Beltrano - Edição 1.026
Histórias de uma casa de barro coberta com palha
Atendendo a inúmeros pedidos, estão de volta “as histórias que Palhoça conta”.
Aquela noite de amor
Esta aconteceu com um grande amigo meu. Não vou dizer o nome porque ele não gosta de lembrar do acontecido, e a moça em questão, hoje, é uma madame da sociedade palhocense, então, não seria legal identificá-los.
Depois de uma longa e intensa noite de amor, esse meu amigo tirou um cigarrinho do bolso e perguntou à companheira se ela tinha alguma coisa para acender o cigarro. Ela respondeu:
- Deve haver alguma coisa aí na gaveta da mesinha de cabeceira.
Ele abriu a gaveta e encontrou uma foto de um homem. Preocupado, perguntou:
- É seu marido?
- Não, tontinho - respondeu ela, aconchegando-se amorosamente no seu peito nu.
- Então, é seu namorado?
- Não, não é nada - diz ela, dando uma mordidinha na orelha dele.
- Bem, então, quem é? - perguntou ele, mais uma vez, desconcertado.
Serenamente, a moça respondeu:
- Sou eu, antes da operação.
Sem pó em casa
Antigamente, em Palhoça, também existia muita servengonhice. Esta aqui aconteceu na Guarda do Cubatão.
O Vilson, há muito tempo estava de olho na “cumadi”. Um dia, aproveitando a ausência do “cumpadi”, resolveu fazer uma visitinha para ver se ela não carecia de alguma coisa. Chegando lá, os dois, meio sem jeito, não estavam acostumados a ficar a sós. Conversavam debaixo de um pé de jabuticaba. Sem muito assunto, falaram sobre o tempo:
- Será qui chove?
- Pois é, acho que não, né, cumadi.
- É, magi pode dá truvuada.
- Será?
- O Cambirela já tá de chapéu!
Ficaram um tempão proseando sobre o tempo. Aí, o Vilson se encheu de coragem, resolveu quebrar o gelo:
- Cumadi, o qui tu acha mió fazê: trepemo ou tomemo um café?
A cumadi respondeu:
- Ah, cumpadi, cê mi pegô sem pó im casa!
O garanhão da Cova Funda
Isidoro era um antigo morador da Cova Funda. Sua fama de garanhão ultrapassava fronteiras e já tinha chegado ao Morro do Gato, ao Pagará e à Cova da Onça.
Um dia, Isidoro foi praquelas bandas com seu carro de boi, e no caminho, deu carona para a Icha, uma potranca apartada e muito bonita do Morro do Gato.
E lá foram os dois no carro de boi. Isidoro tava doido pra modi cantá a cumadi, mas de supetão, não se achava com coragem. Então, começou a cantarolar, acompanhando o cantar do carro do boi, e cantarolando, divagou:
- Vâmo simbora, Maiado; vâmo simbora, Torpedo, tô doidinho para cantá a cumadi, mas tô cum medo!
Espirituosa, a Icha, também cantarolando, respondeu ao galenteio:
- Vâmo simbora, Torpedo; vâmo simbora, Maiado; se tivesse cantado antis, a cumadi já tinha dado!
E no posto de saúde...
Enquanto isso, lá no posto de saúde do Alto Aririú, o médico tentava consolar a dona Noca do seu Joca:
- Não se preocupe, dona Noca! Eu mesmo já tive essa doença e fiquei completamente curado!
E dona Noca:
- É, doutor, mas seu médico era outro, né?!
Publicado em 22/01/2026 - por Beltrano