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Falando Sério - Edição 638

 

Fatos verídicos

A primeira experiência que eu tive com ladrões foi quando eu tinha 10 anos de idade, na casa do meu avô. Havia uma passagem coberta que servia de depósito do comércio, e ficava entre a casa e a loja. Fui dar um recado para o vô Pedro e, quando estou atravessando aquela passagem, notei que havia um homem barbudo escondido atrás de um armário. Quase desmaiei de susto e fui correndo avisar meu avô.

Ele pegou a espingarda e foi lá ver se era verdade o que eu dizia. O homem ainda estava lá. Meu avô apontou a arma para ele e mandou que saísse. Chamou a polícia e ficou sabendo que era um ladrão foragido da cadeia. Foi o meu primeiro conhecimento da realidade da vida.

O segundo foi quando, ainda adolescente, eu estava dormindo e lá pela meia-noite escutei gritos defronte à casa e fui espiar por uma abertura que havia acima da porta. Vi dois homens brigando: um era o açougueiro e o outro era irmão de um colega meu de escola. Todos os dois estavam bêbados e armados de faca. Não morreu ninguém, mas todos os dois saíram feridos. Conheci, mais uma vez, o lado ruim do ser humano.

A seguir, veio o desastre aéreo, do avião que bateu no Cambirela e morreram todos que estavam a bordo. Depois, ficamos sabendo do assalto aos defuntos, quando roubaram bens e dinheiro, chegando ao cúmulo do banditismo quando cortaram dedos para roubarem alianças. Ocorreu mais uma maldade do ser humano.

Certa vez, as pessoas que moravam na Coloninha, centro de Palhoça, encontraram um táxi parado, com o motorista morto. A polícia foi chamada e prendeu dois indivíduos que dormiam tranquilamente. A polícia levou os dois para a cadeia, que ficava na praça, perto do bar do seu Dorinho. Os taxistas de toda a região vieram protestar, querendo pegar os bandidos, que eram foragidos da penitenciária. Eu morava na casa ao lado. Preocupado, peguei a família e a levei para a casa da minha sogra. Para os taxistas não notarem, os bandidos saíram da cadeia vestidos de padre e foram levados para São José. Os taxistas souberam, foram lá, quebraram a cadeia, surraram os dois e os deixaram quase mortos.

Também, quando terminou a Segunda Guerra Mundial, os “patriotas” bárbaros invadiram as propriedades dos descendentes de alemães, destruíram e roubaram. Mais adiante, veio a ditadura civil e depois a militar, que torturava e matava.

Nos últimos 20 anos, surgiram as “ditaduras” das elites e do populismo descarado, que, unidas, destruíram o Brasil. O que podemos esperar de bom com bandidos administrando o país? E com um povo que por 10 reais vota em ladrões?
É a raça humana, que, sem a devida educação, é um animal feroz.



Publicado em 10/05/2018 - por Juarez Nahas

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