Desfile 7 de setembro no Aririú - 2010 - Parte I
Desfile 7 de setembro no Aririú - 2010 - Parte II
7ª Edição da Feijoada dos Amigos
Seven Lounge
Feijoada do Jean Negão 2010 - Parte I
Feijoada do Jean Negão 2010 - Parte III
Feijoada do Jean Negão 2010 - Parte II
Inauguração nova Loja Hering no Shopping ViaCatarina
Musical Jefferson e Karina - Parte 2
Musical Jefferson e Karina - Parte 1
Atividades no Centro e bairros marcam aniversário de 217 anos de Fundação da Cidade
Bela Vida demonstra preocupação com a saúde e bem-estar
Palhoça - Quarta-Feira, 08 de Setembro de 2010 - Boa Noite!!!

|Falando Sério|Não sei por que razão homens e mulheres brigam tanto. Será que é por falta de educação social, despreparo, exemplos do lar com pais e mães sem se respeitarem diante dos filhos, falta de cultura (a grande maioria é de raciocínio medíocre), orgulho, influência do machismo e feminino, ou, simplesmente, falta de amor? Namoram por pouco tempo, ela fica grávida e arranja uma pensão. Ele, macha, arranjo outra e os filhos pagam pelo desencontro afetivo dos pais.
Não vai demorar muito e esse problema com os filhos vai terminar. As mulheres, agora, casam com mulheres e homens com homens. Assim, não haverá mais parto e, consequentemente, nenhuma criança. Se a ciência lhes proporcionar um filho e eles se separam, quem irá pagar a pensão?
Deixando de lado a brincadeira (que é real), vou transcrever uma obra prima de Vitor Hugo:
O Homem e a mulher (Vitor Hugo)
O homem é a mais elevada das criaturas. A mulher o mais sublime dos ideais. Deus fez para o homem o trono, para a mulher o altar. O trono exalta, o altar santifica.
O homem é o cérebro, a mulher o coração. O cérebro fabrica a luz, o coração produz amor. A luz fecunda, o amor ressuscita.
O homem é o gênio, a mulher anjo. O gênio é imenso, o anjo é indefinível. Contempla-se o infinito, admira-se o inefável.
A aspiração do homem é a suprema glória, a aspiração da mulher é a virtude extrema. A glória faz o grande, a virtude faz o divino.
O homem tem a supremacia, a mulher a preferência. A supremacia significa a força, a preferência representa o direito.
O homem é forte pela razão, a mulher é invencível pelas lágrimas. A razão convence, as lágrimas comovem.
O homem é capaz de todos os heroísmos, a mulher de todos os sacrifícios. O heroísmo é nobre, o martírio é sublime.
O homem é código, a mulher um evangelho. O código corrige, o evangelho aperfeiçoa.
O homem é um templo, a mulher um santuário. Ante o templo nos descobrimos, ante o santuário nos ajoelhamos.
O homem pensa, a mulher sonha. Pensar é ter no crânio uma larva, sonhar é ter na fronte uma auréola.
O homem é o oceano, a mulher é o lago. O oceano tem a pérola que adorna, o lago a poesia que deslumbra.
O homem é a águia que voa, a mulher o sabiá que canta. Voar é dominar o espaço. Cantar é conquista a alma.
O homem tem um conselheiro: A consciência. A mulher uma estrela: A esperança. O conselheiro guia, a esperança salva.
Enfim: O homem está colocado onde termina a terra. A mulher onde começa o céu.
|Falando Sério|Sou do tempo em que amar era viver e viver era amar. Conversar no escuro e beijar era proibido.
Sou do tempo em que um sax e um violão alegravam e comoviam nossas noites de seresta.
Sou do tempo dos rios límpidos onde tomávamos banho, dos pastos e matas virgens repletas de pássaros.
Sou do tempo do café plantado, colhido, secado e transformado em pó no pilão.
Sou do tempo em que a única droga era o álcool, com usuários controlados por um único policial.
Sou do tempo do fogão à lenha, de chapa grande onde se fazia de tudo: Assava-se o cará pescado em nossos rios e os siris conseguidos na caieira. O fogão esquentava a casa nas noites de inverno.
Sou do tempo da água do poço que era usada para fazer comida, lavar a louça, tomar banho e para encher o pote que matava a nossa sede.
Sou do tempo do piano e do violino, da valsa, do bolero e do tango, do Clube Recreativo 7 de Setembro quando ainda era dos associados e não fazia bailes públicos. Do Guarani amador do campo antigo.
Sou do tempo da poesia, das declamações e do conhecimento da literatura e da cultura universais.
Sou do tempo da poesia, das declamações e do conhecimento da literatura e da cultura universais.
Sou do tempo em que admirávamos a natureza, o céu repleto de estrelas e a lua cheia enchendo de beleza o mundo, com seus reflexos nas águas do mar embalando os sonhos de amor dos enamorados.
Sou do tempo da vara de marmelo guardada atrás da porta e que esquentava de vez em quando nossas nádegas.
Sou do tempo do machado, da forja, do carrinho de mão, do forno, da criação de galinhas e patos, das plantações de verdura, milho, melancia, aipim e da farinha feita de forma artesanal.
Sou do tempo do respeito às autoridades, do medo da polícia e da justiça e da forma respeitosa no tratamento aos mais velhos.
Sou do tempo do Conselho Municipal que trabalhava de graça para a comunidade.
Sou do tempo em que um fio de bigode valia uma vida e as pessoas tinham vergonha de serem chamadas de ladrões, trapaceiros e mentirosos.
Sou do tempo da amizade, da família, do namoro com todo o respeito, do noivado e do casamento.
Sou do tempo em que a escola era um segundo lar e os professores respeitados e admirados, e eram chamados de mestres até morrerem.
Sou do tempo em que ser era mais importante do que ter. Do tempo em que se ia para a escola descalço ou de tamanco e os brinquedos de Natal eram de madeira.
Sou do tempo do patriotismo, do ideal, da ética, da honradez, do trabalho, do respeito à história, de honrar pai e mãe e do homem público com vergonha na cara.
Sou do tempo em que saudosismo era virtude.
Finalmente, sou do tempo em que se tinha tempo de pensar no que fazer do tempo.
|Falando Sério|“O corrupto é um lixo no depósito da humanidade.”
Aprendemos a ler e escrever no curso primário. Continuamos a estudar concluímos o segundo grau, vamos caminhando, terminamos o curso superior, pós-graduação e doutorado. Estamos preparados para assumir nosso lugar na sociedade e sermos úteis à Pátria, nos diversos setores da vida nacional, agindo dentro da ética.
Na política, também são seguidas escalas de valores, partindo do curso primário da corrupção, que são as Câmaras de Vereadores. Nesse curso, ensinam de tudo: Fazer leis, fiscalizar o Executivo, trabalhar pela cidade e não apenas pelo seu bairro, ser ético e tratar o dinheiro público com muito respeito. Esses princípios são a parte boa do curso que ninguém faz questão de saber. Fácil, mesmo, é aprender a ser corrupto (muitos já o são antes de frequentar o curso). Saber quando e por quanto vender o voto a como ganhar um apartamento, dinheiro ou lotes para aprovarem aumento de gabarito ou loteamentos irregulares, modificando a qualquer hora o plano diretor, negociando com empresários que só visam o lucro, emprego para os familiares, fazer turismo com dinheiro público e muito mais.
Com o passar do tempo eles se formam no primário, fazem o curso secundário como prefeitos ou deputados e colocam em prática todo o aprendizado marginal, aperfeiçoando-se em corrupção, que é a principal matéria. Depois, matriculam-se em curso superior como senadores, cursam pós-graduação e doutorado como governadores ou presidente.
Eu seria um homem feliz se pudesse escrever elogiando os políticos, já que entendo que a democracia é o melhor sistema político, apesar dos defeitos. Será que temos 10% de políticos honrados? Tudo de ruim que vem ocorrendo na política é porque não existe mais ideal. Não temos, atualmente, um único partido político que tenha ética, em uma mistura de indivíduos em busca do poder e do dinheiro público. Repito o que sempre disse: Só existe poder Executivo corrupto porque a maioria do Legislativo é muito pior que eles. Oitenta por cento desses políticos deveriam ser cassados e presos, para servir de exemplo e para haver uma depuração no País. Esses patifes engravatados, vivem nas igrejas querendo aparecer como pilares da sociedade.
Lamento pelos poucos políticos honestos que lutam contra a corrupção e que não têm voz nem vez. Em Palhoça, até hoje, apenas um Vereador (Flavio Martins) foi cassado pela Câmara. Por ironia do destino ele foi penalizado porque era honesto. E os que o cassaram, quem são e onde estão?
É desanimador notar-se que as pessoas não ficam indignadas com as canalhices de seus representantes. Sabemos que “cada corrupto é um traidor da pátria e semeador de injustiças. Che Guevara deixou escrito: “Se você é capaz de tremer de indignação cada vez que alguém comete uma injustiça, então somos companheiros.”
|Falando Sério|O dicionário diz que covarde é aquele que não tem valentia, não tem coragem, foge da discussão, não tem bravura, é medroso e não tem ousadia. O abuso já é mais extenso, como por exemplo, abuso de poder, poder econômico, poder político, poder da autoridade pública, do pátrio poder, da liberdade de imprensa e abuso de autoridade (de várias formas).
Em nossa vida diária, entendemos que a palavra covardia é muito mais do que nos ensina o dicionário. Abuso e covardia, por fazerem parte do entendimento popular, podem, muito bem, ser sinônimos, por tudo o que temos observado na conduta humana. Assim, é covarde o policial (civil ou militar) que agride e tortura pessoas indefesas, falsifica provas contra inocentes e se prevalece da farda e do cargo. São covardes os indivíduos, quando em maioria, agridem ou executam os policiais. Também os que abusam da liberdade de imprensa e caluniam. Os chefes que tratam mal seus empregados, nas empresas ou no serviço público. Quem abusa do poder econômico humilhando os que menos têm e do pátrio poder que não sabe educar os filhos com amor.
Abusar do poder político é muito comum em países como o Brasil, na perseguição aos adversários, como também em uma maioria legislativa vendida em qualquer município, quando legislam em causa própria e no agrado a um executivo corrupto. Outra ocorrência comum é quando a Justiça se submete ao poder político. São tantos os casos de covardia que se torna difícil contá-los.
A maioria das pessoas é covarde porque não tem coragem de emitir opinião, de discordar dos “mandões” da sua cidade e, por isso, deixa a vida na pele de um carneiro. Nas ditaduras – eu já passei 36 anos de ditaduras na minha vida – os piores covardes eram os dedos-duros, que denunciavam desafetos inocentes, que viriam a ser perseguidos pelo abuso do poder. No meu caso, 90% dos que tentaram me atingir covardemente, já morreram sem glória.
Já falei demais nos covardes que não merecem ser citados. É bom falar dos corajosos, valentes denodados, que não param nunca de trabalhar, lutar, estudar, que têm opinião, personalidade, caráter e que são o alicerce de uma nação que poderia ser a mais rica e a de melhor qualidade de vida do mundo, se não fossem os ratos e os cupins que devoram as nossas riquezas.
As eleições de 2010 estão próximas. Será que o povo trabalhador e ordeiro saberá escolher seus representantes mais éticos ou continuará a votar a votar em corruptos? Sabemos que em uma sociedade corrupta é muito difícil ser honesto. Mas, amanhã, quando contar a nossa história, não vai ser preciso mentir. Mesmo sabendo que quando alguém morre, todos se esquecem das suas maldades.
|Falando Sério|A revista “Saúde” traz uma matéria sobre economia, com detalhes de como devemos gasta o dinheiro que ganhamos, orientando como se deve planejar o orçamento, para que haja equilíbrio entre receita e despesa. Demonstra, com pesquisas realizadas pelo Banco Central, que 60% dos brasileiros têm algum tipo de financiamento. Compras feitas com cartão de crédito cresceram 20% em 2009, chegando ao valor inédito de R4 26,3 bilhões e, que essas compras, representam 73,85% das dívidas dos consumidores com rendimento acima de dez salários mínimos.
Diz o artigo, que a facilidade de crédito, o apelo comercial e o consumismo desenfreado, a falta de uma educação de poupança, agravam ainda mais os problemas. A família (pais e filhos) deve aprender a organizar as finanças, em um processo de engenharia econômico-financeira, para planejarem o futuro.
As pessoas vivem estressadas (ricos, médios e pobres) porque não conseguem equilibrar as contas, por serem imprudentes e não planejarem o futuro. São cheques, cartões de crédito, carnês, financiamentos, mensalidades, prestações e juros. Os economistas fazem cálculos fáceis de entender. A receita é o salário? Então coloque dentro dele as despesas: Telefones, água, luz, gás, moradia, combustível, supermercado, condomínio, transporte, material escolar, plano de saúde, médico, dentista, remédios, cartões de crédito e outras despesas, que não devem, nunca, ultrapassar a receita.
Devemos sempre procurar comprar à vista, para nos livrarmos dos juros exorbitantes. Reservar 10% da receita e colocar na caderneta de poupança, economia esta que irá auxiliar em muito no futuro. A matéria é extensa e dá muitas “dicas” para economizar adaptando-se à receita.
Na vida prática, sabemos que o melhor investimento é na educação, preparando os filhos para enfrentarem o mundo com sabedoria, evitando gastos desnecessários e aprendendo, cada vez mais, a ser um bom trabalhador e um excelente cidadão. Existem pessoas, que compram sem necessidade cortinas novas, carro novo, móveis, eletrodomésticos, entre outros, para demonstrar riqueza (que não podem pagar), só porque o vizinho comprou. E vão se atolando em dívidas impagáveis, comprando tudo à prestação, doze, trinta e até noventa meses para pagar, estourando a receita.
De repente, o tempo passou, os políticos que estimularam a gastança também passaram. Ficamos velhos e doentes, os remédios são caros e nós não temos poupança para financiar os gastos com saúde. A família (filhos, netos, irmãos), não quer se preocupar com quem não tem reserva econômica. O sofrimento e a tristeza são maiores.
Por isso, poupe, não gaste além do seu salário e garanta o seu futuro com melhor qualidade de vida.
|Falando Sério|Humberto de Campos, em uma de suas crônicas, fala sobre os garotos que vendiam jornais nas ruas do Rio de Janeiro, comparando-os aos pardais. Tal qual esses pássaros, os garotos também procuram o centro das cidades para viverem, mesmo que precariamente. Diz que os pardais deixam de viver nas matas e montanhas, onde a comida é abundante, e vão morar nas cidades onde tudo é mais difícil. Os garotos, sem lar, sem família e sem teto, trabalham para comer, já que para dormir eles o fazem em qualquer lugar das ruas.
Faz muitos anos que o escritor escreveu essa crônica. Entretanto, ela é atual, por tudo o que observamos nos dias de hoje em relação à pobreza, que está sempre presente no mundo. É só olharmos ao nosso redor e termos sensibilidade para entendermos o que se passa no universo. Infelizmente, os políticos e os governos tratam desse assunto com demagogia e populismo, enganando os pobres e os de pouca cultura com mentiras mirabolantes, que nunca serão cumpridas.
Quase sempre criticamos o povo, generalizamos e dizemos que as pessoas são malandras, que a juventude só quer festa, bebida e droga, o que não é verdade. Estamos, com isso, descarregando nossas frustrações e desesperanças, quando o correto seria criticarmos o sistema, com sua preguiça, desinteresse, incompetência e corrupção. Não o fazemos porque temos medo de criticar os poderes da república e não queremos desagradar os políticos. É mais fácil culparmos os pobres que apenas esmolas e não recebem educação profissionalizante para terem melhores oportunidades na vida, podendo estudar e trabalhar com saúde (que também não recebem).
Retornando à crônica de Humberto de Campos, diariamente os “pardais”, bem cedinho, já estão entrando em contato conosco. Chegarmos ao portão, pela manhã e já topamos com folhetos de propaganda colocados na grade ou na caixa do correio. Se estamos de carro nas sinaleiras recebemos panfletos, limpam o vidro, fazem acrobacias e malabarismo em troca de pequenas gorjetas. Caminhamos pelas calçadas e vamos acumulando propagandas de mão em mão. Sem contarmos os mascates vendendo seus produtos em todos os lugares da cidade.
É preciso que entendamos o lado bom de tudo isso. São dezenas de pessoas sobrevivendo do trabalho informal (sem carteira profissional e sem muito futuro), quase sempre multiplicando centavos para levarem comida pra casa, pagarem instrução para filhos e fazerem parte da sociedade humana, dentro da sua humilde classe social. Devemos tratá-los com educação.
Quem trabalha, seja qual foi trabalho, deve ser tratado com respeito.
|Falando Sério|Já fomos a república das bananas, melhoramos um pouco nosso conceito para o mundo com os discursos de Rui Barbosa. Agora, dizem que somos o País do futebol (bastante desmoralizado ultimamente). Também fomos e somos, nos últimos anos, o país dos “aloprados”, dos “mensaleiros”, estatais de cabides de empregos, 85º lugar em educação, da violência e do pouco caso com a saúde pública.
Às vezes, Rui Barbosa (que não era humorista) encarna em alguns políticos e embaixadores brasileiros, que se julgam sumidades em todos os assuntos nacionais e internacionais. Que bom (fazendo graça) que somos um País com legisladores de dar inveja aos países mais avançados do mundo. Também temos um povo mais alegre e conformado, que não está nem aí com os políticos que fazer as leis, mesmo que eles sejam incompetentes ou desonestos e legislem em causa própria e dos “companheiros”.
Nos meus 78 anos de existência nunca tive o prazer de conviver numa democracia representativa real. Foram ditaduras civis e militares, todas elas em prejuízo da nação e das liberdades individuais. Jamais tivemos uma república federativa voltada para os interesses do povo. No começo era o absolutismo com o rei, o príncipe, depois as elites que até hoje governam e mandam, mesmo em ditaduras militares e em ditaduras populistas como a de agora. Todos eles, agindo com prepotência, como se a nação fosse propriedade particular deles e seus apaniguados.
Só teremos democracia quando tivermos uma grande maioria de políticos honrados, que não se submetam aos interesses escusos do governo e de grupos de pressão. Quando os legisladores forem competentes e tiverem ética, deixando de enfiar leis goela abaixo nos que pagam impostos, que realizem plebiscito nas questões polêmicas. Por que não legislam sobre coisas importantes para o País e para o povo, como na reforma de nossas leis obsoletas, na criação de escolas profissionalizantes, pelo fim do analfabetismo, para reciclar professores para o século XXI e remunerá-los melhor, por melhores condições de moradia, transporte público, saúde, combate rigoroso aos corruptos, etc...
Nossos legisladores sempre brincaram de legislar. Ultimamente bateram o recorde. O Estatuto da Criança e do Adolescente é uma “jóia” e ficou bem melhor com a inclusão das “palmadas”. Teremos aumento de menores criminosos sem punição e também pais e filhos “entregando” uns e outros nos fóruns, sem saber quem tem razão. Temos a “lei das quotas” que deverias ser dos pobres em geral, que aumentou o racismo. Lei do assédio, dos “gays”, das mulheres (cresceu o homicídio), do cigarro e dos idosos (que ninguém respeita). Até o Estatuto do Desarmamento (com plebiscito) só serviu para desarmar os bons e aumentar o número de criminosos armados.
Para terminar: Queremos uma lei que acabe com o horário eleitoral na rádio e TV. Serão economizados 850 milhões de reais aos cofres públicos. A educação e a saúde irão agradecer. Os ouvintes, também.
|Falando Sério|Infelizmente, as homenagens são sempre prestadas após a morte do homenageado. A sociedade deveria reconhecer, em vida, o que pessoas lutadoras, de existência dedicada à coletividade, que fizeram de suas vidas exemplos a serem seguidos, numa época em que as crianças e a juventude são vítimas frequentes de maus exemplos, que as bombardeiam com atos anti-éticos. Do mais alto posto político ao mais simples vereador, a corrupção e a falta de vergonha respingam numa sociedade acomodada e sem personalidade. Por isso, seria aconselhável que se trouxesse a público pessoas que não comungam com a patifaria reinante num país sem “norte” moral.
Devemos contar a história, o passado e exaltar os méritos de quem foi útil, honrado e só deu bons exemplos. Os militares sabem muito bem proceder homenagens de honra ao mérito àqueles que cumpriram com seus deveres, como cidadãos úteis à Pátria e a coletividade. Foram emocionantes as homenagens prestadas ao meu irmão Gilberto, no dia do seu sepultamento. A banda da Marinha tocando “Cisne Branco” e o Exército e a Aeronáutica se fazendo presentes com um grupo de militares homenageando um ex-combatente, uma classe em extinção. Ao final, ouviu-se o clarim “chorando” ao interpretar o “silêncio”. Os presentes choravam tocados pela emoção.
São de homenagens como essa que o país está necessitando urgentemente. Temos tanto anônimos oferecendo à Nação os melhores anos de suas vidas, nas escolas, nos laboratórios, no serviço público, nas minas, em todos os poderes da república, nas forças armadas, na indústria, no comércio, nas polícias, no corpo de bombeiros, enfim, em todas as profissões, em especial na imprensa, como suporte da transparência e da democracia. Nos lares, marido, mulher e filhos deveriam trocar homenagens pelos esforços da sobrevivência e da participação, com elevado espírito da convivência dentro dos princípios éticos.
A sociedade civil, por intermédio da sua representação política, tem sido muito infeliz quando presta um grande número de homenagens a quem não merece. Fazer sessão solene para dar títulos a parentes, a amigos políticos que nada fizeram de bom, a empresários que só visam o lucro e financiam suas campanhas é desvalorizar as homenagens e os homenageados, colocando no mesmo saco pessoas honradas e dignas das honrarias, com outros que nunca deram exemplos de dignidade e participação social voltada para a coletividade.
Este ano vamos ter a oportunidade de escolher nossos representantes no executivo e legislativo. Temos a chance de poder escolher bem e dar nosso voto consciente, impedindo que vigaristas, corruptos e incompetentes sejam eleitos. De minha parte, apesar de não ser mais obrigado a votar, continuarei a exercer o meu dever cívico, depositando meu voto na urna, como um veemente protesto contra os ladrões que se apossaram da Nação.
|Falando Sério|Muito se tem falado do que já passou, seja a calma, tranquilidade, confiança, amizade, família, honra, capacidade e política sem corruptos, tudo aquilo que gerava a paz social. Os “saudosistas”, na visão dos “progressistas”, estão ultrapassados, porque o passado não interessa, a história é o retrocesso, o que importa é ficar rico nas mutretas políticas que beneficiam grupos, que pouco se preocupam com a qualidade de vida da população.
Sei que não sou o último dos nostálgicos, quando recordo a Palhoça de décadas atrás, quando dormíamos de janela aberta, andávamos pelas ruas tranquilos, sem medo de sermos atacados por ladrões, grandes e pequenos e sem os pedintes querendo dinheiro para comprar droga. Sou do tempo em que as famílias podiam sentar na praça sem serem perturbadas por andarilhos, por jovens usando drogas ou fazendo baderna.
É muito perigoso sairmos de casa depois das sete horas da noite. O que mais encontramos nas ruas são drogados e bêbados. A praça é dormitório de andarilhos e usuários de drogas, especialmente na casa do Papai Noel onde eles ficam confortavelmente instalados na varanda. Os idosos que jogam dominó são provocados por rapazes que não querem trabalhar e ficam exigindo dinheiro deles.
Outro problema sério é a criação de ratos que aumenta todo dia. São ratões e ratinhos que passeiam por todo o jardim, sobem nas mesas de dominó, conversam com os peixes, brincam no parque infantil, urinam e defecam por toda a praça, num atentado à saúde pública, espalhando leptospirose. Mas, como nós estamos acostumados a viver entre ratões de bigode, sem bigode, de barba, cabeludos, carecas, políticos ou não, achamos que mais um ou menos um é tudo a mesma coisa.
“Saudosistas” ou “desenvolvimentistas-progressistas”, afinal, são palavrões para um povo que não sabe o que essas palavras significam. De minha parte sou “saudosista-nostálgico”, que respeita o passado e a história, sem odiar o progresso que é natural e necessário, desde que venha acompanhado de qualidade de vida e não apenas para o enriquecimento de políticos corruptos e empresários interessados apenas no lucro. Não adianta ficar repetindo as mesmas palavras: progresso, desenvolvimento, emprego, arrecadação, etc., se a miséria continua a aumentar, a violência rouba a tranquilidade, a educação e cultura ainda viajam de carro de boi pelo total abandono, assim como a saúde continua na UTI.
O cantor Sérgio Reis interpreta uma música cuja letra diz: “A marcha do progresso é a minha grande dor.” E por isso nós, adeptos da nostalgia, somos mais felizes que os “outros”, porque hoje podemos ter saudade de ontem pelo fato de termos amado a nossa terra e trabalhando muito, construindo os alicerces de uma cidade mais organizada e mais humana, que está sendo destruída pelo progresso imediatista.
|Falando Sério|Foi lindo, foi maravilhoso o segundo gol do “fabuloso”, repetiam os comentaristas esportivos de todas as emissoras de rádio e TV. Alguns chegaram a dizer que ele fez o gol com as duas mãos de Deus (pra não ficar atrás do Maradona). Ninguém condenou a atitude do jogador nem a sem-vergonhice do árbitro, o que é muito triste e vergonhoso para uma nação, que tem tantos maus exemplos antiéticos. Entendo que as direções das TV’s deveriam chamar a atenção dos seus empregados, por elogiarem com tanta euforia uma atitude anti-jogo e antiética.
Devemos pensar nas crianças e nos adolescentes que necessitam de bons exemplos para alicerçarem sua formação moral, para serem cidadãos éticos capazes de saberem escolher os dirigentes do país e combaterem com convicção os corruptos que roubaram o dinheiro público. Tenho escutado comentaristas esportivos dizerem na TV ou rádio, que estavam torcendo para vencer nem que fosse com gol de mão, pênalti arranjado ou gol em impedimento. “Isso é uma vergonha!”, como diz o jornalista Boris Casoy.
A mentalidade dos brasileiros é viver de acordo com a lei de Gerson: “Levar vantagem em tudo.” Se outros podem fazer eu também posso. Como chamarmos alguém de corrupto se nós também o somos? Uma sociedade legitimamente organizada e educada não pode viver desrespeitando as leis e a ética. A qualquer hora do dia e da noite os meios de comunicação, especialmente a TV, apresentam programas de auditório medíocres e novelas que só servem para desencaminhar as pessoas, pela dificuldade em peneirar e avaliar o certo e o errado. Seus ídolos na música, na televisão e no esporte vivem dando maus exemplos, usando droga, bebida e envolvendo-se em escândalos morais e policiais.
Como disse o Diário Catarinense deste domingo “leis existem, mas ninguém dá bola.” O que se deduz é que o brasileiro é mal educado e que nossas leis precisam ser aplicadas com rigor. Os maus exemplos surgem na política e no esporte mais popular do país, que é o futebol. Quantos países foram campeões do mundo com a ajuda da arbitragem? Todos os times grandes do Brasil já foram campeões beneficiados por árbitros incompetentes ou desonestos. Quando um jogador faz uma jogada que fere as regras do jogo, deveria ser punido pelo árbitro. Se o árbitro não pune é mais safado que o jogador.
No trânsito somos uns babacas que fazemos tudo errado. Essas más lições vão se impregnando no tecido social já na infância e adolescência, formando cidadãos corruptos e de mau caráter. O picareta, o golpista e o desonesto em geral, são chamados de “espertos”, quando, na verdade, deveríamos chamá-los de bandidos. Infelizmente, para os honestos, esses bandidos vão ser políticos e autoridades, que dominam o país e controlam um povo inculto, “esperto” e mal educado.
|Falando Sério|O “pistolão” existe desde a criação do mundo. Quando Adão nasceu por obra de Deus ele, Adão, passou a ser o primeiro “pistolão” (em causa própria) nascido sobre a Terra. Por isso, quando aprendeu a falar, utilizando de sua influência (pois era o único ser humano que existia), exigiu de Deus uma companheira para alegrar as noites quentes do paraíso. Foi atendido rapidamente, depois de perder uma costela, com a presença encantadora de Eva. Adão ainda não conhecia o amor nem o sexo. Foi preciso que Eva comesse a maçã oferecida pela serpente, para mudar a sua vida. Dali em diante o paraíso desmoronou.
O “pistolão”, que é sinônimo de pessoa influente, que possa fazer pedidos ou recomendar favorecimentos, passou a ser praxe no relacionamento social, tornando-se parte integrante da cultura dos povos, especialmente dos brasileiros. O “pistolão” pode ser vereador, prefeito, presidente de partido político, deputados, senadores, governadores e presidente da república. O companheiro está numa pior? O “pistolão” arranja um cargo comissionado (existem milhões deles por todo o País) remunerado com o dinheiro dos impostos que pagamos, desde que colabore com dez por cento para o partido que está no poder.
Quando o “pistolão” usa a sua influência para ajudar pessoas pobres merece aplausos, embora, nas eleições vá cobrar o precioso votinho pelo favor concedido. Até nas altas esferas políticas, administrativas, judiciais e empresariais, o “pistolão” está presente, com a maior cara de pau. São processos “segurados”, verbas alocadas, leis beneficiando classes de funcionários ou empresários amigos do rei. Quantos se valem de “pistolões” até para ganhar uma vaga no camarote oficial para assistirem escolas de samba, jogos de futebol e shows musicais, passear em avião presidencial, em helicópteros de governos ou de estatais, vaga de secretário, diretor, ganhar de mão beijada, comprar diploma de segundo grau e tudo o que de bom ou de ruim tem a recomendação do “pistolão”.
Semana passada, sem que eu pedisse, fui beneficiado com a influência de um “pistolão”. É que eu estive num posto de saúde para tomar a vacina H1N1 e, as funcionárias que lá estavam, negaram-se a vacinar-me alegando que eu já havia tomado a vacina contra a gripe “A” e já estava imunizado. Elas estavam erradas, mas eu não quis discussão. Fui a outro posto e, no corredor cumprimentei uma senhora que era minha conhecida e trabalhava como servente. Fui falar com as funcionárias e elas, como as do outro posto, também não queriam me vacinar. Foi quando aquela senhora servente, minha conhecida, intercedeu por mim junto às funcionárias e acabei sendo vacinado.
Naquele dia, aconteceu. Uma senhora simples, humilde, sem esperar nada de volta, só a amizade, foi meu “pistolão”.
|Falando Sério|A agitação dos dias de hoje impede-nos de olhar para os lados e para trás, obrigando-nos a pensar apenas em nossa vida, nossos problemas e a busca de soluções. Por isso, vivendo como autômatos, robôs do século XXI, não notamos o tempo passar e, quando abrimos os olhos para a realidade já estamos no ocaso da vida.
Faz muitos anos, desde quando comecei a viajar pela BR-101, ou mesmo quando ia todos os dias, de ônibus, trabalhar e estudar em Florianópolis, observava as pessoas ao meu lado e aquelas que andavam pelas ruas, cabisbaixas, como se estivessem carregando, nas costas, todos os pecados do mundo. Precisamos ter inteligência e sensibilidade para analisar e entender as reações humanas, que são divergentes dependendo da educação e da cultura de cada individuo.
Se todos nos tivéssemos estudado filosofia na nossa formação educacional, aprendido o “humanismo” da escola de Sócrates, Platão, Aristóteles e tantos outros, que viveram trezentos anos antes de Cristo, ou entendido a beleza e a sabedoria do século XV, na “Renascença” com Leonardo da Vinci e seus companheiros de talentos invejáveis, ou lido os ensinamentos da época do “Iluminismo”, com Voltaire, Nietzsche, Descartes, Trotski, imaginemos o grau de conhecimento que teríamos adquirido para nossa formação intelectual e moral, transformando-nos em verdadeiros seres humanos, capazes de entender e valorizar a vida.
Há profissão que poderiam ser agradáveis e úteis se seus profissionais conhecessem o humanismo. Nos aeroportos, terminais urbanos, motoristas de ônibus, taxistas, carteiros, todos os que labutam na Justiça e, especialmente os professores, todos eles e muitos outros, tendo contato direto com centenas de pessoas por dia, algumas tristes, infelizes, recalcadas e outras alegres, que fazem da vida uma diversão. Quantos doentes e com sérios problemas de família, muitos cansados de tanto trabalhar para sustentar os filhos e dar-lhes uma melhor qualidade de vida. Quase todos mal remunerados e muitos sem cultura, que são presas fáceis para os golpistas e picaretas, sejam eles políticos ou não.
Existem profissões que lidam com a desventura e o medo, que são os pregadores de religiões diversas, que se aproveitam da fragilidade emocional e da falta de cultura das pessoas. Esses pregadores poderiam, se todos fossem honestos, ajudar os infelizes, sem mentiras e sem ameaças do inferno.
Infelizmente, o ser humano está se embrutecendo, sem amor, sem humildade e sem futuro. Há milhões de vidas sem educação e sem cultura. A violência incontrolável é a baba venenosa que contamina a humanidade e destrói o mundo.
|Falando Sério|Diz o dicionário que patriota é aquele que ama a pátria e a ela presta serviços. Patriotismo é qualidade de quem é patriota, tem devoção à pátria e a representam. Neste grupo estão os soldados, atletas olímpicos (amadores), cientistas, mestres e todos aqueles que cumprem com seus deveres de cidadão e exigem cidadania. Existe ainda o civismo, que representa dedicação e fidelidade ao interesse público (patriotismo, civilismo, etc.).
No Brasil de hoje, tudo isso que foi dito acima, para a maioria do povo, perdeu o sentido. Para os de formação de pobreza de espírito, patriota é o que veste a camisa verde-amarela por um mês, de quatro em quatro anos, durante os jogos da Copa do Mundo, com um copo de bebida na mão, fazendo baderna. O governo, os políticos e imprensa, colocam o patriotismo nas chuteiras dos jogadores milionários, que vão ganhar como prêmio mais de quatrocentos mil reais cada um, inclusive a comissão técnica, etc. e etc.. Por que não demonstrarmos este amor aos atletas olímpicos, que são amadores e elevam o nome do País no mundo todo?
O comércio fatura muito e o governo mais ainda com a venda de produtos que dizem respeito à Copa do Mundo. Os políticos, por sua vez, se o Brasil for campeão, vão contar vantagens em ano eleitoral, abraçando jogadores e beijando a taça.
É muito triste vermos um País pobre, com imensa miséria, onde crianças morrem de fome, estar gastando fortunas com construção de estádios fabulosos, dinheiro esse, que se fosse usado em educação, saúde, segurança e infraestrutura, permitiria que a população miserável atingisse melhor qualidade de vida. Sem contar a corrupção no emprego das verbas.
Muito bem fez Santa Catarina quando não concordou em dar quatro milhões à CBF, para que fossem realizados jogos em nossos gramados, como noticiou um jornal. Os países ricos não quiseram sediar a Copa do Mundo para não aumentarem as suas crises econômicas. Assim, a África o Brasil também caiu no “conto do vigário”, por ser um país em desenvolvimento, com mania de grandeza, como tão bem representa o seu presidente, com um populismo acima das leis.
Vamos torcer para sermos campeões, trazermos a taça e festejarmos como qualquer vitória esportiva do nosso time do coração, nada mais que isso. Seria ótimo se as pessoas fossem sempre patriotas, trabalhassem nos governos como servidores públicos, com honestidade e dedicação. Que indústria e comércio não sonegassem, que os políticos usassem seus mandatos trabalhando pela pátria e pelo povo, com amor e honradez. Que o povo tivesse mais interesse pela política com “P” maiúsculo e não votasse em ladrão.
Tenho visto pelas ruas tantos políticos corruptos e tantos “picaretas” vestidos de verde e amarelo.
Afinal, isso é patriotismo?
|Falando Sério|Dona Rosa sempre achou que sua filha Marina era um pouco desequilibrada da cabeça. A outra filha era quieta, não respondia, estava sempre alegre e pronta trabalhar. Marina andava sempre nervosa, gritando, discutindo, especialmente quando ia ao banheiro e demorava a sair. Falava alto, reclamava por tudo e por nada. Já estava com vinte e seis anos e não tinha namorado. Cortava o cabelo baixinho, só andava de calça jeans, gostava de futebol e fazia a maior confusão quando ia ver seu time jogar.
A sua maior rival era a “irmã gêmea”, como Marina dizia, pois, ao se olhar no espelho ela fazia críticas severas ao corte de cabelo que a irmã usava, à falta de batom, de brinco, de unhas pintadas e sorriso. Dizia, defronte ao espelho, que a “irmã” parecia uma operária ou uma plantadora de batata. E discutiam constantemente, dizendo que uma não tinha que se meter na vida da outra, que cada uma se vestia como quisesse e que ela, Marina, não tinha homem para agradar.
O tempo foi passando, a mãe estava cada dia mais preocupada porque Marina lhe dissera que um dia iria matar a irmã, que vivia se intrometendo na vida dela. Deixava a mãe confusa, pois não entendia o que ela estava dizendo, já que nunca vira as duas discutindo.
Eram gêmeas, nascidas no espelho, que se odiavam. No local de trabalho Marina dizia que a irmã tinha inveja dela, que inventava mentiras acerca da sua conduta. Os colegas de serviço se apavoravam quando ela falava sozinha, resmungando, alguns até tinham medo dela. Outras vezes ela era agradável, educada, totalmente diferente da Marina enigmática.
A mãe, que era viúva desde quando as filhas eram pequenas, aconselhou-a a procurar um psicólogo, ou então tirar umas férias porque ela parecia estressada. Ela respondia para a mãe que os psicólogos é que eram loucos e não ela, que era normal e sabia muito bem o que estava fazendo.
A outra irmã disse para a mãe que não iria mais dormir no quarto com Marina, porque tinha medo dela, passando a dormir com a mãe.
Certo dia, em um sábado à noite, eles escutaram Marina discutindo, em altas vozes, no banheiro. Dizia, gritando, que era o último dia que a gêmea ia lhe aborrecer. Escutaram um baralho do vidro quebrado. Nervosas, bateram na porta. A porta foi aberta e Marina apareceu toda produzida, sorrindo e cantando “Carinhoso” de Pixinguinha: “Meu coração, não sei por que, bate feliz quando te vê...”. Abraçou a mãe e a irmã gêmea. Agora ia arranjar um marido.
Restou à mãe varrer os cacos de vidro do espelho do banheiro.
|Falando Sério|Está decretada calamidade pública no Município. Noventa e oito por cento (?) da população foi atingida. O prejuízo é de R$ 25 milhões. Todo ano é a mesma coisa: enchentes, ventanias e desmoronamentos. Esses problemas atingem todos os municípios brasileiros, uns mais, outros menos, pela vingança implacável da natureza, degradada pelo ser humano. Os desmoronamentos ocorrem principalmente nos morros desmatados, loteamentos irregulares e vergonhosos, sem a mínima infraestrutura, aprovados (quase sempre) de “mão molhada”, com a ganância agredindo o meio ambiente.
O poder público, em todos os municípios, participa dessa atitude criminosa, apoiando ou se omitindo. O plano diretor das cidades é modificado todos os dias para beneficiar empresários sem escrúpulos, por quase todas as câmaras de vereadores e prefeitos “progressistas”, que autorizam a construção de “espigões” que vão jogar fezes na rede de esgoto poluindo rios e o mar. Para eles, urbanismo, e áreas verdes para quê?
Em Palhoça, posso falar com conhecimento de causa. Quase todas as saídas de água prejudicadas pela ação (ou omissão) nefasta dos políticos, que estimularam invasões, desmataram, destruíram a natureza e jamais deixaram impressões digitais em qualquer obra que beneficiasse a população, para impedir ou reduzir as catástrofes que destroem e matam.
Onde está o rio do “Scheidt”? Foi loteado, aterrado e hoje não existe mais. O mangue foi invadido com o beneplácito dos políticos. O rio “Biguaçu”, por onde passavam os lanchões que levavam os produtos da região para Florianópolis, morreu de tanta poluição, tinha mais de quinze metros de largura e profundidade de três a quatro metros. A lama e o lixo o mataram. O poder público nunca se lembrou de dragá-lo para facilitar a saída das águas.
A rua do fórum e do Clube Sete tinha uma vala com mais de dois metros de largura, que dava vazão às águas que vinham do Caminho Novo e desaguavam onde hoje o CDL vai construir um prédio, local que deveria ter sido desapropriado para a saída das águas da chuva e do rio “Passa Vinte” quando transbordasse. Nesta última enchente, se a força das águas não tivesse derrubado o tapume que representava uma represa, o prejuízo teria sido bem maior para o povo que paga impostos. O povo tem uma parcela de culpa por não ter educação, jogando lixo nas ruas e nos rios.
Para os políticos é muito bom que essas desgraças ocorram, porque depois virão verbas para a recuperação das cidades, o que, na maioria das vezes, resulta no enriquecimento de muitos corruptos e acaba que nada é feito para amenizar os efeitos de futuras calamidades.
A natureza exige respeito.
|Falando Sério|Oscar era o mais velho dentre os três irmãos. A mãe ficou viúva aos trinta anos e os filhos estavam com seis, quatro e dois anos. Por ser o mais velho Oscar tinha que ajudar a limpar a casa e cuidar dos irmãos menores, pois sua mãe tinha que trabalhar para sustentar a família.
O tempo foi passando, Oscar completou o primeiro e segundo graus, começou a trabalhar em um escritório de contabilidade para ajudar nas despesas da casa. Melhorou um pouco de vida e foi cursar ciências contábeis. Na universidade começou um namoro com uma colega, por quem se apaixonou profundamente. O amor entre eles parecia recíproco, chegando ao ponto de Oscar apresentar Marta à sua mãe como sua futura esposa.
Sempre que conversava com a namorada sobre dona Maria (era o nome da mãe de Oscar) ele desmancha-se em elogios, dizendo que sua mãe era a melhor mulher do mundo e que a amava acima de qualquer coisa na vida. Ele trazia a foto da mãe no pingente da correntinha que estava em seu pescoço. Que Deus lhe dera um “M” perfeito em sua mãe esquerda (a mão ao lado do coração), representando a inicial do nome de sua mãe.
Como era natural, Marta ficava vermelha de ciúmes e preocupações, pois via sua futura sogra como uma concorrente ao amor e às atenções de Oscar. Ele confessava à namorada que a amava e queria que ela fosse sua companheira eterna até a morte, vendo os filhos crescerem e dando-lhes netos que viessem a acariciar seus cabelos brancos. Ela escutava e sorria, mas lá dentro do coração havia um cantinho ciumento exigindo amor total, integral, sem dividir com mais ninguém.
Era um namoro à moda antiga, com pedido de “mão” para o noivado e apresentação dos pais, numa união familiar. As alianças foram levadas pelo noivo, as sogras fizeram questão de colocá-las nos dedos de seus filhos. Nelas estavam gravadas as iniciais dos nomes dos noivos e a data do noivado. Na mesma ocasião foi marcada a data do casamento.
Marta estava contente pensando que agora teria Oscar só para ela. No dia do casamento a cerimônia foi bonita. Oscar entrou na igreja de mãos dadas com sua mãe e Marta de braço com seu pai.
Terminada a cerimônia todos foram para o salão de igreja, comemorar. Sobre a mesa principal, onde iam ficar os nubentes, estava um bolo enorme, com um “M” de chocolate sobre ele (seria mãe ou Marta?). Junto ao bolo, uma caixinha de presente para Oscar, com uma correntinha de ouro e um pingente com uma foto dos recém casados e uma passagem para a lua de mel.
Havia um bilhete: “Cuida bem do meu filhinho”. Ass.: Mãe Maria.
|Falando Sério|Ter uma boa casa ou um ótimo apartamento é o que todos almejam na vida. Há, até mesmo, aqueles que aceitam o pensamento acima, como qualidade de vida. As cidades crescem, constroem-se casas e edifícios, o comércio oferece mais opções, o governo arrecada mais. A denominação dada a esses acontecimentos é o progresso. Só fica faltando os políticos “sabidos” ou mentirosos esclarecerem ao povo que progresso por si só não representa qualidade de vida.
Não conheço cidade alguma, com qualidade de vida, onde seus vereadores e prefeitos aprovam loteamentos com lotes de duzentos metros quadrados, sem posto de saúde, sem creche, sem escola, sem infraestrutura e sem tratamento de esgoto. Onde esses mesmos políticos mudam o plano diretor a qualquer hora sem ouvirem o povo e permitem a construção de edifícios, que vão jogar na rede de esgoto de águas pluviais até os rios e o mar os dejetos das necessidades fisiológicas dos moradores.
Não há progresso sem mobilidade urbana, sem educação, sem cultura, sem saúde, sem segurança e tantas outras necessidades que ofereçam tranquilidade e prazer a uma população que trabalha, paga impostos e não tem retorno.
Palhoça cresceu e é a “bola da vez” da Grande Florianópolis, já que a capital e São José estão saturados e não há como se expandirem mais. Só que o crescimento de Palhoça é totalmente desorganizado, como uma verdadeira “bagunça” em todos os setores desse crescimento. O trânsito é caótico, falta mobilidade urbana também para os pedestres, porque os carros invadem as calçadas empurrando as pessoas para a estrada, correndo o risco de serem atropeladas. É foguetório a qualquer hora da noite, arrancadão de madrugada nas ruas do Centro, vagabundos perturbando e ofendendo os idosos, andarilhos, embriagados provocando medo nas pessoas e dormindo em qualquer lugar.
A imprensa tem noticiado diariamente o avanço da violência. Drogas, armas, ladrões pequenos e grandes, menores andando livremente pelas da cidade a qualquer hora da noite. Os “espertos” que estão ganhando dinheiro com essa balbúrdia social, defendem seus interesses dizendo que toda cidade grande é assim mesmo, que isso é produto do progresso.
Eu não penso assim. Progresso é o povo não ter medo de andar na rua, nem ficar preocupado quando tem que sair de casa sem saber que, ao voltar sua casa foi “arrombada”. É ter saúde pública e educação de boa qualidade, transporte e facilidade de locomoção.
Trabalhamos, pagamos impostos e somos tratados com pouco caso. Merecemos QUALIDADE DE VIDA.
|Falando Sério|“A UNIÃO FAZ A FORÇA”. Ouvimos essa frase desde criança, que vem sendo repetida até nosso últimos dias. Por quê, então, noventa por cento das pessoas não põem em prática esses ensinamentos? Imaginemos uma sociedade participativa, onde, cada um de nós se preocupasse com os problemas coletivos, já que nós vivemos nesse grande condomínio que é o mundo. Todas as classes sociais só conseguiram progredir em suas atividades profissionais pela participação coletiva de seus membros, atuando energicamente, de mãos dadas, correndo atrás de seus objetivos.
Foi assim que surgiram os sindicatos, as cooperativas, as associações de classe, os condomínios, as associações de moradores e tantas outras, para que se ponha em prática a famosa frase “a união faz a força”. Infelizmente, o ser humano é acomodado, egoísta e inculto. Por isso mesmo, leva, até a morte, uma vidinha medíocre, onde o seu mundo é assistir novelas, futebol e BBB.
No loteamento onde moro, com classe média alta, existem 67 residências, 13 lotes e uma associação de moradores, com sede própria, para lazer e tratar dos interesses de seus moradores, onde cada sócio colabora com dez reais por mês. Do total de 80 proprietários somente 21 são sócios, o que é lamentável, pois enfraquece as reivindicações perante as autoridades responsáveis. Reclamar sem participar e sem ter uma associação participativa e representativa da sua cidade, do seu bairro, do seu loteamento ou, até mesmo da sua rua, de nada vai adiantar se não houver uma maioria lutando pelo mesmo objetivo.
Os problemas são muitos: segurança, energia elétrica, água, saneamento básico, transporte, urbanismo, creche, escola, posto de saúde, limpeza urbana, ecologia (área verde), plano diretor que é mudado a qualquer hora sem que os moradores sejam ouvidos.
Neste ano de 2010, quando teremos eleições para presidente da república, governadores, senadores e deputados federais e estaduais, quando os cabos eleitorais ou os próprios candidatos aparecerem para pedir votos, não acreditem em promessas, só votem se eles fizerem o prometido antes da eleição. Exercitemos integralmente a cidadania, porque, senão, estaremos nos nivelando aos medíocres analfabetos políticos.
Vamos apoiar todas as associações que tratem da melhoria da qualidade de vida da população, para termos uma sociedade civilizada que possa exigir dos políticos dos políticos. Muitos fumam, bebem, jogam, gastam em besteiras, mas não colaboram nem com dez reais mensais para a sua associação representativa.
Meditem: “A UNIÃO FAZ A FORÇA”.
|Falando Sério|Todos os que passam pelo Centro de Palhoça conhecem o Tavinho. Ele fica sentado defronte à praça central, diz palavrões, mexe com os motoqueiros, chama os ônibus da empresa de Santo Amaro de “cobra d’água” e diz que o Jotur, o Guarani e o jardim são dele, como também eram dele os cinemas que existiam em Palhoça.
No Brasil, existem muitos “Tavinhos”. São vereadores, prefeitos e toda a classe política, até o presidente (salvo raríssimas exceções), agem como se fossem os donos do país. Sempre foi assim e, em pleno século XXI os palhaços prepotentes procedem da mesma forma. Fazem o que querem, decidem sem ouvir o povo e quando ouvem fazem o contrário ao que o povo desejava. É sempre em prejuízo da cidade e do povo, mas sempre em benefício deles e dos apaniguados. Aqui em Palhoça, o povo havia decidido continuar com a Casan para o fornecimento de água, mas os vereadores e o prefeito resolveram romper com o contrato. Resultado: Palhoça ficou sem os milhões que a Casan iria disponibilizar para a infraestrutura do município.
O dinheiro do povo é gasto sem critério algum, não é permitido criar CPIs contra os governantes que gastam nosso dinheiro e cargos comprando maioria em câmaras e assembleias para impedir que as investigações prosperem e ponham os ladrões na cadeia. O presidente parece um ditador. Ataca a Magistratura, o Ministério Público, reclama da imprensa e de outros órgãos dos governos que não permitem que os políticos ajam contra a lei. Ele pensa que é o dono do Brasil. Governadores, deputados (estaduais e federais), senadores e vereadores (salvo notáveis exceções), acham que os orçamentos devem ser gastos por eles e seus grupelhos, sem que o povo, que paga impostos, seja ouvido.
Os planos diretores das cidades não representam o pensamento e a vontade dos cidadãos. A maioria dos vereadores, por ordem dos prefeitos e a “pedido” dos empresários, mudam o plano diretor sem se importarem com os problemas que vão criar para a cidade e para o povo. Não dão importância à mobilidade urbana nem à fedentina que empesta a cidade pela falta de tratamento de esgoto. É por isso, pelas reclamações nas praças públicas, que os governantes nomeiam “puxas-sacos” para defendê-los.
A grande imprensa publica, todos os dias, as bobagens que os políticos dizem, em especial o presidente com suas atitudes controversas e polêmicas internacionais, sem perguntar se o povo concorda. Políticos são eleitos, licenciam-se ou renunciam dos cargos para darem uma “boca” para os suplentes, que são pagos por nós em duplicata. A ditadura militar acabou. A democracia, lamentavelmente, é dominada por ditadores populistas que se julgam donos do Brasil engordam a corrupção.
Os “Tavinhos”, que acham que o país é deles, estão em toda parte. Agora mesmo, o presidente, o vice e o embaixador seguiram o exemplo de Palhoça, condecorando seus familiares por terem realizado NADA.
O tempo voa e amanhã, os filhos e os netos dos políticos de hoje, irão reclamar das desgraças das suas cidades, sem se lembrarem que foram seus avós e seus pais que as destruíram.
|Falando Sério|Humberto de Campo, escritor do século XX, em seu livro de crônicas intitulado “Sombras que sofrem”, escreve sobre uma carta enviada por uma leitora, pedindo conselhos sobre o que fazer da sua vida, pois ela era ainda jovem, desquitada, com 30 anos de idade e com filhos pequenos. Perguntava se deveria sacrificar a sua mocidade ou fugir da solidão, dando rédeas ao amor ainda latente em seu coração.
Ele diz: “Há vinte ou há dez anos, a mulher não estava, ainda, impregnada das teorias revolucionárias que vão corroendo, como a ferrugem, o aço da velha família brasileira”. Discorre sobre os movimentos femininos em busca da “liberdade”, “sem indagar o que haverá mais além, nos mistérios do entardecer”. E aconselhava-a: “Eleja um marido, mesmo fora da lei. Faça-o, entretanto, publicamente. Nada de subterfúgios, de mistérios, de clandestinidade. Fundes com ele, um novo lar”. E continua: “Amores escondidos são amores transitórios. Amante que foge, é amante substituído. E quando a mulher adota esse regime, o amor perde o seu nome. Chama-se prostituição”.
Quando a mulher optou pela independência e pela liberdade, esqueceu-se de graduar os limites dessa liberdade. Não deveria ter se nivelado por baixo com os homens. O que se observa hoje, é que as mulheres estão bebendo, fumando e se liberando sexualmente muito mais que os piores homens.
E o escritor insiste: “Evite, todavia, em qualquer circunstância, o homem que não quiser, em público, assumir os encargos do seu destino. A casa de família em que se entra escondido, deixa de ser um lar para ser um prostíbulo. E a mulher que se vai encontrar secretamente com um homem, perde o seu título de dama para tomar o de meretriz... Repila, em suma, o amante. E aceite o esposo. Legal ou não”.
Isso foi escrito há quase um século. Os tempos mudaram, os costumes perderam os limites do bom-senso e da responsabilidade, a “felicidade” passou a ser atitude de um momento e o amor se transformou em sexo. E, por consequência, promíscuo, com filhos jogados no mundo como um estorvo, sem uma bússola a lhes indicar o rumo certo. Não estamos aqui discutindo os problemas existenciais de cada pessoa. Se a sociedade patriarcal do passado estava errada, a “moderna”, de hoje, transformou o mundo em um imenso prostíbulo.
As colunas sociais dão o péssimo exemplo da falta de amor, enaltecendo a libertinagem. As mulheres e os homens trocam de “amantes” toda semana e o dizem com o maior descaramento, demonstrando um grau zero em moral.
Enfim, o que esperar de bom, em um mundo que desconhece a ética?
|Falando Sério|Se nós tivéssemos uma criação de frangos será que teríamos coragem de colocar uma raposa, lá dentro do galinheiro, para tomar conta das aves? Ou, colocar um rato para cuidar da industrialização de queijos? Será que seríamos tão imprudentes em contratar um vigia, para tomar conta de nossa casa, sabendo que ele era ladrão? Tenho certeza que ninguém, em sã consciência, cometeria tamanha burrice.
Então, por que nós colocamos no Congresso Nacional, com o nosso valioso voto, um corrupto para legislar em causa própria e em benefício da sua quadrilha? Nós sabemos que o poder legislativo é o grande culpado pela ocorrência de muitos maus, incompetentes e corruptos prefeitos, governadores e presidentes, por não cumprirem com seus deveres constitucionais, não fiscalizando o poder executivo e votando quase sempre em apoio a eles, em troca de dinheiro e benefícios eleitoreiros.
Quem paga a conta? É o povo que trabalha, cumpre com seus deveres de cidadão (sem cidadania), recolhe impostos (para o I.R. são 27,5% e para a previdência 11%¨) sem contar a água, os alimentos, a gasolina, a roupa, os remédios, o material escolar, o IPTU e muito mais, sobrando muito pouco para “tocar a vida”. É esse dinheiro suado do trabalhador que desaparece no ralo da corrupção desenfreada, inescrupulosa, imoral e bandida, que enfraquece as instituições democráticas e faz com que o povo, erradamente torça por uma ditadura. Mas, é o próprio povo grande culpado por não saber escolher os seus representantes.
Por que a Câmara dos Deputados e o Senado não aprovam o projeto “ficha limpa”? Porque não votar contra eles, pouco se “lixando” para o que o povo está pensando, pois sabem que esse mesmo povo os vai reeleger. Está no Congresso Nacional, para ser votada a “lei da mordaça”, que é um projeto do deputado mais processado do país e procurado até pela Interpol, com o intuito de calar o Ministério Público e reduzir suas prerrogativas constitucionais. Isso quer dizer: os corruptos continuarão a rapina sem medo da justiça. O mais triste é que o povo continuará a votar neles, autorizando as raposas, os ratos e os bandidos a entrarem no galinheiro, cuidarem do queijo e assaltarem nossas casas.
As instituições brasileiras e a democracia não merecem tanto desrespeito.
EM TEMPO: O que aconteceu em Santa Catarina e agora ocorre no Rio de Janeiro são frutos da imprevidência, da mentira, da irresponsabilidade, do pouco caso dos políticos para com a população. E Palhoça que fique alerta.
|Falando Sério|“Num segundo a vida passa... Todos nós temos nosso momento. Depois é o esquecimento.” Esses são versos de um samba que eu ouvia na minha mocidade. Uma das vantagens de envelhecer é ter conhecido centenas de pessoas de prestígio e outras que nunca tiveram oportunidades. Todas elas, ricas ou pobres, autoridades ou gente simples, tiveram o seu momento, um dia morrem e, no dia seguinte já são esquecidas, pela dinâmica do presente que movimenta o mundo. Conheci e ainda conheço pessoas com oitenta anos que não aprenderam nada com a vida. Viveram como robôs, trabalhando sem evoluírem no trabalho e no grau de cultura. Muitos foram bons cidadãos.
Lembro-me de todos os políticos que passaram pelo país, seja no plano federal, estadual e municipal, raríssimos foram e são aqueles que merecem respeito. Quase todos eles partiram, não deixaram saudades e nem sequer são lembrados. Os que hoje estão poderosos só são lembrados pelo poder que representam, pois, moralmente, ninguém os respeita.
As gerações de hoje, ditas modernas, salvo raras exceções, nada entendem da vida, não têm cultura, não sabem o que é ética, desconhecem os limites entre o “eu” e o “nós”, são mal-educados, desrespeitam os mais velhos, sejam parentes ou não, esquecem-se que aquele “toco de vela” tem “iluminado” a sua família até mesmo nas dificuldades financeiras, tendo arcado com as despesas de um curso superior para filhos e netos.
Se perguntarmos a qualquer pessoa se ela se lembra em quem votou, quais são os ministros atuais, quais foram os presidentes da república dos últimos anos, quais os políticos corruptos e mentirosos que dirigem o país, os estados e os municípios, ela vai dizer que não se lembra. Mas, se perguntarmos os nomes dos ganhadores do BBB, o galã da novela das oito ou o nome do jogador que marcou o gol no jogo tal, isso o povo sabe de cor. Dos grandes jogadores do passado eles nada sabem.
Na música é a mesma coisa. Ninguém sabe o nome dos grandes compositores e dos poetas letristas, apenas conhecem quem interpretou e que amanhã também será esquecido. Coitados dos professores que passam uma vida inteira ensinando gerações, são desconsiderados pelo poder público e esquecidos por seus ex-alunos que querem ser chamados de doutores.
Assim é a vida: alguns envelhecem e outros morrem jovens, hoje por cima e amanhã por baixo, hoje lembrados e amanhã esquecidos, hoje mandando e amanhã obedecendo. É o hoje e o amanhã controlando nossas vidas. O velho só é lembrado quando precisam dele.
Igual ao “toco de vela”, que só é lembrado quando a luz apaga.
|Falando Sério|
Eram cinco amigos. Gostavam de andar montados nos seus cavalos de raça, todo fim de semana, estacionando os animais defronte ao bar de outro amigo de infância, ficando horas seguidas bebendo cerveja, até não se aguentarem de pé. Lá pelas tantas horas da noite eles resolvem ir embora. Custavam a montar nos cavalos, sendo preciso que o dono do bar os ajudassem e depois desse uns tapinhas nos animais para esses levá-los até suas casas.
Eles adoravam rodeio e festa de peão boiadeiro. Dançavam, cantavam as músicas do Gaúcho da Fronteira, ensaiavam com entusiasmo as músicas nativas, fazendo-os sentirem-se como verdadeiros gaúchos, nascidos em Santa Catarina. Os colegas os chamavam de “cataúchos”. Ao final de todas as festas, os cavalos, troteando pelas calçadas, deixavam os amigos em casa. Algumas vezes eles caíam, machucavam uma perna, outras vezes quebravam um braço, o que não amedrontava e nem impedia de fazerem tudo de novo.
Certo dia, em uma de suas reuniões regadas à cerveja, um deles disse que iria comprar um carro. Teriam mais conforto e poderiam ir mais longe, conhecer muitos botecos e participar de vários rodeios pelo estado, montando mais de cem cavalos de uma só vez.
Assim foi feito. Inauguraram o carro no boteco do amigo de tantos anos, beberam algumas cervejas e resolveram ir até a Pinheira para tomar um banho de mar, pois era sábado e podiam aproveitar o final do verão. O motorista ligou o motor, deu umas aceleradas fortes, meteu a espora nos mais de cem cavalos e arrancou queimando pneus, gritando com os amigos: segura peão!
Era fim de semana e, como sempre, o movimento da BR-101 era intenso. Ainda não haviam bebido muito, apenas uma dez cervejas para matar a sede. Até chegarem à Pinheira cometeram várias infrações de trânsito, em especial o excesso de velocidade. Finalmente chegaram. Tiraram as roupas, ficaram de calção e se atiraram no mar. Corriam na praia e se jogavam no mar. Cansados, de garganta seca, entraram num bar e começaram a beber...
O sol foi descansar e a escuridão veio assumir o seu turno, pois já era noite. Um dos amigos pegou um copo com cerveja, levantou-se com dificuldade e foi até o carro e jogou o líquido no motor, dizendo que estavam dando água para os seus cavalos.
Resolveram retornar pra casa, pois já era meia noite. Todos estavam embriagados. Da Pinheira até a BR-101 eles conseguiram chegar incólumes. Na BR só o motorista estava meio acordado, os outros dormiam. Não demorou para ele também dormir...
A batida foi de frente, na contramão, contra uma “carreta”. Quando os bombeiros chegaram nada puderam fazer a não ser recolher o que sobrou dos corpos dos cinco amigos. No vidro traseiro do carro estavam coladas duas mensagens: “Se for dirigir não beba” e “Dirigido por mim, guiado por Deus”.
|Falando Sério|Li, em duas edições do DC, matérias importantes sobre o homem do campo, aqueles pequenos produtores, que atuaram uma vida inteira mantendo de pé, produzindo e alimentando as cidades, com o modelo da agricultura familiar. Os políticos e os governos em geral sempre trataram o “colono” com pouco caso, não se importando com as desgraças provocadas pelas forças da natureza que massacram a economia das pequenas propriedades pelo seu endividamento, como também pela falta de interesse de manter os jovens no trabalho da produção de alimentos.
Os proprietários tiveram filhos e estes foram estudar e não quiseram mais retornar ao trabalho do campo, plantar, tirar leite, capinar e fazer calos nas mãos trabalhando de sol a sol, abandonando os pais com todos os encargos de uma pequena propriedade produtiva. Houve um tempo em que os filhos dos colonos não serviam ao Exército, porque 90% deles não retornavam ao interior depois de conhecerem a cidade.
Meu avô gostava de plantar e eu, com sete anos, comecei a ajudá-lo nas lides da agricultura, plantando milho, mandioca (no Rio Grande, onde fazíamos farinha), feijão, abóbora, melancia, verduras em geral, além de eucaliptos (onde hoje é o Pagani).
Plantávamos em vários terrenos. Lembro-me da tristeza do vô Pedro quando não teve mais disposição física para fazer o que gostava e não tinha filhos homens para dar sequência ao seu trabalho.
O que tem prejudicado a agricultura familiar, a criação de gado e a coleta e venda do leite é a falta de modernização e crédito, para que haja mais produtividade e, consequentemente, qualidade de vida, trabalhando com prazer.
O que comove nessas histórias é o apego a terra, aquela mãe-terra adubada com os calos das mãos de homens e mulheres e as plantações regadas com o suor do próprio rosto e o sangue dos avós, pais e de muitos filhos.
O tempo passa, as pessoas envelhecem e morrem. É triste escutar uma senhora dizer, com muita mágoa, que “aqui o casal começa sozinho e termina sozinho”. Se o casal morrer, os filhos que os deixaram sozinhos – em busca de uma vida melhor - retornam apenas para vender a área e gastar o dinheiro na “cidade”, pouco se importando com o passado, com uma longa história de trabalho, dedicação e sobrevivência de quem soube ser útil à sua cidade, ao estado e ao país. Não ligam, sequer, se a área será usada para construção de loteamentos sem a mínima infraestrutura.
Aí, então, os políticos e os empresários que têm a consciência e o coração no bolso, falam em progresso.
|Falando Sério|A diferença do ser humano para os outros animais é a sua racionalidade. É o que dizem, numa tentativa frustrada de inventar uma sabedoria que não existe no animal humano, para torná-lo diferente e superior aos outros animais.
Todos os dias coloco comida para os pássaros, que ficam esperando-me pousados nas árvores e nos telhados, até a hora marcada para alimentá-los. Deixo a comida em vários lugares e eles, apressadamente, começam a comer. Entre as várias espécies, os que comandam, os egoístas e os violentos, são especialmente as rolinhas roxas. Agem pelo instinto como todos os irracionais, não querendo deixar os outros se alimentarem.
Vendo-os, lembro-me todos os dias do ser humano. Conheci e conheço pessoas que pouco possuíam bens materiais e que de repente melhoraram de vida. De pessoas educadas e boas, transformaram-se em emergentes mal-educados, egoístas e infratores das leis e da convivência “racional”.
Compram um carro e se julgam os “reis do pedaço”; estacionam em local proibido; ultrapassam onde não devem; ligam o som alto do “bate estaca”; buzinam alto em qualquer lugar e a qualquer hora e nunca sinalizam para onde vão. Nos restaurantes não sabem se comportar, seguram os talheres de qualquer jeito, enchem a boca e falam deixando os alimentos caírem e riem em altos decibéis.
Os jovens frequentam lugares públicos e colocam os pés sobre as cadeiras. Além de não se vestirem adequadamente para cada local e ocasião, eles não têm compostura, não agem como pessoas civilizadas. Isto vale também para muitas mulheres, que são ridículas por desconhecerem as mínimas regras de educação. Crianças de dois, três anos já batem nos pais e desconhecem os limites básicos para a convivência social. A moda, agora, é criar cães em apartamentos, usar celular e viver com um laptop grudado no ouvido.
As pessoas desconhecem a palavra gentileza. Pedir licença, dizer “por favor” e “obrigado” não existem no vocabulário da maioria dos indivíduos, embrutecidos pelos maus exemplos de tantos homens públicos, do presidente ao mais simples vereador, e por programas de televisão de péssimo gosto, que desencaminham grande parte de um povo sem cultura.
É bom lembrar que esse mesmo povo vive abandonado pelo poder público, sem hospitais, sem postos de saúde, com uma educação de pouca qualidade, transporte precário, as cidades sem infraestrutura, sem nenhuma segurança para trabalhar, estudar, viajar, divertir-se e dormir com medo de ser roubado. E ainda dão ibope aos seus malfeitores...
O seriado policial americano intitulado “Monk” inicia a série com uma música própria para o Brasil, que diz assim: “É uma selva lá fora”...
Este ano, ano eleitoral, vai aumentar a insegurança com tantos políticos batendo nas casas pedindo votos.
|Falando Sério|Alex era um garoto inteligente, estava com 12 anos, era bom aluno e muito curioso. Gostava de questionar todo assunto que implicasse em dúvidas. Era pobre, a mãe viúva – o pai havia sido assassinado num assalto quando voltava do trabalho. Quando o crime ocorreu Alex tinha apenas cinco anos. A mãe trabalhava de faxineira e ele fazia todo o serviço de casa, além de estudar. Quando a mãe retornava do trabalho e ele da escola ficavam conversando sobre assuntos polêmicos.
Conversavam sobre religião e Alex quis saber da mãe como foi que os reis magos conseguiram achar o local onde Jesus havia nascido. A mãe disse que foi a estrela que mostrou. Alex disse que isso era impossível porque a estrela estava lá no alto do céu. A não ser que houvesse um feixe de luz que indicasse o local onde se encontrava Jesus. Mas, desse jeito até os inimigos de Jesus o achariam. A mãe não soube o que dizer.
Outro dia ele perguntou pra mãe se era verdade que havia vida após a morte. Como era possível se os mortos eram enterrados, apodreciam, os vermes os devoravam e só restavam os ossos? Outros eram cremados e só sobravam as cinzas. Como é que alguém pode voltar? A senhora já viu alguém voltar? A mãe, coitada, de pouca instrução, mas de muita fé, dizia que tanto era feito por Deus e ela acreditava em tudo o que a religião ensinava.
Alex perguntou à mãe por que acontece tanta desgraça no mundo - enchentes, ventanias, abalos, vulcões, etc. - que atingem quase sempre os pobres. Será que é Deus quem manda na natureza? E essas religiões que dizem que fazem milagres, por que eles não vão presos? A mãe fica quieta e se assustava com a curiosidade do filho. Ele insistia: Mãe, eu aprendi na doutrina que Deus está em todo lugar e vê tudo. Como é que os bandidos fazem o que querem, matam, estupram crianças indefesas e Deus não joga um raio neles?
Já era tarde e ela estava cansada, ainda ia lavar roupa e passar o uniforme para o filho estudar no dia seguinte. Não tinha respostas para as perguntas do filho. Preocupada, mandou o filho dormir. Alex fez uma última pergunta: Por que Deus não castiga os políticos que vão nas casas dos pobres fazer promessas e nunca cumprem e só sabem roubar? Boa noite mãe, reza por nós e pede a Deus para nos ajudar, já que a senhora trabalha tanto e tem muita fé nele. Ela dá um beijo no filho e diz que Deus irá ajudá-los.
A criança dormiu, a mãe ficou olhando aquele rostinho bonito e sentiu rolarem de seus olhos duas lágrimas, tão salgadas como a sua vida.
|Falando Sério|Era quase meia noite, sua companheira já estava dormindo, cansada das lides do dia. Juca começou a “cutucar” o passado, procurando nas gavetas do tempo as provas de uma existência vivida com muito amor. As fotos, desbotadas, traziam de volta o tempo pretérito. Era tudo tão simples, tão inocente, como no dia em que não dormiu, quando, pela primeira vez, segurou a mão da mulher que ele amava e agora estava presente em quase todas as fotos do álbum. Lamentou a falta de amor dos dias de hoje, quando os jovens, ao se conhecerem pela primeira vez, já se entregam sexualmente.
O jardim era dos namorados e das famílias, onde a juventude se reunia aos domingos para conversar e comentar o baile de sábado. A amizade marcava o relacionamento entre eles.
À tarde elas iam torcer pelo Guarani, assistindo aos namorados jogarem. As fotos registraram quase que a vida inteira do Juca. Ele se emocionava com tudo o que via e relembrava todos os acontecimentos de um passado que agora, ao rever as fotos, não parecia tão distante.
Ele pegou uma foto, tirada no Clube 7 antigo, de um bloco de carnaval e tentou reconhecer os outros componentes do bloco; ficou triste porque muitos já tinham partido. Pensou: amanhã pode ser eu que estarei ausente à reunião da vida. Lembrou das marchinhas de carnaval e cantou baixinho: “Confete, pedacinho colorido de saudade... ao te ver na fantasia que usei, confete, confete que chorei”.
Aí ele imaginou que talvez estivesse sendo saudosista porque achava que o passado era melhor que o presente. Mas ele estava apenas sendo nostálgico, apesar de às vezes parecer melancólico.
Continuou virando as páginas do álbum e deparou-se com uma foto tirada no Clube 7 antigo, referente ao “Baile da Primavera”, onde estava a rainha acompanhada pelas princesas. Recordou o baile, salão enfeitado de flores, moças e rapazes lindos, vestidos à caráter, elas de vestido longo e eles de terno azul e gravata borboleta. Às onze horas a rainha desfilou cercada pelas princesas. A orquestra tocou a “Valsa da Primavera” que dizia: “A primavera vem e quando vai leva o nosso bem”, enchendo o salão de pares românticos.
Juca dançava com seu amor. Ela, que estava com um lencinho de seda na mão, beijou-o deixando a marca do batom de seus lábios e ofereceu a ele. Ele o beijou e guardou no bolso dizendo: Eu o guardarei para toda a minha vida.
Juca guardou o álbum. Procurou o lencinho de seda e encontrou-o, guardado em seu escrínio de gratas recordações. Levou-o para a cama, deitou-se e segurou a mão do seu único amor. Colocou o lencinho sobre os lábios e adormeceu feliz.
|Falando Sério|Nos longínquos anos da minha vida adolescência, quando fazíamos alguma “arte” na escola e só um era interrogado, o professor ou diretor perguntavam bem alto: “E os outros?”. Nas ditaduras, depois de prenderem alguém, eles sempre gritavam, depois das torturas: “E os outros? Quem são e onde estão?”. Sempre pagava o justo pelo pecador, porque os pecadores sempre foram mais “espertos”.
O que estamos assistindo diariamente na vida pública brasileira, em termos de corrupção generalizada, é degradante. De repente um corrupto é preso e a nação inteira “baba” de satisfação. Ninguém pergunta: E os outros? Ficam felizes por beberem uma gota d’água no oceano dos políticos ladrões que infestam o serviço público brasileiro. Mas, tendo carnaval, futebol e novela para que pensar em coisas sérias? Eles, os bandidos, sabem que o povo quer festa e, tendo festa, foguetes... suas patifarias não serão lembradas.
O Brasil tem mais de cinco mil prefeitos e mais de 80 mil vereadores. Somam-se a eles milhões de cargos comissionados à disposição de uma maioria de incompetentes que infelicitam a nação e corroem seus alicerces. Nós, como contribuintes, somos esbulhados diariamente por quadrilhas organizadas em todos os partidos políticos, que apodrecem com o passar dos anos pela corrupção endêmica.
Entendo que presidente, governadores e prefeitos deveriam ser cassados caso nomeassem incompetentes e corruptos para cargos comissionados. Nada sabem de prioridades, planejamento, execução e administração, jogando no lixo dinheiro público mal aplicado.
Leio nos jornais que os deputados catarinenses assinaram uma lei concedendo gratificação de até R$ 9 mil por mês para 37 funcionários da Assembleia. Agora que o escândalo veio à tona eles dizem que assinaram sem ler e desconheciam o teor da lei. Em Palhoça, a Câmara de Vereadores teve uma lei com assinaturas falsificadas e ainda não sabe o autor ou autores.
Os componentes do poder legislativo no Brasil, salvo raríssimas exceções, envergonham os brasileiros. No entanto, estes não têm moral para reclamar porque é o povo que elege os corruptos. Fizeram uma enorme festa com direito a foguetes, porque prenderam um corrupto. E os outros? São milhões de ladrões, por este Brasil imenso, assaltando o dinheiro que pagamos de impostos e que nunca devolveram um centavo e nem foram presos, beneficiados pelo foro privilegiado. Quase todos os corruptos são reeleitos e fazem leis para se protegerem e continuarem dilapidando os cofres públicos, mancomunados com empresários desonestos.
A ética, o patriotismo e a vergonha na cara estão enterrados, bem fundo, na fossa da corrupção desavergonhada.
Infeliz de um povo onde a maioria de seus representantes políticos faz parte da miséria moral da nação.
|Falando Sério|Um dos piores defeitos dos humanos é ser uma raça de animais mal agradecidos e estupidamente ingratos. Temos como prova o péssimo tratamento que muitos filhos dão aos pais, quando esses envelhecem. Esquecem todas as preocupações, cuidados, dedicação, amor e sacrifícios, muitas vezes tendo que se “amarrar” nos bancos, com empréstimos para pagar os estudos dos filhos, que depois de formados e “bem de vida”, os abandonam como trastes velhos, esperando que eles morram para “avançarem” no que restou dos bens. Na maioria das vezes os internam em um asilo para morrerem por lá. Provavelmente os filhos farão o mesmo com eles.
Com os casais acontece a mesma ingratidão. Quando casam, quase nada têm de bens e vão adquirindo aos poucos, com muita luta e sacrifícios, com a mulher se desdobrando com a criação dos filhos, cozinhando, cuidando da roupa do marido e das crianças e ainda colaborando na renda familiar, trabalhando fora.
De repente o marido começa a sair com os amigos, fazendo suas farrinhas, conhece uma vigarista e abandona mulher e filhos por um “programa” que vai ser, quase sempre, permanente, muitas vezes levando doenças para dentro de casa, contaminando a família.
Isso acontece frequentemente com jogadores de futebol, artistas e cantores, que, enquanto não eram famosos, as esposas os mantinham “vivos” com enormes sacrifícios. O tempo passa rápido, eles ganham dinheiro, ficam ricos e a primeira coisa que fazem é abandonar a esposa e filhos por qualquer “Maria Chuteira”.
A ingratidão se faz presente em todos os lugares onde está o ser humano (o pior animal da terra). Quantos professores ajudaram os alunos a subirem na vida, a serem “doutores” e enriquecerem? E sequer recebem um reconhecimento, mesmo que seja apenas o respeito em forma de gratidão.
A ingratidão é frequente na vida social, na convivência entre as pessoas, quando indivíduos que nada tinham adquirem poder, “montados nas costas” de quem tinha prestígio e depois os esquecem. Quantas vezes alguém assume postos importantes numa comunidade e nem se lembra daqueles que fizeram de uma região desabitada uma cidade para se viver e conviver, organizando-a socialmente?
A ingratidão é fruto dos que têm mau caráter, são insensíveis e incultos. Certa vez, um prefeito disse que a educação, cultura e esporte não eram investimentos.
Enquanto as famílias, a escola, as religiões, a política e a administração pública em geral estiverem em poder dos analfabetos políticos e sem ética, nada de bom podemos esperar para o mundo.
|Falando Sério|Não vou fazer uma análise sociológica de país nenhum, nem de continente e até mesmo de qualquer cidade “mais dinâmica” ou de “melhor qualidade de vida”. Mesmo porque povo, religiões e políticos são iguais em qualquer lugar do mundo. Os conquistadores, se não foram os mesmos, agiram sempre com propósito iguais de dominação e poder absoluto, não respeitando os costumes e as culturas locais, impondo religiões, matando e saqueando as riquezas (ouro, pedras preciosas, etc.), levando o que podiam para os palácios e igrejas da Europa.
O que foi dito acima é apenas um preâmbulo para o prosseguimento dessa nossa conversa. Brasil e Peru têm muita coisa em comum. Lá e cá os surfistas divertem-se no Pacífico e Atlântico, mais no Pacífico por ter melhores ondas. Mas, onde os dois mais se parecem é no trânsito maluco, onde ninguém respeita às leis de trânsito, mais por falta de educação que por desconhecimento das leis e do bom-senso.
Se lá o trânsito é desorganizado, sem sinalizações, sem lombadas eletrônicas, sem guardas de trânsito, com motoristas estacionando em qualquer lugar (sobre calçadas, em esquinas, sobre passagem de pedestres), o buzinaço é de segundo em segundo, com 70% dos carros muito velhos, muitas vans, mini-ônibus e táxis rodando o dia todo pela cidade, aqui, não é muito diferente, apesar de termos mais carros novos circulando.
A falta de educação, de respeito, de juízo e de civilidade é a mesma. Muitos bacanas, aqui no Brasil, desfilam com carros caríssimos, mas têm “casca grossa”, não sinalizam para trocarem de pista, até parece que ainda estão dirigindo seus carros de boi; dirigem embriagados e com sandálias de dedo, estacionam em qualquer lugar, fazem piruetas em alta velocidade, provocam acidentes e não pagam os prejuízos de terceiros. Enfim, são bandidos à solta pelas estradas.
Os pobres se parecem, são gente boa. Lá não há este assistencialismo insensato (esmolas) que existe aqui, não há “bolsa família” nem “cotas” para ingresso em curso superior. Se o governo que ajudar e deve fazê-lo, por que não melhorar o ensino público, oferecendo oportunidade iguais? Tenho assistido em lotéricas pessoas apostando na loteria com o cartão do bolsa família. O governo estimula os pobres a terem filhos e não os inclui na frente de trabalho com escolas técnicas.
E assim o mundo vai em frente. Peru e Brasil têm belas histórias, embora sangrentas. Seus povos são sofredores. Os políticos, especialmente os brasileiros, são os mais corruptos do mundo e vão continuar assim por muitas décadas.
|Falando Sério|Em recente artigo comentei sobre muros erguidos por pessoas, instituições, países, políticos, fanáticos de todas as cores e paixões e todos os “istas” e “ões” que nos cercam, tornando quase impossível a convivência humana. Lembrei-me, então, das cercas de arame farpado, de finalidades diferentes, que demarcavam e protegiam as nossas propriedades, rasgando as roupas de quem tentava atravessá-las sem o devido cuidado.
As cercas de arame que me refiro foram as que conheci, quando ainda criança, não entendo o porquê delas existirem. Eram cercas construídas pela discriminação religiosa, no cemitério do Passa Vinte. O cemitério era dividido com cercas de arame farpado, em três partes: 80% para os católicos (era a religião da maioria dos moradores); 19% para os evangélicos luteranos (conhecíamos por protestantes); um 1% para suicidas, que não tinham direito à missa, orações, perdão e túmulo - era apenas uma cova rasa que ninguém se aproximava.
Essas atitudes me faziam matutar, embaralhando os meus pensamentos de garoto, que nada entendia de religião, que fui educado sem preconceitos raciais, religiosos, políticos, ou de classes sociais. Aprendi que todas as pessoas eram iguais em direitos e deveres e filhos do mesmo Deus. De repente esbarro naquela cerca de arame farpado.
Naquela época, os protestantes (cuja maioria era de descendentes de alemães) mantinham a “escola alemã”, o clube Concórdia, um boliche que ficava atrás do clube e a igreja erguida ao lado de onde hoje é o prédio espigão central. A “escola alemã” deixou de funcionar na segunda guerra mundial, quando o governo proibiu o ensino do idioma alemão no Brasil.
Quanto ao cemitério, não tenho lembrança de quando esses preconceitos terminaram e as cercas de arame farpado foram retiradas. Há, também, o caso dos divorciados, que anos atrás passaram a ser discriminados pela igreja católica, sem direito à comunhão. Tudo isso foi deixado para trás, tendo em vista que, atualmente, mais de dois terços de fiéis de qualquer religião já está no terceiro “casamento” e, se não fossem aceitos nas igrejas, certamente o dízimo teria uma baixa expressiva.
As cercas de arame farpado continuam existindo, especialmente na política internacional, onde os países poderosos executam embargos econômicos dirigidos. Na política nacional essas cercas vêm impedindo que pessoas honestas façam parte do poder, salvo raríssimas exceções, que conseguem atravessá-las mesmo tendo que rasgar as roupas para ultrapassá-las.
Eu amo meu país, meu estado e minha cidade. Continuo aqui para trabalhar pela coletividade e não para ficar rico com pilantragens e falta de ética. Não desanimo porque não devo me deixar subjugar pelos ladrões assaltantes dos cofres públicos.
Devemos ter sempre em mãos alicates poderosos (o voto) para cortarmos essas cercas de arame farpado.
|Falando Sério|Ainda jovem, quando estava estudando para fazer o vestibular na Faculdade de Direito, conheci um desembargador num ônibus circular de Florianópolis. Perguntou-me se eu estava estudando e o que pretendia fazer no futuro. Sabendo do meu desejo de seguir a carreira jurídica, deu-me alguns conselhos que me foram muito úteis. Disse-me para ser sempre justo e que fizesse prevalecer o direito e a justiça. Encontrei-o, anos depois, no mercado público de Florianópolis, à noite, em cima de um caixão, fazendo discurso para os operários. Escondido atrás de uma parede estava um de meus professores, gritando: “comunista!” e se escondendo covardemente para não ser visto.
Foi o primeiro muro ideológico que conheci. Até hoje fala-se sobre o “muro de Berlim”, o único muro comentado e criticado pela mídia de todos os países. E os outros muros? A divisão da Coréia em duas (Sul e Norte); a muralha da China continua lá e é atração turística; o muro de Israel está crescendo e ninguém critica. Por que será? Esquerda, direita, comunista, fascistas e tantos outros “istas” e “ões” estão aí infelicitando os seres humanos pelo fanatismo. Dos que mataram, torturaram e perseguiram na história de todas as ditaduras a maioria já morreu e não soube o que é ser justo.
Os muros continuaram a ser erguidos, cada vez mais fortes, mais altos e intransponíveis por obra dos que detêm o poder. No Brasil ergueram-se muros raciais com a aprovação de leis racistas, que criaram animosidades entre raças. Construíram muros entre os sexos e transexuais e aumentaram os homicídios. Aos menores deram o direito de roubar, não trabalhar e matar, com um muro vergonhoso construído contra a sociedade. Por que nossa Constituição estabelece que “todos são iguais perante a lei” se na prática isso não ocorre?
São dezenas de muros erguidos contra os honestos, os trabalhadores em geral, por culpa de uma sociedade omissa. O presidente estimula a guerra entre classes, criticando as elites e se esquece que ele, seus familiares e “companheiros”, hoje, pertencem à elite e usam os pobres para manterem os seus privilégios.
Os muros construídos pelos países ricos contra os pobres estão cada vez mais fortes. O que importa aos países ricos são o mercado consumidor e as vantagens fiscais.
Vamos construir muros, sim, para impedir que os corruptos arrumam cargos em todos os poderes da república e os maus empresários não matem a mãe natureza.
|Falando Sério|O relógio é um companheiro importante na vida de todos nós, que ficamos dependentes da anotação das horas que estabelecem e regulam todos os minutos da nossa existência. Mas, chega um momento em nossa vida que não nos interessamos pelo tic-tac daquele patrão severo que fiscalizou nossos passos por tantos anos. Eu, por exemplo, quando me aposentei guardei meu relógio na gaveta e nunca mais o usei.
Há 53 anos ganhei um relógio cuco que nos serviu por muitos anos, até que um dia resolveu descansar. Hoje, ele está sem ponteiro, enfeitando uma parede. Por muitos anos fui escravo do tempo, que passou tão rápido que não percebi. Como disse Graciliano Ramos em uma de suas obras: “mas no tempo não havia horas”. O tempo, para muitos, era e é indeterminado, impedindo-nos de estabelecer quantidade e qualidade nos anos que voam.
As perdas que todos nós sofremos fazem-nos adeptos, por desilusão e tristeza, de relógios sem ponteiros: Parados, dormindo preguiçosamente sobre o passado. Sabemos que tudo passa, que nós passamos e que não levamos nada quando partimos deste mundo, deixando, apenas, o que fizemos de bom e de ruim. Se olharmos para trás vamos nos encontrar de calças curtas, preocupando nosso pais com nossas traquinagens. Depois, adolescentes abobados, sem entender nada do tempo e da vida. Mas, inesperadamente, acordamos sendo pais, avós, bisavós. E choramos nossas perdas.
Gostamos de ouvir as músicas que marcaram nossa vida, nosso namoro, casamento, enfim, recordar o amor que conduziu por tantos anos nossos passos. E ficamos emocionados ao ouvir a música “O relógio”, na qual o compositor coloca todo o sentimento ao dizer: “Detém o tempo relógio, faz esta noite perpétua... para que nunca amanheça”.
“No tempo não existem horas” e os relógios não têm ponteiros. É só olharmos as fotos antigas e notarmos que o tempo, apesar de ter passado, estacionou ali, naquele momento de saudade, que muitas vezes estava esquecido no fundo do baú das nossas recordações. Até no futuro estará presente o passado, com relógios sem ponteiros ou com ponteiros parados, assim como num determinado momento o tempo termina para todos nós.
Na visão capitalista “tempo é dinheiro”, com base no mercado e no lucro rápido. Todo início de ano é o tempo que conduz nossos atos para que o cumprimento das obrigações para com o poder público. Há os que ensinam que “tempo é uma questão de preferência”.
Enfim, tempo, com ou sem relógio, é uma questão de viver com sabedoria.
|Falando Sério|Tudo o que as pessoas dizem deve ser muito bem analisado e interpretado de acordo com o caráter de cada um, em especial nos votos de passagem de ano, quando desejamos aos outros “próspero Ano Novo”.
Pela cultura política de grande parte das pessoas, muito particularmente daqueles que detém o poder, mesmo que temporário, “próspero Ano Novo” significa ganhar muito dinheiro, enriquecer, mesmo e em especial com atitudes desonestas. No Brasil encontramos em igrejas, templos diversos ou terreiros de macumba, a grande maioria de ladrões possíveis entre políticos, administradores, meio empresarial e grande número dos componentes dos poderes da república, inclusive do quarto poder, que é a mídia.
Não deveria ser assim. Recordo-me de um passado distante, quando existiam as festas de confraternização de Natal e Ano Novo, com abraços sinceros e votos de felicidade saídos do coração, com cantorias e risos, sem estímulo de álcool ou drogas das festas atuais. Nossos jovens estão se matando no prazer de uma cheirada, uma picada, uma fumada, gozando um presente sem futuro ou pisando no acelerador, cantando a “Estrada de Santos” de Roberto Carlos.
Próspero Ano Novo não precisa ser, necessariamente, ficar rico, exibir carrões ou fazer festas, muitas vezes bancadas e proporcionadas por atos de corrupção. Riqueza material não é sinônimo de felicidade. Minha mãe nos ensinava que ser feliz é andar de mãos dadas com o bem. É amar e ser amado, ter a mente aberta para vida, questionando o maniqueísmo bem e mal, certo e errado, bonito e feio e verdade e mentira. Dona Cármen perguntava para os filhos se, embora pobres, éramos felizes. Estudávamos, trabalhávamos, rezávamos e brincávamos. Aos poucos, com o passar dos anos, íamos progredindo com mais união e mais conforto. Cada dia mais trabalho e mais estudo, sem jamais gastarmos 90% do que ganhávamos. Tínhamos, sempre, uma pequena poupança. Assim, fomos construindo o nosso “Próspero Ano Novo”, acompanhado o ufanismo getulhista. Mas, cuidado, porque o ufanismo de hoje pode representar propaganda política.
Num diálogo de um filme policial, dois policiais conversavam sobre as desgraças do mundo. Um deles se lastimava dizendo que os maus sempre venciam. O outro respondeu que “os maus sempre vencem porque os bons, que são a maioria, se omitem”.
Desejo a todos um “próspero Ano Novo” alicerçado na lei, no direito e na ética.
|Falando Sério|Não quero discutir aqui o que o Natal significa para a religião. Desejo apenas repensar uma data tão festejada em todo o mundo. Recordo-me dos anos da minha infância e adolescência, quando nos reuníamos no dia do Natal – avós, pais e irmãos, para cantarmos Noite Feliz e recebermos os modestos presentes que nos proporcionavam tanta alegria. Era, de fato, uma festa cristã e familiar.
O Natal dos “tempos modernos” nada tem de familiar ou cristã; é, apenas, a festa do comércio, das marcas famosas, dos presentes caros, dos brinquedos eletrônicos, enfim, da modernidade. São raras as famílias que se confraternizam. O “espírito de Natal” morreu faz tempo. Hoje é pura enganação. São suntuosidades que não condizem com a história da miséria do nascimento de Jesus, com foguetórios, bebidas, luzes, muita bagunça e superfaturamento.
Apesar de ser um descrente da raça humana e de suas estórias – religiosas ou políticas – sinto-me emocionado ao notar o brilho da alegria nos olhos das crianças, ainda inocentes, ao verem o Papai Noel. Que bom seria que esse brilho perdurasse por toda a vida, que acompanhasse as crianças em todas as suas fases biológicas!
Se isso não ocorre é porque os pais deixaram de ser crianças, transformando-se em adultos rabugentos, chatos, egoístas, sem ética e sem cultura humanística, dando o mau exemplo de serem como qualquer animal irracional, que apenas satisfaz seus instintos e suas necessidades fisiológicas.
Seria ótimo se os pais dessem aos filhos, no Natal, em primeiro lugar, um bom exemplo de vida, em seguida uma cartilha com regras éticas de conduta, comportamento social, educação, cultura, sentimentos de amor, gratidão, desprendimento, coragem para lutar pela liberdade e pela honra. Depois, então, dêem brinquedo, de acordo com suas posses e a idade dos filhos.
Eu adorava ser criança, poder brincar de pés no chão, saborear frutas subindo nos pés de árvores, plantando e colhendo verduras, fazendo calos nas mãos de tanto cortar lenha, trabalhando em conjunto com meus irmãos e irmãs. E o mais importante era ser amado por uma mãe maravilhosa – nosso Papai Noel e Coelhinho da Páscoa – que não era lenda.
Não faço nenhum pedido, porque o que eu gostaria de pedir seria: educação e cultura para um povo inculto (de todas as classes sociais), um 2010 com menos canalhas e menos corruptos.
Agradeço a atenção que me deram em 2009. Espero corresponder com mais qualidade em 2010!
Juarez Nahas.
|Falando Sério|Todos nós, quando criança e adolescente, aprendemos muitas lições boas e ruins, ensinadas pelos pais, parentes, professores, religião, amigos, meios de comunicação e do dia-dia em convivência com o mundo. A maioria dessas lições fica conosco por toda a vida, ajudam ou prejudicam no núcleo social.
Recordo-me da época em que eu estudava em Florianópolis, tínhamos aula de religião e o padre ensinava que muitas almas sofriam no purgatório, porque seus donos tinham cometido pecado. Mas, se nós fizéssemos boas ações, pegando um papel no chão e colocando no lixo, ou levantando uma cadeira caída, ajudando um velhinho(a) a atravessar a rua, nós estaríamos salvando essas almas encaminhando-as para o céu. Com isso, o padre nos ensinava a compaixão, o comportamento social e a gentileza.
Minha mãe dizia que deveríamos procurar, sempre, boas companhias, sermos honestos, falarmos a verdade, lermos bastante para adquirir cultura e ter a mente livre, lutarmos incansavelmente sem desânimo e não temermos nada a não ser as forças da natureza e a maldade humana.
Há os que escutam e exercitam o que aprenderam. Mas, como se diz na gíria, para a maioria deles os bons conselhos “entraram em um ouvido e saíram no outro”. É bem mais fácil aprender o errado, como bem têm demonstrado os homens públicos, de um Brasil desamparado. Será que os pais deles os ensinaram a roubar? Com certeza eles, os corruptos, estão ensinando, pelo exemplo, seus filhos a serem desonestos.
Estamos vivendo em um país considerado o mais violento do mundo. O que se vê no futebol é de arrepiar e de se esconder de medo. Marginais travestidos de torcedores invadem os gramados, destroem o patrimônio do clube, agridem a todos que encontram pela frente, batem na política e saem contando vantagens. Aprenderam com os pais malcriados e violentos que os levaram ao campo quando eram crianças. São um bando de criminosos covardes que agridem os torcedores do seu time até mesmo na vitória, como fizeram os do Flamengo.
Nem protestar esses vândalos sabem. Com a desculpa de defenderem direitos (MST, grevistas, fanáticos de toda a espécie, torcedores bandidos, etc.) eles destroem bens públicos, propriedades particulares, assaltam, roubam das pessoas o direito de ir e vir e ninguém é punido. Vivemos num país que “bagunçou geral”, onde a impunidade é a lei máxima, que permite e estimula os corruptos a se locupletarem do dinheiro público e os criminosos em geral de não sentirem a mão pesada da lei.
São essas, as “lições para sempre”, que nós queremos para nossos filhos e netos?
|Falando Sério|Um profeta visitou o Congresso Nacional e gritou no microfone: “O partido político que não estiver infectado pelo vírus da corrupção e da podridão moral, que atire a primeira pedra ou levante a mão”. Ninguém se mexeu. O profeta, então, perguntou: “Entre vós, se existir algum honesto que levante o braço.” Dos mais de seis mil políticos presentes, entre senadores, deputados, presidente, governadores, prefeitos, vereadores e dirigentes, apenas 200 ergueram os braços. Os outros não o fizeram porque estavam protegendo a carteira no bolso de trás, por não confiarem uns nos outros.
O profeta começou a recordar todos os casos de corrupção nos últimos sete anos. Perguntou em altas vozes: “Onde está o Valdomiro, que recebia dinheiro dos bicheiros? E aquele dos correios? E o homem do dinheiro na cueca que trabalhava para o irmão do Genuíno? E o bispo da Universal que era deputado, com 10 milhões? E os mensaleiros? E o assalto no coração do país? Por que a maioria de vocês tem com um galho de arruda na orelha? É para tirar o azar ou é para identificar os que são da quadrilha? E os empresários que dão propina para ganharem licitações e superfaturarem as obras? E os cartões corporativos? E os milhões das ONGs, do MST e outros?
De repente, o profeta chorou. Indagado por que chorava, ele disse: Meu país está doente. O vírus da corrupção e da patifaria espalhou-se por todo o território nacional. O ABC da desonestidade e da sem-vergonhice vem sendo ensinado nos municípios, que é o curso primário da corrupção, com vereadores e prefeitos; o segundo grau são os governos e as assembleias; o curso superior é o congresso e o doutorado é a presidência. “Nunca antes neste país” presenciamos tanto homem público ladrão. São políticos desavergonhados que comem pizza, panetone e chupam sorvetes todos os dias. Sem contar, é claro, com os que enchem a barriga com águas vitaminadas.
Estou chorando pela falta de hombridade daqueles políticos que assinam lista para abertura de CPIs e depois recebem dinheiro ou emprego para retirarem as assinaturas. Choro por um povo que melhorou sua qualidade de vida, mas não se educou o suficiente para saber escolher seus representantes. Ultimamente tenho rezado muito, implorando ao Papai Noel para que faça com que os políticos bandidos tropecem e batam com a cabeça no meio-fio, matando os neurônios corrompidos e fortalecendo o lado bom do cérebro, se existir. E os empresários “bonzinhos”, que distribuem dinheiro para ajudar os políticos corruptos, aguardando uma reza para irem pro céu. Ao invés de receberem um raio na cabeça, caem pacotes de notas de cem.
O Miguel, que estava vestido de Papai Noel, escutando o profeta, sentiu sua barba sendo puchada por uma criança, que lhe sussurrou ao ouvido: Papai Noel, me dá no Natal uma rua, para eu poder brincar e chupar bastante sorvete?
|Falando Sério|“Quando estiveres entre os lobos, uiva como eles” (George Gudjeff)
Quando eu estava no Instituto de Educação “Dias Velho”, em Florianópolis, havia um colega que tinha sido expulso de vários colégios por incomodar demais os professores e a direção. Ele sentava na última carteira, próximo à parede, fazendo barulho. Quando o professor chamava a atenção dizendo: “O sr. aí, pare com isso”, ele olhava pra trás (fazendo de conta que existia alguém atrás dele), gozando do pobre do professor.
O que assistimos hoje, em todo o país, de norte a sul, leste a oeste, desde ao mais alto mandatário ao mais simples prefeito ou vereador, quando são chamados de corruptos é a mesma coisa: olham para onde não há ninguém e gozam do idiota do eleitor. Com a experiência dos meus quase 80 anos, posso afirmar que sempre se roubou neste país e que gerações inteiras de políticos se beneficiaram com a corrupção. E agora está muito pior.
Quais são os culpados pelo atraso do país, pela miséria do povo, pela ignorância, analfabetismo, pelos desdentados, pela destruição da natureza, pela violência crescente, pelo trânsito conturbado, pela morte de doentes em posto de saúde e de hospitais, pelo retorno de doenças que haviam sido erradicadas e por tudo o que há de ruim em nosso meio? Só há uma resposta: Os políticos mentirosos, demagogos, populistas irresponsáveis e corruptos.
Sou de um tempo em que ideal, patriotismo, ética, comportamento social, educação e civismo eram virtudes obrigatórias ao homem público e às pessoas “de bem”. Aprendíamos a amar a pátria, a ter respeito pelos símbolos da nação. O que vemos hoje é a corrupção desenfreada e descarada dominando os poderes de uma república falida pela falta de autoridade moral, de um povo omisso que só quer festa para ficar de boca fechada e não raciocinar, dominado por uma classe política cuja maioria se serve da nação, com escândalos diários de um lixo moral que envergonha até mesmo uma sociedade que adora votar em ladrões.
É por isso que a democracia vai enfraquecendo. É por isso que surgem os ditadores grandes e anões. Se nos mais de cinco mil municípios tivéssemos, pelo menos, mil deles bem administrados, com prefeitos e vereadores honestos e competentes, bem intencionados com a coisa pública, nós seríamos outro país, bem mais próximo do desenvolvimento. Temos que mostrar aos políticos que o país não é só deles, mas do povo que trabalha e cuja maioria não quer escolas. A maior vergonha para um país é ter a maioria de seus políticos (senadores, deputados e vereadores) sendo comparados pelo poder executivo para aprovarem picaretagens.
Tenha certeza que muitas pessoas pensam como eu e que estão bastante indignadas com tanta patifaria. O poder corrompe. Como disse Che Guevara: “El poder quiere um mundo de gente dócil e medíocre, el poder destesta los rebeldes y a los gênios, pero mucho más detesta a los gênios rebeldes”.
|Falando Sério|Eu estava saindo da loteria, com o pensamento voltado para o prêmio de R$ 15 milhões que a Mega-sena oferecia, quando, inesperadamente, encontrei-me com Sherlock Holmes. Após cumprimentá-lo e pedir um autógrafo, indaguei-o dos motivos que o traziam até Palhoça. Sherlock, com toda a fleuma inglesa, respondeu: - Faz uns dias eu vi em um jornal bastante lido na Inglaterra, chamado “Palavra Palhocense”, a reportagem sobre a falsificação de uma lei e do sumiço de um arquivo na Câmara de Vereadores da Cidade mais dinâmica do mundo e a mais Bela por Natureza. Resolvemos, eu e meu caro Watson, analisar todo o ocorrido.
Achei muito importante esse interesse do maior detetive do mundo, pois o crime em questão esbarra num grave problema para os que estão tentando resolvê-lo: Não há mordomo para ser responsabilizado. Como me esclareceu Sherlock, o caso tem muitos detalhes a serem analisados: 1º - as assinaturas foram toscamente falsificadas, como dizem os envolvidos; 2º - o vigia viu uma pessoa descer as escadas com uma pasta de arquivo e colocar dentro de um carro preto. Provavelmente o vigia deve reconhecer essa pessoa; 3º - as portas não foram violadas, portanto, o criminoso tinha uma cópia das chaves; 4º - Ficou uma pegada de um calçado que estava sujo de barro; 5º - existem interessados e beneficiados na questão; 6º - o roubo da pasta que arquivava as fitas que poderiam identificar o meliante, que sabia de antemão onde a pasta estava; 7º - a facilidade que o criminoso teve para agir é extremamente suspeita.
O maior detetive do mundo, que nunca permitiu que os crimes ficassem insolúveis, que ajudava a famosa polícia inglesa (Scotland Yard) a solucionar intrincados problemas criminais, virou-se para seu ajudante, dizendo: - Meu caro Watson, temos em mãos uma batata quente, pelos subterfúgios, e talvez, pelos personagens da trama criminosa. Sir Arthur Conan Doyle confia na minha experiência, pois pretende escrever mais um romance policial.
Sherlock reclamou da pouca transparência das apurações, porque quanto mais provas ele puder analisar, mais fácil irá se tornar a sua missão. Por essa razão iria solicitar subsídios sobre o caso ao “João do Jornal”, grande conhecedor dos mistérios fantasmagóricos da cidade.
Eu falei ao Sherlock que seria muito importante que todo esse mistério fosse desvendado, por razões éticas de agressão à democracia e à república, já que foram falsificadas as assinaturas de um morto que era prefeito, de vereadores e ainda o roubo de um arquivo, motivos muito graves para que o Ministério Público e a polícia se envolvam, para levarem o criminoso ou criminosos perante à Justiça, para a devida punição.
Sherlock aproximou-se e falou baixinho: - Depois que eu falar com o vigia, vou apresentar o criminoso.
E colocou o cachimbo na boca, dizendo para aguardarmos o próximo capítulo.
|Falando Sério|Não vou explicar o que é democracia porque de tanto que é falada todos conhecem. Só que nem todos a interpretam com o respeito que ela merece, por isso, quem assume o poder vira rapidamente ditador. Temos, também, os fanáticos, que são ditadores pela falta de cultura. Porém, existem os patéticos de cultura prepotente, autoritária, que não admitem o contraditório. São os ditadores anões de inteligência, que não aceitam o império da lei, por consequência, odeiam a democracia.
A democracia ainda é o melhor regime político, apesar dos maus políticos que dirigem o país, os quais mancham as liberdades individuais. Querer censurar a mídia, criticar TCU, TER, STF e todos que veem erros em seus governos; são atitudes anti-democráticas. Criar “arenões” como base política, legislando à revelia do povo que paga impostos, é estabelecer uma ditadura mascarada. Antes, nos anos negros da ditadura, a “Arena” era o partido político dos generais, composta por oportunistas e por quem tinha medo do regime militar. O arenão de hoje é formado por uma maioria de políticos corruptos que só quer receber as benesses do poder.
Às vezes leio no “Diário do Leitor” opiniões de cidadãos comuns, de advogados, jornalistas, professores e outros medidos a importantes, e fico horrorizado em ver que ainda existem tantas mentes mofadas, ultrapassadas, que ainda acreditam em Adão e Eva. São pobres de espírito e analfabetos políticos, que criticam ditaduras em outros países, mas querem ditadura para o Brasil. São aprendizes de torturadores e puxa-sacos de quem tem o poder e a força. Desconhecem a cultura humanística e devem achar que a vida iniciou quando Cristo nasceu. Esses ditadores anões ainda falam em direita e esquerda, comunismo e capitalismo, como se ainda estivéssemos nos anos da Guerra Fria.
Numa democracia devemos aceitar as múltiplas opiniões políticas, religiosas e aturar até políticos que opinam sobre tudo, mas nunca sabem das imoralidades que acontecem em seus governos. Por que não aprovamos o regime parlamentarista, com um primeiro ministro que possa ser substituído, caso não corresponda, sem traumas políticos e sem golpes?
É inconcebível que jornalistas, tão odiados pelo poder, sejam favoráveis ao regime ditatorial, assim como professores e advogados prefiram ditaduras. O que nós devemos fazer é exigir do poder judiciário a aplicação da lei, sem delongas, punindo rigorosamente os corruptos que envergonham a democracia.
Nós, também, podemos puni-los, não votando neles. Porque democracia é a “lei do povo para o próprio povo; é liberdade, é a voz do pensamento”.
|Falando Sério|“Porque ficar adulto é isto: Perder a memória” (Rubem Alves).
Como é triste ser triste! Viver por viver, sem objetivo algum, sem família para amar ou por quem ser amado. Sofrer pelos filhos que os abandonaram, pelo marido ou esposa que se foram, pela família que existia e desmoronou. É tornar-se adulto e jamais ser criança. Como diz o escritor Rubem Alves: “Os poetas são as crianças que se recusaram a ficar adultas”.
As pessoas com os sentimentos embrutecidos pelos revezes da vida não conseguem ser nostálgicas. Nostalgia é poesia. Vivem emburradas, não sorriem e nem gostam de crianças. As festas de Natal – apesar do chamamento comercial – nos devolvem a inocência da criança que fomos. Ouvimos as mesmas músicas, os mesmo enfeites nas casas e no comércio. Lembramos do Papai Noel que podemos ser se soubermos nos travestir de crianças.
No mundo louco de hoje, de tamanha violência e de tanto mau exemplo, às vezes não sei o que ensinar aos meus netos e bisnetos. As religiões caíram no descrédito, tendo influência apenas entre os mais simples e pobres de espírito e funcionam como uma casa de penhor. Os poderes da república estão apodrecidos, influenciados por uma classe política desmoralizada. Como posso dizer a eles para amarem ao próximo como a si mesmos se eles podem vir a ser vítimas desse amor? É certo que eu hei de ensinar-lhes a ética, a bondade, o respeito às leis e a exigirem seus direitos cumprindo com seus deveres.
A cultura social presente é a leitura do contraditório. Os jovens aprendem a correr atrás de negociatas, bons empregos, ficarem ricos, seja na atividade pública ou privada, ter poder, pelo dinheiro ou pela política, se sentirem adultos tendo vergonha de amar e voltar a ser criança. Isso é ser feliz? Ou, quem sabe, optar pela pobreza, ter emprego, ganhar o quase suficiente para sobreviver, ter família para sustentar e não ter segurança econômica e nem tempo para amar e ser criança. Isso é ser feliz?
É muito difícil ensinar alguém a ser honesto neste mar de corrupção, violência, incompetência, atraso, desamor, falência das religiões, canalhices do agente público e burrice coletiva. Há um vazio de humildade, humanismo, sabedoria, poesia, amor, do ser criança, numa sociedade embrutecida que dialoga com máquinas. É a encruzilhada com que todo ser humano honesto se depara nesta sociedade de incultos.
O que posso ensinar aos meus netos e bisnetos? Apenas a força do exemplo e do amor à liberdade. Quando eu partir pouco importa se vou deixar bens ou dinheiro. O que eu quero é deixar amor, amizade, lembranças e muita saudade aos que eu amei e àqueles que me amaram.
|Falando Sério|Quando eu era Jovem sentava com os amigos em uma mesa de bar e bebíamos cerveja, conhaque,vinho, cuba, refrigerante e outras espécies de bebida. Cada um bebia o que gostava, mas a preferência era sempre pela cerveja. Alguns colegas, para “aparecerem”, convidavam outros que passavam, dizendo: “pode chegar que fulano vai pagar”. Faziam “média” com dinheiro dos outros. Muitos políticos também agem assim: conhecem o mundo em passeios com os amigos e as despesas são pagas pelo povo.
Presidentes, governadores, prefeitos, senadores, deputados e vereadores, com a alegação de irem a serviço do país, dos estados e dos municípios, curtem ao invés de administrarem o país. E o dinheiro que pagamos nos impostos desaparecem no ralo da corrupção.
Já imaginaram os bilhões que são gastos em propagandas enganosas e promessas nunca cumpridas? Eles, os mentirosos, pensam que fazem favores ao povo construindo casas, pontes, viadutos, escolas, estradas, ginásios, etc., com o dinheiro suado dos brasileiros, que pagam em impostos mais da metade dos seus salários. Todo esse dinheiro é gasto para exaltar a imagem dos políticos, numa propaganda ilegal e imoral.
Os milhões que o governo dá aos sindicatos, UNE, MST e outros para piorarem o governo e seu partido político, acabariam com a miséria no país. E os partidos políticos que apóiam o governo não permitem que se apure a bandalheira institucionalizada.
O governo e os políticos, ao invés de estimularem a poupança, estimulam, sim, a gastança. O FGTS, PIS, PASEP, etc., que foram criados com a intenção de amparar os trabalhadores após a aposentadoria e ajudá-los na velhice, estão sendo dilapidados por decisões de cunho político.
Outro exemplo que irrita e desanima as pessoas honestas são os prêmios distribuídos pelos políticos. O bom cidadão, aquele que cumpre suas obrigações, trabalha, poupa, cumpre a lei e paga os impostos em dia, não tem direito algum neste país onde os políticos premiam os maus pagadores, perdoam seus débitos e ainda dão prêmios aos que não cumprem com os mandatos básicos da cidadania. Os políticos agem assim porque o dinheiro que eles esbanjam fazendo campanha sai do nosso bolso.
São milhões e milhões gastos com a demagogia e o populismo, enquanto os eleitores deles, os mais pobres, morrem nos corredores dos hospitais, os filhos não tem educação de qualidade, moradia decente, transporte público barato nem segurança para sobreviverem com o mínimo possível de qualidade de vida. Enquanto eles...
|Falando Sério|Quem não tem lembranças, não viveu. Quem não gosta de recordar o passado, já morreu. Boas ou más, as recordações remetem-nos aos tempos de infância, adolescência, juventude, idade adulta e velhice. Se chorarmos, se sorrimos, se tivemos dificuldades econômicas ou se não passamos por problemas financeiros, se fomos felizes ou não, tudo está arquivando em nossa mente; é só abrirmos as gavetas dos nossos sentimentos que as recordações afloram como as flores na primavera.
Pobre daquele que não se recorda da infância, brincando ou brigando com os irmãos ou com os amiguinhos, da casa grande ou pequena, rica ou pobre, com natais alegres ou nem tanto, do colégio onde estudou, das professoras ou professores que lhe ensinaram o ABC, dos funcionários, da sopa no recreio, da educação física e dos colegas de classe.
Se chegamos à velhice e não somos capazes de ter saudades de tantos anos de vida em comum, com esposa filhos e irmãos, dos colegas do ginasial e do curso superior, somos pobres demais em sentimentos e inteligência. Aqueles que detestam o passado são doentes, complexados, mal-humorados e infelizes.
Como é bom, depois de 30, 40 anos encontrarmos ex-colegas de escola, do futebol, do exército e apertarmos as mãos com alegria! Parece até que todos aqueles anos de um passado remoto, adormecido, retornaram num minuto. Conheço muita gente que viveu uma infância e juventude com extrema dificuldade, com os pais “morrendo a trabalhar” para oferecer-lhes melhores dias no futuro, e que hoje, vivendo melhor, esquecem-se dos pais e se envergonham de terem sido pobres. Esses continuam: com uma miséria maior por serem pobres de espírito.
Chegamos à idade adulta, somos bacharéis, advogado, dentistas, médicos, professores, empresários, etc., enriquecemos e nunca mais nos lembramos dos mestres que nos transmitiram os ensinamentos necessários para nosso crescimento intelectual, social e nos preparam para a vida. Será que nossa existência é tão simples assim: estudar, aprender e partir? Não ficou nada para recordar? E os primeiros amores, os primeiros amigos, as primeiras festas, as músicas, os natais, as páscoas, o primeiro terno, o primeiro baile? Se nada ficou na memória, então já morremos faz tempo.
Os que tiveram ideias e lutaram por elas, de mãos dadas a um número restrito de amigos e companheiros, e por isso foram perseguidos, torturados e alguns mortos, será que não sentem orgulho pelo passado consciente de lutas, a começar pela sua cidade e subindo ao Estado e à toda a Nação em busca da justiça social e contra a corrupção?
É natural que medíocres, os alienados, não têm do que se recordar que tenha algum valor, já que não participaram da vida, apenas vegetaram. Foram bonecos, carneiros ou uma massa inculta e covarde, sem história, sem passado, sem cultura humanística e sem recordações.
|Falando Sério|Paulo morava no centro de Palhoça e todos os dias, às 16:00 horas, saía de carro para comprar pão. Num certo dia, ele estava um pouco estressado, por várias razões: Na saída do loteamento Probst passou pela rua onde tem uma garapeira, com carros estacionados nos dois lados da rua, ficando passagem pelo meio apenas para um veículo. Quando estava no final da rua apareceu outro carro em sentido contrário, exigindo que ele desse ré. Paulo disse que não sairia dali, porque estava com a razão. Discutiram um pouco e os dois saíram resmungando. Continuou a viagem e, no cruzamento do viaduto, quase enlouqueceu de tanta baderna.
Seguiu em frente. No May Bear, tinha um ônibus de músicos estacionado na calçada prejudicando a visão; o bico da calçada atrapalhava a manobra. A respiração dele já estava ficando acelerada. Diminuiu a velocidade do carro e repetia em voz alta: Estou calmo... eu estou calmo... Dirigiu-se ao patural e, quando o carro começou a entrar nos buracos, quase estourando os pneus e arrebentando com os amortecedores, ele abriu o vidro e berrou: “Não tem Prefeito... não tem Prefeito...”. As pessoas que passavam em outros carros acharam que ele era louco.
Paulo comprou pão e retornou pra casa. O trânsito continuava insuportável. Eram carros estacionados em qualquer lugar, carroças com cavalo mordedor atrapalhando, bicicletas na contramão e motoristas ignorantes colocando atrás do carro. Chegou em casa, tomou café e, mais calmo, resolveu ir ao banco andando. Vai pela calçada até a Vara da Justiça defronte ao Cartório do Registro Civil, mas teve que andar sobre a rua, porque tinha uma moto e um carro sobre a calçada.
Um cachorro de rua ameaça morde-lo. Defronte ao Clube 7 depare-se com correntes impedindo a passagem livre dos pedestres. Em frente ao Banco Brasil carros e motos expulsam as pessoas da calçada e, mais adiante, um fio de nylon cerca a calçada e provoca acidentes. Sentada no chão, uma mulher com uma criança no colo pede esmola. Logo à frente, um rapaz forte pede dinheiro, talvez para comprar droga.
Nessa altura dos acontecimentos, ele já estava explodindo de estresse. Atravessou a praça, no estacionamento da Zona Verde, e um guarda multava um carro. Ele não entendeu. O Tavinho, no outro lado da rua, fazia gestos obscenos para os motoqueiros. No dominó da praça, os velhinhos discutiam.
Meio tonto, resolveu voltar pra casa. No meio do caminho, um foguetório atordoava as pessoas. Na sinaleira do Fórum, Paulo, bastante nervoso, esperou o sinal fechar. Quando foi atravessar a rua, uma bicicleta, que vinha na contramão, o atropelou e o rapaz ainda o chamou de velho burro. Sem controle, ele pulou no pescoço do rapaz e, com as duas mãos, tentou esganá-lo, gritando sem parar: “Eu quero paz... eu quero pazzz...”.
Foi internado numa clínica e até hoje vive sedado. A única palavra que ele pronuncia sem parar é “PAZ”.
|Falando Sério|Quantas vezes somos atropelados por bicicletas, dirigidas por adolescentes ou adultos, que se acham no direito de furar sinal e andar na contramão? Se a polícia olhasse bem, veria que, por ironia, muitas dessas bicicletas são roubadas. As motos, pilotadas por homens ou mulheres, são o mais triste exemplo da falta de autoridade, num país onde reina o mau exemplo e o pouco caso com o direito dos outros. E, cada dia que passa, vão morrendo mais e mais jovens que poderiam vir a ser agentes do futuro do país, se fossem melhor orientados, mesmo que fosse com sanções educativas. Com os carros acontece o mesmo.
Tudo começa com lares desestruturados, com escolas abandonadas pelo poder público, pela falta de seriedade das religiões e a frouxidão das leis penais, aprovadas por políticos descompromissados com a sociedade brasileira, inclusive disseminando maus exemplos de comportamentos imorais e antiéticos.
A falta de respeito pelo direito dos outros, a ignorância institucionalizada, o comportamento social vergonhoso de gerações que pensam estarem sozinhas no mundo, geram a violência e o desrespeito à vida. O estímulo dos governos à violência, permitindo e incentivando o ódio racial (lei da desigualdade racial), transformando homens e mulheres em inimigos (lei Maria da Penha), enaltecendo a diversidade sexual, idosos abusando de seus direitos e menores amparados por lei que só lhes dão direitos.
De que adianta estar escrito na nossa Constituição Federal que “todos são iguais perante a lei?”. Fazem leis populistas e eleitoreiras para continuarem no poder e terem as facilidades dos cofres públicos, aprovados pelo voto de um povo omisso, analfabeto político, que só quer assistir às novelas e discutir futebol.
Hoje em dia, homenageiam e criam dia pra tudo. Provavelmente a cadelinha que serviu de tiro ao alvo e foi operada deverá ter o seu dia. Foi um ato brutal. Só que morrem por dia milhares de crianças e adultos de fome, pobres sem assistência médica, sem cirurgias, sem postos de saúde e ninguém se preocupa com eles.
E os honestos? Coitados. Vivem enxovalhados, não têm data no calendário, são discriminados, têm seus direitos usurpados e servem de riso para os corruptos que mandam no país. Falta organização para os honestos (os políticos ladrões se protegem), gritar, exigir seus direitos, “peitar” os políticos e fazer campanha contra os ladrões do dinheiro público.
Eles, os “caras” chorões, vão acabar com a miséria por causa das Olimpíadas, assim como acabaram com a violência e a pobreza no “PAN”. E o povo inteligente??? Acredita e bate palmas. Afinal, vivemos num paraíso ou num inferno?
|Falando Sério|Várias vezes utilizei os canos da Casan para ir até a Coloninha levar os sapatos para serem arrumados na sapataria do Seu Ivo. Quase todas as pessoas usavam esse atalho para irem e virem mais rápido. A emoção era passar sobre o rio Passa Vinte, por cima dos canos. Para irmos até a Pedra Branca atalhávamos pelos pastos, passando por entre fios das cercas de arame farpado, que muitas vezes rasgavam nossa roupa e nossa pele, sem contarmos com as corridas que os touros bravos nos davam durante a travessia. Eram atalhos que nos ajudavam a chegar mais depressa ao nosso destino.
Esses atalhos eram inocentes, próprios de garotos, de quem não tinha carro, e não prejudicavam ninguém. Ao contrário, ficávamos mais saudáveis por andarmos e respirarmos o ar puro daqueles tempos sem poluição.
Hoje, os atalhos são outros. Poucos são aqueles que iniciam a maioridade pensando em trabalhar muito, estudar, economizar para ter uma poupança que lhes dêem a garantia de uma vida melhor, com mais conforto para si e sua família. Tudo isso conseguido num compasso lento e médio, sem jamais gastar além do que ganham. A maioria corre atrás da facilidade, na maior parte das vezes ilegais e imorais, atalhos para perderem tempo rumo ao enriquecimento, mesmo que de forma ilícita.
No atalho de adquirirem um diploma muitos corrompem comprando provas, ou colam durante os exames. Outro atalho bastante conhecido para o enriquecimento rápido é entrar na política. Alguns realmente gostam da atividade política e trabalham honradamente com o ideal de bem servir a população e o país. São tão raros, hoje em dia, que o eleitor que não é burro e não depende de favores políticos, está desiludido e pessimista quanto ao futuro das nossas instituições. A maioria desonesta vê, na política, a sua redenção financeira com as fraudes que o poder lhes proporciona e a corrupção desenfreada e impune, com a aprovação de imorais, de um povo analfabeto político e dependente.
No relacionamento humano, homens e mulheres utilizam todos os atalhos possíveis. Eu tinha um amigo que gostava de namorar viúvas. Na primeira vez que passeavam, ou iam ao cinema, ele a convidava para ir a um motel, argumentando que se eles dentro de um mês irão fazê-lo, por que perder tempo?
No presente é assim que agem as pessoas. Sequer se conhecem; após um copo de cerveja já estão “ficando”, usando o atalho da permissividade. Só que jamais atingirão a grandeza do amor. Apenas exercitam o sexo, que, muitas vezes, é um atalho para a infelicidade.
Em qualquer atividade ou atitude humana “é preciso haver uma moral. Sem ela não haveria regras e todos se matariam. Mesmo os marginalizados têm um código moral.”
|Falando Sério|Desde criança até aos dias de hoje eu nunca entendi o que a religião ensinava nos cursos de doutrina. As catequistas antipáticas, cheias de razão, falavam em pecado, castigo e inferno, que deveríamos pedir perdão pelos nossos pecados e tínhamos que nos arrepender. Éramos crianças inocentes, numa época em que não conhecíamos nem entendíamos dos “pecados” de hoje. Chamar nome feio, pregar pequenas e inocentes mentiras eram os “pecados” que tínhamos que confessar de dez em dez dias, com a penitência de rezas intermináveis. Não era possível haver arrependimento real nem motivo para o perdão, pela insignificância dos “pecados”.
Depois que se cresce e se recebe melhores informações e educação dos pais, entende-se melhor a vida, os “pecados”, o arrependimento e o perdão. Vê-se o quanto há de hipocrisia no mundo. O ganancioso sempre quer mais, não importa quantas vezes tenha se confessado; os caluniadores só se “arrependem” e pedem desculpas publicamente para não serem processados. Quantos criminosos, após seu ato cruel, choram e dizem estarem arrependidos para comoverem as pessoas? Quantos, ao envelhecerem, arrependem-se de suas maldades porque não têm mais energia para continuarem sendo maus? Os políticos, quando estão no poder, se enchem de autoridade e importância; perseguem a maltratam seus opositores. Depois que são alijados do poder se dizem arrependidos e se fazem de bonzinhos. Quantos criminosos cretinos que prejudicaram, torturaram e mataram pessoas indefesas nos períodos dos de ditadura, dizem, hoje, que estão arrependidos?
Todos eles acham que basta se confessarem e dizerem que se arrependeram que ganharão o perdão e estarão “puros” para ingressarem no “céu”. As pessoas tratam mal os outros, subordinados ou não, depois podem se arrepender, mas, no entanto, o arrependimento é uma forma de se autoperdoar.
Deveríamos nos arrepender das coisas boas e importantes que deixamos de fazer. Por exemplo: não ter se esforçado por um futuro promissor para proporcionar aos filhos melhor qualidade de vida; não ter amado pai, mãe, filho e todos os familiares como deveríamos, num sentimento recíproco, pois amando, num dar e receber, se constrói um mundo melhor. “Não é o tempo que conta e sim o que dele fizeste. Não é a idade que importa, mais sim o que alcançaste enquanto crescias. Não é o dia do aniversário que louvo, mas todos os dias que fizeste o outro feliz”.
O arrependimento é uma atitude patética e inútil. Pode-se afirmar: agora é tarde demais! Vocês podem se arrepender de terem lido este texto. Acontece que já leram e não há como desfazer o ato.
|Falando Sério|Eu estava lá. Anoitecia, a lua cheia começava a espiar por detrás dos montes e a faixa de luz passeava pelo mar chegando até a praia, como se o céu atirasse pó de ouro sobre as águas. A mãe natureza sorria de contentamento, por estar oferecendo aos seres humanos um espetáculo grandioso e romântico. De repente, ouviu-se uma voz que emocionou a todos que apreciavam o show da natureza, pela firmeza de suas opiniões. Não se conseguia localizar de onde aquela voz saia, apenas se ouvia o som como se estivesse passeando montado nas asas do vento.
A voz dizia: - Razão tinha “Juca Velho” quando afirmava que os seres humanos eram incapazes de entender a vida, porque não respeitavam a natureza. Quantos, agora, têm olhos para ver e mente para sentir tanta beleza? A lua não é como os humanos, que se fecham dentro de seu egoísmo e da sua ganância e não repartem o pão. A lua recebe a luz do sol e a divide com o mundo, numa atitude desprendida e romântica, tentando semear e participar da vida e do amor.
O número de pessoas foi aumentando pouco a pouco. Saíam das casas, desciam dos apartamentos, transeuntes que passavam, todos se dirigiam à praia para escutar aquela voz. Uns diziam que era algum maluco engraçadinho, com um microfone escondido, gozando do povo. Outros, fanáticos religiosos ou medrosos, achavam que era mesmo um porta-voz de Deus anunciando os últimos dias.
A voz continuou: – Vocês que ora me escutam, raciocinem e se perguntem por quê nessas catástrofes, chuva, vento, seca, enchentes, desmoronamentos e tornados, nenhum político é atingido com a freqüência que os pobres são? Primeiro, porque eles não moram em área de risco; segundo, porque se eles morassem lá o poder público já teria solucionado os problemas. Abram os olhos e as mentes e desconfiem daqueles que chegam até vocês prometendo maravilhas. São mentirosos que se interessam apenas pelo poder e suas corrupções. A mãe natureza vem sendo torturada pelos humanos, que destroem a flora e matam a fauna. Eles, os políticos, mentem quando dizem que fazem leis que obrigam o “uso sustentável do solo”. Mas aprovaram um novo Código Florestal para atender interesses contrários à preservação ambiental, destruindo o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro e da preservação do manancial de Pilões. Essas leis são bombas que vão explodir no cotidiano dos pobres.
Ouviu-se, então, uma voz de mulher perguntar ansiosa: - O que devemos fazer? A voz respondeu: - Anotem os nomes de todos os maus políticos, desde o Presidente até os vereadores, e só votem neles se um dia um elefante conseguir passar pelo buraco de uma fechadura. Diga aos políticos que eles são funcionários públicos e têm que trabalhar em benefício do povo que os pagam, o que não é favor nenhum.
Fez-se um silêncio sepulcral.
A lua, alheia a tudo isso, continuava subindo e espargindo seus raios dourados pela imensidão do mar. Os casais de namorados se abraçaram enlouquecidos de paixão.
Só os loucos lúcidos compreenderam aquele momento mágico.
|Falando Sério|Quantas vezes nós saímos a passear de carro, por lugares que não conhecemos, esquecemos de levar um mapa para nos orientarmos nas entradas e saídas das cidades e nem sequer pedimos informações às pessoas que já conhecem o caminho? Muitas vezes as estradas se modificaram. O entendimento das responsabilidades também mudou. Assim, se caminharmos pela vida e formos imprudentes talvez paguemos seriamente por nossa imprudência - isso, no plano pessoal.
Agora, imaginemos uma sociedade coletivamente desorganizada, onde cada um faz o que quer, sem respeitar as leis e o direito dos outros. Valores e princípios são jogados no lixo; honra, honestidade, decência (na década de 60 pregavam o amor livre), respeito, lealdade, ética, humanismo, amizade e autoridade são coisas do passado. No meu tempo de criança os vizinhos eram como se fossem membros da família, ajudavam-se mutuamente. Hoje mais parecem inimigos.
As gerações de hoje são mentes sem rumo, assim como os poderes constituídos frouxos, sem autoridade moral, com políticos que envergonham uma nação impotente, sem forças para lutar contra o errado. As famílias estão contaminadas pelos problemas existenciais, pelas incompatibilidades, pelo desamor entre marido e mulher e pais e filhos, dificuldades financeiras, doenças, álcool, drogas, vaidade querendo ter o que não pode. Pais e mães sem autoridade atiram monstrinhos nas ruas sem a mínima educação. Há, também, casos de filhos desorientados entre vários pais e várias mães.
O que notamos é a falência total do lar, da igreja e da escola. A religião como ponto de encanto dos desencantos humanos; a justiça como ponto de encontros dos desencontros humanos; o lar, como fábrica de marginais, sem amparo psicológico e intelectual, pela mediocridade cultural e falta de autoridade dos pais; a escola, pelo total abandono pelas autoridades competentes, abandono material, profissional e de segurança, pois o que interessa aos políticos é um povo inculto, dependente e sem personalidade. A educação e a cultura vêm sendo destruídas por políticos analfabetos e corruptos, por leis madrastas, pela falta de respeito e educação que as tornam inviáveis pra promover o aprendizado e o humanismo.
Os maus exemplos partem do alto. Estimulam a gastança, a boçalidade, o ter o que não se pode, embora devendo até os fios de cabelo. Aí, então, acentuam-se os complexos e impera a violência. E as leis? As leis não acompanham a evolução dos problemas da sociedade. Os políticos não endurecem as leis com medo de pagarem por suas canalhices.
A humanidade está sem bússola. Os pontos cardeais se confundem e se resumem num único nome: IMPUNIDADE.
|Falando Sério|Cidade da Fé era um município distante de tudo o que fosse evolução. Sua população era formada por fanáticos religiosos, beatos e hipócritas. Por isso mesmo era uma cidade triste, sem alma, sem sorriso, sem amizade sincera. As crianças tinham que se confessar uma vez por semana, não podiam assistir à televisão, fazer teatro só se fosse peça religiosa. Aprendiam que tudo o que acontecia de mal com as pessoas era castigo de Deus, por elas terem cometido pecados. A juventude não podia dançar nem namorar sem a autorização dos pais e abençoados pelo padre.
Assim, a Cidade da Fé ia se tornando a cidade do atraso, da falta de cultura geral porque só era permitido que se lesse apenas um livro: A Bíblia, em especial, o antigo testamento, ressaltando a mão pesada de Deus castigando os que pecavam.
Certo dia apareceu na cidade uma moça para lecionar no colégio local a matéria Filosofia. Ela vinha de outro centro onde se respeitava a opinião alheia, onde a cultura transbordava, transformando mentes, semeando ideais de liberdade e de respeito.
Iniciou seu trabalho ensinando o que é Filosofia, citando os filósofos e sua idéias. Os alunos começaram a acordar para o mundo e adoravam a professora. Assim, foi sendo formada uma nova mentalidade na Cidade da Fé, sem radicalismos e aprendendo o que é um Estado laico.
A igreja e os conservadores começaram a reagir. Diziam que a professora era anarquista, comunista, contrária à lei de Deus e sem moral, pois estava grávida e não tinha marido. Investigavam os pais a tirarem seus filhos da escola caso a diretora não demitisse a professora. A diretora, por sua vez, estava satisfeita e elogiava o trabalho da jovem, que era amada pelos alunos.
As beatas marcaram uma reunião na escola, com a direção, o padre e a professora. Como todos estavam presentes, a reunião começou. O padre foi o primeiro a falar, dizendo que estava representando a sociedade da Cidade da Fé, exigindo a demissão da professora por ela estar desencaminhando as crianças e a juventude, roubando-lhes a fé. A professora argumentou que o mundo não começava nem terminava naquela cidade e, sem filosofia, a humanidade seria sempre selvagem e nunca se libertaria dos preconceitos e do fanatismo. A diretora lamentava aquela discórdia, pois os alunos adoravam a professora.
As beatas xingaram e ameaçaram a jovem. A reunião acabou sem acordo. No dia seguinte a professora foi encontrada desacordada, com hemorragia por ter abortado após uma violenta surra. Os alunos a levaram ao hospital e, após um mês, ela se recuperou. Antes de partir ela rogou uma praga cidade: - Nesta cidade não nascerá nunca mais uma criança com vida!
Hoje, por quarenta anos seguidos, depois desses acontecimentos, a cidade da Fé é triste, sem fé, sem crianças e sem jovens, com sua população só de velhos, reduzida à metade. O fanatismo religioso, o preconceito e ignorância destruíram a cidade. São décadas sem se ouvir um vagido sequer.
|Falando Sério|Todos nós somos personagens do teatro da vida. Cada indivíduo representa um papel sem saber de cor as suas falas. Quantos tem sucesso nas variadas representações, seja como palhaço, herói, amante, traído, sortudo, azarado, rei, escravo, pobre, analfabeto, letrado filósofo, idiota, honesto, desonesto e, finalmente, feliz ou infeliz.
Artur da Távola, em sua crônica “O Pranto Pelo Adivinho”, mostra-nos, com muito sentimento, momentos de nossas vidas que deixaram de ser vividos. Podem ser situações de alegria ou de tristeza, quase tudo advindo pelo acaso e por circunstâncias alheias à nossa vontade. Entretanto, há ações que só dependem de nós para que nossa existência seja de satisfação íntima, pela coragem de se viver sem ser preciso esconder um amor que lateja em nosso peito e acende os neurônios da felicidade.
Certa vez, quando eu ainda era jovem, conheci um senhor com mais de 60 anos, que estava solitário olhando para a imensidão do mar, com lágrimas silenciosas escorrendo-lhe pela face. Eu, com pouca experiência da vida, compadecido com o estado de tristeza daquele senhor, perguntei se podia ajudá-lo. Ele me respondeu: - Ninguém pode me ajudar. Estou chorando por não ter tido a ousadia de viver um grande amor, apesar dele estar tão próximo de mim. Foram 40 anos de convivência e tivemos três filhos. Agora, ela partiu e eu não tive a coragem de dizer que a amava. Não tenho mais oportunidade de me redimir. Quanto tempo perdido! É a realidade do “não vivido”.
Conheço diversas histórias de mulheres que ficaram solteiras porque não tiveram o desprendimento de confessar o seu amor. Não é só no relacionamento amoroso que acontece o “não vivido”. No terreno das idéias isso é muito comum por não termos coragem de dizer o que pensamos, emitindo opiniões, mesmo que sejam contrárias ao pensamento da maioria. Atitudes que devemos tomar contra o que entendemos estar errado. Assim agindo, perdemos a oportunidade de demonstrar que temos personalidade e que queremos participar da vida.
Se tivéssemos opinião, se fôssemos corajosos para lutar por tudo aquilo que é justo, não seríamos comandados por ladrões, mostraríamos aos bandidos (autoridades ou não) que eles é que deveriam ter medo de nós, os honrados neste país de corruptos. Mais uma vez aparece a figura do “não vivido”.
Por que evitamos amizades, deixamos de agir com gentileza e respeito por acharmos que estamos nos humilhando? Seria mais sábio se vivêssemos com humildade, com a certeza de que não levaremos nada deste mundo, apenas deixaremos o que fizemos de bom ou de ruim. Não escondamos o amor que podemos doar. Que o “não vivido” deixe de fazer parte da nossa existência.
|Falando Sério|Certa vez, conversando com uma senhora que havia chegado de uma viagem à Europa, perguntei se ela havia gostado do passeio, de ter conhecido Paris, Madri, suas arquiteturas com diferentes estilos da cultura dos povos nos séculos passados, seus museus com artes dos gênios que semearam a cultura com suas obras magníficas, e recebi a seguinte resposta: “Eu já estava enjoada de ver tanta velharia. Não gostei da viagem, a gente só ia visitar museus, palácios, igrejas e prédios velhos”.
Esse é o raciocínio do novo rico inculto e da maioria dos políticos brasileiros, que só enxergam cifrões em tudo o que fazem. Pra que cultura se não dá dinheiro? Em Palhoça, tinha um prefeito que dizia: “Educação, cultura e esporte não são investimentos.” Infelizmente a “cultura” da maioria dos políticos brasileiros é ter o poder, colocar seus parentes e amigos dependurados na beirada do cofre, usufruir desse poder para fazerem negociatas e aumentar impostos para arrecadar, já que gastam mal o dinheiro que arrecadam nos vários impostos que nos obrigam a pagar.
O exemplo vem de cima, onde o governo federal “torra” nosso dinheiro nos mais de 25.000 cargos comissionados e, agora, quer nos impor o pagamento de mais um “imposto do cheque”. É fácil fazer caridade (e muita política partidária) com o dinheiro alheio. É esta a verdadeira “cultura” da maioria deles: presidente, governadores e prefeitos, que seguem religiosamente a mesma cartilha.
Se os políticos lessem livros, ouvissem os filósofos, frequentassem teatros, conversassem com pessoas cultas, na certa seriam melhores. Saberiam da existência de uma palavra importante: Memória. A mesma memória que eles teimam em destruir.
Em 1969, quando assumi a promotoria em Palhoça, o fórum ficava numa casa pequena, sem muitas condições para o trabalho da Justiça. Conversei com o Juiz e fomos ao Tribunal pedir a construção de um fórum novo e amplo, no que fomos atendidos. Até hoje ele ainda existe.
Amanhã, provavelmente, será demolido e sua memória esquartejada pela ganância. É assim que o poder público joga dinheiro fora. Por que não aproveitar o prédio para oferecer cultura aos estudantes e ao povo em geral? Por que não ficar na história por atitudes corretas semeando a educação e a cultura? Por que depender sempre de São José e Florianópolis? Por que não ficar na história procedendo com honradez, protegendo a natureza e respeitando a história?
No presente o Horto Florestal “já era” e o edifício do fórum está pra ir. No futuro, imaginemos que, de repente, apareça algum prefeito que também só pense em especulação imobiliária e acabe com o “Guarani” (1928), venda o Venceslau Bueno (1932), o “Ivo Silveira”, a antiga “Fucabem” – já que fazem parte (os políticos) da (in) cultura – derrubem a prefeitura (1895), a capelinha e as construções antigas da Enseada do Brito, se eles acham que a memória nada vale, pois é tudo “velharia”. Até na área onde hoje é o cemitério dá para construir vários espigões ou um loteamento popular.
Parabéns à jornalista Mariana (brilhante), ao Edmilson e ao “Margarida” por suas inteligentes opiniões. Ser culto é respeitar o passado e sua memória. É preservar, no presente, a sua história, para que possa ser contada e admirada no futuro.
O escritor “Oscar Wilde” escreveu: “Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe”.
|Falando Sério|Manuel Bandeira disse em uma se suas poesias: “A casa era por aqui.../ Onde? Procuro-a e não acho./ Ouço uma voz que esqueci:/ É a voz deste mesmo riacho (...) A usura fez tábua rasa/ Da velha chácara triste:/ Não existe mais a casa.../ - Mas o menino ainda existe.”
Eu, relembrando meus tempos de menino, pergunto com extrema e gostosa nostalgia, e alguma revolta, onde estão os cenários que emolduravam minha existência e sempre foram parte vital de meus passos, meus olhos e meus sentidos? Onde está a casa da Rua das Olarias, onde vivi com alegria por 11 anos? Onde estão os rios Sceidt e do Jorge Luz, onde nos banhávamos com frequência? Hoje não existe nem vestígios, pois lotearam até seus leitos, numa brutal ganância imobiliária.
Onde era a capelinha, hoje é um açougue. Onde estão a fábrica de bebidas do Seu Juliano, o armazém do Seu Evaldo Baash, os cinemas, a Escola Alemã, as propriedades do vô Pedro, que eram reservas ecológicas e hoje são loteamentos “carecas”? O “isoladão” com as “asinhas de seda” e muitas árvores, hoje abriga um loteamento. Onde está a igreja de duas torres com dois sinos tocados por cordas grossas puxadas por nós, que subíamos no blim e descíamos no blom (já falei sobre isto)? Era um bater mais romântico, participativo. Hoje, eles batem com o aperto de um botão, mecanicamente, sem alma.
Onde estão as serenatas, com violão, acordeon, sax, clarinete e contaria romântica, respeitosa e apaixonada, sem excesso de bebida, sem nenhuma droga, sem nenhum outro estímulo que não fosse a poesia do momento, a amizade e o amor? Onde estão as famílias estruturadas, o que restou da infância inocente (hoje crianças de 8, 10 anos usam drogas e matam)? Que fim levou a educação, o respeito, a cultura e a dignidade?
Onde estão o ar puro e a água cristalina se o presente é só poluição e destruição da natureza? Onde estão os homens honrados deste país do pinóquios, mentirosos contumazes que aprovam um código Ambiental que atenta contra a natureza, dizendo que é para ajudar o pequeno agricultor, se todos nos sabemos que é para beneficiar os grandes empresários (agricultores, pecuaristas, da construção civil e hoteleira)? Mentem quando dizem que estão dando benefícios fiscais para indústria automobilística e náutica para ajudar o povo. Por que então não reduzem os impostos do óleo diesel e gasolina para baixarem o preço dos alimentos e do transporte coletivo? Aí, sim, estariam ajudando o povo.
Onde estão os políticos não remunerados, como os vereadores de outrora que eram figuras de respeito da sociedade? O país paga bilhões – legais, mas imorais – para os poderes legislativos e executivo e, no entanto, gasta muito mais com a corrupção desenfreada entre eles. Temos “coronéis” na área federal, nos estados e municípios, mandando e desmandando, políticos decadentes, alguns corruptos outros “matutos” que se julgam autoridades. Infelizmente, sem autoridade moral.
Não podemos ser contrários ao progresso, ele vem ao natural. Somos contra os desumanos do enriquecimento fácil, anti-social e criminoso. Não somos saudosistas, querendo negar os benefícios do presente. Somos nostálgicos, sim! É a eterna saudade de uma vida feliz. É “o menino que ainda existe”.
|Falando Sério|Banalizaram o sentido das palavras. Hoje, qualquer um é herói. Até jogador de futebol que marca um gol (o que é sua obrigação e é pago pra isso) é chamado de herói. Vulgarizaram uma palavra que significa “arriscar a vida pelo dever ou em benefício de outrem.” Como o dicionário ensina, herói é “indivíduo notabilizado por seus feitos guerreiros, sua coragem, tenacidade, abnegação, magnanimidade... notabilizados por realizações (motivos nobreS)... capaz de suportar exemplarmente infortúnios e sofrimentos... indivíduo notabilizado por suas realizações (pela pátria ou pelo próximo)”.
É certo que essas pessoas, com as qualidades acima mencionadas, não são chamadas de heróis num país de corruptos. Os “heróis” são eles, os ladrões do dinheiro público, que desdenham a pessoa honesta; são aqueles que não respeitam as leis nem a ética. É só olharmos a maioria dos nomes de ruas, prédios públicos, etc., com nomes de políticos. Se perguntarmos ao povo (eleitor) em quem eles preferem votar, temos certeza que eles votarão sempre em corruptos que lhes compram o voto.
Ser honesto num país de ladrões e bandidos é ser herói, apesar de ser dever de todos nós termos ética. Somos impotentes diante de tanta canalhice porque somos covardes, omissos, mesquinhos e medíocres.
De que adianta vivermos 70, 80 anos, se não cumprimos com nosso deveres de cidadãos, de colaboração social corajosa, dando exemplos de honestidade e de trabalho, combatendo os canalhas que mentem, roubam e dão maus exemplos à sociedade? Se nossa vida foi fria ou morna nós fomos medíocres. Não existem heróis no lixo moral nem entre os omissos.
Os ex-combatentes da segunda guerra mundial, os que morreram no campo de batalha, os que foram feridos e os que regressaram à sua Pátria foram heróis e, por serem verdadeiros heróis, são abandonados pelo poder público. Se fossem covardes ou políticos corruptos seriam homenageados como heróis. Ou se fossem jogadores de futebol com bolso cheio de dinheiro. Se um jogador faz o gol que deu a vitória ao seu clube ou à seleção é homenageado como herói. É banalização do heroísmo.
A homenagem que se faz no dia das mães ou dos pais é apenas comercial. Todos os dias são deles (pais e mães) pela responsabilidade de encaminhar os filhos para a vida, dando bons exemplos, ensinando-lhes a ética nas relações humanas e no compromisso com a construção de uma Pátria que seja respeitada pela grandeza moral do seu povo. Ser pai e mãe não é apenas procriar - isso qualquer animal irracional faz. Ser pai e mãe é educar os filhos com os ensinamentos dos direitos e deveres, instruindo-os a nunca votarem em político corrupto.
Pai, está sendo homenageado! Olha-te no espelho e pense bem se aquela imagem é do pai que gostaria de ter, de abraçar e dizer: “Meu Herói”.
|Falando Sério|
Aderbal era um rapaz educado, tinha 22 anos, meio inexperiente das coisas da vida. Não era mais virgem, mas a experiência que tinha das mulheres era pouca, por ser meio inibido. Era filho único e vivia com a mãe viúva que tratava como se ele ainda fosse criança. Eles conversavam bastante e Aderbal aconselhava a mãe a se casar novamente, já que ela era bastante jovem para se “enterrar em vida”. Ele estudava à noite e trabalhava num escritório durante o dia.
A mãe do Aderbal, incentivada pelo filho, começou a frequentar as reuniões da Associação das Viúvas. Organizavam o chá das 18:00 horas uma vez por semana, realizavam viagens de ônibus para conhecerem outros lugares e, duas vezes por mês saíam à noite para dançarem nas baladas e festas frequentadas pelos filhos. Aderbal chegou a encontrar a mãe algumas vezes, toda produzida, parecendo uma garota de programa. Os amigos dele dançavam com ela e bebiam umas cervejas.
Aderbal aconselhava a mãe a ter cuidado quando saísse para se divertir, porque era perigoso, pelo fato de muitos vagabundos, bandidos e golpistas ficarem de olho nas mulheres de mais idade, com a finalidade de serem sustentados por elas. A mãe respondia que sabia muito bem o que estava fazendo, que apenas se divertia.
Os dois, mãe e filho, gostavam de frequentar o mesmo salão, onde dançavam, bebiam, conheciam outras pessoas, namoravam e depois iam embora. A mãe saía antes e Aderbal ia pra casa bem mais tarde. Algumas noites ela chegava em casa depois dele. Assim, o tempo foi passando. Aderbal soube, por intermédio de um amigo, que, no andar de cima do salão, tinham quartos que eram alugados para programas, inclusive com mulheres contratadas para atenderem à freguesia. Alguns amigos seus já haviam lhe falado a respeito, lhe aconselhando a fazer um programa com uma “trintona” muito especial.
Chegou mais um final de semana. Lá pela maia noite Aderbal saiu para se divertir na mesma danceteria sempre. Sua mãe já havia saído com suas amigas. Lá chegando, tomou duas cervejas, dançou, falou com os amigos e disse: - Hoje, eu durmo por aqui mesmo. Pelas três horas tomou mais uma cerveja, falou com o agenciado de mulheres que lhe mostrou o quarto onde deveria entrar.
Entrou meio nervoso, sem saber o que fazer. O quarto estava à meia luz. Despiu-se e esperou tomando uma dose de uísque. Uma música suave antecedeu a entrada da mulher, seminua. Aderbal foi ao encontro dela. De repente, ao se olharem, os dois gritaram ao mesmo tempo: Aderballl!!!... Mãeeeeeee!!!!.... e caíram desmaiados.
|Falando Sério|São raras as pessoas que não gostam de olhar fotos antigas. São aquelas que não querem aceitar que o tempo passou tão rapidamente, que já não são os mesmos de 20, 30 ou 50 anos atrás. Rugas, cabelos brancos, nem pensar. Acham que olhar para os filhos e netos é o suficiente para esquecerem o passado, os parentes e os amigos e que as cirurgias plásticas vão esconder suas idades.
Olhar uma foto antiga é como tomar um fortificante para renovar as energias. É trazer o passado de volta, é rever familiares e amigos que passaram por nossa vida e que gostaríamos de revê-los.
Neste momento que escrevo, tenho à minha frente a foto (1948) de minha primeira família, que eu tanto amava e, emocionado, recordo uma época maravilhosa da minha existência. Infelizmente minha mãe, um irmão e uma irmã já nos deixaram. Repasso a vista nas fotos da escolinha de 1959 até 1999, fico imaginando quantos garotos (muitos já são avós) eu vi crescer. Vejo o timaço do Guarani de 1967, quando fomos jogar em Lages e eu era o presidente. Fico feliz olhando as fotos dos famosos bailes do Clube 7 antigo, com as moças lindas da nossa sociedade que hoje são mães, avós e até bisavós.
Gosto demais de me ver adolescente com a primeira e única namorada, sentado no jardim. Há uma frase que diz: “Os primeiros amores são como os primeiro dentes; caem sem dor e deixam um lugar para os novos.” Isso não ocorreu comigo. Fico nessa mescla de alegria e tristeza quando olho a foto de minha segunda família que eu amo demais, lamento que um membro já tenha nos deixado.
São tantas as fotos desde 1936, que revelam histórias de tantas vidas, familiares, amigos e colegas que, se escritas, encheriam uma biblioteca. São histórias de muita luta, muito amor, muita dignidade que ajudaram a formar uma sociedade de cidadãos que valorizavam a ética e davam bons exemplos aos filhos e à comunidade. Muito diferente dos dias de hoje, quando uma minoria dominante, salvo raríssimas exceções, não tem honra e só transmite valores negativos à uma sociedade acovardada.
Ao ver as fotos antigas me pergunto onde andarão meus amigos de festas, bailes, parceiros de ônibus, de futebol, colegas do 1º, 2º e 3º graus e do serviço público? Cada um seguiu um rumo diferente. Alguns foram felizes, outros a vida foi madrasta. Quantos já partiram! “Emoções”, de Roberto Carlos, retrata bem nossa vidas: “Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi”.
Perdas todos nós temos. Em especial aqueles que vivem muito assistem, com tristeza, a partida de entes queridos e que fazem parte da história da nossa vida. Mário Quintana escreveu em seu soneto ”Recordo Ainda” um verso que dizia: “Eu quero meus brinquedos novamente”! Eu repito, com imensa saudade: Eu quero minha família e meus amigos novamente.
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