A matemática do corpo

Academia Mafra, no Jardim Eldorado, faz um “treinão” aberto para difundir o body building, esporte que vem crescendo em Palhoça

db55d553d7a64d2b3013cf169fa4ab03.jpeg Foto: DIVULGAÇÃO

A academia Mafra, localizada na principal via de acesso ao Jardim Eldorado, abriu suas portas no domingo (15) para receber interessados em conhecer um pouco mais sobre o universo do body building. Em uma tradução livre da expressão em inglês, seria como a “construção do corpo”, através de uma rotina de exercícios e alimentação regrada. Uma prática levada tão a sério a ponto de se transformar em um esporte, que no Brasil é conhecido como fisiculturismo. Feras do fisiculturismo de Palhoça, como Alisson dos Santos e Pedro Lignon Lucas, participaram do “treinão”. São expoentes de um esporte em que o município tem imenso potencial competitivo.

E não é à toa que a Mafra é referência na modalidade. Os equipamentos vêm de companhias como a Life Fitness e a Hoist, marcas profissionais voltadas para o body building. E quem comanda a academia é Flávia Mafra, multicampeã que deixou sua marca tanto no halterofilismo quanto no fisiculturismo. Radicada em Palhoça, Flávia revela que a intenção do “treinão” foi “unir o pessoal do esporte e as pessoas que têm afinidade com a musculação”. Foi o segundo evento dessa natureza promovido pela academia, e pelo sucesso do evento, outros virão. “O pessoal pode se encontrar, se conhecer e trocar experiências. Este é o objetivo do treinão, unir o pessoal”, reforça.

Flávia deixou as competições quando decidiu encarar outro desafio igualmente instigante: o de ser mãe. Mas suas fotos do tempo de competição ainda estampam as paredes da academia, ao lado de feras como a grande referência do fisiculturismo internacional, o ex-mister Universo, ator e ex-governador do estado norte-americano da Califórnia, Arnold Schwarzenegger. No monitor de televisão posicionado na mesma parede, só passam vídeos informativos sobre a rotina de treinos. Celular durante o treino, nem pensar; as selfies precisam esperar por momentos apropriados, como o final do “treinão” do domingo (15).

Em uma das inúmeras fotos que celebraram o evento, quem aparece fazendo pose é a fisiculturista Elaine Cordeiro. E fazer pose, nesse esporte, não tem nada a ver com vaidade; é um quesito básico de competição. A “pose” é um momento em que o atleta mostra aos jurados a perfeição da forma dos seus músculos. Uma perfeição que só é conseguida com muito sacrifício. Elaine que o diga! Ela gostou tanto do que viu no treino aberto que passou a treinar na academia de Palhoça. O detalhe é que ela mora em Florianópolis, pertinho do aeroporto, a 24 quilômetros de distância.

Mas ela não perderia a chance de treinar justamente com a mulher que a inspirou. Foi observando uma foto de Flávia Mafra, quando ela ainda era competidora, que Elaine decidiu embarcar na onda do fisiculturismo. “Eu fico até emocionada, é isso que me inspira”, diz Flávia. Ficou tão emocionada e tão empolgada com o potencial da atleta, que tem 44 anos e um corpo de dar inveja a muita adolescente, que resolveu oferecer a oportunidade de treinar de graça. Elaine, no início, desconfiou. “Quando a esmola é demais, todo santo desconfia”, diverte-se. Quando percebeu que o convite era sério, não hesitou em aceitar. Agora, com a preparação dedicada da treinadora, espera colher bons frutos nas competições futuras, como a Copa Mercosul, em agosto.

Mais do que estar no pódio, entre as melhores atletas de qualquer competição, o que elas querem – e o clamor ganha coro entre muitos fisiculturistas – é o reconhecimento; no mínimo, o fim do preconceito, que ainda existe com este esporte. Não tanto quanto antigamente. Tanto que a cada ano que passa, mais atletas se aventuram no mundo do fisiculturismo, e as competições têm cada vez mais competidores inscritos e plateia acompanhando. E é uma relação diretamente proporcional: quanto mais competitivo, mais exigente. “A gente apresenta um físico num campeonato e no próximo a gente quer superar aquilo e subir com um físico melhor”, conta Elaine.

Ela revela que estava acostumada a fazer um “treino de força”, sem muito conhecimento em relação à técnica. É aí que entra o trabalho da treinadora Flávia Mafra. “Quando tu trabalha com carga, tua preocupação é erguer o peso, e não com o trabalho da musculatura. Tu quer tentar erguer aquele peso a todo custo, mas tu não tá preocupado se aquele peso está correto, se o movimento está correto. Às vezes faz ‘roubando’, usando o corpo para levantar o peso”, comenta Elaine. Para não “roubar”, ou seja, para não usar indevidamente outros grupos musculares para ajudar a levantar os pesos estabelecidos, só com muita concentração. E com a ajuda de profissionais. A receita é: menos carga e mais técnica. “Nosso diferencial é a parte da técnica. O treino é técnico. Tu vai pegar no feixe muscular, dentro da fibra muscular”, ensina Flávia. “Trabalhar o corpo é como uma matemática”, explica.

Que esta matemática ajude a multiplicar campeões em Palhoça!

 



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