aí “visionários com olhos no passado”. Não vejo melhor ocasião para associá-la com algum problema do país que a da inércia de alguns (melhor conceder) governantes para promover o desenvolvimento endógeno e sustentável. No afã de gerar empregos e realizações a qualquer custo dentro de um quadriênio de milagres, que é como vejo que se pode fazer em quatro anos de gestão pública, acaba-se, infelizmente, tomando decisões retrógradas.
Um caso emblemático é o da Caterpillar em Piracicaba, no interior paulista. O crescimento vertiginoso desta empresa na região caracteriza o que chamo de monopólio da ilusão, uma vez que emprega milhares de trabalhadores, movimenta a economia urbana e afeta o setor de serviços de uma maneira perigosa. Acaba, diga-se de passagem, de anunciar férias e demissões coletivas aos seus funcionários devido à crise financeira mundial. O que deve ficar claro é que, em caso de um descontentamento ou instabilidade que afete gravemente os seus negócios, a empresa cai fora e a cidade se abala.
Há focos de grandes empresas nacionais e transnacionais em várias outras regiões do país. Poderia também citar o caso do setor automobilístico. Criam-se cursos profissionalizantes (solda, montagem, secretariado, etc) que atendem majoritariamente a demanda das empresas de grande porte. O problema não é que elas sejam de capital transnacional senão a ilusão de desenvolvimento que se promove com a negligência ao pequeno empreendedor local, que se acovarda, e com razão, diante dos obstáculos que lhe aparecem. A técnica local e regional restringe-se pela falta de incentivo dos “visionários”, que ainda não desapegaram os olhos do passado.
Basicamente este é o processo que critico: o grande conhecedor de soldagem acaba virando um técnico especializado, nem tão reconhecido, e agregado à enorme dimensão das empresas que demandam sua mão-de-obra; o que sabe montar um veículo inteiro, na impossibilidade de abrir ou prosseguir seu empreendimento, é fagocitado por uma empresa que só demanda dele a montagem de tantos pára-choques por dia. Há lógicas distintas gerindo o desenvolvimento das nossas cidades. Uma delas é a que tem sido mais atendida em detrimento das potencialidades da nossa gente.
Não é culpa da Caterpillar nem das demais gigantes nacionais e transnacionais, no entanto. Elas seguem uma estratégia privada eficiente, porém o incentivo a elas é retrógrado ao que precisamos para o desenvolvimento endógeno. Enquanto isso, nossos “visionários” continuam tateando no escuro sem saber bem onde metem a mão. Esta brincadeira de gato-mia já não tem mais cabimento.
Bruno Peron Loureiro
Bacharel em Relações Internacionais pela UNESP (Universidade Estadual Paulista).
|Encontos e Desencrônicas|Ronaldo Duran
ronaldo@ronaldoduran.com
Que saudade do Brasil. Sobrevoando o território nacional, a rádio brasileira já sintonizada. Estou tão nostálgico que consigo ver alguma graça nas piadas do locutor. Juro, toda vez que vou para Madrid penso que nunca mais verei minha pátria. Quando desço em Guarulhos dá vontade de seguir o exemplo do saudoso Papa João Paulo II e lascar uma beijoca no chão.
Terminei a faculdade de arquitetura. Foram dez anos. O curso leva quatro anos para uma pessoa sadia. Mas para o drogado da turma, natural que o tempo se estenda. E tive muita sorte em concluir. Cheguei a pensar que as dependências me iriam jubilar.
Hoje, tenho 29 nove anos. Um curso de arquitetura nas mãos e estágios na Alemanha e Rússia. Se me serve de consolo, dos dez anos que levei preso à faculdade, passei um na Alemanha e seis meses na Rússia, fazendo estágio.
Tá, isto não anula minhas mancadas. Eu tinha 19 anos quando meu pai, me vendo perder-se com os carinhas em esquinas a cheirar e beber, me intimou a ir para junto de meus avós, naturais de Barcelona. No primeiro ano até que a mudança de ares me fez sadio. Eu me aprumei, estudei e superei a adversidade do idioma de Miguel de Cervantes. Como havia concluído o ensino médio num colégio espanhol em São Paulo, foi sopa pedir o equivalente diploma que o governo da Espanha exige em suas universidades.
Do segundo ano em diante foi barra. Me envolvi com a turma mata aula e zoa todas. Várias vezes eu passei a noite em claro fumando. Overdose? Foram três. Nem sei como sobrevivi. A dependência seguia. Eu queria parar. Gostava dos créditos, dos papos dos nerdes, dos mestres e doutores. Nunca fui um rebelde, era quase um certinho. Mas não conseguia largar a droga.
Fui a psiquiatras e psicólogos? Todos diziam que eu é que teria que ter a iniciativa de parar. Contudo, eu tinha a de continuar. Os dias iam, e eu me afundando. Era dureza, para sorrir, para me sentir bem por uns minutos, me entupia de droga. Não cheguei a roubar, mas cair em vários lodos que o mundo da droga proporciona.
Certa vez estava em Berlim e tudo estava tão legal: o estágio, os elogios, os projetos, e nem sei por que me bateu um desânimo e corri como um desesperado para cheirar. Aí o dia foi ruim paca, faltei à reunião super importante, quase fui banindo do projeto e perdi muita credibilidade. Tudo por causa dum pó babaca.
Um dia, passeando em Moscou, entrei num sebo e me deparei com um livro do psicólogo Ricardo de José da Silva. Já tinha ouvido falar do cara. E sinceramente sempre o achei um charlatão. Coisa de preconceito infundado, visto que nada lera dele. Peguei o texto mais para aperfeiçoar o idioma, uma vez que estava em Russo.
Ter metas, as mais banais que possam parecer, ajudam-nos a driblar as amarguras da vida. Um amor, um lar, um emprego, a carreira profissional, ser solidário. Em alguns casos, chega até preencher o vazio que costuma ser alvo das drogas. Claro que achei a frase forçada, chavão. Para dizer a verdade, só refleti sobre a frase quando me esbarrei com a Karina, quando da segunda vez que fui ao sebo. Conversamos e nos entendemos. Ela é minha droga, no bom sentido. Há três anos vivemos juntos. Me faz super bem e aceitou morar no Brasil. Vai ver ela seja minha meta.
|Encontos e Desencrônicas| A moça padecia de um mal que ninguém conseguia sequer diagnosticar. Consta que nascera saudável e com dez meses contraíra doença neurológica que a incapacitava progressivamente. Com 20 anos, e cadeirante há dez, os pais a levaram para uma consulta com o doutor Asteróide do Espírito Santo. Após exames diversos decidiu que a moça ficaria no hospital para um tratamento que ele havia concebido. Entretanto, a jovem estava há uma semana deitada numa maca da emergência sem conseguir vaga para um quarto.
Quase tudo ali lhe era negado: a higiene pessoal, o repouso, a dignidade, a gentileza de um sorriso. Quando sucedia precisar de banheiro era tirada dali às pressas. Viajava pelos corredores olhando o teto e vendo os rostos distorcidos das pessoas; sentindo cada solavanco das rodinhas da maca nas curvas para chegar ao elevador e lá ficar confinada, acompanhada pelo murmúrio do engenho das correntes e dos contrapesos da caixa de aço. Depois, de volta, tudo de novo sob o comando de outro atendente, pois o que a trouxera fora lanchar ou entregara o plantão para descansar no colchão macio de casa. Sentia-se longe da própria casa diante do efeito maca-na-emergência. Uma semana ali varreria da memória de qualquer um os contornos da própria carteira de identidade; mas a moça era valente e resistia, saindo daquela impiedosa cena para se abrigar na vigorosa esperança que lhe nutria a alma.
Todos os dias o médico dizia que estava providenciando um lugar. Durante o tempo em que a visitava parecia que também fazia alguns exames misteriosos. Espetava-lhe as partes dormentes das pernas, das mãos, dos braços, dos pés, das costas, do abdome e da cabeça. Muito embora ela experimentasse leve desconforto, mantinha-se resignada durante os exames. Guardava uma fé quase absurda de cura mais-dia menos-dia. Mas esperando naquele corredor ela também pressentia que não ia acontecer nada.
Daí que os pais decidiram levá-la para casa à revelia do médico. Tiveram um trabalho imenso para encaixá-la naquela cadeira da má sorte. Ajuntaram as coisas e já iam saindo quando o doutor chegou.
— Vamos levá-la para casa. Isto aqui é desumano — disse a mãe.
— Ela não pode interromper o tratamento.
— Tratamento? O senhor está de brincadeira.
— Ela tem de ficar no hospital. Esperem que irei providenciar um quarto. Além do quadro clínico tenho de resolver o enguiço administrativo. Odeio isso.
Saiu e não voltou, mas dois funcionários de roupões verdes, pantufas e toucas acomodaram-na num quarto com mais duas mulheres. Então os pais puderam dormir em casa naquela noite. Dia seguinte voltaram e não a encontraram. Havia duas camas vazias e uma doente que dormia profundo. Deram-lhe alguns safanões delicados para acordá-la, mas parece que ela queria ficar dormindo. Com os olhos fechados perguntou “o que é?”
— Onde estão as pacientes? — perguntou a mãe com angústia na voz.
— As duas foram levadas à noite, mas parece que uma não resistiu.
Disse isso e voltou a dormir no abismo. Pai e mãe entraram em aflição e desembestaram correria ao posto de enfermagem saber o certo. Escutava-se o desespero deles pelo corredor e muitas pessoas vinham ver. Nisso veio também o doutor Asteróide. Ambos voaram-lhe em cima para dele exigir explicações. Nem o deixavam falar, que, ainda assim, mantinha-se calmo.
—Vamos até o quarto — precisou decretar. O que aconteceu com ela e com mais alguns ainda não sabemos explicar. O certo é que isso está me trazendo algum desgosto e nociva fama porque está fora do padrão profissional. Só não abandono isso porque o meu sonho de ajudar os doentes é muito maior do que eu. Mas confesso que essa loucura está ganhando vida própria e ficando maior que tudo.
Encontraram a paciente que havia dado aquela notícia trágica dormindo como desfalecida. Para surpresa geral a jovem sumida saiu andando sozinha do banheiro enxugando os cabelos. Abraçou os pais e contou que estava curada. Que fora levada dali na madrugada para uma sala com pessoas que a esperavam. Que o doutor disse que iam fazer nela uma cirurgia, mas que durante o procedimento ninguém tocou nela. Que fora trazida de volta e dormira bem o resto da noite. Quando acordou quis levantar-se e tomar um banho.
— O resto vocês já sabem.
Os pais procuraram o médico que não estava mais ali. Foi encontrado combinando no telefone móvel outra cirurgia para aquela noite, pois somente a noite sabia guardar os segredos dos fenômenos de assimetria.
Humberto Ilha
http://humbertoilha.blogspot.com/
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