O absurdo da luta por vagas nas escolas

Palhocense encontrou pais "acampados" em fila de matrícula

58a4d0818eaad2b11091e7c1c757ac6a.jpeg Foto: NORBERTO MACHADO

Texto: Isonyane Iris

O ano letivo ainda nem acabou e a procura por vagas na rede municipal de educação para 2018 já começou. As matrículas e as inscrições para a lista de espera começavam na quinta-feira (23), mas na manhã de quarta-feira (22) uma fila com mais de 50 pais começou a se formar logo cedo na Escola Municipal Mara Luiza Vieira Liberato, no Madri; segundo eles, essa seria a única maneira de se conseguir uma vaga. 
Na esperança de conseguir uma das vagas disponíveis para o 1º Ano, Vera Lucia foi para a fila às 16h30 do dia anterior, mas mesmo assim se deparou com mais de 40 pais na sua frente. "Se eu não me engano, são apenas 40 vagas para o primeiro ano; para os demais anos é apenas lista de espera, pois o ano letivo ainda não acabou, então só vamos saber em fevereiro. Isso aqui não tem nada a ver com a escola, nós que nos organizamos para garantir uma vaga para nossos filhos", explica Vera, sobre os números que estavam sendo entregues aos pais que chegavam para passar a noite na fila. Segundo os pais, a numeração foi feita para que não houvesse tumulto na manhã das matrículas, assim todos saberiam sua ordem e ninguém perderia seu lugar.
Sem ter como ir cedo para a fila, Clarice da Silva conta que foi assim que chegou do trabalho, mas infelizmente já tinha mais de 50 pais na sua frente. "Eu cheguei era 19h, nem tomei banho, só comi um pão e fui direto. Mas para minha surpresa muitos outros pais já estavam lá. Com isso, não consegui uma vaga, fui para a lista de espera", lamenta a mãe.
Essa não seria uma novidade no município, todos os anos muitos pais enfrentam noites e até dias de fila para conseguir garantir uma vaga para seus filhos. "Se não for assim, não consegue, a não ser se conhecer alguém importante. Para a gente que é humilde e não tem nenhum 'padrinho', o jeito é trazer cobertor e café e pedir a Deus que consiga uma vaga", afirma o pai Luiz Alberto Soares, que madrugou também na fila da Escola Maria Tereza, na Ponte do Imaruim, para conseguir uma vaga.
Nos bairros Aririú da Formiga, Passa Vinte, Centro e Rio Grande, a situação estaria se repetindo. Sem vaga no último ano para os filhos próxima de casa, no Rio Grande, a mãe Izabel de Medeiros conta que teve que matricular os filhos no Centro e mandar de ônibus todos os dias, por falta de vaga. Este ano, para garantir, ela também dormiu na fila, na esperança de conseguir. "Fiz a matrícula e fui para a lista de espera. Tem que esperar o ano acabar, para então ver o que vai ter de vaga. Tomara que eu consiga, porque do jeito que está, eu não posso manter, é muito gasto", lamenta.
As filas chegam a começar dias antes, como foi o caso da Thamara Liandra Siqueira, que para matricular a filha na Escola Venceslau Bueno, no Centro, em 2016, ficou quatro dias dormindo na fila. "Em primeiro lugar, sempre vem a minha filha, não perco o sorriso nem a esperança de conseguir uma vaga. Da primeira vez, eu coloquei o nome dela na lista, mas não consegui nem dormindo três noites na fila; neste ano, eu já estou me preparando para ficar uma semana na fila", adiantou a mãe.

O que diz a Prefeitura
A Prefeitura diz que em 2017, foram matriculadas quase 14 mil crianças nas escolas da rede municipal, incluindo as 16 instituições conveniadas e a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Somente na Educação Infantil (até 5 anos), foram disponibilizadas 3,5 mil novas vagas desde o início da atual gestão.
A Prefeitura de Palhoça vai concluir as obras de três creches nos bairros São Sebastião, Pachecos e Passa Vinte, que estavam paradas por falta de repasse de verbas do governo federal. Essas três unidades vão oferecer mais de 500 novas vagas no próximo ano letivo.



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