Verdades contadas pelo “mentiroso” Peninha

Pesquisador da Enseada de Brito lança autobiografia e narra os casos e ocasos raros do litoral de Santa Catarina

21610334781da108c30896a43ce0b7da.JPG Foto: NORBERTO MACHADO

O pesquisador e museólogo Gelci José Coelho (Peninha), conhecido guardião das tradições das culturas populares do litoral de Santa Catarina, lançou o livro “Narrativas Absurdas: Verdades Contadas por um Mentiroso” na última quinta-feira (21), no Museu da Escola Catarinense (Mesc), em Florianópolis. O lançamento, marcado pelo humor peculiar do autor, contou com sessão de autógrafos, performances artísticas e a abertura da exposição “Um Boitatá em Dois Tempos”, com registros fotográficos de Biah Schmidt de duas diferentes fases da vida de Peninha, que mora na Enseada de Brito.

“Este livro tem muito de Palhoça, tem muito da Enseada de Brito, que eu estou morando lá, naquela maravilha de lugar. E tem muitas histórias e contos que aconteceram, realmente, ali na Enseada de Brito”, conta Peninha, que pretende fazer outro evento de lançamento na Casa da Cultura Açoriana, um dos “cartões postais” da Enseada de Brito. “É um livro singelo, mas que pode, talvez, trazer à tona algumas memórias das pessoas”, observa o autor.

“Narrativas Absurdas: Verdades Contadas por um Mentiroso” traz um texto mágico, que mescla a história de vida do autor com lendas, contos e casos raros. O livro narra a trajetória do artista desde suas primeiras “lembranças”, quando ainda estava no útero de sua mãe, e cobre da infância aos dias atuais, em que vive a aposentadoria em Palhoça. Um tesouro de literatura de realismo mágico e um belo registro da cultura popular - inclusive, com detalhes do famoso festival Palhostock, que colocou Palhoça no mapa da música nacional nos anos 1970. “É um texto autobiográfico que mescla o testemunho da experiência vivida com o olhar fugidio da imaginação que se lança sobre a memória, quando então tudo se mistura: realidade, ficção, poesia, espanto, tragédia e assombração, no melhor que o realismo mágico, enquanto gênero literário, pode oferecer”, resume Bebel Orofino, roteirista e escritora que assina a edição da obra junto com o autor.

Grande amiga de Peninha e autora de projetos importantes como a minissérie “Ilha das Bruxas”, o espetáculo teatral “Catharina, uma Ópera da Ilha” e o livro “Vozes da Lagoa”, foi dela a ideia de transformar o manuscrito em livro. “A mitologia da Ilha de Santa Catarina é sensacional. E pouco se fala sobre isso. Santa Catarina é o único estado do Brasil onde se encontram narrativas mágicas únicas, surreais, com seres sobrenaturais próprios - em especial, as bruxas e os bruxos e suas estripulias. E, é claro, a proteção das poderosas benzedeiras e dos benzedores, com suas rezas, amuletos, breves, ervas e receitas infalíveis”, reforça Bebel Orofino.

O livro, publicado pela Santa Editora, tem 200 páginas e está organizado em seis capítulos, fartamente ilustrados com pinturas e desenhos do artista e com uma coleção fotográfica de Biah Schmidt, que mostra o autor nos anos 1970 e nos dias atuais. Um conjunto de mais de 15 fotos em preto e branco trazem a força e a potência criativa de um artista se abrindo para o mundo a partir da efervescência da cena artística e cultural da Ilha de Santa Catarina nos anos 1970. E em um segundo momento, em 15 fotos coloridas, aparece o Peninha escritor, mais calmo, sossegado, delirando livremente na encantada Enseada de Brito, onde mora em uma casa colonial “de três janelas de frente”, construída pelos anos de 1780. quando ele então se transforma em personagem das narrativas mágicas do nosso lugar ao registrar os casos raros que presenciou ao longo de sua vida. As fotos compõem a exposição “Um Boitatá em Dois Tempos”.



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Créditos: NORBERTO MACHADO NORBERTO MACHADO NORBERTO MACHADO
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