Água: dia não, outro também

Moradores do loteamento Jardins, no Bela Vista, estudam buscar na Justiça o direito a um abastecimento regular

6b3cff99dcb0a9b09d7b19c3e29ecd0f.jpeg Foto: ISONYANE IRIS

Texto: Isonyane Iris


Só quem já ficou sem água por alguns dias sabe o problema que os moradores do loteamento Jardins, no bairro Bela Vista, estão passando. Durante o dia, nem uma gota de água sai pela torneira; durante as noites, um fio de água começa a chegar, mas logo acaba. Sem abastecimento de água praticamente todos os dias, famílias estão precisando recorrer à casa de familiares, amigos e até mesmo a hotéis para conseguir pelo menos tomar um banho depois do trabalho. O problema, que já se estende há alguns anos, é de conhecimento da Samae, que ainda não conseguiu achar uma solução.

Não é apenas um dia, ou mesmo dois; são semanas, meses e anos que os moradores do loteamento Jardins passam por essa escassez de água. Ter que trabalhar durante o dia, chegar em casa e não poder tomar um banho “é um absurdo”, observam os moradores. “Desde o primeiro dia em que nos mudamos, a gente sofre com a falta de água. Difícil passar uma semana inteira com água. Ter que racionar todo dia, não poder receber visita, porque nunca tem água, é um absurdo. Pior ainda é ligar para a Samae e eles dizerem que temos que colocar um caixa d’água maior para suportar as faltas de água”, conta o casal Sueli e Lúcio da Silva, moradores do loteamento há um ano.

Moradora do loteamento há dois anos, Georgia Martins lembra que em 2016 chegou a ficar cinco dias sem uma gota de água. Na expectativa de informar e pedir uma atenção para o problema, Georgia liga com frequência para a Samae, que até hoje só tem lhe oferecido números de protocolo, desculpas e mais nada. “Todas as vezes eles dão uma desculpa diferente: uma hora é manutenção na rede; na outra, é o booster que está com problema. Nunca sabemos ao certo o que está acontecendo”, relata a moradora, que tem anotado todos os protocolos registrados em cada ligação feita para a Samae. 

Os moradores contam que a realidade no loteamento é de economia, sempre. Preocupados com a falta de providências, os moradores se questionam sobre como será no futuro, visto que o loteamento tem crescido muito nos últimos anos.

Presidente da Associação de Moradores do Parque Residencial Jardins, Everton Pedroso conta que a situação está fora de controle. Já são anos lutando por uma solução e até hoje nada foi feito. “O pessoal não aguenta mais a falta de água praticamente todos os dias. Sempre a Samae nos dá uma desculpa e nunca uma solução. Estamos providenciando uma medida judicial, porque um dia, dois, a gente tolera, mas tem moradores que chegaram a ficar cinco dias sem água. Se não pagamos, eles cortam; se pagamos certinho, a água não chega”, reclama o presidente.

 

Conta de água ou de ar?


Assim que se mudou para o loteamento, o morador Alexandre Morais teve a infeliz surpresa de não ter água todos os dias. Além disso, as duas primeiras contas foram próximas do valor de R$ 800, o que fez com que ele desconfiasse de que algo estava errado. “Eu não tinha água, mas a minha conta vinha muito alta, como poderia isso? Foi quando eu resolvi abrir meu hidrômetro e verifiquei que uma quantidade de ar saía da tubulação quando faltava água, o que fazia meu relógio girar em uma velocidade absurda. Aquilo era tido como consumo, quando na realidade o que estava passando não era água, e sim, ar”, relembra o morador, que em um primeiro momento esteve na Samae e foi informado de que estava tudo certo pelo relógio e que provavelmente havia um vazamento em sua residência. 

Insatisfeito com o retorno dado pela Samae, Alexandre filmou o ar que saía da tubulação quando ele abria o registro e levou até a Samae, que imediatamente verificou que algo estava errado. “Eles me deram um desconto, mas fico pensando em quantas pessoas não estão pagando pelo ar e não pela água! Até porque a gente fica mais sem água do que com água, o que já me fez ter que ligar para um hotel em Santo Amaro da Imperatriz e perguntar quanto eles me cobrariam para tomar um banho. Foi humilhante”, conta o morador, que, na tentativa de amenizar o problema, colocou uma válvula no registro com a finalidade de diminuir o ar da tubulação.

 

Samae

A Samae garante que o abastecimento de água no loteamento Jardins está normalizado: “A respeito da falta de água na região, a Samae explica que locais de maior altitude têm mais dificuldade com abastecimento de água devido às intermitências e às variações de pressão em horários de alto consumo. Essas alterações súbitas de pressão de água são o que os técnicos chamam de ‘golpe de aríete’, e geram vazamentos nas redes. Para solucionar o problema, a Samae estuda a implantação de um reservatório de água no local”.



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