Beltrano - Edição 791

Unindo o inútil ao desagradável


Na política de Palhoça, um adágio não se muda: o tempo é que faz a idade e Deus ajuda quem madruga. 
Disse, um dia, o finado João Silveira, estes provérbios: 
- Se o político quer ir longe, tem que ir bem devagar. 
- O elogio que nos é dado, quanto menos merecido, tanto mais é apreciado.
- Quem compra voto em terra alheia, na sua terra não compraria bem; ou está comprando enganado ou está enganando alguém.
- A ganância leva a nada, no pensar que vem a esmo, nunca percas uma buchada, só por causa de um punhado de torresmo.
- São dois olhos, duas orelhas, só a boca não tem par; aconselho nossos políticos a mais ver e ouvir do que falar. 
Já o pensador Antônho do Bidunga diz:
- Ó Senhora Santa Bárbara, minha santa da aflição. Ninguém se lembra de nós, senão em cada eleição. 
- Votar e saber votar são dois pontos delicados: os que votam não têm conta, os que não sabem são comprados. 
- O político e o eleitor são bichos interesseiros: o político, pelo voto; o eleitor, pelo dinheiro. 
- Já vi candidato rezando aos pés da Virgem Maria, mas nem a Santa acreditava no que o candidato dizia.
- A eleição é como a cebola, que nós vamos descascando; porém, de dois em dois anos, com ela vamos chorando.
- Santo Deus que tudo pode, não me deixe paralítico; perdoe-me se aqui escrevo algo assim tão ridículo: se o homem veio do macaco ou mesmo de algum buraco, de onde veio o político? 
- O político e o eleitor, assim diz um velho ditado: um para o outro, nasceram, de um modo desencontrado. O político é um animal, o eleitor é ser igual, pra cu sujo, um cu cagado. 
- O que tenho observado, até me parece bobagem, mas é só pensar um pouco, na razão desta mensagem, seja ele feio ou bonito, o eleitor vira cabrito no meio da sacanagem.
- O político quer camaradagem, mesmo não tendo propostas; mesmo que pra nossas perguntas, nunca apresentem as respostas. Ele deseja, acima de tudo, um burro de sobretudo, que lhe carregue nas costas. 
- Começou a invasão, estão migrando pra Palhoça; chegaram à cidade, em breve estarão na roça; por isso, a verdade falo: o político precisa de um cavalo que puxe sua carroça. 
- Vão chegando de mansinho, dando uma de sensatos, distribuindo paz e amor, comprando a preço barato; o eleitor não mais reclama, pois depois que pegam fama, nos fazem de gato e sapato. 
- E os políticos se agitam, na maior fissuração, começa a caçada às bruxas, em mais uma eleição. Vai começar o compra-compra, o vota-vota e o paga-paga; só quem tem estômago de avestruz vai suportar tanta praga!
- Sempre que uma eleição acontece, começa o nosso espanto; de tanto fazer promessa, tem candidato que vira santo. 
- O político criou um muro, para do povo se esconder; mas na eleição, de repente, pula o muro e vem nos ver!
- Em Palhoça, os candidatos me parecem cabras-cegas, e o cabo eleitoral, o seu facho não sossega; vai negociar nosso voto pra deputado, nos chamando de colega! 
- Pra deputado estadual, eu só vejo bajulice; vão prometer dar pro Luciano, pensando em também dar pra Dirce! 
- O Camilo vai fazer campanha, e se ajeita na boleia; está querendo mudar de ares e quer ir pra Assembleia! 
- Vou aqui me despedindo, sentindo uma dor profunda; para nos salvar da desgraça, só com a ajuda e a graça, da Nossa Senhora Piriquita da Cova Funda! 



Publicado em 13/05/2021 - por Beltrano

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