Foto: JPP
Por: Willian Schütz
Nestes primeiros meses de 2026, diferentes casos de mortandade de peixes têm sido registrados em diferentes pontos de Palhoça. Em imagens e vídeos compartilhados por moradores, chama a atenção o grande volume de animais mortos acumulados às margens de rios e áreas próximas a manguezais. O mais recente foi registrado na segunda-feira (30). Órgãos ambientais se pronunciaram sobre o assunto.
Casos semelhantes já tinham ocorrido no passado. Matérias do Palavra Palhocense datadas de 2023 e 2024 noticiaram o mesmo assunto. Mas foi a partir de 23 de fevereiro que a recorrência começou a chamar atenção. Naquela data, o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA/SC) investigou um registro no rio Coturno, onde milhares de peixes mortos chamaram a atenção da população.
Naquela ocasião, uma equipe do órgão foi até o local para verificar a situação. Contatado pela reportagem do Palavra Palhocense, o instituto enviou detalhes de uma apuração técnica realizada na área, que foram publicados pelo jornal. A análise descartava a poluição como causadora das mortes.
Apesar da investigação inicial, novos episódios voltaram a ser registrados nas semanas seguintes. Em março, dois casos semelhantes repercutiram nas redes sociais.
Na quarta-feira (25), moradores flagraram uma grande quantidade de peixes mortos na Barra do Aririú. Assim como em ocorrências anteriores, chamou a atenção o fato de que os animais aparentavam ser, em sua maioria, de uma única espécie.
Já na manhã desta segunda-feira (30), incontáveis peixes foram encontrados mortos novamente nos bairros Pachecos e Barra do Aririú. O registro, feito por um leitor nas primeiras horas do dia, mostra uma grande mortandade ao longo da região.
Fenômeno natural
Atuante na região, a Fundação Cambirela do Meio Ambiente (FCam) verificou a situação e, nesta semana, emitiu um pronunciamento. De acordo com o órgão, a mortandade pode estar relacionada a um fenômeno natural envolvendo a manjuba, especificamente a espécie Cetengraulis edentulus.
Segundo o órgão municipal, esse tipo de peixe, de origem marinha, pode morrer ao entrar em água doce devido a um processo chamado choque osmótico.
O corpo da espécie é adaptado a ambientes com alta concentração de sal e, quando entra em rios ou áreas estuarinas com água doce, ocorre uma grande diferença de salinidade. Isso costuma acontecer principalmente após períodos de chuva.
Essa mudança pode provocar um desequilíbrio nas células do animal, comprometendo o funcionamento do organismo e levando à chamada falência celular, com rápida desregulação de tecidos e órgãos internos.
A fundação também aponta que outros fatores ambientais podem contribuir para a mortalidade, como o aumento da temperatura da água e a redução dos níveis de oxigênio, fenômeno conhecido como anoxia. Essas condições são mais comuns em áreas de mangue.
Ainda segundo a FCam, episódios desse tipo tendem a ocorrer com maior frequência durante o verão, entre os meses de novembro e março, período em que a espécie costuma se aproximar mais da costa e pode acabar entrando em rios.
“Esse fenômeno é comum em áreas de mangue ou estuários, como relatado no rio Imaruim, em Santa Catarina”, pontua a FCam.
O que diz o IMA
Em nota, o Instituto do Meio Ambiente, informou que tem conhecimento dos registros de mortandade observados em Palhoça. O posicionamento também vai na mesma linha da FCam. “De acordo com as informações técnicas já levantadas pela Fundação Cambirela do Meio Ambiente, trata-se, neste momento, de um fenômeno natural associado principalmente à espécie manjuba”, informa o IMA/SC.
Segundo o órgão estadual, a situação segue sendo acompanhada em conjunto com os órgãos municipais competentes. Caso sejam identificados indícios de irregularidades ambientais, as medidas cabíveis poderão ser adotadas.
Por fim, o IMA orienta que a população evite o contato com os peixes mortos e acione os órgãos ambientais locais caso novas ocorrências sejam registradas.
02/04/2026
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