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Lei Felca acende alerta sobre saúde mental de crianças e impõe novo limite ao ambiente digital

Especialista da Tempo Med Planos de Saúde pontua que medida não é censura, mas resposta necessária à adultização precoce nas redes

2e4b482be9c55e2b64d06a3f01f31aa4.jpeg Foto: DIVULGAÇÃO

A entrada em vigor da Lei Felca, no mês passado, reacendeu um debate urgente: até que ponto o ambiente digital tem invadido e impactado o desenvolvimento psicológico de crianças e adolescentes? Mais do que uma nova regra para plataformas, a legislação expõe um problema que já vinha sendo observado por especialistas: a infância cada vez mais encurtada pela lógica do consumo, da exposição e da validação online. É nesse ponto que o tema ganha força.

“A Lei Felca surge como um anteparo jurídico em um cenário onde a fronteira entre o público e o privado, o infantil e o adulto, tornou-se perigosamente fluida. Ao mirar o combate à adultização e à exploração no ambiente virtual, a legislação não apenas regula o mercado, mas intervém em uma crise civilizatória: a erosão da proteção à infância”, afirma Elizandra Pereira, psicóloga da Tempo Med Planos de Saúde.

A nova legislação exige que plataformas implementem mecanismos de verificação de idade e restrinjam o acesso de menores a conteúdos como pornografia, apostas, aplicativos de relacionamento e outros materiais incompatíveis com o desenvolvimento infantil. Na prática, deixa de ser suficiente apenas declarar idade: será necessário comprová-la. Mas, para além da regulação técnica, o impacto mais profundo está no campo psicológico.

“Para a psicanálise, a infância exige um tempo de ‘latência’, um período onde a criança pode organizar seu mundo interno sem ser bombardeada pelas exigências da sexualidade e do consumo adulto”, explica Eliz. Segundo a psicóloga, o ambiente digital atual rompe com esse tempo. “A publicidade predatória e o conteúdo adulto ‘disfarçado’ forçam a criança a performar papéis que não correspondem à sua maturidade psíquica. Quando algoritmos tratam crianças como ‘mini-consumidores’ ou ‘mini-influenciadores’, eles ignoram a necessidade do brincar livre, substituindo-o pela busca incessante por engajamento e aprovação externa”, diz.

Outro ponto crítico é a falsa sensação de segurança proporcionada pelas plataformas. “O ambiente virtual muitas vezes cria uma falsa sensação de segurança. A Lei Felca, ao combater a exposição a conteúdos impróprios e a exploração sexual, atua como uma ferramenta de cuidado ético. Ela estabelece que nem tudo é ‘consumível’ e nem tudo está à venda”, reforça.

A especialista também chama atenção para o papel dos algoritmos na formação de comportamento. “Vivemos em um sistema onde o algoritmo funciona como um imperativo: ‘compre’, ‘jogue’, ‘exiba-se’. Em redes sociais e aplicativos de jogos, a publicidade predatória utiliza gatilhos emocionais que exploram a necessidade de pertencimento do adolescente”, afirma.

Nesse contexto, a legislação atua como uma barreira a esse modelo. “Ao restringir essas práticas, a lei protege esses indivíduos de um ‘marketing de emboscada’ que mimetiza o entretenimento para vender comportamentos de risco, garantindo que o ambiente virtual seja minimamente habitável para quem ainda está construindo sua identidade”, completa.

Além das mudanças estruturais, profissionais da área têm observado reflexos comportamentais imediatos após a entrada em vigor da lei. Psicólogos relatam casos de crianças que passaram a reagir com mais irritação e agressividade diante da redução do tempo de tela imposta pelos pais, além de situações em que menores chegaram a enviar mensagens ao próprio Felca em protesto contra as novas regras.

Para Elizandra, esses comportamentos precisam ser observados com atenção. “Elas não estão apenas jogando, estão ensaiando a cidadania. No entanto, há um paradoxo: protestam contra uma lei que visa protegê-las, o que demonstra como a identificação com influenciadores pode ser mais forte do que a percepção do risco”, analisa.

A orientação, nesses casos, é buscar acompanhamento especializado o quanto antes. O suporte psicológico pode ajudar a compreender as reações, reorganizar limites e apoiar o desenvolvimento emocional saudável da criança ou adolescente diante das novas regras do ambiente digital.

Para a psicóloga, esse tipo de reação é esperado, mas reforça a importância de limites. “A Lei Felca atua como uma função que frustra o desejo imediato em prol da segurança a longo prazo. Se a criança luta por acessar algo que ainda não compreende, cabe à lei e aos adultos sustentar o ‘não’ que protege”, afirma.

O fenômeno, segundo ela, vai além de um episódio isolado. “O protesto no ambiente digital não é apenas uma curiosidade, mas um sintoma social. Ele mostra como o jovem está inserido em dinâmicas que muitas vezes não consegue dimensionar”, diz.

Por isso, a especialista é direta: o momento exige atenção e responsabilidade coletiva. “A Lei Felca não deve ser vista como um ato de censura, mas como um ato de cuidado. Proteger crianças e adolescentes no ambiente virtual é garantir o direito ao segredo, ao erro e à proteção contra a voracidade do mercado”, conclui.

Diante desse cenário, a mensagem é clara: mais do que cumprir regras, é preciso repensar a forma como crianças e adolescentes estão sendo expostos ao digital e qual infância estamos, de fato, permitindo que eles vivam.



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