Morte de senhor na Ponte do Imaruim reabre debate sobre a situação do Samu

Não havia ambulância em Palhoça para prestar atendimento

f8d767341e02ad1a13c5d7ac10f8a1af.jpg Foto: DIVULGAÇÃO

Texto: Isonyane Iris

Foram 40 minutos de agonia, esperando por um socorro que não chegou a tempo. Morador da Ponte do Imaruim, um senhor de 61 anos passou mal na noite de segunda-feira (22). Ao ligar para o Samu de Palhoça, a informação foi de que não tinha nenhuma ambulância no momento para prestar auxílio. O único socorro disponível veio do Samu de Biguaçu, que infelizmente não chegou a tempo. Seu Luiz Carlos faleceu esperando por socorro.

Impossível não se revoltar ao assistir ao vídeo postado pela vizinha de Luiz, Eliete Ribeiro, que viralizou no Facebook nesta semana. Nas imagens, aparece a equipe do Samu de Biguaçu tentando reanimar o senhor incansavelmente, mas ele não resistiu. A vizinha que filmou também prestou os primeiros socorros quando o senhor começou a passar mal, e foi ela quem ligou para o Samu. "Mas as ambulâncias básicas estavam quebradas e a de atendimento avançado em outro atendimento, em Nova Trento", relembra Eliete.

A central do Samu de Palhoça teria informado, então, que seria enviada uma ambulância do Samu de Biguaçu, o que levou 40 minutos. Os bombeiros de Palhoça até chegaram ao local, enviados também pela Central de Palhoça, mas nada mais podia ser feito, o senhor já tinha falecido. Eliete afirma que foi uma noite "apavorante". "A situação me deixou chateada, porque ele veio a óbito. Com certeza se tivéssemos ambulância não ia levar nem dez minutos até o local do ocorrido, e ele poderia ter tido uma chance de sobreviver", acredita a vizinha.

Até o fechamento desta edição, o vídeo passava de 14 mil visualizações. Entre os inúmeros comentários, se destacam os desabafos do povo palhocense em relação à precariedade do serviço prestado pelo Samu de Palhoça _ ou a falta dele. "Chorei vendo essa cena, chorei pensando em como nossa vida não vale nada para as autoridades. Duvido que isso aconteceria com o familiar de algum político de Palhoça. Como pode um homem morrer sem receber socorro, isso é uma vergonha", escreve Renata de Souza em um dos comentários, sendo apoiada por inúmeros outros em uma mistura de revolta e tristeza.

Inconformados com o que aconteceu, os palhocenses não economizaram nas palavras para tentar chamar a atenção das autoridades. "Vergonha de ser palhocense. Vergonha de ter votado nesse prefeito. Samu é serviço de socorro, isso era para ser prioridade. Vida é prioridade, mas parece que nossos políticos não enxergam dessa forma", escreve Fernando Freitas.

Não foi um caso isolado. Na última semana, um senhor passou mal no meio da rua e caiu entre os veículos que passavam pelo semáforo na entrada do bairro Rio Grande. Na ocasião, motociclistas e motoristas pararam para socorrer o senhor, que aparentava estar tendo uma crise de epilepsia. Sem saber como proceder, uma das pessoas que tentava ajudar ligou para o Samu, pedindo socorro, mas também recebeu a informação de que não havia ambulâncias _ todas estariam quebradas e não havia como ajudar. "Eles simplesmente me disseram que não podiam me ajudar, nem fazer nada, estavam sem ambulâncias e não tinham como prestar socorro. Isso é um absurdo, podia ser qualquer um de nós nessa situação jogado no meio da rua esperando por ajuda", desabafou Lucas Siqueira, no telefone, ao atendente do Samu.

A falta de ambulâncias já dura meses, segundo relatos de palhocenses que precisaram de socorro. O jeito, segundo eles, seria levar em um veículo próprio até o hospital, o que em muitos casos é impossível ou mesmo perigoso. "Minha mãe passou mal, liguei para o Samu e me disseram que não tinha ambulância. Liguei para a PM e não podiam me ajudar. Liguei nos Bombeiros, eles me informaram que apenas atendem casos em que envolvem traumas ou acidentes de trânsito. Sem ter o que fazer, pedi ajuda à vizinha, que graças a Deus era enfermeira e me ajudou. Minha mãe estava tendo um AVC e eu não imaginava, se não fosse ela minha mãe poderia ter morrido ali sem eu saber o que fazer", desabafa Dayane Cristina Souza.



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