Volta às aulas? Só para quem tem vaga

Equação entre a procura por matrícula nas escolas públicas e a quantidade de vagas ofertadas ainda está longe do equilíbrio

e94f15a18dc0152a6d74b8e01cf3f10f.jpeg Foto: ISONYANE IRIS

Texto: Isonyane Iris

O início das aulas está chegando na rede municipal de Palhoça. Logo depois do Carnaval, na próxima quarta-feira (14), a partir das 13h, todas as escolas e CEIs municipais estarão de portas abertas para receber seus alunos. Por conta do "feriadão", os alunos matriculados no período matutino na rede municipal terão o início das aulas na quinta-feira (15), junto com a rede estadual de educação.

Felizes com o início das aulas, muitos pais comemoram o início já na tarde da Quarta-Feira de Cinzas. "Fiquei muito feliz, afinal, para a gente que trabalha e não tem onde deixar os filhos durante as férias, quanto antes começarem as aulas, melhor", comemora a mãe Alice de Souza Menezes.

Infelizmente, nem todos os pais têm motivos para comemorar. Ainda na espera por uma vaga para os filhos, a moradora da Ponte do Imaruim Fernanda Cristina conta que não sabe o que fazer e teme que seus meninos fiquem sem estudar este ano. "Não sei mais o que fazer, eu não tive como ficar de madrugada na fila por uma vaga, trabalho à noite e sou sozinha, então não consegui uma vaga para eles. Fui o mais cedo que consegui, mas já estava tudo preenchido, já corri várias escolas e não tem vagas. O início das aulas está chegando e pelo jeito eles vão ficar sem estudar", teme a mãe.

São muitos pais esperando por vagas, a maioria sem ter condições de pagar uma escola particular, uma situação que tem deixado muitos desesperados. "Todos os dias eu ligo na Secretaria de Educação, ligo na escola, fico rezando para que alguém desista e minha filha seja chamada. Eu não tenho a mínima condição de pagar uma mensalidade por mês, o que ganho é certinho para pagar as contas da casa, não sei o que posso fazer. Estou desesperado, minha filha não pode ficar sem estudar, mas está sendo impossível conseguir uma vaga", lamenta o pai Jeferson Oliveira Silveira.

CEI fechado

No bairro Bela Vista, a situação também está complicada para os pais que têm seus filhos matriculados no CEI Comunitário Mundo Encantado. Os pais contam que devido a problemas judiciais, a instituição não teria conseguido renovar o convênio com a Prefeitura, o que acabou acarretando no fechamento do CEI. Sem ter o que fazer com os filhos, os pais estão desesperados e pedem providências da Prefeitura.

Revoltadas com a notícia de que os filhos não teriam onde estudar este ano, as mães estão se manifestando nas redes sociais e pretendem batalhar por uma solução. Fabiana Longue é uma das mães, e conta que a preocupação é grande por conta do fechamento repentino da creche, que atende 150 crianças.

A mãe conta que todo final de ano a coordenadora da creche levava à Prefeitura as documentações necessárias para que fosse liberado o convênio. Mas, neste ano, não teria sido liberado o convênio "devido a constatação de ações trabalhistas, gerada devido a uma má gestão passada". "A creche sempre foi uma ótima instituição, mas agora sem convênio não tem condições nenhuma de atender nossas crianças. E agora, como ficamos, nós pais, professores e crianças? Nós que não temos culpa nenhuma por isso?", questiona a mãe.

A Prefeitura explica que o CEI Mundo Encantado não terá convênio com a Prefeitura em 2018 porque não cumpriu as exigências propostas pelo Marco Regulatório do Ministério da Educação. Nesse caso, a responsabilidade pela oferta das aulas é inteiramente da instituição.



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