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Beltrano - Edição 818

Na corrida da vida, o prêmio vai para minha barriga, que chegou na frente

 

Em janeiro, vou completar 66 anos de vida, e a minha esposa, Cida, presenteou-me com uma semana de treinamento físico em uma academia no Centro de Palhoça, já que estou com uma barriguinha aparente. Eu me considero em excelente forma, só está sendo difícil subir as escadas da Prefeitura, pois o elevador vive quebrado. Mas achei boa a ideia de diminuir um pouco minha “barriguinha”.
Ela fez a reserva com uma “personal trainner” chamada Micheli, instrutora de aeróbica e modelo de 26 anos. Ela me recomendou levar um diário para documentar meu progresso.

Segunda-feira
Com muita dificuldade, deixei de assistir à novela “Um Lugar ao Sol” e me dirigi à academia, que começava às 21h. O esforço valeu a pena. Micheli parecia uma deusa grega: ruiva, olhos azuis, grande sorriso, lábios carnudos e corpo escultural. Inicialmente, fizemos um tour pela academia para conhecer os aparelhos. Comecei pela bicicleta. Ela me tomou o pulso depois de 5 minutos e se alarmou, pois estava muito acelerado. Não era a bicicleta, mas ela, vestida com uma malha de lycra coladinha. Desfrutei do exercício. Ela me motivava muito, apesar da dor na barriga, de tanto encolhê-la, toda vez que ela passava perto de mim.

Terça-feira
Deixei a novela e de tomar meu cuba de whisky com Coca-Cola e fui para a academia. Micheli estava mais linda do que nunca. Comecei a levantar uma barra de metal. Depois, ela se atreveu e pôs mais pesos! Minhas pernas estavam debilitadas, mas consegui completar um quilômetro. O sorriso arrebatador que Micheli me dava convenceu-me de que todo exercício valia a pena. Estava sendo uma nova experiência para mim.

Quarta-feira
A única forma de conseguir escovar os dentes foi colocando a escova sobre a pia e movendo a cabeça para os lados. Dirigir durante aquele dia também não foi fácil: estender os braços para mudar as marchas era um esforço digno de Hércules, doía o peito e minhas panturrilhas ardiam toda vez que pisava na embreagem. Fisicamente impossibilitado, estacionei o carro na vaga para deficientes físicos na frente da Prefeitura, até porque saí mancando, mas mesmo assim fui multado pela Guarda de Trânsito!
Naquela noite, na academia, Micheli estava com a voz um pouco aguda, e quando gritava, incomodava-me muito. Meu corpo doía inteiro quando ela me colocou uma cinta para fazer escalada. Pra que merda alguém inventa um treco pra se escalar quando isso já está obsoleto com os elevadores (menos o da Prefeitura), eu não sei! 

Quinta-feira
Micheli estava me esperando com seus odiosos dentes de vampiro escroto. Cheguei na academia meia-hora atrasado: foi o tempo que demorei pra colocar o tênis. A desgraçada me colocou para trabalhar com os pesos. Quando se distraiu, saí correndo e me escondi no banheiro. Mandou outro treinador me buscar e como castigo me pôs a trabalhar na máquina de remar, e aí me ferrei todo!

Sexta-feira
Odeio essa ranheta da Micheli. Estúpida, magra, anêmica, chata e feminista sem cérebro! Se houvesse uma parte do meu corpo que pudesse se mover sem uma dor angustiante, eu partiria ao meio a vaca que pariu aquela xexelenta. Ela quis que eu trabalhasse meus tríceps - eu nem sabia o que era essa desgraça de tríceps, merda! E como se não bastasse, colocou peso para que eu levantasse, colocando-me naquelas merdas das barras. A bicicleta me fez desmaiar, e acordei na cama de uma nutricionista, uma idiota com cara de mal comida que me deu uma catequese de alimentação saudável, claro.

Sábado
A lazarenta da Micheli me deixou uma mensagem no celular com sua vozinha de lésbica assumida, perguntando-me por que eu não fui à academia. Minha Santa Piriquita da Cova Funda, só de ouvir a vozinha dela me deu gana de quebrar o celular, porém, não tinha certeza se teria força suficiente pra quebrá-lo; até mesmo pra apertar os botões do controle remoto da TV estava difícil; nem ligá-la para assistir a “Um Lugar ao Sol” eu conseguia!

Domingo
Pedi ao vizinho pra ir no meu lugar à missa das 7h na igreja São Francisco de Assis, no Aririú, para agradecer a Deus por mim por essa semana que terminou. Também rezei pra que, no ano que vem, a infeliz da minha mulher me presenteie com algo um pouco mais divertido, como um tratamento dentário de canal, um cateterismo ou, até mesmo, um exame de próstata.
Rá, rá, rá, rá...

Mas fazer exercícios deve ser importante, senão a gente não via tanta gente caminhando pela Palhoça; mas a maioria que vejo caminhando é gorda e é isso que eu não entendo! O Antônho do Bidunga diz que não faz nenhum exercício, porque se Deus quisesse que tocássemos os dedos do pé, Ele os teria feito mais próximos das mãos! Ele diz que não corre para não derramar a bebida do copo! E quando uma vez decidiu correr um pouco mais, trocou o seu Fusquinha 76 por um Maverick anos 1980!
O Orildo, colunista social, lamenta que, neste tempo todo em que escreve em jornais, a única coisa que foi pra frente até agora foi sua barriga! O Neu do Caranguejão, gozador como ele só, vive chamando um amigo meu de gordo. Sem perder a piada, ele disse, um dia desses, pro Neu: “Sou gordo, mas posso emagrecer. E você que é feio?”
O secretário de Pesca, Flávio Martins, era gordo, mas resolveu de vez o problema dos seus quilinhos a mais: diz ele que foi só evitar a balança, o espelho e bater foto! Mas o Moacir Conrad, da rádio São Francisco, já me dizia que está fazendo a dieta do Açaí: “Açaí uma carne de boi pra nós, tchê”!
A Zurilda do Furadinho é gordinha e sente-se muito bem, até porque a tartaruga não faz nada, anda bem devagar e dura 200 anos! Dia desses, uma amiga da Câmara Municipal, onde ela trabalha, aconselhou que entrasse numa aula de natação. Ela nem titubeou e respondeu, perguntando: “Se nadar emagrece, por que a baleia é tão gorda?” Rá, rá, rá, rá...
Fui! Fui porque tenho que ir na Prefa pedir para o prefeito que mande arrumar o elevador, coisa que faz de vez em quando, mas o elevador teima em não elevar! Deve ser porque ele anda em plena forma e não tem pena de quem é obrigado a subir as escadas até a sua sala com a língua fora da boca, né?! Rá, rá, rá, rá...



Publicado em 18/11/2021 - por Beltrano

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