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Na rua Florata, a água só vem forte de madrugada

Moradores relatam que o dia a dia virou um “inferno” com a instabilidade no abastecimento. Mesmo assim, conta de moradora chega a R$ 5 mil

72d456fcf660913fb26fe86a7c7e0780.JPG Foto: NORBERTO MACHADO

Há meses, os moradores da rua Florata, no Vila Nova, vêm convivendo com a instabilidade no abastecimento de água. Atividades simples do cotidiano de qualquer família, como tomar banho, cozinhar, lavar a roupa ou limpar a casa, se transformaram em um calvário.
Não foi sempre assim. Os moradores contam que o abastecimento de água nas residências existentes na rua sempre foi regular. Ninguém sabe ao certo quando os problemas começaram. Alguns moradores especulam que a instabilidade possa ter alguma relação com uma obra realizada pela Prefeitura na rua no ano passado, para a colocação de tubulação para o escoamento da água da chuva. Pode não ter uma relação direta, mas é certo que os problemas começaram depois desse trabalho. Nos últimos meses, constantemente falta água nas casas (teve uma semana em que ficaram três dias sem uma única gota sequer); quando tem água, não há pressão nas torneiras; quando há pressão nas torneiras e chuveiros, é madrugada. "Pra mim, não tem a ver com o calçamento, porque a água vem forte de madrugada. Eles devem fechar alguma coisa durante o dia, porque como é que vem forte de madrugada?", questiona um morador.
Diante das circunstâncias, muitos moradores têm acordado por volta de 3h da madrugada para conseguir fazer tarefas diárias como lavar roupa, tomar banho e até mesmo limpar a casa. "Minha mulher trabalha o dia todo. Ela bota despertar o relógio às três, quatro horas da manhã, pra lavar a roupa, porque neste horário a água vem forte, e no dia todo não vem um pingo d'água, falta água direto", diz um morador. Cerca de 20 pessoas que moram na Florata se reuniram para relatar o calvário cotidiano à reportagem do Palhocense. "Final de semana é um inferno, é pior ainda", descreve uma moradora.
Eles se viram como podem. Quem não consegue acordar tão cedo, por exemplo, é obrigado a tomar banho na casa de parentes e amigos – nas casas onde o abastecimento é irregular, várias resistências de chuveiro já queimaram em função da falta d'água. “Teve um dia em que veio a água fraquinha no chuveiro, aí começou a piscar a luz e queimou até a geladeira”, diz uma moradora. Sem água ou sem chuveiro, o jeito é improvisar. "A gente está nessa situação de tomar banho de balde há meses. Desde janeiro eu não consigo tomar um banho no meu chuveiro se não for depois da meia-noite. Sou cristã, vou numa igreja cedo pela manhã. Nesses dias, a gente toma banho de balde", revela uma moradora. A situação dela é ainda mais grave: mesmo com as torneiras secas, a conta de água saltou de uma média de R$ 100 por mês para inacreditáveis R$ 5.487,95 (em fevereiro), R$ 3.273,83 (em março) e R$ 1.363,26 (em abril). Mais de R$ 10 mil em apenas três meses, mesmo com pouquíssima água nas torneiras – sendo que a conta de janeiro foi de R$ 66,45, e a que vence em maio, é de R$ 120,44. A moradora teme que o ar que fica nos canos com a ausência da água é que venha movimentando o relógio que marca o consumo de água da residência - eles chegaram a fazer um vídeo do relógio andando sem água, só com o ar. A moradora diz que já reclamou junto à Secretaria Executiva de Saneamento (Samae), mas mesmo com o disparate, a conta foi mantida. "Fui lá, e eles simplesmente disseram que passou no meu relógio e eu tenho que pagar. Já tenho aviso de corte de água e vou ter que procurar a Justiça", lamenta. "Onde está indo esta água que eu não enxergo?"
Na rua Florata, ninguém enxerga. Tem gente comprando água para fazer comida, tomar banho e fazer limpeza. “Eu estou com a limpeza parada desde esta manhã, vim para fazer a limpeza, mas não dá para ligar o VAP (lavadora de alta pressão), porque a água não tem força”, detalha outra moradora.
De tanto procurarem a Samae para pedir providências, eles contam que os atendentes já nem passam mais os tradicionais protocolos de atendimento. "Me disseram que não podiam abrir protocolo pra mim porque os vizinhos já haviam ligado para reclamar da falta de água na rua. Mas eu fiz ele abrir um protocolo com a matrícula da minha casa, porque eu tenho direito, eu pago minha água independente dos meus vizinhos", narra outra moradora.
Preocupados com a situação e a falta de providências do poder público, os moradores contam que procuraram até a ajuda de um vereador. O vereador procurou a Samae, que prometeu ir até a rua para avaliar a situação, mas ninguém apareceu. Os moradores esperam que técnicos da secretaria se desloquem até a rua para verificar se há algum vazamento ou se tem alguma ligação clandestina em algum ponto ao longo do sistema nas proximidades da rua Florata que esteja impactando na distribuição na região. "O mínimo de dignidade que a gente pode ter é abrir uma torneira e pegar um copo d'água", diz um morador. "Na semana passada, não conseguimos fazer o almoço, porque não tinha água", reclama outra moradora.
O Palhocense relatou a situação da instabilidade na distribuição de água à Prefeitura, mas nenhuma informação havia sido enviada à redação até o fechamento desta edição. 

 



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