“Dicionário Folclórico” é lançado na Enseada

Lançamento do livro de Ilson Wilmar Filho foi na Casa de Cultura Açoriana

face018c647dd24b7fe6b7d1d2f9eab6.JPG Foto: NORBERTO MACHADO

A Casa de Cultura Açoriana de Palhoça, na Enseada de Brito, foi o cenário escolhido para o lançamento do livro “Dicionário Folclórico da Ilha de Santa Catarina (E Arredores)”, de Ilson Wilmar Rodrigues Filho, no último domingo (13).

O autor é engenheiro civil – trabalhava com rodovias no antigo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) – e por hobby, começou a registrar histórias de antigos moradores da região. Tudo começou em 1981, quando levou sua avó, Lídia Machado Valença, até a casa de uma senhora chamada Maria Inácia. Ilson descobriu que Maria Inácia era filha de uma ex-escrava, que pertenceu à família do seu bisavô, e serviu de ama-de-leite para sua avó. “Depois da Lei Áurea, os ex-escravos não tinham para onde ir, e meu bisavô os convidou para ficar ali. Eles moravam ali. Maria Inácia era filha de uma ex-escrava e ficou morando na fazenda e era mais velha do que a minha avó. Quando minha avó cresceu, ela deu de mamar, porque a mãe dela não tinha leite suficiente, então ela foi ama-de-leite. As duas conversando, lá em 1981, e eu gravei. Tenho essa fita até hoje. E aquela história me deixou muito curioso: quantas histórias estão se perdendo e a gente não está registrando?”, revela o autor.

A partir dessa curiosidade, o engenheiro passou a gravar este tipo de história. “Aqui na Enseada de Brito tinha uma senhora, a Dona Santinha, que tinha uma memória espetacular. Ela contava as histórias de quando ela era criança, principalmente cantigas de roda, cantigas de ninar, histórias de bruxa, histórias de boitatá. Tudo isso eu fui registrando”, recorda. Todo esse material, hoje, constitui um acervo com mais de 250 fitas cassete com entrevistas com pessoas idosas. “De vez em quando, eu transcrevo algumas. Esse dicionário folclórico nasceu assim, a partir dessas histórias que eu gravava. Eu transcrevia, depois eu enriquecia a pesquisa, porque eu voltava a campo para ver se alguém mais conhecia as mesmas histórias, e fui anotando. Então, esse trabalho foi construído principalmente em campo, com as entrevistas com as pessoas”, detalha.



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Créditos: NORBERTO MACHADO NORBERTO MACHADO
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