
Histórias que Palhoça conta...
Antes e depois do casamento
O meu amigo Juca da dona Cotinha, morador do Furadinho, dizia que depois de viver casado 38 anos com a esposa, dona Lina, os dois resolveram separar.
– Pedi o disquite e ela aceitou numa boa – relatou. –Foi cada um pro seu lado. Acho que o amor acabou.
– Como assim, “o amor acabou”?! Vocês pareciam viver tão bem.
– Pois é, antes inté nós combinava, mas depois a coisa foi se prejudicando...
Aí, o Juca passou a me contar como era sua relação no namoro, no início do casamento e depois de estarem casados por mais de três décadas:
– Antes, eu chamava ela de “minha gatinha”, “minha coelhinha” e ela me chamava de “meu ursinho” (bichinhos pequenos e fofinhos); depois, os bichos cresceram: “sua vaca”, “seu cachorro”, “sua galinha”. Antes, a gente dizia um para o outro: “você me tira o fôlego”; depois: “você está me sufocando”. Para se ter uma ideia, antes era duas vezes (ou mais) por noite; depois, duas (ou uma) por mês. Antes, eram “os embalos de sábado à noite” na Pirâmide ou na Hangler; depois, fiquei só com o futebol de domingo no Avante. Mas não para por aí, não! Antes, ela dizia pra mim: “não para”; depois, passou a dizer: “nem vem”. Antes, eu me preocupava com ela e dizia: “você vai comer só isso?!”; depois, passei a falar: “talvez fosse melhor você comer só a salada”. Antes, eu usava cueca de seda; depois, passei a usar samba-canção (aquela do pacote com três). Antes, eu usava a camisa por dentro da calça; depois, passei a usar a barriga por fora da calça. Antes, eu elogiava e dizia: “adoro suas curvas”; depois, eu nunca disse: “você está gorda”. Antes, eu escutava ela dizer: “vem para cama que eu estou te esperando”; depois, “levanta, seu molenga, que tá na hora”. Antes, era “vem cá, benzinho, que eu esquento teu pezinho”; depois, era “sai com este pé frio pra lá”.
Suspirando, o Juca finalizou:
– Antes, era só paixão; depois, virou “que horas são?” Antes, era benzinho pra cá, benzinho pra lá; depois da separação, meus bens foram pra lá, e os dela, foram pra lá também.
O defeito nem sempre é do outro
Kinaba, não?! Mas a vida é assim mesmo, vivendo e aprendendo. É como diz o Antônho do Bidunga: “O defeito nem sempre está no outro, repare bem se o problema não é com você”.
Ele me falou que, certa vez, sua mulher, Genoveva, olhou através do vidro da janela, apontou para o quintal da vizinha e disse pra ele:
– Há dias venho observando como é encardida a roupa da Zurilda, nossa vizinha. Eu teria vergonha de pendurar no varal uma roupa tão mal lavada. Isso é relaxamento, um desleixo... Na verdade, acho que é preguiça.
O tempo passava e, cada vez que ela voltava a observar, as roupas tinham um aspecto pior.
Certo dia, uma surpresa: ao reparar nas roupas da vizinha, dona Genoveva ficou abismada, pois estavam brancas, limpinhas, com as cores vivas.
– Criou vergonha – disse ela pro Antônho. – Perdeu a preguiça e esfregou mais ou então trocou a marca do sabão.
– Nada disso – disse o Antônho. – Fui eu que lavei.
– Lavou a roupa da vizinha?!
– Não, muié, lavei o vidro da janela. Era ele que estava encardido.
Isso é pra vocês verem como são as vidas nas coisas da gente!
Tirando a multa
Pois não é que dias desses o Jacinto, outro amigo meu lá da Cova Funda, foi parado pela polícia, depois de ter sido perseguido em alta velocidade:
– Sabe, foi a coisa mais divertida que me aconteceu hoje – disse o policial. – Se você me der uma boa desculpa, não registro a multa.
E o Jacinto:
– Há umas três semanas, minha mulher me trocou por um policial. Quando vi o seu carro vindo atrás de mim, pensei que o senhor queria devolvê-la!
Ninguém pode dizer que não foi uma boa desculpa, né?!
O problema político
Certa vez, um político de Palhoça (não vou citar seu nome para não constragê-lo) chegou preocupado em casa e disse pra esposa:
– Querida, estou com um problema na repartição.
– Não diga “tenho um problema”; diga, “temos um problema”, porque os teus problemas são os meus também – respondeu a esposa.
– Está bem – diz o político, aliviado. – Então, temos um problema na repartição: a nossa assessora vai ter um filho nosso!
Tentativa frustrada
Esta aconteceu com um grande amigo meu. Meu amigo deita com muito cuidado na cama e sussurra, apaixonadamente, no ouvido da esposa:
– Estou sem cueca.
E a esposa, sem abrir os olhos, responde:
– Amanhã eu compro uma pra você!
Então, ele diz:
– Amor, eu quero amá-la.
Ela responde:
– A mala está em cima do guarda-roupa!
Numa última tentativa, ele sussurra:
– Você não entendeu, eu vou amar-te.
E a esposa responde:
– Vá a Marte, a Júpiter, à pata que partiu, mas me deixa dormir!
Publicado em 26/02/2026 - por Beltrano