Foto: CASSIANO SCHNEIDER/DIVULGAÇÃO
O sucesso da primeira etapa do Circuito Skate SC Park 2026, realizado em Palhoça de forma inédita, no sábado (18) e no domingo (19), deixou no ar um rastro de expectativa: será que o município vai se transformar em um novo celeiro de atletas para o skate catarinense? O brilho nos olhos de quem acompanhou de perto a competição, disputada na pista do Parque da Barra do Aririú, permite sonhar que sim.
“O evento foi um sucesso! Muita gente, bastante atleta, bastante criança, um dia memorável em Palhoça, referente ao skate. Foi demais”, aplaude o presidente da Associação Palhocense de Skate, João Maurício Montenegro Cremontti.
Entre manobras radicais e movimentos que desafiam a gravidade nas curvas da pista em formato bowl, com suas paredes arredondadas e suas rampas verticais, onde a velocidade alcançada pela prancha sobre rodinhas é tão alta que é inevitável voar, os olhos dos espectadores testemunharam tamanha ousadia e talento que até autoridades municipais ficaram deslumbradas. “Vi que o vice-prefeito (Rosiney Horácio) ficou muito emocionado com a presença das crianças, e ele me falou também que ficou emocionado”, relata o presidente da associação, com a felicidade de quem sabe que uma valiosa sementinha foi plantada.
Foi a primeira vez que o município sediou uma etapa do circuito, que faz parte das provas estaduais homologadas pela Federação Catarinense de Skateboarding, e o calendário prevê um novo evento, em julho, na pista do Parque do Bela Vista, projetando definitivamente o município no cenário do skate catarinense. “A competição na Barra do Aririú foi ótima. Agora, reacendeu a luz, molhamos a semente para o fortalecimento do skate em Palhoça e a tendência é as coisas evoluírem”, comemora o presidente da Fundação Municipal de Esporte e Cultura (FMEC), Amaro Junior.
Unidas pelo esporte
Associação e fundação estão unidas no propósito de fomentar o skate em Palhoça. Às vésperas da competição na Barra do Aririú, uma reunião entre representantes das duas entidades alinhou as bases de uma futura parceria para o desenvolvimento do esporte no município, com aulas gratuitas para a criançada. A proposta é incentivar a prática esportiva, promover inclusão social e fortalecer a cultura do skate para diferentes faixas etárias.
“A gente quer fazer um trabalho voluntário com o skate, de forma gratuita, para iniciar um movimento em Palhoça”, relata Maurício. “O campeonato ajuda a fomentar, a trazer as pessoas para olhar o skate de outra forma. Este pessoal nunca viu um evento, é importante, porque as crianças conseguem ver de perto os meninos competindo e pensam: também quero ser assim que nem aquele menininho, também quero andar de skate”, contextualiza o presidente da associação, formada em 2026 por “atletas das antigas”, que já andam de skate há muito tempo e querem transmitir um legado, com o objetivo de realizar um trabalho de inclusão social por meio do esporte – e no meio do caminho da inclusão, quem sabe, formar novos atletas.
A ideia está lançada. Neste final de mês, a agenda repleta de eventos de comemoração pelos 132 anos de emancipação política de Palhoça demanda toda a atenção da fundação, mas a partir de maio, essa “semente” passará a ser regada com carinho e dedicação. O primeiro passo será a destinação de um local para a oferta de aulas gratuitas. E, em um segundo momento, a fundação tem a intenção de ampliar a estrutura do skate em Palhoça, que hoje conta com três boas pistas em formato bowl, onde são disputadas as provas da modalidade park: na Barra do Aririú, no Madri e no Bela Vista. Falta uma boa pista para a modalidade street.
“Tenho um objetivo de contemplar o Sul do município com um bowl no nível da pista da Barra do Aririú, vou lutar por isso. Também devemos ter uma pista de street. De início, tinha um bom encaminhamento para construir uma pista de street na Praça das Bandeiras, mas também pode haver uma contemplação no novo Parque Municipal, no Centro, um local bom, com visual lindo. Não é nada para curto prazo, estamos fazendo os encaminhamentos a nível de projeto e captação de recursos”, projeta Amaro Junior.
A construção de uma pista de street será fundamental neste processo de efervescência do skate em Palhoça. Isso porque o street pode ser considerado como uma “modalidade de entrada” neste universo tão desafiador para o equilíbrio. “O street é uma modalidade de entrada, sim, é mais apropriado para o aprendizado. Tem que começar no reto, para depois ir para o vertical”, ensina Maurício.
O presidente da associação observa que os municípios vizinhos de Biguaçu, São José e Florianópolis têm boas pistas de street. E vários atletas de Palhoça precisam pegar ônibus para se deslocar até essas pistas e praticar o skate. Uma realidade que ele espera mudar, a partir da construção de uma pista da modalidade em Palhoça. “Tem muita molecada aí para andar de skate, a hora que conseguirmos fomentar isso, Palhoça vai explodir”, aposta Maurício.
O boom passa pela necessidade de investimento. Não só na construção da pista, mas na criação de condições propícias para o desenvolvimento do esporte. Por isso, está nos planos da associação a busca por patrocínios junto à iniciativa privada, de forma que seja possível oferecer um aprendizado de alto nível, que culmine na lapidação de atletas de alto rendimento, bem preparados e prontos para disputar as principais competições do país. “O intuito é fazer o bem pelo skate, da melhor forma possível, e ser um case de sucesso, em que as pessoas de outros lugares possam se inspirar”, finaliza o presidente da Associação Palhocense de Skate.