
Um porta-voz espontâneo da preservação
A história de Vilmar Godinho no Vale da Utopia e na região da Guarda do Embaú transcende qualquer debate. Há quase quatro décadas, quando o local ainda estava longe de figurar em roteiros turísticos e nas redes sociais, ele escolhia viver ali de forma simples, silenciosa e respeitosa. Mais do que ocupar um espaço, Vilmar construiu uma relação simbiótica com a natureza, baseada em equilíbrio, respeito e contemplação. Em uma época em que a palavra “ambientalismo” sequer fazia parte do vocabulário popular, ele já colocava em prática uma filosofia de vida que hoje se tornou prerrogativa para a sustentabilidade do globo.
É evidente que áreas de preservação precisam de regras e fiscalização. Mas também é verdade que existem histórias humanas que ajudam a construir a própria identidade desses lugares. Ao longo de 36 anos, Vilmar não ficou conhecido por degradar ou explorar o Vale da Utopia, mas justamente o contrário: tornou-se um guardião informal da região, alguém que limpou, cuidou e ensinou, por meio do exemplo, que é possível coexistir com a natureza sem dominá-la. Vilmar é o próprio guardião do tesouro da Guarda do Embaú. Sua presença, para muitos visitantes e moradores da região, sempre simbolizou uma convivência possível entre ser humano e Mata Atlântica.
Talvez seja o momento de olhar para essa história com mais sensibilidade. Em vez de impedir sua permanência, por que não reconhecer o valor simbólico e educativo dessa trajetória? Por que não enxergar em Vilmar um porta-voz espontâneo da preservação, um representante legítimo de um modo de vida que respeita os limites naturais? Às vezes, proteger o meio ambiente passa por ouvi-lo. E o Vale da Utopia diz: fica!
Publicado em 12/03/2026 - por Palhocense