Beltrano - Edição 789

Eu, Palhoça e o tempo

Para esta seara de versos
Deste trovador popular
De minha terra, a história
Pretendo agora contar
Pois passou seu aniversário
E é justo e necessário
Sua história relembrar! 

Esta senhora formosa
Que em versos homenageio
Faz agora 127 anos
Muita felicidade eu anseio
Rebuscando na memória
Descrevo sua trajetória
Sem fazer muito rodeio.

Embarquei na máquina do tempo
Em 1894, cheguei a São José
Ouvia-se josefenses dizendo
Na maior pegação de pé
Consideravam Palhoça um estorvo
E queriam enforcar todo o povo
Da vila Senhor Bom Jesus de Nazaré.

Fui me inteirar do acontecido
Para ver se daquilo entendia
Me disseram, putos da cara:
“Ser do contra em Palhoça é mania
Querem emancipar a coisa pública
Preferem permanecer na República
E nós queremos a volta da monarquia”.

Os políticos da Vila de Palhoça
Com o governo fizeram reunião
Na frente do Antônio Moreira César
Não tiveram nenhuma compaixão:
“De São José, queremos nos separar
Vamos procurar quem saiba administrar
Por favor, queremos a emancipação”.

Como o governador estava puto
O pedido dos palhocenses endossa
Ficamos com o maior território
Do município de São José fizemos troça
O povo assistia, mas ficava calado
Em 21 de abril ficava oficializado
O novo município de Palhoça.

Eu me meti e tentei impedir
Do Moreira César enchi o saco:
“Não sei não, isso é problema
Ainda não passamos de um barraco
Com este território todo
Podemos sufocar no lodo
É muita estrada para tapar buraco”.

Moreira não quis nem saber
Fez sem pensar e na cara dura 
Emancipou, não tinha mais jeito
Começava assim nossa tortura 
Os políticos ligeiros correram
Sem mais delongas se estabeleceram
Pra mamar nas tetas da Prefeitura.

Anunciaram muitos jardins
Mas inverteram os valores
Eucaliptos, Aquárius, Eldorado
Plantaram gente, não flores
Sem preocupação com o futuro
Entre pobres e ricos erguerão um muro
O medo é que virasse um jardim de horrores.

Um manguezal a ser invadido
Um santuário a se acabar
Uma cerca morta de prédios
Não vai deixá-lo respirar
Com rios e córregos aterrados
A natureza colocada de lado
As águas não chegarão ao mar.

Corri pra máquina do tempo
Para do passado escapar
Tinha que voltar pra Palhoça
Para seu aniversário comemorar
Me parece um tanto insano
Ficar longe de Palhoça tantos anos
Se é bem aqui que quero ficar.

Deste estranho sonho acordei
Me levantei voando feito um raio
Meu amor por Palhoça é grande
Amigos aqui tenho em balaios 
Da Palhoça, quero viver o presente
E não poderia jamais estar ausente
Das filas da BR deste início de maio.



Publicado em 29/04/2021 - por Beltrano

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