
Por que repetimos os mesmos erros?
Hoje escrevo não apenas sobre a humanidade, mas sobre o fio invisível que costura séculos de dor e esperança. Um pequeno recorte da História, tantas vezes usado como arma para atacar, refutar, odiar e até aniquilar. Pergunto-me: qual é, afinal, o verdadeiro legado desses registros que atravessam o tempo? Não seriam eles um espelho que nos convida à humildade, à memória e ao amor, em vez de à repetição dos mesmos erros?
É por isso que a última edição impressa de 2025 não se limitará a narrar o cotidiano. Será antes uma pausa, uma reflexão que deveria bastar para que as atrocidades deixassem de se repetir. Um chamado à consciência de que só o amor é capaz de transformar o peso da História em caminho de evolução, e que a verdadeira liberdade nasce quando aprendemos a reconciliar-nos com o passado para construir, enfim, um futuro de paz.
É como se a história tivesse sido escrita em capítulos alternados de dor e esperança. Os hebreus, filhos da promessa, atravessaram desertos de escravidão e longos exílios, sustentados apenas pela fé em um Deus que não abandona. Entre eles e seus vizinhos — ismaelitas, edomitas, moabitas e amonitas — havia laços de sangue, pois todos descendiam da mesma raiz: Abraão. Ainda assim, a irmandade frequentemente se dissolvia em disputas e guerras, como se o coração humano insistisse em esquecer que o verdadeiro chamado sempre foi o amor.
Foi nesse cenário de opressão, expectativa e contradições que nasceu Jesus, trazendo uma mensagem de reconciliação e mostrando que a dor pode se transformar em redenção quando iluminada pela fé, pela justiça e pela misericórdia.
Séculos depois, a própria Europa foi moldada por encontros e desencontros semelhantes. Celtas, gregos, romanos, visigodos e muçulmanos deixaram marcas profundas em sua cultura, em seus valores e em suas instituições. O cristianismo, apesar de suas divisões internas, funcionou como o fio que costurou o tecido do Ocidente, oferecendo fundamentos éticos que sustentaram ideias como liberdade, dignidade humana e responsabilidade moral.
Vieram, então, as grandes navegações, o mercantilismo e o Iluminismo — este último pregando razão e tolerância, mas, paradoxalmente, muitas vezes sendo instrumentalizado para justificar perseguições e exclusões. As guerras ideológicas dos séculos XIX e XX revelaram, de forma brutal, que o homem ainda tropeça em sua própria soberba. Ainda assim, a mensagem cristã permanece como um farol: somente o amor vivido com humildade, justiça e responsabilidade pode conduzir à verdadeira evolução da humanidade.
No entanto, mesmo hoje — em um tempo no qual deveríamos semear a paz, especialmente quando um novo ano se inicia e com ele surge a oportunidade de repensar atitudes e costurar reencontros — os grupos continuam a se dividir. E essa divisão, muitas vezes, acontece dentro das próprias famílias.
Escrevo, portanto, não apenas como observador, mas como estudioso da História e da Literatura, inquieto diante do presente. Insisto em lançar uma mensagem: vale a pena seguir líderes corruptos ou discursos que pregam separação e rancor? Vale a pena ignorar um irmão apenas porque ele pensa diferente? É mais sensato criticar um abraço por julgá-lo falso ou reconhecer o valor do gesto carinhoso em si?
Não é por meio de lutas incessantes que transformaremos o mundo, mas pelo trabalho honesto, pelo amor concreto e pela compreensão. Afinal, o único território sobre o qual temos verdadeiro poder de mudança é o eu que habita em nós mesmos.
Que sejamos, portanto, mais amor e menos opressão; mais tolerância e menos repressão.
Lembro-me de Denis Diderot, que advertia com lucidez perturbadora:
“Se pudermos arrancar um cabelo daquele que pensa diferente, poderemos dispor de sua cabeça, pois não há limites à injustiça. Será o interesse ou o fanatismo, o momento ou a circunstância que decidirá o maior ou menor mal que nos permitiremos cometer.”
Que essa reflexão nos acompanhe.
Um Feliz Natal e um ano vindouro de prosperidade, trabalho e felicidade a todos.
Publicado em 18/12/2025 - por Daniel Camargo Thomaz