Beltrano - Edição 711

Vida de cão em Palhoça é um estouro
 
O Bilico é um cachorro de rua
Que em Palhoça vive desorientado
Por ouvir tantos estampidos
Vive triste, deprimido
Pelos foguetes soltados.
 
Tudo em Palhoça é foguete
Festas do Divino, fim do ano
E aqui vale um lembrete:
Só não tem soltado foguete
Quem é alvinegro ou avaiano.
 
Soltam foguete no Natal
Pra acordar o Menino Jesus
Na Páscoa, é o coelhinho
Que corre bem rapidinho
Pra fugir da sua cruz.
 
É uma vida sofrida
Verdadeira vida de cão
Tem cachorro se suicidando
Das janelas se jogando
E entrando em depressão.
 
Daí apareceu uma boa alma
Querendo nisso dar um fim
Foi quando Rodrigo Quintino
Pegou pra si o destino
E acabou neste pasquim.
 
Fez um projeto de lei
Pra proteger os animais
Que sofrem com o foguetório
Mas entrou no falatório
De gente barulhenta demais.
 
O projeto teve um erro
Que passou despercebido
Pois decreta uma leve prisão
Pra quem gosta do barulhão
Causado pelos estampidos.
 
A internet não perdoou
Fez parecer um erro fatídico
Mas é bom lembrar, pelo bem
Se tivermos que crucificar alguém 
Que seja a Câmara, o setor jurídico.
 
O projeto causou revolução
E eu fico aqui na torcida
O exemplo foi no sábado
Que passou quase calado
O dia da Nossa Senhora Aparecida.
Não sei se o povo atinou
O que o projeto pleiteia
Se cansou de queimar dinheiro
Ou vai deixar de ser fogueteiro
Com medo de parar na cadeia!
 
Como Quintino, em Palhoça há muitos
Por essa gente, sinto admiração
Não se explica, mas é fato
Devem ter sido cachorro ou gato
Numa outra encarnação.
 
O Quintino, da cachorrada é amigo
Pra ele estendo um tapete
Sabe que seus ouvidos
Ficam deveras doloridos
Com os estouros dos foguetes.
 
Mas a Câmara pisou na bola
Trocando o pé pela mão
Nem do Divino querem ser mais festeiro
Não se sabe se é por gastar muito dinheiro
Ou por medo de ir pra prisão.
 
Até os traficantes de Palhoça
Dos clientes estão com vergonha
Pois não vão poder mais avisar
Quando na “boca” chegar
Uma remessa de maconha.
 
Mas vida de cão é sofrida
O exemplo é outro projeto aprovado
Que decidiu pelos cachorros
Por isso o Bilico pede socorro
Pois vive fugindo pra não ser capado.
 
Ficou irritado e com toda razão
Seu coração entrou em disritmia
Por soltar foguete ninguém é julgado
Então por que precisa ser castrado
E o homem pode fazer vasectomia?!
 
O Bilico é apaixonado pela Lilica
Que passou a olhá-lo de lado
Preocupada que o seu parceiro
Das ruas, seu companheiro 
Também acabe castrado.
 
Ele disse: “Deus me livre
Eu nunca vou latir fino
Antes não cruzava com o Nilson
Hoje pergunto: “O que que é isso?”
Quando vejo o Rodrigo Quintino.
 
“Oh Bilico, fico feliz
E por isso balanço a cola
Por você tenho muito apego
Espero que não sejas pego
E nunca percas tuas bolas!”
 
“Pedimos pra não soltar foguete
Se querem nos ajudar, nos deem abrigo
Se nas ruas nossa vida é perigosa
Chega de propaganda enganosa
Dizendo que somos seus melhores amigos!”
 
Na Guarda e na Praça, não teve mais festa
A cachorrada ali não se assanha
As cadelas não entram no cio
Os gatos não dão mais um pio
Com medo do Neném e do Banha.
 
Na Ponte e na Cova Funda, eles se cuidam
Quando não tem foguete, ficam de campana
Precisam só tomar cuidado
Para não serem avistados
Pelo Xavier, o Bala e a Zana.
 
Na Zona Sul de Palhoça
Os cachorros vivem quietinhos
Se foguetes ninguém soltar
Não vai ser a cachorrada que vai acordar
Os vereadores Pitanta e Nelsinho.
 
No Passa Vinte, nem no cemitério
Os cachorros passam mais
Pedem que Ivon e Fabinho deem jeito
E se um dia eles forem prefeitos
Que deixem suas bolas em paz.
 
Eu defendo a cachorrada
Não é justo e eu destaco
Quero ver nosso político
Sobreviver surdo e paralítico
E principalmente sem saco.
 
Sem saco, mesmo, não viveria
Na Prefa e na Câmara não poderiam trabalhar
Acabaria todo seu balacobaco
Pois como não teria saco
Não teria mais como coçar!


Publicado em 17/10/2019 - por Beltrano

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