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Beltrano - Edição 1.036

 

Quem não deve, não treme. Então, vamos tremer

Tem político que acha que povo fede! Éééééééé... só que não diz! Mas gente do povo, como Dona Cotinha, lá da Praia do Sonho, fala o que pensa. Dia desses, um secretário municipal foi para a Pinheira e seu carro pifou. Deixou o carro na casa de praia de um amigo e veio de ônibus pro Centro de Palhoça. Como o ônibus parava em todos os pontos, pegou um jornal que estava sobre um banco e começou a ler. Ficou impressionado com uma matéria que leu no jornal, falando sobre o índice de mortalidade no mundo. Ele virou-se para a passageira do lado, a Dona Cotinha, e disse:
— Senhora, você sabia que, cada vez que eu falo uma palavra, morre alguém no mundo?
— Crêndios pai — exclamou ela. — O sinhô já experimentô iscovar os dentes antis de falá?
Eu adoro Dona Cotinha, adoro! Pra ela, Ministéril é um órgão estadual incapaz de produzir algo útil para o povo. Dona Cotinha me disse que uma vez precisou do governo estadual. Ao preencher um formulário pra receber remédio, o atendente perguntou pra ela:
— A senhora é rica, pobre ou dá pra viver?
Ela não se conteve e, mesmo religiosa como é, tascou uma bofetada no bebedor de lavagem do estrupício! Onde já se viu? Isso é coisa que se pergunte a uma senhora de família como Dona Cotinha?! Para se ter uma ideia de como ela é religiosa, quando ela passa por um cacho de banana São Tomé, ela faz o sinal da cruz! Para você ver como são essas coisas!
Outra coisa é descobrir que em Palhoça tem muita gente com problemas existenciais. O meu amigo Jorge, funcionário da Prefa, está com esse problema e precisa de ajuda. Ele me disse que outro dia foi cozinhar um ovo, mas quando abriu o ovo, tinha um pinto dentro. Apavorou! E me disse: “Imaginem, vocês, se eu cozinho o ovo com o pinto dentro!" Seria o fim do mundo, se o fim do mundo, pra ele, não fosse todo final de mês! 
Por essas e por outras é que, numa noite dessas, uma mulher, que tinha ido assistir a uma sessão na Assembleia Legislativa com sua filha de 10 anos, pegou uma carona com um candidato a deputado. No caminho, a garota observa mulheres na marginal da BR-101, rodando bolsinha. 
— Mamãe, o que aquelas mulheres estão fazendo ali? – perguntou a criança.
— Ah, elas estão esperando seus maridos saírem do trabalho — diz a mãe, disfarçando.
O candidato começa a rir e fala:
 — Diz a verdade pra garota, minha senhora... Aquelas mulheres são prostitutas, que estão esperando clientes que lhe paguem para fazer sexo! 
Todos ficam calados por alguns minutos, até que a garota volta a perguntar para a mãe: 
— Aquelas mulheres também têm filhos, mamãe? 
— Claro, filha — responde a mulher, calmamente. E completa:
— Como você acha que nascem os candidatos e os políticos?
O Antônho do Bidunga me dizia que um dos primeiros políticos do Brasil foi o Prudente de Morais, mas daí pra frente, só tem aparecido políticos imprudentes e imorais! Tanto que estão pensando em mudar o nome de Brasília para Quadrilha! Não é pra menos que ladrão que rouba ladrão vive no Distrito Federal!
Ele me disse que está trabalhando na casa de um político que, dia desses, foi julgado por corrupção. Aguardava nervosamente o veredito do juiz em sua casa, quando, de repente, tocou o telefone e o advogado encarregado da defesa disse, sem esconder a euforia:
— Doutor, finalmente a justiça foi feita!
— Então, vamos apelar — emendou o safado.
Nesta semana, fui na Pinheira comprar uns peixinhos que estava varado de vontade de comer. Pra minha sorte, encontrei o Zé Caranguejo, o Doroteu e o Tião proseando e tomando uns martelinhos no Bar da Lola. Perguntei pra eles:
— Vocês não pescam mais, não? Seus mandriões! Viraram devotos de nossa senhora do descanso?!
— Iiiiiii, veja só quem fala? Tás vivo ainda, excomungado?! Pensei que já tinhas batido as botas! Não tens aparecido mais na Pinheira, modi quê?!
— Quem tá vivo sempre aparece, vim comprar uns pingulão. Vocês não têm pra me vender não?!
— Iiiiii, ultimamente o mar não tá pra peixe. Estávamos agora trabalhando de cabo eleitoral dessa deputada toda. Eu vou trabalhar para o Jorginho e aquele guri do Bolsonaro; o Doroteu, pro Décio e pro Lula! Estamos agora esperando uma boquinha: eu e o Tião na Assembleia e o Doroteu no Governo do Estado!
— Em outras palavras, vocês vão continuar com um caniço numa mão e a minhoca na outra, né?
O Tião quis saber como está a situação do Lula na Pinheira:
— Será que vai deixar o Planalto? Será que o filho do Borsonaro vai pegar a teta?
Mas o Zé não deixou por menos e comentou sobre a eleição no estado:
— Diz que o Jorginho vai fazer uma limpa e vai trazer todos os “fios” do Bolsonaro para o governo dele! Vão todos passar a escovar “aribu”! 
— Tu que tás dizendo pra mim, a próxima eleição vai ficar tudo como se encontra: de braços cruzados e de bolsos cheios! Diz que vão dar uma de bem-te-vi de igreja, pois não importa o padre, o que importa é a oferenda!
— Se é às veras, eu não sei; só sei que tem muita gente contando com o ovo no fiofó da galinha, só que o ovo pode gorar na casca!
— Eu vou matutar até o último dia pra ver em quem votar. Vou matutar até em riba do laço e votar no menos pior! No fim, é nós que vamos estar fritos, mesmo!
— Por falar em frito, vou é comprar meus pingulões que dá mais lucro, já que vocês não têm pingulão e mudaram de serviço. Vou mimbora com a mão abanando, como o povo brasileiro vai continuar!
— Aparece! Nós ficamos aqui sem saber de nada lá de Palhoça! 
Nem bem dei 10 passos em direção ao carro quando o Zé Caranguejo berrou lá do Boteco da Lola:
— Beltrano, se não tiver pingulão, leva pra casa uns robalos, que é o peixe preferido dos políticos! Rá, rá, rá, rá...
Conclusão: voltei pra casa rindo da cara de nossa própria desgraça!



Publicado em 02/04/2026 - por Beltrano

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