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Deslizando na onda do drift

Piloto Thiago Lohn troca os carros de kart pelas exibições de derrapagem a bordo de um Maverick

0aa45876a721470dda184cfa87224fdf.jpeg Foto: DIVULGAÇÃO

Acostumado aos aplausos nas competições de kart, o piloto de Palhoça Thiago Lohn resolveu mudar de “pista”. Em 2020, Thiago inicia uma nova aventura no mundo da velocidade, desta vez, em uma modalidade que vem crescendo exponencialmente no país: o drift. A apresentação oficial do carro de exibição e competição (um Maverick, que tem um valor sentimental agregado) deve acontecer em evento privado da patrocinadora Selmer ATL, no dia 26, no kartódromo do Speedway Music Park, em Balneário Camboriú. Mas no último domingo (12), Thiago já fez as primeiras manobras com a nova máquina, em um treino da equipe.

Aliás, a máquina não é nova. “Voltarei às pistas com o Maverick turbo do meu pai, que estava parado há oito anos. Posso te dizer que é um sonho de criança ter visto meu pai andar no passado e estar andando com ele. Carro muito liso de andar, agora é ajustar alguns detalhes para começar as apresentações”, diz o jovem piloto.

O drift iniciou nas montanhas do Japão, nos anos 1970, com a genialidade de um lendário piloto chamado Kunimitsu Takahashi, que criou a técnica. Nos anos 1980, outro corredor, o piloto de rua Keiichi Tsuchiya, seguiu os passos do mestre, fazendo os famosos movimentos de derrapagem eternizados por Hollywood anos mais tarde em filmes como “Velozes & Furiosos”. Não foi à toa que o terceiro filme da franquia (hoje, já são nove filmes), lançado em 2006, foi filmado em Tóquio. O esporte praticamente se materializou no Japão. Empresas começaram a apoiar, vieram os campeonatos e o drift ganhou popularidade.

Apesar de ter chegado ao Brasil também em meados de 2006, a modalidade começou a crescer de forma vertiginosa a partir de 2011, com a popularização do Drift Day Soukoukai, evento criado em Itu (SP). Dali em diante, com a criação de campeonatos estaduais e nacionais, o esporte ganhou cada vez mais pilotos, praticantes, simpatizantes e apoiadores. “A partir daí começou os caras no YouTube. Vou te dar o exemplo do Bruno Bär, que é um piloto aqui de Santa Catarina, é um cara que trabalhava pra uma empresa da família e conheceu o drift. Aí ele criou um canal no YouTube e começou a divulgar o esporte e isso começou a viralizar”, relata Thiago. “Isso começou a tomar uma proporção inesperada no Brasil, hoje o esporte começou a crescer muito, os pilotos do Brasil foram correr na Fórmula Drift dos Estados Unidos”, acrescenta o piloto.

No final do ano passado, o Speedway recebeu cerca de 5 mil pessoas durante o maior festival de drift do Brasil, o Drift Fight, que recebeu mais de 40 carros e algumas das feras mais badaladas da modalidade. 

Com tanta visibilidade, não é de admirar que Thiago tenha trocado o kart (que pratica desde 2010) pelo drift. Até porque, tinha uma preciosidade na garagem de casa, o Maverick do pai, Murilo. E com o apoio do patrocinador, aceitou o desafio de integrar a equipe Selmer ATL. “Eles ajudaram a gente a montar o carro, eu e o pai que montamos. Montamos o motor, compramos as peças”, relembra. Isso foi no ano passado; em 2020, com o carro pronto, Thiago começa a dar as primeiras “deslizadas” nas pistas, à espera do calendário de competições. “Não tem data, ainda. Só tem um campeonato brasileiro, o Super Drift Brasil, e a gente não tem um campeonato regional, ainda, não tem um campeonato catarinense. Em 2020, a gente vai evoluir o carro pra que ele possa ser competitivo no drift, porque é um Maverick, um carro de 1979, os caras estão andando com um carro de 2003, 2006”, compara. O carro ideal para fazer o drift precisa ter tração traseira, precisa ser leve e precisa ter um bom motor. Se não for destaque nas competições pelo desempenho, certamente o Maverick vai chamar a atenção nos eventos, pela presença. “É um carro que precisa evoluir muito o motor, a suspensão e a gente vai ver se é um carro competitivo. Mas a nossa ideia de fato é que é um carro mais pra marketing, um carro chamativo, não é todo mundo que tem, hoje tem o meu e mais um só, no Brasil, então é um carro mais que vai ser desenvolvido para o drift, mas que é pra hobby e pra tentar visibilidade pras empresas patrocinadoras”, pondera o piloto, garantindo que vai tentar participar de todos os eventos que acontecerem em Santa Catarina. 


Drift

No drift, não ganha quem chega primeiro; ganha quem fizer mais pontos, de acordo com os quesitos de avaliação

A competição é dividida em duas partes: as classificatórias e as batalhas

Nas classificatórias, os pilotos dão três voltas sozinhos na pista e são julgados com base nos quesitos de avaliação: estilo, linha e ângulo. Isso já garante pontuação

A segunda pontuação vem das batalhas, que consistem em duas voltas, cada uma com um piloto liderando. Durante batalhas, o piloto líder tem a responsabilidade de fazer o traçado de acordo com as regras da primeira fase e não atrapalhar o seu perseguidor; o perseguidor tem a função de ficar o mais perto possível do carro da frente, fazendo uma espécie de “mímica” dos movimentos 



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