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Treinamento profissional ao alcance de amadores

Renomado técnico Hudson Coutinho alia preparação física e futebol em um novo projeto em Palhoça

f5f2c17a470c805ba2766e793c241771.jpg Foto: LUCIANO SMANIOTO

Que tal manter a forma e ao mesmo tempo bater uma bolinha sob a orientação de um técnico de time profissional? Os palhocenses, agora, têm esse privilégio. Hudson Coutinho, que despontou no cenário estadual com um trabalho elogiado no Figueirense, abriu horários para oferecer um treinamento que envolve preparação física e técnicas do futebol, na sede do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Palhoça (Sitrampa), no Pagani.

Por enquanto, o treinamento acontece nas segundas, quartas e sextas-feiras, das 7h15 às 8h30. Mas a ideia é expandir horários e também espalhar o projeto para outras quadras da região. Até porque, mesmo com pouco tempo de trabalho (começou na semana passada), já surgiram interessados de vários cantos da Grande Florianópolis. O interesse se justifica, afinal, não é todo dia que os apaixonados pela bola podem treinar com um técnico profissional do gabarito de Hudson Coutinho.

O treinador tem uma relação muito bonita com Palhoça. O Guarani foi o primeiro clube que apostou no seu trabalho. Foi em 2000, na primeira aventura do Bugre em gramados profissionais. Na época, Hudson trabalhava com o técnico Balduíno, o Badu, em escolinhas em Florianópolis. Quando Badu foi convidado a assumir o Guarani, trouxe Hudson como seu auxiliar. No mesmo ano, ele já receberia um convite para trabalhar nas categorias de base do Figueirense, como preparador físico. Foi o início de uma longa e vitoriosa relação com o Alvinegro.

No Estreito, Hudson Coutinho conquistou seu espaço, “degrau por degrau”, desde o infantil, passando pelo juvenil e pelos juniores, até começar a atuar como auxiliar de preparação física junto à comissão técnica do elenco profissional. Foram 10 anos de clube, onde trabalhou com muitas feras, como os preparadores físicos Celso Rezende (hoje acompanha Dorival Júnior) e Manoel Santos (homem de confiança do técnico Abel Braga), e inúmeros treinadores, que proporcionaram um precioso aprendizado. “Minha escola foi muito boa, de preparador físico e treinador, peguei muita gente boa”, relembra.

Foram três anos de profissional, entre 2006 a 2009. Três anos de um trabalho tão consistente que driblou a lógica: geralmente, um treinador, quando chega ao clube, indica sua comissão técnica, mas Hudson conseguiu manter seu espaço como preparador físico do Figueirense, imune às trocas de comando. “Era difícil, porque cada treinador que chegava queria me derrubar, para trazer um cara de confiança, mas o time voava, eu não dava brecha”, recorda.

Hudson só deixou o Alvinegro porque a pressão dos resultados falou mais alto em 2009, em função do rebaixamento no Campeonato Brasileiro de 2008. “Resultado manda mais do que qualquer situação”, lamenta. Após a saída do Figueira, trabalhou em clubes como o Náutico e a Chapecoense, até que o Guarani de Palhoça novamente cruzou seu caminho. Em 2012, Hudson foi convidado a assumir o comando técnico da equipe sub-20. Já morava em Palhoça, onde fixou residência em 2006, e tinha grande identificação com o clube desde a primeira participação nos profissionais. O “casamento” tinha tudo para dar certo, e deu! Hudson levou a equipe sub-20 às semifinais do Estadual e, como “prêmio”, foi convidado a assumir a equipe profissional que disputaria a Segunda Divisão do Catarinense de 2012. “Meu olho brilhou”, revela. Não foi só o “olho” que brilhou, foi o time inteiro! “As coisas quando têm que dar certo não tem jeito, está escrito”, reflete.

Com uma espinha dorsal montada com garotos formados nas categorias de base de Figueirense e Avaí, aquele time conquistou o título do turno (o que já garantia o acesso à Série A), fez a final do returno (perdeu para o Juventus) e decidiu o título diante da própria equipe de Jaraguá do Sul, levantando a taça de campeão e recolocando o Guarani de Palhoça na elite catarinense. O bom trabalho foi reconhecido, e Hudson foi mantido no comando do time na Série A de 2013. A estreia foi justamente diante do Figueirense, que venceu por 2x1. “Foi um dos jogos em que eu recebi mais elogios, apesar de ter perdido o jogo”, destaca o treinador, que acabou deixando o Guarani após sete jogos.

Hudson estava descansando em Governador Celso Ramos quando chegou a primeira proposta: auxiliar o amigo Hemerson Maria na comissão técnica do Crac, de Catalão (GO). Já tinha aceitado o convite quando recebeu outra ligação, no dia seguinte. Era do Figueirense. Mesmo com um salário inferior, optou pelo clube do Estreito. A esposa estava grávida de oito meses, e isso pesou na escolha. Aí, vieram mais três anos de auxiliar no Figueira, entre 2013 e 2015. Hudson assumiu a equipe no final de 2015 e livrou o Alvinegro do rebaixamento. Em 2016, foi mantido no comando do time, mas os resultados não vieram e retornou à função de auxiliar, o que acabou afastando o treinador do mercado. “Fiquei bastante escondido do mercado, e isso me atrapalhou bastante”, descreve.

Seu último clube foi o Marcílio Dias, uma experiência que não foi agradável. Hudson revela uma certa decepção com o universo do futebol, onde clubes andam contratando técnicos de graça, bancados por empresários para colocar seus jogadores em campo. Decidiu não “sair de casa” para doar seu tempo a projetos que não são confiáveis. “Estou em casa, trabalhando, fazendo o que eu quero e recebendo”, comenta. “As coisas no futebol demoram muito a acontecer, e a gente tem que trabalhar, tem que produzir, ficar em casa não dá”, emenda.

Hudson Coutinho trouxe toda a experiência do campo para a quadra do Sitrampa. “É o que eu acredito que a preparação física tem que fazer”, define. Não é necessário ter noção de futebol para participar dos treinamentos. “É uma atividade física, não é uma atividade de profissional. Para quem gosta de futebol e quer sair da academia, é o trabalho ideal”, atesta.

Interessados podem procurar o treinador pelos telefones 99135-9570 ou 99619-3396.

 



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