Adjori/SC
Palhoça tem mais de 160 casos de abuso infantil
Texto: Maria Júlia Manzi
24/5/2012 14:32:07
Faixa etária mais visada pelos pedófilos costuma ser de meninos de 10 a 13 anos, e de meninas de 07 a 10 anos
$alttext

O dia 18 de maio é marcado, a cada ano, pela Campanha Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Este ano, o Centro de Referência em Assistência Social (CREAS), Secretaria Municipal de Assistência Social e Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Palhoça resolveram inovar na forma de trabalhar a data e, pela primeira vez, focaram as crianças ao invés dos adultos.

Cerca de 350 crianças de 06 a 10 anos foram convidadas para assistir ao teatro “Vim Ver Maria”, interpretado por uma companhia teatral de São Paulo. A apresentação aconteceu no Clube 7 de Setembro e tratava não apenas da violência sexual, como também da física e psicológica.

Segundo a coordenadora do CREAS, Rosi Meri da Silva, o órgão atende todos os meses cerca de 270 crianças e adolescentes em situação de violação de direitos. Deste total, 60% são vítimas de violência sexual, seja abuso ou aliciamento para prostituição. A faixa etária mais visada pelos pedófilos costuma ser de meninos de 10 a 13 anos, e de meninas de 07 a 10 anos.


Confiança nos pais:

A coordenadora do CREAS explica que não há como traçar um perfil comum do abusador. Normalmente é alguém de confiança da criança ou da família, o que aumenta a agressão psicológica para que a criança não revele o ocorrido.  Por isso, é preciso que os pais mantenham com seus filhos um diálogo aberto. Sem confiança, conforme enfatiza, as crianças tendem a achar que os pais não acreditarão na história e que darão preferência à versão do abusador. 

“Queríamos através desta peça que as crianças começassem a reconhecer situações de risco e que soubessem da importância de pedir ajuda. O teatro é um meio de chegar mais perto dos pequenos”, explica Rosi Meri.

A reação das crianças em relação ao teatro, que exibiu a situação de maneira bastante explícita, variou muito. Algumas delas nada entenderam da peça, provavelmente porque o assunto está muito distante da sua realidade.

Por outro lado, houve casos curiosos. “Percebemos o olhar gélido de algumas crianças. Teve uma delas cuja a reação foi tão repentina que tivemos que lhe atender, pois passava mal”, revela a coordenadora administrativa do CREAS, Nirlene Martins Ângelo.

Para Camile, de nove anos, a lição do teatro foi além da questão da violência: “Aprendi que tem que conversar sobre tudo, tudo, tudo com nossos pais e não ter vergonha de falar com eles”, explica.

O próximo passo, segundo Rosi Meri, é focar os professores, para capacitá-los para reconhecer alguns comportamentos que podem demonstrar que a criança ou jovem está sendo vítima de abuso.


Abuso em várias formas:

Há várias formas de abuso sexual. Dividindo-se em assédio sexual e abuso sem contato físico. É considerado abuso fazer propostas de relações sexuais ou ter comportamentos erotizados que constrangem. Incluindo conversas abertas sobre atividades sexuais para despertar o interesse ou chocar a criança ou o adolescente. Outra forma é a apresentação de imagens pornográficas ou o ato de mostrar os órgãos genitais para a vítima ou visualizar os órgãos genitais da vítima.

A pedofilia é um crime monstruoso e não pode ser ignorado. Diante de qualquer comportamento suspeito é preciso denunciar através do Disque 100. Mas, é preciso também que os pais e familiares fiquem atentos em relação às pessoas que convivem com os filhos. 


Dia Nacional:

O Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes foi instituído em 1973, com base em um caso polêmico. Trata-se da menina Araceli, de apenas oito anos, que foi drogada, estuprada e morta por jovens da classe média alta de Vitória, Espírito Santo.

O crime chocou o Brasil, principalmente por nunca ter sido bem solucionado e pela suspeita de que ocorreu porque a própria mãe, que era traficante, usava Araceli para entregar drogas depois da escola. Os pais e os assassinos nunca foram punidos.

Casos como o de Araceli alertam para uma assustadora realidade. Apenas em Santa Catarina, no ano passado, 4.123 crianças e adolescentes foram atendidos no CREA por abuso ou exploração sexual.  


Atendimento:

Em Santa Catarina o atendimento destes casos é feito pelos CREAS, Conselhos Tutelares, Delegacias Especializadas, Ministério Público, Defensoria Pública e Justiça da Infância e da Juventude. 

Sempre que houver qualquer suspeita, é importante que se denuncie para o Disque 100, um serviço especializado que funciona diariamente, inclusive nos domingos e feriados, das 08h às 22h, e que recebe denúncias anônimas com garantia de sigilo.

O primeiro atendimento é feito pelo Conselho Tutelar, que encaminha o caso para o Ministério Público e CREAS. O abusado recebe auxílio de pedagogo, psicólogo e assistente social. O tratamento é contínuo e varia de acordo com o tempo que a criança ficou exposta ao abuso.

Se o crime foi cometido por algum familiar, a Justiça rapidamente decreta que esta pessoa seja afastada do local onde mora a criança. “Na maioria das vezes é um grande drama pra família inteira. É comum que as famílias fiquem temporariamente desestruturadas”, afirma Rosi Meri.


Fique atento:

Embora não sejam de fácil constatação, existem alguns comportamentos que podem ser observados em crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. Fique atento para os seguintes sintomas:

Altos níveis de ansiedade

Baixa auto-estima

Distúrbios no sono e alimentação

Mudanças extremas, súbitas e inexplicadas alterações no comportamento

Comportamento muito agressivo ou apático e isolado

Regressão a um comportamento muito infantil

Tristeza e abatimento profundo

Comportamento sexualmente explícito ou presença de conhecimentos inapropriados para a idade

Brincadeiras sexuais agressivas

Relutância em voltar para a escola

Faltar frequentemente à escola e ter poucos amigos.

Ver comentários
Escrever comentários
adjori
Endereço
Rua José Maria da Luz, 2925, Sala 12
Centro - Palhoça - SC
CEP: 88.131-000

(48) 3242-4719