Curtas de Palhoça são selecionados para o FAM

“Par Perfeito” e “Atos” vão participar da mostra competitiva Curtas Catarinenses. O festival acontece em junho, em Florianópolis

a7a44209c48909c77ac4ee9cd6103cff.jpg Foto: DIVULGAÇÃO

Dois filmes produzidos em Palhoça estão entre as 48 obras que serão exibidas nas cinco mostras competitivas do 22º Florianópolis Audiovisual Mercosul (FAM), entre os dias 19 e 24 de junho. “Par Perfeito”, de Débora Herling, e “Atos (título provisório)”, de Beatriz Kestering Tramontin, estarão na Mostra Curtas Catarinenses. O FAM tem ainda as mostras DOC-FAM, Curtas Mercosul, Videoclipe e Infantojuvenil. A lista dos filmes selecionados foi divulgada na última segunda-feira (14).

Pelo segundo ano consecutivo, o Florianópolis Audiovisual Mercosul registrou recorde de inscritos nas cinco mostras competitivas do festival. Os 32 selecionadores tiveram a intensa tarefa de assistir aos 791 filmes inscritos. Somente na Mostra DOC-FAM, em que haviam 162 documentários, foram mais de 300 horas, divididas entre os 11 selecionadores. Entre os 432 filmes da Mostra Curtas (Mercosul e Catarinense), 122 da Mostra Infantojuvenil e 75 da Videoclipe, foram selecionadas 48 produções de 10 países: Argentina, Brasil (com nove estados representados), Bolívia, Chile, Colômbia, Estados Unidos (por coprodução com o Brasil), Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.

Um processo seletivo competitivo como este já é, por si só, um atestado de qualidade. Não é nada fácil passar pelo crivo dos jurados. As jovens cineastas têm motivos de sobra para comemorar. “É meio complicado, foi tenso. A gente tem que ficar procurando esses festivais”, diz Débora, que veio de Pirassununga (SP) para estudar Cinema na Unisul, na Pedra Branca. As duas foram colegas de classe, e acabam de se formar. Os curtas selecionados no FAM são os trabalhos de conclusão de curso.

Débora optou por uma história de ficção fantástica, voltada para o público infantil, mas que também funciona para adultos. “Par Perfeito” traz a história de um tênis, um AllStar vermelho (típico dos anos 1990, época em que se passa o curta), que é dono de Antônia, uma menina que tem por volta de 12 anos de idade. “Vai ser o olhar do tênis contando a história da menina, e naquele momento da vida dela, ela está se percebendo se apaixonando por outra menina”, explica a cineasta. “A ideia é falar sobre essa coisa de orientação sexual, que é muito difícil, e a gente não fala isso quando é criança. Quis abordar isso quando ela é criança e em uma sociedade que não julgue ela por isso. E a maneira que eu fiz isso foi olhar através do tênis, que é inocente, como se fosse uma criança olhando aquilo, sem julgar de maneira alguma. Não tem essa pegada de estranhamento”, detalha.

Contando com os créditos, o filme tem 11 minutos (o tempo máximo permitido pelo regulamento interno do curso da Unisul) e foi produzido em um mês. “Foi muito corrido”, lembra Débora. Já Beatriz teve um tempo maior para produzir “Atos”.

O título é intencionalmente “provisório”, porque é um convite à reflexão do espectador. “É toda uma sacada do filme. Tem esse negócio da crítica, de você assistir ao filme e ver se realmente gostou do filme e do título. Você pode mudar se você quiser, não estou te obrigando a deixar aquele título, é para você pensar, realmente, se aquilo que está na tela vai continuar ou não, é meio que um ato de resistência das mulheres”, explica.

“Atos” fala de machismo. É experimental; quase um documentário. “Não procuro encaixar muito em documentário, encaixo mais ele no experimental”, analisa. A ideia surgiu durante a quinta fase do curso de Cinema. Beatriz questiona o fato de, no universo do cinema, as mulheres serem, geralmente, encaixadas em áreas ditas “femininas”, como figurino, ou direção de arte, enquanto áreas como a direção de fotografia, por exemplo, são dominadas por homens. “Meu filme é um soco na cara”, adverte.

Ela construiu a narrativa com um mosaico de recortes de textos de várias mulheres – inclusive um feito especificamente para o curta. Os textos são declamados por atrizes nuas, enquanto a câmera se movimenta em uma espécie de “jogo de gato e rato”, com um foco de luz buscando olhares na escuridão. Apesar de ser autorreferencial ao universo do cinema, a reflexão sobre um papel (arbitrariamente) secundário que a mulher exerce na sociedade transcende os limites da sétima arte. “O cinema está muito imbricado na realidade”, justifica Beatriz.

Na verdade, os dois filmes retratam o universo feminino. “Atos” tem um elenco todo de mulheres; e “Par Perfeito” traz apenas dois personagens masculinos: o tênis e um cachorro, o Totó. Totó é “interpretado” pela cachorra Preta, que acompanhou a própria Débora durante toda a faculdade (inclusive assistindo às aulas junto com a dona). “Nossos filmes se destacam por esta relação que eles têm com as nossas personagens, as mulheres. A gente precisa falar mais sobre mulheres”, diz Beatriz, que vendeu exemplares do livro autoral “Caixa de Poemas” para financiar um terço do curta.

 

Par Perfeito, Débora Herling | Ficção | Palhoça | 11 min

Direção e roteiro: Débora Herling
Cidade: Palhoça
Categoria: Drama
Classificação Indicativa: Livre
Elenco: Pablo Ferreira, Chaiane Gomes, Joana Felício, Amanda Sant’Anna. 
Direção de Fotografia: Clóvis Ghiorzi
Direção de Arte: Camila Silva
Montagem: Glauco Broering
Finalização: Lucas Feitosa
Som Direto: Lucas Tesser
Edição de Som: Leandro Cordeiro
Produção: Jéssica Antunes & Júlia Ferreira
Cartaz: Anderson Gustavo Beatriz Molena

Sinopse
Apesar dele ter intensos sentimentos e pensar vivamente sobre as coisas, Tênis não podia andar, mexer-se, estava fixado, como uma planta estática, aparentemente morta por fora, mas que transbordava vida por dentro.

 

Atos (título provisório), Beatriz Kestering Tramontin | Experimental | Palhoça | 11 min

Diretor: Beatriz Kestering Tramontin
Cidade: Palhoça
Categoria: Experimental
Classificação Indicativa (sugestão da autora): 14 anos (nudez)
Elenco: Drica Santos, Jerusa Mary, Luíza Bittencourt, Marcela Trevisan, Maria Fabi, Rita Ri, Sarah Motta e Thuanny Paes 
Roteiro: Beatriz Kestering Tramontin
Direção de Fotografia: Karol Alves
Montagem: Amanda Sant’Anna
Som Direto: Iolanda Mazzocchi
Edição de Som: Amanda Sant’Anna e Fernanda Boabaid
Trilha Sonora Original: Fernanda Boabaid

Sinopse
Mulheres encurraladas no labirinto escuro da privação social se manifestam pela liberdade e representação das mulheres no audiovisual e na mídia



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