Famílias à beira do despejo no Frei Damião

Cerca de 40 famílias teriam se instalado de forma irregular em propriedade particular

1695963044975da2c93442cfb0bbcdeb.jpg Foto: DAVI JOÃO/DRONE JPP

Texto: Isonyane Iris


Por muito tempo, um terreno na rua Pascoal Mazzili, no bairro Frei Damião, serviu como depósito de lixo e entulhos. Sem lugar para morar, algumas famílias carentes resolveram limpar o lugar e aproveitar o espaço para construir seus lares. Uma situação delicada, por se tratar de uma propriedade particular. Preocupados com a informação de que o lugar seria desapropriado ainda nesta semana, os moradores afirmam não ter para onde ir e pedem que a Prefeitura entenda a necessidade das mais de 40 famílias que hoje ocupam o lugar de forma irregular.

Na tarde de terça-feira (15), uma reunião realizada entre o secretário municipal de Segurança Pública, Claudio Monteiro; o secretário de Serviços Públicos, Edson Ghizoni; o presidente da Associação de Moradores do Frei Damião, Jairo Guesser; e um representante dos moradores instalados na área privada, Vladimir Borges Ribeiro, serviu para que a Prefeitura pudesse explicar a situação e pedir a colaboração das famílias.

Segundo os presentes na reunião, o secretário Claudio Monteiro teria afirmado sobre a ação de desapropriação e ainda reforçado que o terreno se trata de uma propriedade particular. Atendendo aos pedidos feitos pelo representantes, para que as famílias tivessem tempo de organizar a saída do local, o secretário Monteiro estendeu o prazo até domingo (20). “O terreno sempre esteve abandonado, agora que a gente limpou e estamos usando o lugar para morar, o dono aparece. Isso é um absurdo. Então a Prefeitura vai nos tirar de lá e nos colocar na rua? Temos famílias desempregadas que não têm nem o que comer, com crianças e ainda pessoas com necessidades especiais, para onde nós vamos?”, questiona uma das moradoras presentes na reunião.

No encontro, o secretário de Segurança Pública teria feito ainda uma proposta de acordo, mas teria garantido que a desapropriação do lugar irá acontecer de qualquer forma, por ser uma propriedade privada. Porém, diante da situação, as famílias que quisessem colaborar com a ação deveriam se cadastrar na Prefeitura e logo seriam encaminhadas a um abrigo provisório, sendo posteriormente beneficiadas com um aluguel social (com duração de seis meses). “Além disso, algumas oportunidades de emprego seriam repassadas aos moradores e ainda acompanhamento com assistentes sociais”, descreveu o presidente da associação de moradores do Frei Damião, Jairo Guesser.

A equipe de reportagem também recebeu informações de que a Polícia Militar teria feito um dossiê relatando que além das famílias, o lugar estaria sendo usado também por integrantes e simpatizantes de facções criminosas. Sobre esse assunto, o comando do 16º Batalhão da PM preferiu não se pronunciar neste momento, por “questões de estratégia policial”.

 



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