Cão policial é cremado e vai “renascer em árvore”

Aramis perdeu a vida na sexta-feira (18) e foi cremado no crematório animal GardenPet na segunda-feira (21). Os restos mortais do cão foram depositados em uma urna biodissolúvel, onde será plantada uma semente de pau-cigarra

80206e602d3cb4c3ef3599f1ddf8afe4.jpg Foto: NORBERTO MACHADO

“Atenção policiais do Canil: sentido, em continência ao cão policial Aramis.” A saudação emocionada marcou o adeus dos soldados lotados na Companhia de Polícia Militar de Policiamento com Cães ao querido Aramis, um cão da raça pastor-belga malinois que serviu no Canil da PM por cerca de sete anos. Durante a maior parte deste tempo (pouco mais de quatro anos), ele foi conduzido pelo cabo André, que já não está mais lotado na companhia, mas fez questão de aproveitar seu dia de folga, na última segunda-feira (21), para conduzir a cerimônia de despedida do pastor-belga. Aramis foi cremado no crematório animal GardenPet, localizado na marginal da BR-101, em São José (próximo ao trevo de Forquilhinhas, sentido Norte).

Aramis faria nove anos em dezembro. Ele morreu na última sexta-feira (18), em virtude de complicações cardíacas. Ainda estava na ativa, servindo à PM e à sociedade. Cabo André conta que o pastor-belga chegou à corporação ainda filhote e foi treinado dentro dos procedimentos do adestramento militar. O tempo de adestramento costuma variar, dependendo do “aluno”. Geralmente, em pouco mais de um ano o cão já está pronto para atuar em situações como manutenção da ordem pública, captura de criminosos e identificação de entorpecentes ou explosivos.

Aramis era um cão bem ativo e gostava do trabalho. “Às vezes, eu chegava do policiamento e ele não queria sair da viatura, queria continuar trabalhando”, relembra o cabo André. O PM relata inúmeras histórias em que o cão foi utilizado com sucesso em operações policiais. Muitas delas, em situação de perigo. Mas Aramis não tinha medo de ocorrência. Nem de “hierarquia”, porque chegou a atacar até o atual comandante-geral da PM em Santa Catarina, o coronel Carlos Alberto de Araújo Gomes, certa vez, quando estava de serviço em um jogo de futebol. “Já me aprontou alguma. Mas era um cachorro muito bom de ocorrência”, relata o condutor. “Tu olhava para ele, não era um cachorro que causava impacto, porque era de porte médio, magrinho, só que ele era muito eficiente”, reforça. Cabo André observa que Aramis não era “descontrolado” e só atacava sob comando. Só não gostava muito de carinho, mas era “o jeito dele”.

Na cerimônia de despedida, porém, recebeu todo o carinho dos policiais presentes. “No período em que eu permaneci no Canil e conduzi o Aramis, ele ajudou e bastante a Polícia Militar em ocorrências, inclusive alguns crimes. A gente sabe o quanto é importante um cão bem adestrado, ele vale muito, não só para a Polícia, mas para a sociedade inteira. A perda dele, para nós, vamos sentir bastante, e a comunidade toda, porque faz muita diferença um cão como este compondo com um soldado em uma ocorrência. Vai com Deus”, despediu-se o condutor, nas últimas palavras do cerimonial, antes do cão receber a honrosa continência dos PMs. Os policiais presentes são lotados no Canil central, que fica em São José e conta com 34 policiais e 32 cães. Existem, ainda, outros 18 canis setoriais espalhados pelo estado e que contam com 98 cães; ao todo, a corporação conta, hoje, com o serviço de 130 cães policiais.

 

Transformando a morte em vida

Depois do cerimonial de despedida, realizado diante de um altar decorado com fotos na ativa, Aramis foi cremado. O processo dura cerca de 40 minutos a uma hora, dependendo do porte do animal. Os restos mortais foram guardados em uma urna especial, a BioPet. “É uma urna biodissolúvel, ela se dissolve inteira com a água. A nossa ideia seria plantar ela, porque ela vem com uma semente de árvore. Acho que seria uma homenagem bonita para ele, ser plantado no canil da corporação, transformando a morte em vida”, explica a proprietária da GardenPet, Maristane Greter.

A proprietária entregou a urna ao cabo André, que a recebeu em nome da corporação. A urna vem acompanhada de um certificado com informações do animal cremado e de instruções para o plantio da semente. Aramis ficará eternamente junto à companhia que honrou por tantos anos, agora sob a forma de uma árvore de pau-cigarra. “Ficamos imensamente honrados e emocionados em receber o cão policial Aramis. Muito obrigada à corporação da PM/SC pela oportunidade de participar de um momento tão especial”, agradece a proprietária.



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Créditos: NORBERTO MACHADO NORBERTO MACHADO NORBERTO MACHADO NORBERTO MACHADO NORBERTO MACHADO NORBERTO MACHADO NORBERTO MACHADO
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