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Beltrano - Edição 814

Sócrates: “Só sei que nada sei” – Ato 1

Extra! Extra! Beltrano pesquisa os tempos de meninice dos alunos da Escolinha da Prefeitura e do Professor Pakão. Eu confesso: sempre quis saber onde estudaram, e se estudaram, os nossos governantes, que, diga-se, hoje são verdadeiros “professores” – pelo menos no salário, ganham bem mais do que seus mestres! Descobri algumas pérolas! 
A educação sempre foi muito importante na vida do prefeito Eduardo Freccia. De certa feita, quando estudava, chegou pra professora e perguntou:
– Fessola, alguém pode ser culpado por alguma coisa que não fez?
– Mas é claro que não, Eduardinho, seria uma injustiça!
– Ufa! É que eu não fiz o devê di casa!
Se fosse hoje, a professora diria:
– Se não fizeres agora o dever de casa, podes rodar daqui a quatro anos!
Rá, rá, rá, rá...
Já quando o Pitanta estudava na escola Venceslau Bueno, certa vez, durante uma aula de Biologia, o professor perguntou pra ele:
– Pitanta, quantos testículos nós temos?
– Quatro plofessor – respondeu o futuro vereador.
– Quatro? Você ficou doido?
E o Pitanta:
– Bem, pelo menos os meus dogi eu garanto!
Rá, rá, rá, rá...
O vereador Mário Cesar também sempre teve todas as respostas na ponta da língua. Certa vez, a professora perguntou pra ele:
– Mário, em quantas partes se divide o crânio?
Ele nem titubeou:
– Depende da porrada, plofessola!
Agora, engana-se quem pensa que o Rodrigo Quintino foi sempre assim, calmo! Que nada, ele me disse que é do tempo em que a mãe dele dava pra ele 1 real pra comprar a merenda e ele pensava que era rico.
– Minha primeira mesada veio quando eu tinha 10 anos. Foi na testa, tenho a cicatriz até hoje –diz ele, todo orgulhoso! 
Na época, na escola da Barra do Aririú, tinha uma professora que gostava de testar os alunos:
– Tavinho, mostre no mapa onde fica a América.
Tavinho apontou um local no mapa.
– Muito bem! Agora, Ogel Luiz dos Santos, diga-me quem foi que descobriu a América?
– Foi o Tavinho, fessora!
Rá, rá, rá, rá... 
Mas o que o Pitanta, o Rodrigo, o Ogel e o Tavinho tinham de espertos, outro político de Palhoça, que é melhor não dizer o nome, para não constrangê-lo, numa ocasião, foi fazer exame de fezes lá no Departamento de Saúde e colocou o vidrinho com o conteúdo do exame em cima do balcão.
A recepcionista solicitou:
– Dá pra você colocar o nome, por favor?
Dizem que ele não hesitou e escreveu: 
– Cocô!
Isso é pra vocês verem como são as coisas. Nem tudo é tão ruim quanto parece! Às vezes, acaba ficando pior! Rá, rá, rá, rá...
A grande descoberta da pesquisa foi constatar que, quando o Gilberto Rosa estudava, ele não era tão Ligeirinho como hoje, quando completa seus 70 anos.
Uma vez, após fazer a chamada, a professora notou que faltava alguém e perguntou:
– Alguém viu o Gibinha?
Naquele momento, o Giba entrou na classe e caminhou lentamente até a carteira. Então, a professora indagou:
– Por que você demorou tanto?
Ele respondeu:
– Por causa da placa.
– Que placa?!
– A placa que diz: “Escola devagar”!
Rá, rá, rá, rá...
Já o vereador Elton Esomérico sempre foi muito solidário, um exemplo de bom menino. Quando era pequeno e estudava na escola da Guarda do Cubatão, certo dia, o professor, notando que a turma não estava acompanhando, lançou um desafio: 
– Aquele que se julgar tanso, faça o favor de ficar de pé. 
Todo mundo continuou sentado. Alguns segundos depois, Elton se levantou. 
E o professor, enfezado:
– Quer dizer que você se julga tanso, Eltinho? 
– Bem, pra dizer a verdade, não! Mas fiquei com pena de ver o senhô aí, em pé, sozinho – disse ele, com seu coraçãozinho de manteiga.
Que coisinha bonitinha, né?! É por isso que hoje um monte de professora aposentada vota nele!
Do vereador Nelsinho, contaram-me esta passagem: na aula, a dona Cléia, esposa do professor Amadeu Scheidt, ordenou que cada aluno fosse em sua mesa e pegasse, dentro da caixa, um papel com um nome de um animal. Então, lá foi o Nelsinho pegar o papel. Voltou até sua carteira, abriu e leu: 
–Tatu! 
Meio espantado, perguntou pra dona Cléia:
– Plofessola, tatu é um animal?!
A dona Cléia, com aquele seu jeito querido, respondeu:
– É sim, Nelsinho, por que, meu filho?
Em meio ao desespero, ele pediu, choramingando:
– Me dexa ir mimbora pra casa, por favor, fessola. Eu vou pedir pro mô pai tirar o que ele disse que eu tinha no nariz anti de vim pra iscola!
Na Ponte do Imaruim, estudava um menino muito inteligente e verdadeiro. Ele se chamava João Carlos, mas os amiguinhos da Escolinha da Prefeitura e do Professor Pakão o chamam hoje de Bala.
Certa vez, a professora explicava os tempos verbais para sua turma:
– Se eu digo "Eu fui bonita", a frase está no passado. E se eu disser "Eu sou bonita"?
Bala prontamente respondeu:
– É mentila!
No colégio Ivo Silveira, a professora Valneide explicava o que significava a palavra "dedução". Após demorada e detalhada explicação, perguntou a um aluno:
– André Xavier, dê-me um exemplo de dedução!
– Ok, fessora. Ontem, quando eu vinha pra iscola, sem querê, eu vi o Fabinho tomando banho pelado no rio Passa Vinte, então, eu deduzi que ele ia esgazear a aula – disse o André, sacaneando o Fabinho.
– Muito bem, André. Agora você, Fabinho, me dê outro exemplo.
– Fessora, ontem, quando cheguei na iscola, vi o André entrando no banheiro com um jornal debaixo do braço. Aí, eu deduzi: deve tá indo cagar, porque ainda não sabe ler – respondeu o Fabinho, dando o troco!
No Pachecos, contaram-me esta: dizem que um tropeiro gaúcho chegou à beira do rio Aririú, no Pachecos, com seu gado, e perguntou para o Marquinho, que estava sentado em cima da cerca de um pasto porque tinha esgazeado a escola naquele dia:
– Esse rio é fundo, guri?
Marquinho respondeu:
– Acho qui não, a criação do mô pai passa com a água no peito.
Então, o tropeiro meteu o gado na água, e lá pelo meio do rio, toda a tropa se afogou. No desespero, o tropeiro perguntou pro Marquinho:
– O teu pai cria o que, guri?
– O mô pai?! Pato, uai!
Fui, mas na semana que vem eu volto. Faço, então, a última consideração: se quem ama cuida, eu devo amar muito os políticos de Palhoça. Porque o que eu tenho cuidado da vida deles, não é brincadeira! Rá, rá, rá, rá...



Publicado em 21/10/2021 - por Beltrano

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