Foto: REPRODUÇÃO/INTERNET
Por: Willian Schütz
Há mais de três décadas, um homem abriu mão da vida urbana para viver em meio à natureza. O local escolhido foi um dos destinos paradisíacos de Palhoça: o Vale da Utopia. Essa é a história de Vilmar Godinho. Desde então, ele mora em uma caverna e diz prezar pela preservação ambiental da região. Mas tudo pode mudar por conta de um processo que voltou a repercutir na última semana. O caso é acompanhado por órgãos do meio ambiente.
Nascido no Rio Grande do Sul, Vilmar diz habitar o Vale da Utopia há 36 anos. Há cerca de uma década, começou a tramitar uma ação para impedir a permanência dele no local. Isso porque o perímetro onde ele vive é uma área de preservação ambiental. Geograficamente, o local aparece nas dependências do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro (Paest).
Com jeito tranquilo, Vilmar afirma ter chegado na região após diversas viagens pelo país. Por ali, ele decidiu ficar e cuidar da natureza. Ele se descreve como amigo dos animais. É com um discurso de cuidado e preservação à terra que Vilmar diz querer permanecer no local.
Ele também afirma que a área da caverna onde mora já teve moradores anteriores. Segundo os relatos, um escritor teria vivido ali. Depois, uma artista teria habitado o local. Quando chegou no Vale, há 36 anos, Vilmar disse ter encontrado muito lixo e conta ter limpado as imediações. Assim, ele começou a habitar e a cuidar do local.
Muitas amizades surgiram ao longo dos anos, tanto da população dos entornos, quanto de visitantes que chegaram por meio das trilhas. Mesmo em meio à natureza, ele tem um perfil nas redes sociais. Além disso, páginas online em sua defesa realizam postagens regulares. É o exemplo da página “Deixem o Vilmar em Paz”, com mais de 24 mil seguidores no Facebook.
Com milhares de curtidas, uma publicação de 3 de março aborda o assunto. “Vilmar responde a um processo movido pelo Ministério Público há quase dez anos. Recentemente, o MP propôs um acordo permitindo que ele continue morando no local como sempre viveu: cuidando, preservando e zelando pelo meio ambiente”, argumenta o texto.
“Vivendo na caverna há 36 anos, o ‘guardião’ do Vale da Utopia' é reconhecido por sua relação de respeito e convívio harmonioso com a natureza”, acrescenta a publicação.
A discussão ganhou novos capítulos recentemente, quando o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) teria proposto um acordo que permitiria que Vilmar permanecesse na área sob determinadas condições, mantendo o estilo de vida que leva há décadas: cuidando e preservando o ambiente natural.
Em contraponto, o entendimento inicial seria de que o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA/SC) seria contrário à permanência dele no local. O órgão é responsável pela gestão e fiscalização da área de preservação ambiental onde fica o Vale da Utopia.
“Já faz uns dez anos que o Ministério Público abriu um processo ao qual eu respondo. A discussão sobre a minha permanência aqui foi progredindo e, recentemente, passamos a ter um entendimento maior com o Ministério Público, principalmente no juízo de Palhoça. Esse diálogo estava evoluindo para um acordo proposto pelo Ministério Público, mas o IMA não concordou”, relata Vilmar.
Ainda segundo ele, essa postura do IMA foi uma surpresa. “Durante todo o processo, nunca houve nenhuma manifestação contrária; eles sempre me apoiaram. Vários advogados se sucederam representando o IMA durante esses dez anos, e nenhum deles foi contrário. Essa foi a primeira manifestação contrária à minha permanência desde que estou aqui no Vale”, acrescenta.
A equipe de jornalismo contatou tanto o alvo do processo quanto amigos que dizem defender a permanência dele no local. Em contraponto, a reportagem buscou confirmar a posição do IMA, com detalhes técnicos sobre o caso. O espaço segue aberto para manifestação do órgão.
12/03/2026
06/03/2026