Palavra Palhocense: Como o senhor avalia sua participação na administração municipal?
Valmir Schwinden: Sempre tive o ideal de ajudar as pessoas mais carentes e desenvolver um trabalho social. Assumi compromissos com comunidades que votaram e acreditaram em mim como seu representante junto ao poder Executivo municipal. Entretanto, assim que assumi, percebi que as coisas lá dentro (da Prefeitura) não funcionavam como eu havia imaginado. Fiquei desapontado com o jeito centralizador de o prefeito governar, não permitindo que seus parceiros participem das decisões que dizem respeito a todos os palhocenses. Com essa atitude, ele conseguiu me afastar do povo palhocense e dos projetos voltados às comunidades e que tanto necessitam. Durante a campanha eleitoral, ele dizia que éramos muito importantes para a nova administração. Contudo, após as eleições o que se viu e se vê é uma verdadeira Torre de Babel, com o prefeito agindo como soberano e o restante assumindo a função terciária de súditos.
Palhocense: Então o senhor acha que a tão pregada transparência administrativa não existe?
Schwinden: Fico frustrado quando sou indagado pela população. O que mais me incomoda é a falta de transparência na gestão do dinheiro público, uma vez que o placar eletrônico de gastos municipais instalado na praça central se torna difícil de entender e interpretar, principalmente pelos mais leigos. Se eu que ocupo o cargo mais importante depois do prefeito tenho dificuldades em obter informações de onde estão sendo aplicados os recursos municipais, imagine a população. Passo por situações constrangedoras nas ruas, com moradores da cidade me questionando a respeito da iluminação pública, por exemplo, como aconteceu recentemente, agora mesmo em janeiro, quando fazia uma caminhada pela Ponta do Papagaio. Infelizmente, o que pude responder foi que estamos às escuras e continuamos às escuras.
Palhocense: O senhor teria um exemplo que exemplifique essa falta de transparência?
Schwinden: No que diz respeito ao saneamento básico, a situação é ainda mais obscura. O prefeito diz que a empresa Águas de Palhoça deixa de lucro nos cofres do município mais de R$ 1 milhão por mês. Se eu como vice-prefeito não tenho acesso à informação de onde está sendo investido esse dinheiro, imagine a população. A cobrança da população é grande com as valas abertas contaminando as pessoas, principalmente crianças, como nos bairros Frei Damião, Brejarú, Pachecos, Pontal, Barra do Aririú e outros. Esses recursos não deveriam estar sendo aplicados nessas necessidades?
Palhocense: O senhor se arrepende de ser vice-prefeito?
Schwinden: Sou um empresário do Município e hoje ocupo a segunda posição no primeiro escalão do governo municipal. Fui alertado e aconselhado a não aceitar o cargo que ocupo pelo Sr. José Leodoro Martins, conhecido como Dé, vice-prefeito na primeira gestão 2004 a 2008 do atual prefeito e outros integrantes daquela administração, que temiam que o fato se repetisse comigo. Mesmo assim, acreditei que seria diferente e iria participar efetivamente da administração do Município, pois isso foi promessa do prefeito, em acordo político, o que não aconteceu. Eles tinham razão.
Palhocense: O senhor está dizendo que o prefeito é centralizador?
Schwinden: Ele desconsiderou sua equipe de trabalho e as pessoas que o ajudaram a elegê-lo prefeito. Minha decepção foi tão grande que em diversas ocasiões tive vontade de entregar o cargo. A centralização do prefeito é tamanha que mesmo por ocasião de viagens, não teve a humildade de passar o cargo ao vice, deixando a cidade, em diversas oportunidades, sem um administrador. Chegou ao extremo de, mesmo afastado por questão de saúde, deixar de passar o comando. Isso é a maior prova de que não confia em seus pares e se acha o todo poderoso.
Palhocense: Como foi seu relacionamento com os secretários municipais? O senhor era atendido?
Schwinden: Essa forma de o prefeito governar fez com que eu entrasse em conflito também com alguns secretários que não aceitavam minhas ordens, o que me causou imensos constrangimentos no exercício do cargo, e tomei atitudes referentes ao poder que ocupava no momento.
Palhocense: O senhor acredita que a exoneração de seu assessor foi revanchismo?
Schwinden: Não tenho a menor dúvida. A exoneração do meu assessor e chefe de gabinete pelo prefeito no mês passado, sem o meu conhecimento e sem qualquer consulta, foi mais uma forma encontrada para me desestabilizar como autoridade devidamente reconhecida pelo povo palhocense. De acordo com a lei complementar nº 102, de 06 de abril de 2011, o vice-prefeito tem direito a dois assessores em seu gabinete. Porém, com a atitude do prefeito em exonerar o meu único assessor, deixo de atender as comunidades em meu gabinete, e desse modo muitos problemas deixaram de ser resolvidos, sendo que o prefeito, em seu gabinete, atende praticamente só empresários. Nada contra os empresários, mas o povo também tem seus direitos e precisa ser recebido na prefeitura.
Palhocense: Qual a avaliação que você, como vice-prefeito, faz desta administração?
Schwinden: O que o prefeito faz muito bem é o seu próprio marketing, assumindo todo o mérito pela administração da cidade. Mas esquece de ações fundamentais executadas por colaboradores importantes e próximos. Infelizmente, quem perde com isso é o cidadão palhocense que acredita nessa campanha maciça de que Palhoça é a cidade mais dinâmica do Brasil, etc. contrariando todos os princípios de uma administração moderna que tem como característica principal, exatamente, ser descentralizada e democrática.