Começam as obras da nova Estação de Tratamento da Pinheira
Maria Júlia Manzi
26/1/2012 11:42:28
Promessa antiga começa a tomar corpo em um ousado projeto de R$ 14 milhões
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Para descansar e aproveitar o Verão, Mariana Marcelino passa as férias com os filhos na Pinheira, onde tem casa há oito anos. Tanta bagunça e brincadeira com a criançada resulta, claro, num tanque cheio de roupas para lavar. A tarefa não seria tão desgastante, segundo ela, se não fosse a cor da água que sai da torneira: “Completamente amarelada, parece que lavo roupa numa poça suja de barro”, explica.
De acordo com a empresa Águas de Palhoça, responsável pelo abastecimento também na região Sul do Município, o problema acontece porque a fonte de onde atualmente se tira a água é rica em ferro e manganês, o que causa uma estranha coloração e cheiro forte. O cheiro e parte da coloração são eliminados durante o tratamento.
Ainda que restem estas consequências, o assessor técnico-operacional, Gil Marques, da Águas de Palhoça, explica que a água não deixa de ser potável e obedece fielmente a todos os padrões exigidos pela Vigilância Sanitária e demais órgãos.

Solução em andamento
O problema, entretanto, parece estar perto de ser resolvido. Esta semana, a Prefeitura deu início às obras de construção da nova Estação de Tratamento da Pinheira, um ousado projeto de pouco menos de R$ 14 milhões. Este dinheiro é, em partes, federal, estadual e municipal e promete melhorar, em muito, a oferta de água na região.
Daqui a no máximo dois anos - prazo que a empresa Casatel, vencedora da licitação, tem para concluir as obras -, a fonte de captação de água mudará. Atualmente, ela é recolhida por 19 ponteiras de um lençol freático subterrâneo e submetida a um tratamento simplificado.

Rio Cachoeira do Sul
Em breve, no entanto, a captação passará a ser superficial, proveniente do Rio Cachoeira do Sul. Aproveitando um projeto desenvolvido pela Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan), mas jamais posto em prática, a Águas de Palhoça construirá também uma nova estação de tratamento, que ficará localizada em Morretes.
“A capacidade da Ponteira era muito limitada. Até supria a demanda atual, mas foram feitas projeções de crescimento da cidade e ela logo deixaria de dar conta, devido ao desenvolvimento da região. Este manancial, por outro lado, deve atender à demanda por, pelo menos, vinte anos”, explica o engenheiro da Águas de Palhoça, Ricardo Mattiello.
Nesta primeira etapa, apenas as regiões onde já existe rede de água encanada - Pinheira e Guarda do Embaú - serão beneficiadas, além de Morretes. Já há planos de uma segunda etapa, que passaria a contemplar toda a região da Baixada do Maciambu. No entanto, isso não deve acontecer em breve, já que exigiria uma nova licitação e recursos desta mesma ordem: cerca de R$15 milhões adicionais.


Novo tratamento
Nas águas captadas do lençol freático subterrâneo que abastece a Pinheira e a Guarda do Embaú, atualmente só é aplicado um tratamento simplificado, com filtro de carvão ativado, desinfecção com cloro e adição de flúor.
Além da mudança de fonte, o método de tratamento que passará a ser aplicado é bem mais completo e envolve coagulação, floculação, decantação, filtração, desinfecção e adição de flúor.
A qualidade da água bruta que agora passará a ser captada também é considerada superior à da fonte subterrânea.

Obras
A ordem de serviço foi assinada este mês e os moradores de Morretes já conseguem perceber e acompanhar as obras de colocação dos canos. Do local da captação (adutor de água bruta) até a estação de tratamento serão 15 km de tubulação. Da estação até a central de distribuição, mais 3 km de tubulação precisarão ser feitos.
Um trabalho que se torna mais lento e difícil quando a escavação encontra muita água. A dificuldade está também no assentamento da tubulação. Esta é a razão pelo qual o prazo que a Casatel tem para concluir o trabalho é tão elástico. As obras poderão durar de doze a vinte e quatro meses, pois o mau tempo pode atrasar significativamente as obras.
A área de quase 13 mil m² onde será construída a estação de tratamento também já está começando a ser trabalhada.
A Casatel é uma empresa de São José especializada em saneamento que está atuando, desde já, com cerca de 40 funcionários envolvidos diretamente na obra. Em certa altura, cerca de 100 pessoas estarão trabalhando neste projeto.

Questão ambiental
O Rio Cachoeira do Sul é um afluente do Rio da Madre e fica em um local afastado, sem ocupação humana.
Já foi contratada uma empresa especializada em acompanhamento ambiental que vai fiscalizar as obras e fazer as medições necessárias para garantir que o ecossistema do rio não seja prejudicado. Este trabalho continuará a ser feito até um ano depois de já concluídas as obras.

Abastecimento no verão
Segundo a Águas de Palhoça, neste verão o abastecimento das praias está bastante tranquilo. “Nem no fim do ano, que costuma ser a época mais crítica, faltou água. Este ano, temos inclusive um gerador para garantir que, ainda que falte luz, não falte água como já aconteceu”, garante Gil Marques.

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