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Apostando em jovens talentos, Guarani encerra Série B em quinto lugar

Time mesclou jogadores experientes da região da Grande Florianópolis com a garotada da base e fez uma campanha sólida na Segundona catarinense

fb7c595c0003a6d5a1d67ae4342a585b.jpeg Foto: FÁBIO CORADIN/DIVULGAÇÃO/GUARANI

O Guarani de Palhoça encerrou sua participação na Série B do Campeonato Catarinense 2021 no último domingo (12). A derrota por 1x0 diante do Tubarão, na rodada derradeira, impediu a equipe de conquistar uma vaga na Copa Santa Catarina (um empate bastaria). Mas a quinta colocação na tabela de classificação é motivo de comemoração para um clube que vinha lutando contra o rebaixamento nas últimas três temporadas. Muito deste desempenho positivo passa por dois alicerces: a volta de Amaro Junior ao comando da montagem do elenco e a coragem do técnico Rafael Piccinin em utilizar a garotada da base do Bugre, reforçando a vocação do Guarani como clube formador de atletas.

Nesta Série B, o Guarani de Palhoça conquistou 24 pontos em 18 partidas. Foi a estreia de Rafael Piccinin no comando do time profissional. Rafael trabalha no projeto desde 2014 e treinou todas as categorias de base do Bugre. Com o apoio do próprio Amaro Junior e do coordenador Hudson Coutinho, que tem ampla experiência e já foi campeão da Série B no comando do Bugre, o treinador apostou na inclusão de jogadores formados pelo próprio clube. O resultado da aposta foi certeiro: entre os destaques do time na competição, figuram atletas que já estavam há dois ou três anos nas categorias de base, aguardando uma oportunidade no elenco profissional. “Neste ano, houve uma integração e uma mescla que fizemos ao trazermos alguns jogadores mais experientes para dar um suporte e, em contrapartida, lançamos esses jovens atletas e eles aproveitaram a oportunidade, atuando bem”, avalia Rafael. 

Sob o comando de Amaro Junior, a formação do plantel privilegiou jogadores conhecidos e experientes da região da Grande Florianópolis, como o meia Hégon, que sempre deu uma resposta positiva em campo, todas as vezes em que vestiu a camisa do Bugre; e o zagueiro Douglas Silva, formado nas categorias de base do Avaí.

Aos 37 anos, Douglas Silva tem uma carreira sólida. Depois de despontar no Leão, jogou pelo Atlético Paranaense e teve uma trajetória importante no exterior, atuando em países como Áustria e Israel. Há cerca de dois anos, ele havia decidido encerrar a carreira, em função de dores incômodas no joelho. Porém, a pandemia de Covid-19 fez o zagueiro mudar os planos. Ele resolveu voltar aos gramados e recebeu uma chance no Guarani. Uma chance que ele agradece de coração: “É gratificante, foi uma experiência muito legal, muito boa, então só tenho a agradecer ao Guarani de Palhoça e desejar sorte ao clube na sua caminhada. Encontrei pessoas super do bem, super sérias e honestas, então só tenho a agradecer”.

O clube que agradece! Com a ajuda de Douglas Silva, pela primeira vez nos últimos anos o Guarani voltou a ser competitivo e só não conquistou uma vaga na Copa Santa Catarina pelos critérios de desempate – fez a mesma pontuação do Carlos Renaux, que terminou em quarto e abraçou a última vaga. “Foi um ano totalmente atípico, em função da pandemia, sem público nos estádios, com um pré-jogo muito complicado, com a rotina de exames de Covid-19 e toda a precaução estabelecida pela Vigilância Sanitária. Conseguimos cumprir todos os quesitos e superamos vários obstáculos, inclusive com alguns atletas com Covid-19 durante a competição”, comenta Amaro Junior. “Fizemos uma competição regular, o que fazia tempo que a gente não fazia, brigando sempre do meio para a frente da tabela, nunca correndo o risco de cair, sempre tentando buscar a vaga no acesso e na Copa Santa Catarina. Pelo investimento que a gente fez, a nossa colocação ficou dentro da nossa projeção. Temos consciência de que tem muita coisa a melhorar, a nível de patrimônio, para a gente voltar a jogar uma primeira divisão. Tudo a seu tempo”, analisa Amaro.

O zagueiro Douglas Silva também destaca os obstáculos superados pelo Bugre ao longo da campanha. “A gente começou com aquele intuito e esperança de conquistar o acesso, mas a gente sabe das limitações que o Guarani enfrentou. O Amaro, um cara super do bem, se desdobrou para dar o melhor que ele podia, todos estavam cientes disso”, declarou o jogador. “Faltou encaixar um pouco mais o time no quesito de criação, de fazer gols, e isso tudo implicou que a gente não conseguiu brigar no topo da tabela. Mas no final, tivemos a oportunidade de quase pegar a vaga na Copa SC, que pro clube seria muito importante”, emendou.

A quinta colocação foi um bom resultado em campo, mas o mais importante, segundo o diretor executivo Amaro Junior, foi a retomada de uma antiga tradição: a de valorizar os jogadores locais e fortalecer o vínculo com a comunidade. “Fiquei feliz de ter voltado e de ter trazido atletas da região para vestir novamente a camisa do Guarani. Fiquei feliz com a autoestima do torcedor local, procurando e vestindo a camisa oficial do clube. Fiquei muito feliz também com a energia boa que o futebol me traz, acho que o Guarani ocupa um espaço importante no futebol catarinense e não pode perder esse espaço, inclusive procurando novas conquistas. Saio da competição satisfeito e com sentimento de gratidão a todos aqueles que confiaram no nosso trabalho, aos investidores, às empresas locais, que voltaram a investir e a participar; muito grato também com o trabalho dos voluntários nos dias de jogo. Foi realmente muito gratificante estreitar laços com a comunidade novamente”, define o dirigente.


Categorias de base

Amaro Junior informa que o clube encerrou as atividades neste ano. O trabalho com as categorias de base deve reiniciar em fevereiro de 2022. Um trabalho que vem elevando o nome do clube em nível nacional.

Não são poucos os nomes que podem ser citados de garotos revelados pelo Guarani que hoje estão integrando elencos de clubes importantes no país e no exterior. É fruto da excelência no trabalho de formação de atletas, reconhecida pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que concedeu ao Bugre o título de “clube formador”, em 2016.

Essa excelência pôde ser comprovada neste ano, com a utilização de vários atletas oriundos da base na equipe principal. “Todos os atletas que estiveram no elenco neste ano tiveram oportunidade; a maioria jogou em grande parte da competição e uma minutagem bem boa. Por isso, despertaram o interesse de outras equipes”, afirma o técnico Rafael Piccinin. “Com certeza, fizeram grandes jogos, foram destaques em muitos deles e contribuíram muito, muito mesmo para que a gente pudesse alcançar esse resultado que alcançamos dentro da competição”, avalia o treinador, em referência às jovens promessas do clube, como o lateral-esquerdo André, o meia Matheus Sardagna e o zagueiro Cayque. 

Outro zagueiro que aproveitou bem a oportunidade foi Paulo César, o PC, de apenas 18 anos. PC nasceu em Porto Alegre (RS) e jogou no São José local, dos 9 aos 13 anos de idade. Aos 13 anos, mudou-se para Santo Amaro da Imperatriz, e jogou no Figueirense e no Avaí por curto período de tempo. Aos 15 anos, assinou o contrato de formação com o Guarani de Palhoça, e um ano depois chegou ao Coritiba, justamente por ter se destacado em Palhoça. Com 17 anos, PC voltou ao clube e ficou treinando em casa, devido à pandemia de Covid-19. “Neste ano, o Guarani me deu a oportunidade de fazer parte do elenco profissional, que era o meu sonho desde criança. Com muita dedicação e empenho, eu me esforcei pra jogar entre os 11 dentro de campo na Série B do Catarinense”, destaca o jogador, que estreou em um jogo duríssimo, contra o Barra, um dos finalistas da competição. “Acabamos empatando, tomando o gol aos 50 minutos do segundo tempo. Dei o melhor dentro de campo pra ajudar a equipe! Joguei o jogo seguinte como titular de nov
o e tive um bom desempenho! Ficamos em quinto lugar, fazendo uma boa campanha, mesmo com algumas dificuldades. Minha gratidão por tudo isso que tem acontecido em minha vida, a Deus e ao Guarani de Palhoça, que me ajudou muito como atleta e pessoa”, descreve PC, que é fã do zagueiro espanhol Sérgio Ramos e pretende jogar em grandes clubes no Brasil e na Europa. 

PC tinha a seu lado o experiente Douglas Silva, para passar os ensinamentos necessários durante este início de trajetória profissional. “A gente conseguiu fazer bons jogos, com alguns jogadores de 18, 19 anos que nunca tinham estreado no profissional e foram bem, e isso é importante para o clube. Foi uma experiência muito legal, jogar com o Padilha, de 17 anos, que estreou como profissional e podia ser meu filho, porque eu tenho uma filha de 17 anos; com o PC, que jogou dois jogos comigo e foi muito bem; com o Thiaguinho, outro jogador que estreou no profissional”, elogia. “No dia a dia, eu ia conversando com eles, passando experiência, falando as coisas que eles precisavam melhorar, que precisavam encaixar um pouco mais e se dedicar um pouco mais, porque o futebol não é só jogar, o treinamento é muito importante para te capacitar a na hora do jogo você desempenhar um bom papel”, reflete o xerifão. 

Thiaguinho, citado por Douglas Silva, é outro que aproveitou bem a oportunidade recebida. Com 18 anos, natural de Florianópolis, morador do Morro do 25, Thiago Cunha, o Thiaguinho, começou na base do Avaí, onde atuou dos 11 aos 13 anos; depois, vestiu a camisa do Figueirense sub-15, e atualmente estava jogando em um fantástico projeto de formação de atletas em Palhoça, o Manchister. “Acabei ganhando uma chance de vir para o Guarani através do professor Hudson Coutinho. Foi meu primeiro campeonato profissional, e poder vestir este manto do Bugre foi uma honra. Só tenho a agradecer a todo o estafe do Guarani e à diretoria pela oportunidade, serei sempre grato ao Guarani”, agradeceu Thiaguinho, que, como bom jogador ofensivo, é fã de Neymar, Messi e Ronaldinho Gaúcho.

Thiaguinho tem planos de jogar em grandes clubes e um dia voltar a vestir a camisa do Guarani e dar orgulho aos palhocenses. Já nos encheu de orgulho, Thiaguinho! Você e todo o elenco, que honrou a camisa do Guarani nesta Série B e mostrou que o clube está no caminho certo, revelando e formando talentos e mobilizando a sociedade palhocense! 

 

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