“A cultura é instrumento de mudança na sociedade”

Entrevista com o candidato a deputado federal Hugo Malagoli

e3a8ca25114df14b845a98dd1a1305a9.JPG Foto: ELTON CRIS

Empresário, casado, aos 40 anos, Hugo Malagoli é candidato a deputado federal pelo Partido Pátria Livre (PPL). Natural de Florianópolis, Hugo mora em Palhoça desde que nasceu, município pelo qual concorreu como vereador nas últimas eleições de 2016.

Jornal Palavra Palhocense - Qual a importância de Palhoça ter um representante na Câmara Federal?
Hugo Malagoli - Palhoça precisa ser respeitada. Hoje, com quase 180 mil habitantes, somos a 11ª economia do estado e a 250ª economia do Brasil. Já passou da hora de termos um representante da nossa cidade da Câmara Federal, por isso busquei isso, quero ser um representante além da nossa cidade e do nosso estado. Trazer recursos para nosso estado, brigar junto a governador, a prefeito, por situações que melhorem a vida de toda nossa gente e da nossa cidade.

JPP - Qual a principal bandeira que pretende defender na Câmara Federal?
Hugo - Eu sou ambientalista, há mais de 15 anos sou voluntário em uma ONG ambiental aqui no Brasil, e também sou músico. Busquei dentro do nosso plano de governo a cultura e o meio ambiente. Sempre digo que o desenvolvimento sem sustentabilidade não é progresso. Precisamos, sim, de obras; precisamos, sim, de casas para as pessoas morarem, de ruas; mas tudo isso tem que ser feito com muito estudo, muito cuidado, para que daqui a algum tempo não nos falte ou isso vire um problema. Todas as obras que tem que ser feitas para a melhoria da sociedade tem que ter um estudo rápido, porque um dos grandes entraves do progresso é o tempo de estudo, fazer as coisas acontecerem mais rápidas para melhoria da população e sendo sustentável. Sendo músico, acredito que a cultura seja um instrumento de mudança na sociedade, um instrumento de educação do povo e de criação de oportunidades. Sou a favor do ensino de música nas escolas, a cultura no geral, a boa cultura para o povo abrir mais a mente para as oportunidades. 

JPP - Mesmo não sendo da atual sigla do prefeito de Palhoça, como se daria a relação da sua legislatura com a administração municipal?
Hugo - Não vejo problema nenhum no prefeito ou no governador serem de partidos diferentes. Sendo deputado federal, eu vou trabalhar por Santa Catarina, vou lutar por recursos para Palhoça mas é aí que entra a prática da conversação. Conversar com todos os prefeitos, saber as necessidades. Independente de sigla partidária, temos que governar pelo bem do povo, pelo bem da nossa gente. Nosso município e nosso estado podem contar que o deputado Hugo Malagoli vai trabalhar nesse sentido, independente de prefeito A ou B, a gente vai conversar normalmente com todo mundo.

JPP - Como tem sido a receptividade da sua candidatura junto ao eleitorado?
Hugo - A receptividade tem sido muito boa. As pessoas que eu tenho conversado, mostrado as nossas propostas, estão aderindo a nossa campanha. Hoje tem 14 municípios apoiando a nossa campanha. Tenho conversado com muita gente, todos os dias tenho acordado muito cedo e dormido muito tarde. Eu estava em Itajaí, logo vou para Tubarão novamente, agenda de viagens está desde São Bento do Sul até Monte Castelo, conversando com todo mundo que vem a mim. Muito interessante que quando colocamos as nossas propostas, muitas pessoas vieram nos procurar, acreditando realmente na renovação, na mudança e nessa capacidade de progredir dentro da política e na questão de ajudar a nossa sociedade a ter algo além do que ficar só vendo os caras antigos de novo. Nós queremos quebrar esses paradigmas, fazer uma política diferente, uma administração diferente, e estamos conseguindo bastante apoio e isso tem me deixado muito feliz. Alguns episódios tristes por causa da cultura popular, mas no geral está muito bom, está me surpreendendo.

JPP - A segurança pública tem sido um problema constante em Palhoça. Como deputado federal, como pretende ajudar a combater a criminalidade?
Hugo - Essa é uma situação bem complicada, a qual já passei, pois tive meu apartamento arrombado, onde levaram todas as coisas que eu batalhei para conquistar e sei que isso deixa a pessoa bem indignada. Uma coisa complicadíssima de se combater. Como deputado federal, vou apoiar o futuro presidente no plano nacional de segurança. Vou propor reforma do Judiciário, reforma do Código Penal, valorização da Polícia Civil e Militar, investimento em inteligência e também construção de mais presídios que tenham estrutura para trabalho, pois não adianta prender um cara e deixar lá por cinco ou seis anos e soltar ele depois pior do que ele entrou. Cerca de 80% são reincidentes quando saem da cadeia se não têm uma oportunidade. E tem que haver investimento em educação de base, oportunidade para as comunidades, porque não adianta enxugar gelo. Você prende dez pessoas aqui, eles crescem miseráveis na marginalidade e vão engrossar a fileira do crime. Precisamos combater isso em várias frentes, valorizando o policial, pois é o cara que está para salvar a gente, são os caras que não te conhecem, mas que dariam a vida para te proteger. Como deputado, vou lutar por recursos para que nosso governador e os prefeitos possam investir em segurança.

JPP - Há duas situações preocupantes em PH ligadas diretamente a essa questão da segurança: as drogas e os moradores de rua. Como enfrentar esses problemas?
Hugo - A droga é uma tragédia social, familiar. Todo tipo de droga é ruim, seja cocaína, crack e o próprio álcool, que destrói famílias. Penso que temos que debater e descobrir um modo de descapitalizar o traficante. Vamos sentar e conversar com especialistas da segurança pública e da área social. Tendo esses recursos, que seriam destinados a comprar armamento e coisas que fomentam o tráfico e geram mais violência, podemos investir em educação e centros de reabilitação. A grande questão é não deixar o cara chegar à situação de morador de rua e dependente químico, porque sinceramente é muito difícil de reverter. Acontece, mas é muito difícil. Precisamos evitar que a pessoa chegue nessa situação, então minha política seria buscar recursos e propor leis para combater de forma mais eficaz o tráfico de drogas. A política de hoje não está dando resultado, em lugar nenhum do mundo o combate, como está sendo feito, tem dado resultado. 

JPP - Palhoça não tem uma estrutura complexa na área de saúde, como um hospital. Como você poderia ajudar a mudar esta realidade, se eleito?
Hugo - Acho que já passou da hora de Palhoça ter um hospital próprio, já estamos com cerca de 180 mil habitantes e todo palhocense que precisa de um atendimento mais complexo tem que recorrer a Florianópolis ou São José. Com recursos, vamos melhorar a rede de saúde que já tem, como os postos de saúde, UPAs, mas jamais esquecer dos hospitais, que é importantíssimo a gente já ter em Palhoça. Já passou da hora, afinal, a previsão é de que Palhoça dobre sua população daqui a 15 ou 20 anos.

JPP - A educação é um dos grandes desafios para transformar o país em uma nação desenvolvida. Quais suas propostas para a educação?
Hugo - A educação é a base de tudo. Todo desenvolvimento de um país se dá pela educação. Sou adepto do pensamento de que criança tem que ficar o dia inteiro na escola. Sou adepto da ideia do Brizola, onde os pais vão trabalhar, deixam as crianças pela manhã na escola, onde vai receber toda a carga horária educacional, mais alimentação, psicólogo, assistência social, esporte, saúde, tudo dentro do colégio. É uma ideia muito boa, só que a gente esbarra na falta de investimento, pois hoje em dia o governo pensa na educação como gasto, não como investimento. Nos anos 80, um pensador falou que se não fosse investido na educação naquela época, iria faltar presídios e é o que está acontecendo. Tudo passa pela educação. Eu já vi outro deputado propor que político tenha seus filhos matriculados em escola pública, minha filha estuda em escola pública, faço questão que ela estude em escola pública e questão de ajudar a escola, como todos os pais deveriam fazer, participar mais dessa questão. Então, precisamos urgentemente investir nos nossos futuros cidadãos, para que realmente tenhamos mudança no nosso país. Se a educação não for tratada como investimento, nunca vamos conseguir fazer mais nada.

JPP - Muito se tem falado no problema da corrupção na política brasileira e na “politicagem”, no uso da máquina pública como cabide de empregos para cabos eleitorais. Como enfrentar esse problema?
Hugo - Eu “estou” político, não “sou” político; eu “estou” candidato. Mas só por isso já estou sendo condenado várias vezes. Pessoal fala que se é político é tudo ladrão e não presta, mas não é por aí. Pesquisas apontam que nós teremos 40% de abstenção nessas eleições, de gente que não vai votar por não acreditar mais na política. Eu peço que votem, sim, escolham um candidato, pesquisem na internet, vejam suas propostas, se é ficha limpa e vote. Eu acredito no voto como fator de mudança para o nosso país. A questão da corrupção é, infelizmente, cultural no nosso país: de cada dez pessoas que tenho conversado, seis vem me pedir alguma coisa em troca do voto. Aí você explica para elas que não é assim que funciona, pois o político que te dá R$ 200 hoje vai tirar R$ 600 da saúde. Político corrupto não faz doação, ele faz investimento, e depois ele vai querer esse dinheiro de volta. Político corrupto nada mais é do que o reflexo do eleitor corrupto. 

JPP - O trânsito é um dos principais problemas de PH e região. Como poderá ajudar a aliviar o problema do trânsito? Que proposta teria nesta área?
Hugo - Primeiramente, transporte público de qualidade. Não há como pensar no futuro só no carro particular ou individual. Países do mundo inteiro estão abolindo essa cultura do carro, que herdamos dos Estados Unidos. Hoje, não tem incentivo que faça você usar o transporte público, e tem que ter. Eu penso que temos que fomentar o conforto do usuário, além da mobilidade urbana. Precisamos investir também no transporte marítimo, em trens de superfície, questões interligadas, com estudo, para que não venha a acontecer o que aconteceu em Florianópolis, que fizeram dois terminais que estão jogados às traças e ninguém sabe o que fazer. Com certeza para não ter também o desperdício do dinheiro público.

 

Acompanhe a entrevista na íntegra no canal do Palhocense no YouTube!



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