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Beltrano - Edição 699

Só sei que nada sei, mas quando souber eu conto - Parte II
 
Daí, né, uma vez a professora do Zé Ricardo da Silva pediu pra ele fazer uma rima como dever de casa. Como, desde pequeno, é poeteiro de mão cheia, caprichou, escrevendo: "Lá vem um corcunda / com uma flor na bunda"...
- Pode parar por aí, Zezinho, essa rima eu não aceito de jeito maneira, tente de novo.
- Tá bem, fessora, é pra já: "Lá vem um corcunda / com uma flor na bochecha / porque na bunda / a professora não deixa".
Eu sempre disse que o Zé Ricardo era espirituoso, não disse?! Por isso que ele é PDT desde pequenininho! Rá, rá, rá, rá...
Contam os antigos educadores que a dona Isaura, um dia, na escola, perguntou pro Pitanta:
- Nirdo, formule uma frase com a palavra "window".
E o Pitanta, mostrando que era inteligente:
- Quando mi chamam lá na Prefeitura, eu aviso: "Já estou window". 
Agora, inteligente e esperto mesmo era o Marcos Canto Cardoso! Uma vez, ele chegou muito atrasado na escola e a professora perguntou:
- O que aconteceu, Cardoso?
- Fui atacado por um jacalé!
- Oh, meu Deus! E você se machucou?
E o Marcos Cardoso, sem se fazer de rogado:
- Machucar, não! Mas o trabalho de matemática ele comeu todinho! 
Com esse trabalho de pesquisa, descobri algumas pérolas, como por exemplo: quando o Neném do Bertilo estudava na escola da Guarda do Cubatão, certa vez, durante uma aula de Biologia, o professor perguntou:
- Neném, quantos testículos nós temos?
- Quatro, plofessor - respondeu o futuro presidente da Câmara.
- Quatro?! Você ficou doido?!?!
E o Neném:
- Bem, pelo menos os meus dogi eu galanto!!
Também o vereador Joel Pakão sempre teve todas as respostas na ponta da língua. Uma vez, uma professora perguntou pra ele, lá na Praia de Fora:
- Joelzinho, em quantas partes se divide o crânio?
Ele nem titubeou:
- Depende da porrada, professola!
Se for daquelas que ele tem dado no Jean Negão, são muitas!
Agora, engana-se quem pensa que o Pitanta foi sempre folgado como é hoje! Que nada, ele me disse que é do tempo em que a mãe dele, a dona Natalina, dava um cruzeiro pra ele comprar merenda e ele pensava que era rico. "Minha primeira mesada veio quando eu tinha 10 anos... Foi na testa, tenho a cicatriz até hoje", diz ele, todo orgulhoso! 
Já lá na escola da Barra do Aririú, tinha uma professora que gostava de testar seus alunos.
- Tavinho, mostre no mapa onde fica a América - perguntou, um dia, essa professora.
O Tavinho prontamente apontou o local no mapa.
- Muito bem! Agora você, Cado, me diga quem foi que descobriu a América?
E ele nem titubeou:
- Foi o Tavinho, fessora!
Tão vendo? Tão vendo como nem sempre foi assim? Quando era pequeno, o Cado defendia as obras do Tavinho, e isso durou até quando ele indicava o caminho! Rá, rá, rá, rá...
Mas o que o Pitanta, o Neném e o Tavinho tinham de espertos, outros políticos de Palhoça tinham de tansos, mas é melhor não dizer o nome, para não constrangê-los. Numa dessas ocasiões, um desses políticos foi fazer exame de fezes no Departamento de Saúde, lá em Florianópolis, e colocou o vidrinho com o conteúdo do exame em cima do balcão.
A recepcionista solicitou:
- Dá pra você colocar o nome, por favor?
Dizem que o dito cujo nem hesitou e escreveu: 
- "Merda".
Eu desconfio, mas, sinceramente, nunca descobri quem foi o dito cujo em meio de tantos! Rá, rá, rá, rá...
Uma vez, quando a Mariah e a Zana eram pequenas, elas conversaram na escola. Então, a Mariah perguntou para a Zana:
- O que você vai pedir no Dia das Crianças?
- Vou pedir uma Barbie. E você?!
Como sempre foi à frente de seu tempo, respondeu:
- Vou pedir um OB.
- OB?! O que é isso?! - perguntou a Zana.
E a Mariah:
- Nem imagino. Mas vi na televisão que com OB a gente pode ir à praia, andar de bicicleta, andar a cavalo, dançar, brincar à vontade, correr e fazer um monte de coisas legais!
Foi a partir daí que as duas começaram a se preparar para enfrentar as TPMs dos vereadores da Câmara!! Rá, rá, rá, rá...
Uma importante descoberta da pesquisa foi constatar que quando o vereador Nelsinho ainda estudava, ele não era tão inteligente como hoje, até porque ainda estava estudando. Uma vez, após fazer a chamada, a professora notou que faltava alguém e perguntou:
- Alguém viu o Nelsinho?!
Naquele momento, o Nelsinho entrou na classe e caminhou lentamente até a carteira. Então, a professora indagou:
- Por que você demorou tanto, Nelsinho?
Ele respondeu:
- Por causa da placa.
- Que placa, guri?!
- A placa que diz: "Escola devagar"!
Do vereador Banha, me contaram esta passagem: na aula da dona Cléia, esposa do professor Amadeu Scheidt, foi ordenado que os alunos fossem em sua mesa e pegassem, dentro da caixa, um papel com o nome de um animal. Então, lá foi o Banha pegar o papel. Voltou até sua carteira, abriu e leu: 
- "Tatu"!!
Meio espantado, perguntou pra dona Cléia:
- Plofessola, "tatu" é um animal?!
A dona Cléia, com aquele seu jeito querido, respondeu:
- É sim, Luiz Henrique, por quê, meu filho?!
Em meio ao desespero, ele pediu, choramingando:
- Me deixa ir imbora pra casa, por favor... Vou pedir pro mô pai tirar o que ele disse que eu tinha no nariz anti de vim pra iscola!
Na escola da Guarda, a professora explicava o que significa a palavra "dedução". Após demorada e detalhada explicação, perguntou a um aluno que sentava numa cadeira dos fundos da sala:
- Eltinho Quadros, dê-me um exemplo de dedução!
- Ok, professora. Ontem, quando eu vinha pra iscola, sem querê, eu vi o Neném do seu Bertilo tomando banho pelado no rio Cubatão, então eu deduzi que ele ia gazear a aula - disse o Elton, sacaneando o Neném.
- Muito bem, Eltinho. Agora você, Neném, me dê outro exemplo.
- É pra já, fessora: ontem, quando cheguei na iscola, vi o Elton no banheiro com um jornal embaixo do braço. Aí eu deduzi: "Deve tá indo cagar, porque não sabe ler!"
Essa veio lá do Pachecos: dizem que um vaqueiro da Pinheira chegou na beira do rio Aririú com seu gado e perguntou para o garoto Marcos Melo (que na época ainda não tinha o apelido de Marquinho do Pacheco), que estava sentado em cima da cerca de um pasto perto do rio e que tinha gazeado a escola naquele dia:
- Esse rio é fundo, guri?
O Marquinho respondeu:
- Acho qui não, a criação do mô pai passa com a água no peito.
Então o tropeiro meteu o gado na água, e lá pelo meio do rio toda a tropa se afogou. No desespero, o vaqueiro perguntou pro Marquinho:
- O teu pai cria o quê, guri?
- O meu pai?! Pato, marreco, uai!
Um vez, quando era pequeno e tinha cabelo, o pai do vereador Maurício disse pra ele:
- Filho, se você tirar nota baixa na prova de amanhã, me esqueça!
No dia seguinte. quando ele voltou da escola o pai perguntou:
- E aí, como foi a prova?
O Maurício respondeu:
- Quem é você?
Mas hoje é bem pior: três filhos de palhocenses, colegas de escola, começam a exaltar as qualidades de seus pais durante o recreio. Em um momento da conversa, um deles diz:
- O meu pai é atleta, corre mais rápido do que todo mundo. Ele é capaz de atirar uma flecha, começar a correr e ultrapassar a flecha!
- Você acha isso rápido? O meu pai é policial. Ele consegue dar um tiro e chegar ao alvo antes da bala!
- Vocês dois não sabem o que é rapidez.
- Ah, é? O que seu pai faz?
- O meu pai é vereador. Ele começa a trabalhar às 19h, e às vezes consegue estar em casa às 19h15!
Vou terminar por aqui, antes que alguém vá na escola Nicolina Tancredo, do Alto Aririú, e descubra que o dia que eu mais gostava na escola era o domingo: porque estava fechada! Rá, rá, rá, rá...



Publicado em 25/07/2019 - por Beltrano

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