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Café, Giz e Controvérsias - Edição 1.033

 

O dia em que choveu papel e nasceu um gremista 

 

A crônica a seguir integra o livro Crônicas – , de Daniel  Camargo Thomaz, obra que reúne olhares sensíveis e atentos sobre o cotidiano. Com escrita leve e reflexiva, o autor transforma cenas comuns em pequenos retratos do nosso tempo. Este texto antecipa o lançamento do livro e convida o leitor a reconhecer, nas palavras, algo de si e da vida que passa todos os dias.

Que dia lindo!
Não sei quantos anos eu tinha, mas era bem criança — pois meus pais pareciam dois gigantes, e o velho casarão, o amado Estádio Olímpico Monumental, parecia um Universo aos meus olhos pequenos e deslumbrados.
Lembro-me de ouvir meu pai e minha mãe conversando para onde iríamos depois do jogo. Meu pai, com aquele jeito decidido que parecia lei, insistia:
— Temos que viver o momento!
O jogo era um Grenal. Na época, eu sequer imaginava o que significava essa palavra. E talvez, pensando bem, quase ninguém ali imaginasse que aquele seria um dos maiores clássicos do planeta futebol.
Os jogadores começaram a entrar em campo, e o estádio, embora não estivesse completamente cheio, já parecia vibrar em festa. Fiquei hipnotizado com a chuva de rolos de papel higiênico despencando da arquibancada superior, como se fossem serpentinas mágicas lançadas por deuses do futebol.
Olhei para meu pai. De pé, com os olhos brilhando, ele saudava o clube do coração com um grito rasgado:
— Grêêêêmiiiooo!
Sem entender muito, mas sentindo que ali havia algo sagrado, comecei a imitá-lo. Pulei. Gritei. Vi minha irmã rindo de mim e minha mãe me observando com aquele olhar terno, como se eu estivesse mesmo fazendo um grande espetáculo. Como diz frequentemente meu amado filho Thales, décadas depois:
— Olha, pai! Vou fazer um show!
O jogo começou. Confesso que estava mais interessado na pipoca e nas bergamotas que levamos do que na movimentação em campo. Mas, finalmente — e confesso, mais por empolgar meu pai do que a mim mesmo — o Grêmio fez um gol. Explosão. Abraços. Gritos. Meu pai parecia flutuar.
O jogo era o Grenal 238. O Grêmio venceu por 2 a 1. Foi num domingo, 20 de agosto de 1978, pelo Campeonato Gaúcho, no Estádio Olímpico Monumental. Claro, eu não saberia disso naquela época. Só mais tarde, já adulto e pesquisador da memória afetiva, fui redescobrir esse dado como quem encontra um pedaço de ouro em um bolso esquecido.
Lembro dos xingamentos da torcida contra Falcão e Valdomiro, e dos elogios emocionados a Éder, André Catimba e outros heróis gremistas.
Mas, naquele dia, mais do que assistir ao jogo, eu observei meu pai torcendo. Vi ele pedir cafezinhos aos ambulantes, vi seus olhos marejando em alguns momentos, vi um homem ser menino de novo. E, sem entender tudo, entendi o essencial: o que é amar um time.
Talvez fosse ali, naquele momento entre papel higiênico no céu e cheiro de pipoca no ar, que eu estivesse formando minha personalidade.
E adivinha?
Naquele dia, sem dúvidas, eu decidi: eu seria gremista.



Publicado em 12/03/2026 - por Daniel Camargo Thomaz

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