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Beltrano - Edição 640

O carma do Agostinho

Depois que contei nesta coluna a triste história da Rosicleide, que sofreu ao fazer uma dieta, recebi inúmeros e-mails de palhocenses querendo contar seus problemas. Virei, de uma hora pra outra, uma espécie de conselheiro nutrimental. Tenho dito para as gordinhas que caíram na minha rede (social, é claro): “mulher gorda é como mortadela: redondinha, cheia de gordurinhas, gostosa, quem prova se delicia... O único problema é que todo mundo come, mas não conta pra ninguém! Já a mulher magra eu comparo com o alface: não tem gosto de nada; para aguçar o paladar ter que ser feita de trouxa; não satisfaz ninguém e mesmo assim todo mundo adora dizer que comeu”. Rá, rá, rá, rá...

Um desses e-mails que recebi me chamou particularmente a atenção e prova que não só as mulheres sofrem na tentativa de manter seus corpos sarados. O relato é do Agostinho, 51 anos, que assinou o e-mail com o singelo pseudônimo de “Vagalume Desorientado do Passa Vinte”.

Diz ele, no seu interessante relato: “Caro Beltrano: como presente de aniversário, minha esposa Zilda me presenteou com uma semana de academia. Já estava em excelente forma, mas achei uma boa ideia diminuir minha barriguinha. Fiz minha reserva com a personal trainner Maristela, uma potranca, instrutora de aeróbica e modelo de 26 anos. Fiz um diário e documentei essa minha experiência, que passo a transcrever a seguir:

Segunda: com dificuldades levantei às 6h. O esforço valeu a pena: Maristela mais parecia uma deusa grega: loira, olhos azuis, grande sorriso, lábios carnudos e corpo escultural! Inicialmente, Maristela me pegou pela mão e fez um tour pela academia, mostrando os aparelhos. Comecei pela bicicleta. Depois de cinco minutos, ela me tomou o pulso e se alarmou, pois estava muito acelerado! Juro, não era a bicicleta, era ela: vestida com uma malha de lycra coladinha, onde retratava com detalhes a bela ‘perseguida’. Desfrutei do exercício. Ela me motiva muito, apesar da dor na barriga de tanto encolhê-la toda vez que ela passa por mim!

Terça: tomei café e fui para a academia às 7h. Maristela estava estonteante. Comecei levantando uma barra de metal. Depois ela colocou mais e mais peso! Minhas pernas se debilitaram, mas mesmo assim consegui completar um quilômetro na esteira. O sorriso arrebatador de Maristela me convenceu de que todo aquele exercício valia a pena. Era uma nova vida pra mim. Que felicidade! Que mulher! Que perseguida!

Quarta: a única forma de conseguir escovar os dentes foi colocando a escova sobre a pia e movendo minha cabeça para os lados. Dirigir também não é fácil: dói o peito, as batatas das pernas, os braços, o pescoço... Estacionei em cima da calçada depois de brigar com um agente de trânsito, que não acreditou quando eu disse que ia na academia só por 15 minutos. A Maristela estava impaciente, pois meus gritos de dor incomodavam os sócios da academia. Meu corpo doeu inteiro quando ela me colocou uma cinta para fazer escalada. Para que alguém inventa um treco para fazer escalada, quando isso já está obsoleto desde o dia que inventaram o elevador?! Maristela me disse que isso me ajudaria a ficar em forma e desfrutar a vida...

Quinta: Maristela estava me esperando com seus odiosos dentes de vampira e aquela malha coladinha que fedia a suor. Cheguei meia hora atrasado: foi o tempo que demorei para colocar os sapatos. A desgraçada da Maristela me colocou para trabalhar com pesos. Quando se distraiu, saí correndo e me escondi no banheiro. Mas ela mandou um outro treinador me buscar e como castigo me pôs a trabalhar na máquina de remar. Me ferrei todo!

Sexta: odeio a desgraçada da Maristela. Estúpida, magra, anêmica, chata e feminista sem cérebro! Se houvesse uma parte de meu corpo que eu pudesse mover sem dor, eu partiria no meio a desavergonhada, que fica andando de um lado para o outro com aquela lycra mostrando a ‘pomboca’ pra todo mundo! Como se a pomboca dela fosse diferente da pomboca da minha mulher! Daí ela quis que eu trabalhasse meus tríceps. Eu nem sabia o que era isso! Como se não bastasse, pôs um monte de peso para que eu levantasse e me colocou a fazer barra. Foi uma barra! A bicicleta me fez desmaiar e acordei numa maca no corredor do Hospital Regional. Conclusão: me proibiram de tomar cerveja! Vê se pode!

Sábado: a filha da tuta da Maristela me deixou uma mensagem no celular com aquela voz de lésbica assumida, perguntando-me por que eu não fui. Só de ouvir a vozinha dela me deu uma gana danada de quebrar o celular na sua cabeça e encher a cara dela de porrada, porém, não tinha certeza que conseguiria, pois até para apertar os botões do controle remoto da TV estava difícil...

Domingo: com muito custo, consegui ligar para o padre Marcelo, para que ele colocasse meu nome nas intenções da Santa Missa, pois eu não conseguir ir por estar todo quebrado. Pedi a ele para agradecer a Deus por mim, por essa semana ter terminado. Também rezei para que o ano quem vem a desgranhida da Zilda, minha mulher, se ainda estivermos juntos, me presenteie com algo um pouco mais divertido como um tratamento de canal, um cateterismo ou um exame de próstata!”

Interessante, né! Mas eu tenho a receita para quem quer emagrecer! Para o Toninho Pagani e o Nilton da Habitação, eu já dei: fizeram redução e fecharam a boca! 

Vem... Vem ver o que fizesse... Depois sacode a poeira e dá a volta por cima! Mas não tão por cima, pois a gasolina está custando o olho da cara! Se bem que o presidente Temer acabou de anunciar que vai baixar o litro de gasolina: o litro vai passar a ter 750ml! Rá, rá, rá, rá... 



Publicado em 24/05/2018 - por Beltrano

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