Manifesto por segurança

Comunidade reivindica ações do poder público em resposta a assassinato de empresário na Pinheira

6dd4f42a9551cd290d947aebcc946223.JPG Foto: Noberto Machado

Um misto de comoção, indignação e revolta reuniu um grupo de 100 pessoas na manifestação pacífica por segurança, em frente à Casa da Pizza, na Pinheira, na manhã do feriado de sábado (21). Moradores e comerciantes vestiram-se de preto em sinal de luto ao empresário Elizael Valmor Araújo, de 47 anos, assassinado a tiros na sexta-feira (13). Em homenagem, os moradores fizeram orações, um minuto de silêncio e por cinco minutos a rua foi bloqueada com cartazes de pedidos de paz e justiça.

Surpreendido por dois assaltantes, em uma troca de tiros, Elizael veio a óbito no local. Um dos bandidos foi localizado pela polícia no Hospital Regional de São José, onde confessou o crime. O outro continua foragido.
Elizael deixou a esposa, um filho e muitos amigos que, durante os discursos do manifesto, relataram que o proprietário da pizzaria já tinha sofrido dois assaltos, em um deles feito de refém, e sentia-se muito preocupado com a criminalidade na região. A moradora Ana Luiza Pires, fisioterapeuta e educadora física, usava uma faixa branca amarrada ao braço, simbolizando um pedido de paz e segurança, e abriu os discursos: "Apesar de nossa revolta e tristeza, temos que transformar este momento em uma maneira de buscar soluções". 

Ana Luiza diz que há 10 anos resolveu sair da cidade grande e mudou-se para lá em busca de maior qualidade de vida. Agora lamenta que a região esteja tornando-se perigosa e entrando no mesmo ritmo da onda de assaltos dos centros urbanos. Após recitar o poema Vale do Maciambu, de autoria própria, que ressalta as belezas e história do lugar, ela mostrou o cartaz que trouxe e disse: "Eu acredito nisso". No cartaz, a moradora trouxe escrito: "Educação de base, amor de base, raízes fortes, futuro promissor!". 

O assalto de Elizael não foi pontual. Ramon Junckes, proprietário do Direto do Campo, próximo à pizzaria, conta que no dia 19 de fevereiro deste ano também foi rendido em seu estabelecimento. Felizmente, neste caso os prejuízos foram apenas materiais o que, no entanto, não deixa de instaurar medo e sensação de injustiça. Ramon conta que conseguiu antever o assalto e ligou para a polícia 15 minutos antes dos bandidos entrarem. No entanto, a polícia levou 30 minutos para chegar ao local, tempo dos dois assaltantes armados renderem ele, o irmão e a cunhada, e fugirem levando dinheiro, celulares e eletrodomésticos da casa, localizada junto ao estabelecimento. Além dos comerciantes, moradores também relataram casos de roubos e furtos em moradias. "Onde estão os políticos e nossos vereadores que dão dinheiro e carrada de barro? O dinheiro é para pagar o caixão e o barro para enterrar os nossos moradores?", desabafa Ramon. 

 

Mais policiamento

O sentimento de medo e insegurança aumenta na região das praias de Palhoça quando passa a alta temporada e o policiamento diminui. A professora Sandra do colégio de Morretes leu em voz alta a reportagem "Mobilizado, Sul busca alternativas para segurança", publicada pelo Palavra Palhocense em 8 de setembro de 2016. A reportagem fala da iniciativa dos moradores de criar uma versão local do projeto Vizinho Solidário. Traz o relato de nove ocorrências somadas em três meses daquele inverno e chama atenção para o aumento de assaltos a mão armada, até então menos comuns na região.  

Como parte do projeto Vizinho Solidário, desde 2016 os moradores da Pinheira começaram a se reunir em busca de soluções, a fim de pressionar o poder público para mudar o quadro de violência no bairro. O grupo Rede de Vizinhos conta hoje com cerca de 80 pessoas interligadas que trocam informações locais pelos celulares, de onde surgiu a iniciativa para o manifesto, com o objetivo de chamar a atenção das autoridades para a violência e criminalidade.
Intitulado "Pedido de Socorro", um abaixo-assinado foi iniciado reivindicando uma delegacia não sazonal para a região. Telma Vieira Correia, proprietária de um restaurante, fala de um terreno vazio ao lado do posto da Polícia Civil, atualmente fechado, e sugere que "poderia haver lá um posto da PM, uma parceria entre as instituições, que poderiam contar com a ajuda dos comerciantes, para reforçar o policiamento". Sobre essa possibilidade, o capitão André Wagner Schlischting, comandante da 2ª Companhia do 16º Batalhão, que cobre a região balneária de Palhoça, comenta a atual estratégia: "Nós possuímos três bases operacionais (Praia do Sonho, Enseada de Brito e praia do Marivone). Hoje trabalhamos com maior foco em bases móveis que, estrategicamente, por sua facilidade de realocação, conforme a demanda, proporciona maior fluidez ao policiamento. Para uma base fixa na localidade, há a necessidade de um estudo aprofundado analisando-se viabilidade, possibilidade logística e de pessoal".

Em forma de protesto, insistindo por mais segurança, ampliação do efetivo policial para a região e mudança do quadro de violência, o morador nativo José Henrique dos Santos, atual secretário adjunto de Maricultura, Pesca e Agricultura da Prefeitura do município, chama atenção para a importância da participação dos moradores a fim de reunir mais forças para pressionar o poder público: "O que nós temos feito para revidar? Muitos de nós somos omissos. Temos que ir para a rede social, ir para a rede pública e brigar por um serviço público de melhor qualidade".



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Créditos: Noberto Machado Noberto Machado Noberto Machado Noberto Machado DIVULGAÇÃO
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