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Entre a celebração e o alerta: o que o show de Armandinho revela sobre o futuro da Guarda do Embaú

Artigo assinado pelo jornalista Marcos Aurélio Gungel (Kito), presidente do Comitê Local da 9ª Reserva Mundial de Surf (RMS) Guarda do Embaú

21615d4869dfdceff1176ac540e010e2.jpeg Foto: ARQUIVO

Por: Marcos Aurélio Gungel (Kito)*

 

Passado o período de ebulição nas redes sociais, e até localmente, sobre o show do cantor Armandinho, realizado no dia 7 de março na Guarda do Embaú, que marcou o encerramento da programação do Viva Verão Palhoça 2026 e reuniu milhares de pessoas na praia, fazemos uma reflexão sobre o que nos revela o momento atual e qual o caminho a seguir buscando a tão sonhada sustentabilidade na nossa Guarda do Embaú. 

Mais do que um espetáculo musical, o evento citado se transformou em um retrato de um momento importante da história recente da região: o encontro entre cultura local, turismo crescente e desafios de infraestrutura.

A escolha de Armandinho para o encerramento do verão foi simbólica. O repertório do artista, fortemente associado ao reggae brasileiro e ao estilo de vida praiano, dialoga diretamente com a identidade cultural da Guarda do Embaú. Conhecida nacionalmente por suas ondas, tradição secular da pesca da tainha, paisagem preservada e atmosfera alternativa, a vila reúne elementos que se tornaram marcas de destinos costeiros ligados à cultura do surf: natureza, liberdade, música e convivência comunitária.

Esse reconhecimento ganhou ainda mais força nos últimos anos. A Guarda do Embaú integra a rede internacional de Reservas Mundiais de Surf, título concedido pela Save The Waves Coalition, que reconhece locais de grande importância ambiental, cultural e esportiva para o surf. Além disso, em 2025 a praia sediou uma etapa da Taça Brasil de Surf 2025, reunindo atletas de todo o país e reforçando o papel da região no cenário do surfe brasileiro.

Durante o show, essa identidade ficou evidente. Jovens, famílias, surfistas, moradores e turistas dividiram o mesmo espaço, cantando juntos e ocupando a praia em uma espécie de ritual coletivo contemporâneo. Em eventos dessa natureza, a música deixa de ser apenas entretenimento e passa a funcionar como elemento de construção de pertencimento social. Por algumas horas, a praia se transforma em palco cultural e em espaço de encontro coletivo.

O impacto econômico e turístico também foi visível, reforçando o papel da Guarda do Embaú como um dos principais destinos turísticos do litoral catarinense e por que não dizer, do Brasil. 

No entanto, o evento também expôs fragilidades que precisam ser consideradas. Parte do público relatou dificuldades para ouvir o show devido à distribuição limitada do sistema de som, espaço insuficiente na beira do rio (público foi estimado em 20 mil pessoas segundo os organizadores), além de críticas relacionadas à estrutura, como a localização e à quantidade de banheiros químicos e a gestão ineficiente dos resíduos sólidos durante o evento. Além disso, houve relatos de veículos automotores nas dunas e na restinga, do outro lado do rio. Problemas como esses são comuns quando a dimensão do público supera a capacidade logística planejada para o evento.

Mais do que reclamações pontuais, esses episódios levantam uma questão maior: até que ponto a infraestrutura local está preparada para receber eventos de grande porte em um espaço natural como a Guarda do Embaú?

A história de outros destinos brasileiros ajuda a compreender esse momento. Lugares que começaram como pequenas vilas de pescadores e surfistas — como Jericoacoara (Ceará) e Pipa (Rio Grande do Norte) — passaram por processos semelhantes de crescimento turístico. Com o aumento da visibilidade e da demanda, esses locais experimentaram a expansão urbana e transformações ambientais e culturais profundas.

A Guarda do Embaú parece estar entrando em uma fase semelhante. Eventos de grande porte, como o show de Armandinho, e até mesmo, grandes eventos de surf e corridas atléticas, funcionam como marcos simbólicos dessa transformação. Eles indicam que o destino começa a extrapolar o circuito regional e a ocupar um espaço mais amplo no turismo esportivo e cultural.

Esse movimento, entretanto, traz consigo um desafio delicado: equilibrar desenvolvimento econômico, preservação ambiental e manutenção da identidade local. A força cultural da Guarda do Embaú está justamente em seu caráter de vila, em sua paisagem natural e no estilo de vida que a tornou conhecida.

Se bem planejados, eventos culturais e esportivos podem reforçar essa identidade e consolidar a região como um destino turístico sustentável. Sem planejamento, porém, o crescimento pode gerar pressões urbanas e ambientais capazes de alterar profundamente o perfil do lugar.

O show do porte do Armandinho, portanto, deixa duas mensagens. A primeira é positiva: existe um enorme potencial cultural e turístico na Guarda do Embaú. A segunda é um alerta: o sucesso do público precisa ser acompanhado por planejamento, segurança reforçada, infraestrutura, licenças ambientais necessárias (pois estamos dentro e nas adjacências do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro e na Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca), e o contínuo diálogo com a comunidade local.

Entre a celebração e as críticas, o evento revelou algo importante. A Guarda do Embaú vive um momento de transição — e as escolhas feitas agora definirão o futuro do lugar para as próximas décadas.

Aloha! 

 

* Jornalista/gestor e presidente do Comitê Local da 9ª Reserva Mundial de Surf (RMS) Guarda do Embaú



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