Dia sem ônibus, dia de caos

Cidade sofreu com a paralisação do transporte coletivo em protesto contra a Reforma da Previdência

324742e31a347103ac5ceb5732d36912.JPG Foto: NORBERTO MACHADO

Texto: Isonyane Iris

Sem transporte coletivo, Palhoça amanheceu na segunda-feira (19) com vários serviços paralisados e com um trânsito intenso. A paralisação foi uma ação que aconteceu em diversas cidades brasileiras, como forma de manifestação contra a votação da Reforma da Previdência (PEC 287/2016). Além dos ônibus, houve também a paralisação de trabalhadores de diversas áreas, como saúde e educação do estado, e ainda bancários.

Desprevenidos, muitos palhocenses não sabiam da paralisação, o que acabou deixando muita gente esperando por horas nos pontos de ônibus. Aline de Oliveira é moradora do São Sebastião e estava começando no trabalho esta semana. Sem saber de nada, ela foi para o ponto às 6h30 e ficou até as 8h esperando por um ônibus. "Ninguém comentou nada comigo, então fui normal para o ponto e acabei tendo que ir para o trabalho de carona. Depois que soube do motivo da greve achei até importante, mas antes disso eles tinham que pensar que essa não é a melhor forma de manifestar, deixando os trabalhadores sem conseguir ir ao trabalho. Sem dúvida, foi a pior ideia do mundo", reclamou.

Carlos Alberto Nunes também passou pela mesma situação: foi pego de surpresa. "Eu nem imaginava, aí quando cheguei no ponto e o ônibus não passou eu achei que tinha perdido, mas depois de uma hora comecei a desconfiar. Foi muita sacanagem com o trabalhador, como se uma greve fosse ajudar em alguma coisa. Eles deveriam ter pensado nisso quando votaram e não agora depois que tudo já foi feito", falou o morador do bairro Rio Grande, indignado. 

Ao ser questionado na última semana se a manifestação seria suspensa caso a Câmara dos Deputados adiasse a votação, o diretor do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço de Transporte Urbano (Sintraturb), Deonísio Linder, disse que a paralisação só seria suspensa ou revista caso o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), anunciasse "arquivamento definitivo da matéria", garantiu. 

Sem ônibus, muitos palhocenses tiveram que contar com serviços de transporte privado ou ainda tirar o carro da garagem, o que acabou gerando um custo extra e complicando o trânsito em toda a cidade. "Fiquei mais de três horas na fila, não tinha mais opção de trajeto, estava tudo lotado. Como não tinha ônibus, as pessoas resolveram ir de carro ou mesmo pegar táxi ou Uber, o que intensificou o trânsito em toda Palhoça. Foi um caos", contou Graciano Ferreira, morador do Passa Vinte.

Diante do comunicado de paralisação dos serviços de transporte coletivo da Grande Florianópolis, conforme anunciado no site do Sintraturb, o Sindicato das Empresas de Transporte Urbano da Grande Florianópolis (Setuf) informou que: não possui uma posição fechada sobre a reforma previdenciária, ainda em discussão no Congresso Nacional, pois não teve acesso ao texto atualizado e integral; entende que a forma de manifestação do Sintraturb contra a reforma é totalmente inadequada, pois a paralisação dos serviços de transporte coletivo penalizará diretamente os usuários e, por consequência, toda a sociedade. O Setuf tentou demover o Sintraturb da ideia de promover a paralisação, mas não obteve sucesso.



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