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População relata o drama dos alagamentos

Leitores contam como foram os momentos de angústia com a chuva que castigou a cidade

580d46aa927002db9a05dac26846ed54.jpeg Foto: ARQUIVO PESSOAL

Texto: Isonyane Iris

A chuva da última semana provocou alagamentos em vários bairros de Palhoça, segundo a Defesa Civil do município. Entre os locais mais prejudicados, estavam as ruas do Centro e dos bairros Jardim Eldorado, Caminho Novo, Frei Damião, Brejaru, São Sebastião, Pontal e Furadinho.
Equipes da Defesa Civil de Palhoça monitoraram as áreas mais vulneráveis e de risco. Segundo informações repassadas pela própria Defesa Civil, não houve ocorrências graves no município. Os únicos registros teriam sido de alagamentos pontuais nos bairros.
Para que as condições de cada bairro pudessem ser monitoradas, uma sala de situação, envolvendo todas as secretarias, também foi aberta em Palhoça, para coordenar o atendimento às famílias desabrigadas pela chuva. Além disso, um abrigo foi disponibilizado no Colégio Caic, para receber famílias que necessitassem de atendimento.

Centro
Além do fluxo intenso de veículos habitual nos finais de tarde, por conta das ruas alagadas o trânsito ficou ainda mais complicado na região. Era início da tarde de quarta-feira (10) e vários pontos já estavam alagados. A rua José Maria da Luz ficou com vários trechos completamente cobertos pela água, assim como a Avenida Barão do Rio Branco, deixando muitos motoristas preocupados devido a altura da água que não parava de subir. 
Na rua do Posto Central de Saúde, próximo à loja Havan, o volume de água chegou muito próximo do capô dos carros, obrigando alguns motoristas a abandonarem seus veículos. "A rua parecia um rio, tinha até correnteza e dava muito medo de passar por ali. Eu lembro que quando cheguei na esquina vi a situação voltei na mesma hora. Nem percebi se era contramão, meu desespero foi tanto em ver alguns motoristas saindo de seus carros pela janela que voltei no mesmo instante", conta Alice Pereira Frenz, moradora do Centro.

Caminho Novo
Muitas famílias também precisaram deixar suas casas, algumas inclusive tiveram que ir até o abrigo disponibilizado pela prefeitura no Caic. Desesperado com a esposa grávida e ainda mais dois filhos, Cleber dos Santos não teve outra opção a não ser deixar sua casa e ir com a família até um local seguro. "Meus filhos começaram a chorar com medo e eu tinha ainda mais preocupação porque minha esposa estava grávida. A água não parava se subir, as ruas estavam começando a ficar completamente alagadas, então só cheguei do trabalho, peguei eles e fui direto para o Caic, onde sabia que teria abrigo para nós até que tudo acalmasse", relata o morador, que no dia seguinte voltou à residência e verificou que a água tinha invadido sua casa até a altura dos joelhos.

Marivone
No final da tarde do dia 10 de janeiro, muitas casas já estavam alagadas e muitas ruas pareciam verdadeiros rios, como foi o caso no Marivone, na Praia de Fora. "Foi desesperador chegar em casa e ver a água tomando conta de tudo. Eu tinha saído pela manhã só voltei às 18h e o susto já aconteceu quando desci do ônibus. Estava tudo alagado, cheguei em casa com água pelo joelho, perdi muita coisa. Graças a Deus tudo logo começou a normalizar no dia seguinte e não tivemos maiores estragos", conta Fernanda da Silva Crispim, moradora do bairro há cinco anos.

Frei Damião e Brejaru
As comunidades do Frei Damião e do Brejaru foram alguns dos pontos mais afetados no município. Diversas casas foram completamente cobertas pela água, precisando que a Defesa Civil fizesse o resgate de várias famílias e as levasse ao abrigo no Caic. "Infelizmente, a situação nessas comunidades foram bem complicadas, mas nem todas as famílias quiseram deixar suas casas o que deixou a situação um pouco mais preocupante. Mesmo assim continuamos dando todo o suporte e monitorando a situação até que tudo se normalizasse", informou a Defesa Civil.
Pensando em amenizar um pouco o sofrimento das famílias nesses comunidades, a moradora do Madri Maria Mercedes Luz convocou amigos do seu grupo para arrecadar materiais de necessidade básica e levar até as pessoas afetadas pela chuva. "Acompanhando as notícias dos estragos, tive a ideia de fazer alguma coisa por essas pessoas que perderam tudo. Então reuni alguns amigos e começamos a ligar pros amigos. Fiquei muito feliz por saber que meu pedido foi ouvido e a ajuda começou a chegar", relata a palhocense. "Acho que cada um tem que fazer sua parte para ajudar, e não só nessas situações, mas todos os dias. Agradeço ao grupo 'Juntos e Misturados' e também às pessoas que mesmo anônimas ligaram e vieram trazer alguma coisa. Se cada um se doar um pouquinho, podemos ajudar muito. E ver que o pouco que você doou pra alguém vai ser muito útil é gratificante", define Maria.

São Sebastião
Durante a noite de quarta-feira (17), a correnteza que se formou na rua Marino Jorge dos Santos, no São Sebastião, ficou ainda mais forte, obrigando muitos moradores a saírem de suas casas. Mãe de três filhos, Alessandra Nunes foi uma das moradoras que precisou deixar sua casa durante a noite por questão de segurança. "Fiquei esperando que a chuva passasse e a água começasse a baixar, mas infelizmente, quando foi 21h eu não tive mais escolha. Peguei meus filhos e fomos para casa de uns parentes que estavam longe de ser atingidos pela chuva. A água estava muito forte e por pouco não fiquei ilhada", conta a moradora, que perdeu boa parte dos móveis, devido à quantidade de água que chegou a entrar na sua casa.

Sul
Nos bairros do Pontal e Furadinho, a situação foi bem complicada, segundo os moradores da região. Como a maioria das ruas é estrada de chão e não possui um escoamento eficiente, muitos pontos alagaram e com isso muitas famílias tiveram suas casas invadidas pela água.
Era 20h e a família do Fernando Guesser já estava com tudo praticamente coberto pela água. "Não tive tempo de tirar nada, foi tudo muito rápido. Como nossa casa é abaixo do nível da rua, toda água da rua veio parar no nosso quintal, logo tudo foi ficando coberto pela água. Sem ter tempo para pensar muito, nós saímos e fomos para casa de amigos. Foi um pesadelo, afinal, perdemos muita coisa e principalmente nossos móveis, que ficaram completamente molhados", conta o morador do Pontal.

Dia seguinte
Na manhã do dia 11 de janeiro, as situações começaram a se normalizar e logo a água foi baixando. Na Guarda do Cubatão e no Pachecos, era possível perceber que tudo estava ficando melhor devido ao volume dos rios, que aos poucos foi se normalizando. "Moro aqui há mais de 10 anos e posso garantir que nunca tinha visto nosso rio assim. Além de estar cheio, ele estava com muita força na correnteza. Nem dormi na noite passada, o medo foi grande", conta Francisco Kretzs, morador do bairro Pachecos.
Na Guarda do Cubatão, os moradores afirmam que o rio encheu bastante, mas que em nenhum momento apresentou perigo às famílias. "Já tinha visto ele assim, então não fiquei com medo, apenas atento, caso a situação ficasse fora de controle. Nosso maior medo era em relação às famílias que moram bem próximas às margens do rio, mas por sorte não tivemos nada muito grave, apenas alguns alagamentos pontuais", descreve o morador Luiz Francisco Gonçalves.
Segundo a Defesa Civil, logo no início da tarde tudo já estava se normalizando. "A agua já baixou consideravelmente, nas ruas que não era possível o tráfego, a situação já está normalizada. A maré teve baixa, então seguimos monitorando todo município", informava.

Excesso de lixo
Nas redes sócias, inúmeras imagens, vídeos e relatos eram atualizados a cada minuto sobre as condições de cada bairro de Palhoça. As imagens eram assustadoras: ruas completamente alagadas, casas sendo invadidas pela força da água... Imagens que deixaram os palhocenses ainda mais preocupados. Um dos problemas mais citados nas redes sociais seria a falta de conscientização da população na hora de jogar lixo em vias públicas e em locais inapropriados. 
Para Joice Almir Nascimento Maria, grande parte do problema é culpa do lixo jogado de forma inapropriada. "Pois é, agora tem gente lembrando do dia que estava jogando lixo dentro do bueiro. Aí a culpa é da Prefeitura, que não limpa? A culpa é desses mal-educados que não pensam nas besteiras que fazem e depois acaba sobrando para todo mundo", desabafou, nas redes sociais.
Na quinta-feira (11), quando a água começou a baixar, era possível perceber a quantidade de lixo espalhado pelas ruas. Segundo os moradores, isso seria um reflexo da falta de responsabilidade da própria população, ao jogar lixo em qualquer lugar e não pensar nas consequências. "Estou indignada com esse povo mal-educado que vive jogando lixos nas ruas. Vão colocar a mão na consciência e parem de jogar lixos pois somos nós que sofremos", destacou Simone Barbosa, também nas redes sociais.



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