
Entre a promessa e a realização, o abismo
Poucas semanas trataram de confirmar aquilo que já apontávamos: o problema do Morro dos Cavalos nunca foi falta de anúncio, mas de planejamento. Quando comparamos a condução das obras a um “burro empacado”, não foi por pessimismo ou implicância com quem quer que seja, mas pela repetição de promessas sem compromisso com a realidade. Infelizmente, os fatos falam mais alto. O anúncio recente de que os túneis não sairão, diante da falta de acordo entre concessionárias, apenas reforça o que já parecia evidente: era mais discurso do que garantia.
É difícil aceitar que um projeto bilionário, aguardado há décadas por Santa Catarina, seja anunciado sem que o básico esteja resolvido. Em qualquer casa, antes de iniciar uma obra, organiza-se orçamento, define-se quem executa e como será feito. No setor público, isso deveria ser ainda mais rigoroso. O que se viu, no entanto, foi o inverso: primeiro o anúncio, depois o “vamos combinar com as partes”. Uma inversão perigosa, típica de um tempo em que a pressa por visibilidade nas redes sociais supera a responsabilidade de entregar resultados concretos.
O prejuízo dessa lógica é coletivo e conhecido. Enquanto autoridades trocam acusações e projetos ficam no papel, a população segue enfrentando filas, acidentes, mortes, insegurança e atrasos em um dos trechos mais críticos da BR-101. O Morro dos Cavalos continua ali, não como símbolo de progresso, mas como retrato de uma gestão que ainda confunde promessa com realização. E, até que se prove o contrário, seguimos com o mesmo cenário: o burro empacado, e a conta, como sempre, paga por nós.
Publicado em 19/03/2026 - por Palhocense