Faixa de areia dividida; e as opiniões, também

A maioria foi contra, mas teve quem aprovasse a delimitação de área de banho e área de tráfego de veículos na faixa de areia da Praia do Sonho

42402337099b32ae363939b43f9a6a35.jpeg Foto: NORBERTO MACHADO

Texto: Isonyane Iris

A ação da Prefeitura em dividir a faixa de areia na Praia do Sonho tem gerado inúmeras reclamações entre banhistas e moradores. Além da reclamação do pouco espaço que teria ficado para os frequentadores, a faixa que ficou dedicada aos veículos teria se tornado praticamente uma rua, devido ao movimento e circulação de veículos leves e até pesados, como caminhões. 

Embora o fluxo de veículos seja proibido por lei, a comunidade afirma que desde que a divisão foi feita com estacas, carros, motos e até caminhões estariam transitando pelo local. “Isso aqui virou pista, ninguém mais respeita os banhistas. Se a intenção da Prefeitura era privilegiar os banhistas e os moradores, não deu certo, porque além da gente agora ter que ficar espremido, ainda temos que cuidar para não sermos atropelados”, reclama Luiza Silveira, frequentadora da região.

Mãe de duas meninas gêmeas, de cinco anos, Cristiane e o esposo Lucca Venturi todos os anos se hospedam na casa de familiares na Praia do Sonho, mas desta vez prometem não voltar mais. “Absurdo, nossas filhas quase foram atropeladas por um motorista desavisado, que estava andando pela areia da praia sem prestar a atenção em nós. Cadê a fiscalização? Praia é lugar de lazer, não de veículos, isso é um completo absurdo. A gente vem pra cá para relaxar e tem que ficar preocupado se um louco não vai atropelar nossas filhas”, reclama o casal.

Inconformados com a falta de respeito dos motoristas, moradores já estiveram na Prefeitura pedindo explicações e providências, mas nada sequer foi explicado. José Carlos dos Santos é morador da região há mais de 15 anos e diz que está se sentindo prejudicado com a mudança. “Eu alugava minha casa no verão para uma renda extra, mas com essas estacas aí e ainda os veículos liberados para andar pela praia, ninguém mais quer, principalmente quem tem criança. Completo absurdo. Liguei na Prefeitura, me atenderam muito mal e só me disseram que haveria guarda de trânsito para orientar. Até hoje não apareceu nenhum”, conta o morador, revoltado com a situação.

Para alguns motoristas, as estacas teriam contribuído ainda mais para a segurança do local, já que agora os carros não ultrapassam os limites marcados. “Por mais que o espaço ficou menor para quem quer deitar na areia, temos que pensar que agora todos ganharam. Temos estacionamento para quem não tem onde deixar os carros e ainda segurança de que os carros não vão invadir o limite das estacas. Claro que tudo vai depender do bom senso dos motoristas em respeitar e dos banhistas em evitar ficar na área de estacionamento”, acredita Flavia Pereira Lima, frequentadora.


Recomendações do MP

No dia 22 de novembro, o Ministério Público (MP) teria enviado à Prefeitura, à Fundação Cambirela do Meio Ambiente (FCam), à secretaria de Infraestrutura, às polícias Civil, Militar e Ambiental de Palhoça e também ao Corpo de Bombeiros uma série de recomendações a fim de manter a ordem nos balneários durante a temporada de verão. Entre as orientações, o promotor destacou que fossem interrompidas as saídas de ruas com obstáculos físicos para evitar o uso da faixa de areia (praia) para o trânsito de veículos. 

“Excetuando os acessos de moradores sem outra opção de chegada em suas casas, atividades de fiscalização e embarque e desembarque de embarcações, isto nos locais pré-estabelecidos, conforme entendimento junto à Marinha do Brasil e Capitania dos Portos”, pontuou, em despacho, o promotor de Justiça José Eduardo Cardoso, da 4ª Promotoria da Comarca de Palhoça.

Em atendimento à recomendação do MP, a FCam e as secretarias de Segurança Pública e de Serviços Públicos definiram as áreas que devem ser protegidas, como a faixa de areia (exceto para trânsito local e embarque e desembarque de embarcações). A FCam explica que há aproximadamente nove áreas utilizadas irregularmente para estacionamento de veículos somente na Praia do Sonho e que busca a recuperação integral da vegetação de restinga e preservação do cordão anteduna.

Paralelamente, a Secretaria de Segurança Pública comunica que em alguns locais é permitido que moradores transitem pela praia para acessar suas residências, mas que onde houver placas proibindo o trânsito e o estacionamento de veículos, será fiscalizado e os agentes poderão aplicar sanções previstas em lei.

A Prefeitura explica ainda que para dar o devido atendimento e fiscalizar durante toda a temporada, equipes de agentes de trânsito farão rondas frequentes por meio de uma escala de trabalho que permite a atuação aos fins de semana, inclusive.

A Secretaria de Serviços Públicos esclarece que os mourões de madeira foram instalados em locais de passagem de moradores para separar o trânsito de pedestres e de veículos, e assim, garantir a segurança de todos.



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