Após eleição polêmica, Câmara tem novo presidente

Neném do Bertilo (PSD) vai comandar a Casa Legislativa em 2019, e Pakão (PSB) será o vice; em 2020, os papéis se invertem

592341eba3dec35d329c7ce754486f34.jpeg Foto: DIVULGAÇÃO

Por: João José da Silva

 

Edemir Niehues (Neném do Bertilo, PSD) e Joel Gaspar (Pakão, PSB) vão dividir a presidência da Câmara de Vereadores no biênio 2019-2020. O acordo entre os dois comandantes das chapas postulantes ao cargo só veio depois de muita polêmica.

A eleição para a mesa diretora da Casa deveria ter acontecido na segunda-feira (8). Antes do início da sessão, os ânimos exaltados e as discussões acaloradas dos dois lados - teve acusações de compra de votos e até ameaças, como nunca se viu na história das eleições para presidente da Câmara - davam a tônica e indicavam que uma desgraça poderia acontecer. Por essa razão, a Polícia Militar foi chamada para apaziguar os ânimos e evitar algo pior.

A sessão iniciou sem a presença do vereador Adelino Severiano Machado (Keka, MDB), que sofreu um atentado a faca na tarde de segunda-feira (8). A repentina saída do vereador Arlindo Moraes (Progressistas) do plenário e a confirmação de que o vereador Jean Henrique Dias Carneiro (Jean Negão, Progressistas) passaria a apoiar o grupo do Neném e não mais o grupo do Pakão, fez com que os vereadores apoiadores de Pakão também deixassem a Casa, seguidos pelo presidente da Câmara, vereador Fábio Coelho (Progressistas).

Com a saída de Fábio Coelho da sessão, assumiu a presidência o primeiro secretário, vereador Nirdo Artur Luz (Pitanta, DEM), já que o vice-presidente, o próprio Joel Pakão, também já havia se ausentado. Com oito vereadores no plenário (todos do grupo de apoio a Neném), não havia quórum suficiente para a votação. Então, Pitanta, com base no regimento interno da Câmara - que diz que, neste caso, outra sessão teria que ser convocada para dali a seis horas, e assim sucessivamente, até que a sessão possuísse o quórum necessário, ou seja, nove vereadores em plenário -, convocou uma sessão para a 1h da madrugada do dia 9. Como nessa sessão também não houve quórum, outra sessão foi marcada para as 7h, que também não obteve o quórum necessário; então, uma nova sessão foi marcada para as 13h.

A sessão das 13h contava com a presença dos 17 vereadores. Depois de aberta pelo presidente Fábio Coelho, a sessão foi novamente suspensa. Depois de duas horas reunidos, os vereadores finalmente chegaram ao consenso de retirar as chapas e firmaram acordo para que o vereador Neném fosse presidente em 2019, com o compromisso de renunciar à presidência e ceder o cargo para o vereador Joel Pakão em 2020. “Estou feliz, apesar de que vivemos alguns momentos tensos, mas fomos inteligentes, fomos coerentes, e isso partiu de todos nós. Todos os vereadores, todos tínhamos algumas ambições maiores e que, para que houvesse essa chapa de consenso, todos cederam um pouco. Eu acho que desta forma, ganhou o município de Palhoça, ganha o povo de Palhoça”, avaliou Neném. “Estou feliz por realizar um sonho de ser presidente. Quando jovem, participava de algumas diretorias, e um dia sonhei em ser candidato a vereador, e realizei esse sonho. Depois de estar aqui, também tive um sonho de ser presidente desta Casa, e hoje realizo esse sonho. Prometo que vou ser o mais honesto possível com o dinheiro público, responsabilidade com o dinheiro público. Não porque vivemos um momento difícil, mas é um dever nosso, é obrigação nossa, fomos eleitos para isso”, discursou o futuro presidente da Câmara, garantindo que vai cumprir com “tudo o que foi acordado” entre os vereadores.

O atual presidente, Fábio Coelho, disse que “venceu a democracia” e desejou boa sorte ao sucessor. “Torço muito para que o senhor desenvolva um trabalho ainda melhor de todos aqueles que a gente já fez no passado e com isso consiga elevar ainda mais o nome dessa Casa perante a sociedade palhocense”, analisou Fabinho. O vereador progressista vai se ausentar da presidência por 15 dias e depois será iniciada a fase de transição do cargo. Neném assume a Casa a partir do dia 1º de janeiro.

 

Entenda o caso

A chapa encabeçada por Joel Pakão, denominada “Grupo dos 10”, estava tranquila, até que o vereador Neném do Bertilo resolveu entrar na disputa e também formou uma chapa.

O que deu para perceber no dia da eleição é que o Grupo dos 10 tinha apenas seis vereadores em plenário, já que o vereador Keka não estava presente por motivo de saúde; o vereador Arlindo Moraes havia sido o primeiro a deixar a sessão; e o vereador Jean Negão assumiu a candidatura de Neném, deixando o Grupo dos 10.

Com essas baixas, a chapa de Pakão perderia para a chapa de Neném pelo placar de 8x6. A solução encontrada pelo grupo de Pakão foi deixar a sessão sem o número de vereadores suficientes para que a eleição acontecesse naquela fatídica segunda-feira.

Na terça-feira, na sessão da redenção, tudo que foi dito ficou pelo não dito e a paz e o amor voltaram a reinar no Legislativo municipal.



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