Trânsito alterado em frente à escola Venceslau Bueno

Vans escolares não podem mais estacionar na via pública: segurança para as crianças e agilidade para Bombeiros e Samu

d63e7374b3721d6efd3547f4c0fd3d39.JPG Foto: NORBERTO MACHADO

Texto: Isonyane Iris


Na última sexta-feira (16), motoristas, pais, comerciantes, alunos e funcionários da escola Venceslau Bueno se sentiram confusos com a alteração de trânsito feita na rua Coronel Bernardino Machado, em frente ao portão principal do colégio. A pista, que antes era completamente ocupada por vans escolares e pais nos horários de início e final das aulas, foi alterada para saída exclusiva de viaturas em atendimento de emergência do Corpo de Bombeiros e do Samu. Depois de alguns dias da mudança, muitos motoristas e pais já começaram a perceber como a segurança dos alunos foi preservada e como o trânsito está fluindo melhor.

As mudanças são resultado de uma reunião feita entre representantes da Secretaria Estadual de Educação, Prefeitura, Secretaria de Infraestrutura, Secretaria da Segurança Pública, agentes de trânsito, Corpo de Bombeiros Militar e Samu. O objetivo principal é garantir a segurança dos alunos e facilitar a saída de viaturas operacionais dos Bombeiros e do Samu em direção à BR-101. Até que a medida fosse implementada, os profissionais perdiam tempo para chegar nas ocorrências por conta das inúmeras vans e carros de pais que ficavam estacionados em frente à escola.

Desde sexta-feira (19), o colégio tem dois acessos: os alunos podem entrar pelo portão 1, na própria Coronel Bernardino, ou pelo portão 2, na rua Pedro Paulo Filipi, nos fundos da escola. O embarque e desembarque dos alunos pelo portão 2 está sendo realizado com mais segurança e de forma bem dinâmica, segundo os pais. Está sendo possível parar os veículos e esperar seus filhos entrarem ou saírem direto no pátio da escola.

As vans escolares vão poder estacionar nas ruas Frei Nazário Knaben e Jacobe Scheidt Júnior, como algumas já faziam antes. Dessa forma, os alunos vão percorrer um trajeto menor e mais seguro para ter acesso ao portão 2. As portas das vans, que ficavam viradas para a via, colocando em risco a segurança dos alunos, agora ficam na direção da calçada, um acesso muito mais seguro. “Fiquei bem mais tranquila quando soube da mudança, afinal, minha filha vai descer na calçada e vai tranquila pela calçada até a escola”, elogia Cristina de Menezes Luiz.

 

Trânsito

Nos primeiros dias, houve muita dúvida entre os motoristas, alguns inclusive acharam que a rua teria se tornado de mão dupla. “Eu vi pintado de amarelo, já achei que era mão dupla e quase entrei na contramão. Eles sinalizaram, mas acho que deveriam ter anunciado um pouco antes, fomos pegos de surpresa e isso quase gerou alguns acidentes”, reclama o motorista Luiz Rafael.

A mudança também beneficiou o trânsito local, na opinião dos motoristas. “Aquelas vans eram um entrave para todo mundo. Elas paravam na pista da esquerda, o ônibus parava na pista da direita e o resto do trânsito ficava completamente parado, um horror. Depois que mudaram, melhorou muito, até porque o ponto de ônibus também foi lá para a outra esquina, e com isso desafogou o trânsito”, elogiou a motorista Ariane Pereira.

Os agentes de trânsito estão atentos às saídas da escola e continuarão atuando em cada portão, como forma de proporcionar mais segurança e monitorar o trânsito. 

 

A escola

A diretora da escola, Maria Helena da Silva, explica que não foi convidada a participar da reunião feita para definir a mudança e apenas foi informada do que havia sido decidido. “Fui chamada no final de janeiro apenas para me informar do que havia sido decidido. Isso é uma luta minha desde 2013, não entendo como puderam fazer uma mudança dessa pensando na segurança das crianças. Agora elas vão ficar mais longe da escola, vamos ter que nos preocupar com mais um portão de acesso, controle de entrada e saída. Um transtorno que poderia muito bem ser evitado se eles apenas proibissem as vans de estacionar em frente à escola, já que elas são um serviço privado”, defende.

Muitos pais não estão entendendo os motivos da mudança, e principalmente a necessidade de abrir mais um portão de acesso na escola, o que na opinião deles pode vir a comprometer ainda mais a segurança das crianças. “Duas entradas é loucura. Com certeza a segurança já não será mais a mesma com dois portões, tomara que eles tenham muito controle sobre isso”, preocupa-se o pai Alexandre Cristiano.

A diretora explica que sua maior preocupação sempre foi com a segurança dos alunos, tanto que agora, com dois acessos, ela teme que a segurança fique comprometida. “Nós não temos mais funcionários, temos poucas pessoas trabalhando. Hoje nosso vigilante não é para segurança humana, ele é apenas para o patrimônio, ou seja, ele não está aqui para cuidar de aluno. A entrada dos alunos é exatamente o horário de almoço do vigilante e o nosso, que hoje eu tenho sacrificado para receber os alunos”, explica a diretora.

A direção da escola afirma que o portão 2 ainda não está funcionando, mas que já foi encaminhado um ofício solicitando providências para que tenha sempre uma pessoa para orientar a entrada e controlar a saída dos alunos.
Uma reunião com pais, responsáveis e membros da comunidade, para a divulgação de informações pertinentes à mudança, deve acontecer no dia 27, às 19h30.

 

Corpo de Bombeiros

Segundo dados fornecidos pelo Corpo de Bombeiros, das 1.860 ocorrências atendidas em 2017, em aproximadamente 750 casos o deslocamento foi realizado na contramão, saindo do batalhão rumo à BR-101. Só em 2018, já foram cerca de 90 situações como essa. “Quando as vans ficavam estacionadas ali, a pista da esquerda parava. Tínhamos ainda um ponto de ônibus bem em frente ao batalhão, o que trancava completamente a rua, nos fazendo perder muito tempo para conseguir sair e prestar atendimento a alguma emergência”, relembra o capitão Fernando Ireno vieira, comandante dos Bombeiros em Palhoça.

“Pedimos que os motoristas fiquem atentos às sinalizações e ainda respeitem as demarcações feitas, principalmente deixando sempre livre a faixa pintada em frente ao batalhão para que nossas viaturas possam sair o mais breve possível quando solicitadas para alguma emergência”, reforça o comandante.

 

Vans

Muitos motoristas não gostaram da mudança. Eles afirmam que a segurança continua a mesma, já que eles sempre tiveram muito cuidado no embarque e desembarque das crianças. “Pensaram tanto e fizeram uma bagunça para todo mundo. Agora, as crianças estão sendo deixadas bem mais longe da escola, precisam caminhar mais e as ruas ficaram completamente congestionadas, uma bagunça com todo mundo”, reclama um dos motoristas do transporte escolar, que preferiu não se identificar.

Outros motoristas entendem a mudança e acreditam que tudo está sendo feito como um teste: caso existam problemas, as mudanças serão estudadas novamente. “Estamos aguardando uma resposta da Prefeitura definitiva para ver se vai ficar definido assim, por enquanto, estamos apenas em caráter experimental. Já tivemos reunião com o prefeito, agora estamos aguardando”, falou José Roberto da Silva, motorista de transporte escolar.
A Prefeitura esclareceu que as mudanças foram necessárias e decididas pensando apenas no coletivo, na segurança das crianças que hoje desembarcam nas vias em circulação de trânsito, e para priorizar a saída dos veículos de urgência e emergência do Corpo do Bombeiros e do Samu. “Consideramos que segundos podem fazer diferença para salvar uma vida”, informa, em nota.

 

Comércio e moradores

Logo que a mudança foi apresentada, as reclamações eram muitas, assim como as dúvidas. Por conta do novo acesso na Pedro Paulo Filipi, as calçadas foram pintadas e algumas sinalizações foram posicionadas para ajudar no trânsito. “Olha só o que virou o meu comércio: das quatro vagas que eu tinha de estacionamento, fiquei apenas com duas por causa dessa pintura de calçada. Isso sem contar que a rua vai ficar congestionada”, falava uma comerciante, insatisfeita com a mudança.

Com o passar do tempo, as opiniões começaram a se dividir, pois o movimento no comércio aumentou com a movimentação dos alunos devido ao novo acesso. “Confesso que eu até pensei que iria piorar nosso negócio, mas muito pelo contrário, até melhorou: em três dias, meu movimento aumentou consideravelmente. Além da tranquilidade que está sendo para os pais, que deixam seus filhos e voltam para a BR-101 sem ter que entrar no Centro de Palhoça”, elogia uma comerciante, que também preferiu não se identificar.

 

Secretaria de Estado da Educação

Segundo a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Educação, as mudanças na Venceslau Bueno estão sendo realizadas seguindo determinação do Ministério Público de Santa Catarina (MP/SC). “A determinação, publicada em novembro de 2017, visa aumentar a segurança dos educandos na via de acesso à unidade de ensino, que fica congestionada devido ao forte trânsito de pais e vans de transporte escolar, prejudicando a segurança dos estudantes e o trabalho das unidades do Samu e do Corpo de Bombeiros, que ficam localizados na mesma via”, informa, em nota.



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Créditos: NORBERTO MACHADO DIVULGAÇÃO
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