Beltrano - Edição 757

As mazelas da República das Bananas


Vou falar sobre meu lugar
Com este versinho gentil
Se recebemos todo mundo
No nosso querido Brasil
Misturando cá e lá
E é botando pra quebrar
Que a nação vive a mil.

No Brasil, misturamos tudo
Com aipim se faz empada
Control del com o delete
Com fast food se faz rabada
O governo abre os buracos
Recolhe dinheiro em saco
Das propinas disfarçadas.

No Brasil, se mistura tudo
Como a viola e o violão
O político e o sabonete
Peixe grande e ladrão
Nada disso nos compete
Pois o roubo se repete
A cada nova eleição.

O Brasil é um país rico
Onde o político se acha o tal
Aqui se morre nas praças
Por nos faltar hospital
Roubam a verba da saúde
Fazem do poder um grude
De uma forma descomunal.

 
O Brasil é contraditório
A Lava Jato nos revela
Mas o poder da sujeira
Não sai com água de barrela
Aqui dão uma de vivo-morto
Os larápios vivem soltos
Em Brasília não tem cela.

Aqui neste meu Brasil
Só o político tem raiz
Pega o trem da alegria
E vive a vida feliz
E lá faz as cagadas
O povo leva a paulada
E fica com a cicatriz.

O Congresso tem ombros largos
Para os políticos acolher
Como se fosse uma janta
Onde todos estão a comer
Pro deputado é vitória
Roubar do povo é glória
Sua riqueza e lazer.

Se nos falta educação
Pros políticos é poesia
De quatro em quatro anos
O eleitor faz sua alegria
Aliando a falta de cultura
Aos políticos sem compostura
Vivemos como cegos sem guia.

A educação é importante
Vai quebrar nosso jejum
O eleitor precisa ser ativo
E não um fantoche comum
A saúde, só a morte cura
Mas um povo sem cultura
Morre sem ir a lugar algum.

Do Brasil para o mundo
A roubalheira pede bis
O manifestante usa máscara
Com medo de mostrar o nariz
Se a nação tá doente
Se está de ranger os dentes
Foi o eleitor que assim o quis.

A política no Brasil
É a que vemos na televisão
Ultrapassa o relacionamento
Entre situação e oposição
Se pelos olhos começa
O ouvido assim processa
E acaba num camburão.

Os ladrões que fazem delações
Num instante viram heróis
Aqueles que vão pra cadeia
Na prisão viram dodóis
Virou uma calamidade
Sem um pingo de moralidade
O Brasil eles destroem.

A propina em Brasília
É como uma praga num jardim
Mas é o bálsamo de sua vida
Como pro gado é o capim
O político então revela:
“Nunca vou viver sem ela
E ela não vive sem mim”. 



Publicado em 17/09/2020 - por Beltrano

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