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Uma cidade secular traduzida em imagens

João José da Silva lança seu novo livro, “Memória Palhocense”, neste sábado (6), a partir das 20h, no ViaCatarina

52a80048673459556423288985a9fc0b.jpg Foto: CIDA ESPÍNDOLA E ARQUIVO JPP

O escritor João José da Silva, fundador e colunista do jornal Palavra Palhocense, lança seu novo livro, “Memória Palhocense - A Trajetória de uma Cidade Secular Traduzida em Imagens”, neste sábado (6), a partir das 20h, na praça de alimentação do Shopping ViaCatarina. O evento de lançamento vai contar com música e uma projeção audiovisual de fotos antigas em um telão.

João explica que a ideia surgiu no momento em que recebeu de presente o arquivo fotográfico do célebre Gedalvo Passos, o que lhe possibilitou dar continuidade ao Projeto Memória Palhocense, idealizado pelo memorialista Claudir Silveira. “O outro motivo foi reunir esse material para que as futuras gerações possam visualizar como era a nossa Palhoça no século XX e conhecer um pouco mais de sua história”, conta João.

“Memória Palhocense” é fruto de cerca de três anos de trabalho, reunindo informações repassadas por mais de 12 mil amigos cadastrados na página especial que criou para o projeto na rede social Facebook. “Cerca de 90% dos amigos são do município. Eles interagiram, informando e descrevendo o que representava cada imagem postada, como por exemplo, a quem pertencia determinada casa, onde ficava localizada, o ano aproximado de cada foto, etc.”, relata o autor. “Além do trabalho de pesquisa histórica, o leitor vai poder recordar uma Palhoça que não mais existe e que foi engolida pelo progresso, e as futuras gerações vão poder saber como era essa Palhoça do século XX”, acrescenta.

O livro tem 120 páginas, onde estão reunidas 600 fotos. A maioria é oriunda do arquivo da família Passos, mas também há fotos de outros fotógrafos - ou, como João costuma dizer, “guardadores de recordações” -, como Renato Wagner, Edson José Paulo e muitas outras pessoas de Palhoça que compartilharam suas recordações com o autor.

A publicação do livro só foi possível graças ao apoio da Fundação Municipal de Esporte e Cultura (FMEC) da Prefeitura e da contribuição de empresas privadas e pessoas físicas. Todas as escolas do município vão receber um exemplar do livro. “A meu ver, vai servir muito para que os nossos alunos tenham mais contato com nossa história. Aliás, defendo até que nossas escolas deveriam adotar uma disciplina onde nossos alunos tivessem acesso à história do município, criando, assim, uma identidade municipal, coisa que considero que anda meio esquecida”, defende João, que começou a escrever de maneira “nada ortodoxa”, “plagiando velhas poesias em velhos livros, na velha biblioteca, em cima do velho teatro municipal”. “Um dia percebi que escrever era botar no papel aquilo que se vive, se vê, se ouve e se sente. Sendo assim, nasceu meu primeiro livro”, conta João, referindo-se a “Dois Tempos - Poesias”, publicado em 1987, em parceria com o poeta palhocense Odilon Agenor da Silva.

A poesia o levou à fundação de um jornal, e a rotina de produção do jornal o levou a escrever o segundo livro, “A Deus-Dará - Uma Cidade em Busca do Elo Perdido”, lançado em 1997. Depois, escreveu mais seis livros: “Um Zé Qualquer” (2006), que foi uma obra de resgate da cultura açoriana no município; “Aos Pés do Cambirela” (2007), um livro de contos sobre Palhoça; “Beltrano e os Fulanos” (2008), um livro de humor negro das crônicas da Coluna do Beltrano; “Na Beira sem Eira” (2010), um pasquim; “Olhando com Otos Zóios” (2012), um livro de crônicas políticas; e “Sem Pé Nem Cabeça - A Eleição que não Acabou” (2014), que conta a história daquela eleição polêmica para prefeito de 2012. “Agora, talvez, publico a obra de maior relevância pra mim”, comemora João.

Essa observação não vem por acaso. O autor conta que sempre foi um apaixonado pelo município e procurou promover a cultura local. Um exemplo são os festivais de música que promovia no Snoopy Bar. “Primeiro, a gente classificava as músicas de compositores de Palhoça”, relembra. Outro exemplo é a criação do periódico O Palhocense, fundado em 1989 e que já sobrevive há 30 anos no mercado. E que tal a “viagem” de ter escrito oito livros usando como tema a terra onde nasceu? Não há prova maior de identificação com uma cidade. Como costuma escrever, em forma de poesia: “Relembro minha infância / Em Palhoça nasci e me criei / É o melhor lugar do mundo / Dela muitas histórias contei / Ainda que eu viva cem anos / Ia gastá-los só contando / As tantas histórias que sei”. Outro verso resume o objetivo do seu trabalho, principalmente no livro “Memória Palhocense”: “Para a Palhoça do futuro / Desejo muita paz e felicidade / E que os valores do passado / Voltem a fazer parte da realidade / Que Deus pra sempre possa / Abençoar nossa agitada Palhoça / Para que da ‘velha’ eu não morra de saudade”.



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Créditos: CIDA ESPÍNDOLA E ARQUIVO JPP CIDA ESPÍNDOLA E ARQUIVO JPP
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